Asas negras
13 Capítulo 7 - Pena
capitulo 8 — Pena.
Já era de manhã.
Eu não exatamente descansada para mim — eu estava me sentindo como se tivesse dormido desdas 3h da manhã até 12h. Mas tudo bem. Eu já tinha me acostumado, por causa daquela sensação. Já fazia semanas que eu não tinha uma boa noite de sono. Demorei-me na cama, lavei o rosto e me arrumei bem devagar para não encontrá-los logo de manhã sem estar preparada. Eu sabia que aquela assunto não tinha terminado e se dependesse de Joanne — muito longe disso. Passei o meu vestido branco até o joelho com tanta força que quase queimou. Fiquei em alerta.
Abri a porta devagar esperando um vago comentário da briga de ontem, mas nada. Estava claro e silencioso. Não havia ninguém.
Ótimo.
A mesa ainda estava posta. As xícaras estavam de cabeça para baixo, as pratos também, não havia pães. Cortesia da Joanne talvez? Ephane teria visto. Pelo menos ela sabia que eu não tinha intenção de fazer Kyle sofrer e acreditava e gostava de mim. Ela tinha sido uma mãe para mim no passado — e mais do que uma mãe agora. Vaguei pela cozinha até a geladeira, onde encontrei um bilhete.
Fomos acalmar Joanne.
O pão já vem. Teve uma boa noite?
Olha, eu e Athos acreditamos em você.
Desculpe por tudo. Mesmo. Srta. Eph.
Passei o inferior do dedo sob o bilhete, observando sua cativante e legível letra que tanto me fascinava. Eu sempre quis conseguir fazer aquele tipo de letra, o original dela. Mas sempre ficava um garrancho.
Eu ri disso.
Pela primeira vez eu tinha rido com gosto dentro daquela casa. Os acontecimentos inteligivelmente que pairavam sobre cada um de nós não nos deixava com um bom humor, mas pela primeira vez eu tinha tido necessidade de rir. Eu esperava que Ephane ficasse bem, não brigase com Joanne — apesar de tudo -, ela era a filha dela. mãe e filha não podem brigar. Eu, pelo menos, odiavam brigar com minha mãe ou com meu pai. Por mais que um dos nós tivessem errados, brigar e errado numa família. Têm que viver em harmonia. É preciso para uma boa convivência, com quem quer que fosse.
Alguém bateu palmas la fora.
Pelo que ela tinha escrito no bilhete, devia ser o "homem do pão". Desamassei com as mãos o vestido para parecer apresentável e sai porta a fora. então abri a porteira, a qual eu nunca tinha vista fechada. Nem tinha percebido que tinha uma porteira.
Era um rapaz de cabelos pretos, com uma franja que pairava sob os olhos como garras, tinha um jeito bonito (quase desconcertante) e era incrivelmente pálido. Quase opaco. Apesar de ser bem bonito, Kyle era o único que tinha a beleza desconcertante. O único que me fazia esquecer quem eu era.
- Você deve ser "o cara do pão". — cumprimentei pegando o pacote imenso sob suas mãos.
- ''O cara do pão"? Já tive apelidos melhores. — disse incrédulo.
- Foi mal... — eu mal tinha percebido que ele tinha se incomodado com o apelido, eu nem sabia o nome dele. Na quela hora nem me importava. Pelo menos, a única coisa que fazia sentido naquele momento era o pão maravilhoso que eu fuçava.
- Me chamo Riley Crouch.
- Uhum...
- Parece que você gostou.
Então sai do transe.
- Ah! Desculpe, sou Aure. Quer entrar? Eu não vou consegui comer tudo isso sozinha. — ele assentiu.
Eu não sabia se podia colocá-lo para dentro. Mas, para Ephane recebê-lo toda manhã, deve ser um amigo. Assim eu pensei. Fechei novamente a porteira e entrei com ele. Arrumei as xícaras e coloquei o café. Riley estava tomando, parecia... bom. E estava. O pão também.
- Você que faz? — perguntei.
- Uhum. Trabalho de segunda a sexta numa padaria.
- O pão está ótimo. E o que é mais?
- Sou guia turístico nas horas vagas.
- Uhum... sério? — ocorreu-me uma ideia. — Agora?
- Agora o que?
- Você poderia me apresentar o lugar, quer dizer, a ilha? Faz tempo que eu não venho aqui. A não ser que tenha que trabalhar...
- Não! Quer dizer, só trabalho de manhã na sexta.
- Ah, ok então?
- Claro. Meu carro está lá fora.
Riley tinha um incrível Smart Cabrio conversível vermelho, que parecia mais um buggy. Mas me encantei com o carro. Mas não chegava aos pés do meu conversível — ele dava indícios de que queria algo mais. Seu jeito estava suspeito. não suspeito como se estivesse fazendo algo de errado, e sim como se quisesse algo mais de mim. Ficava me olhando com o canto dos olhos e, as vezes, ficava meio abusado. Pegava na minha mão ou algo parecido. Eu não sabia como deveria lidar com isso. Já éramos bastante amigos para eu começar a desconfiar e recear da tamanha e repentina proximidade de nós. Mas tentei não demonstrar. também já éramos bastante amigos para que eu receasse que minha atitude magoasse seus sentimentos. Não que tivéssemos algo mais do que amizade.
Já estávamos mais ou menos na praia de Kamari. Não era exatamente melhor do que as praias que eu já havia visto, menos até que a praia vermelha a alguns minutos daqui, mas sua areia cinza asfalto dava um leve mistério no lugar. As pequenas ondas batiam na margem quase como se estivessem contando um segredo. Isso trouxe o meu renegado e breve passado com Kyle a tona na minha mente.
Já tínhamos saído do carro e agora estávamos sentados numa das cadeiras de praia esquecido por ali. Não pretendíamos ficar muito tempo. Já estava escurecendo.
- Tudo bem?
- Claro, Riley. Tudo bem. — e, como minha mente estava relembrando o passado com Kyle, percebi como os dois eram parecidos... no nome. Não havia nada que comparasse Kyle a qualquer outro homem no mundo. Ai! Porque eu estava me lamentando?
- Não parece.
- Esqueça isso. Vamos logo no museu de vinhos antes que escureça demais e feche.
- Aure... — ele pegou minha mão — Seja o que for, vai melhorar.
Não deixei que ele percebesse, mas eu tentava tirar sua mão da minha com o olhar. Inútil, eu sei. Mas aquilo estava me incomodado. Riley estava obtuso demais! não parecia que ele queria ser só meu amigo. Quando fomos visitar as ruínas da antigas Thira, ele pegou minha mão sem mais nem menos. Entrelaçou-as e ergueu perguntando pode?. Apesar de abismada com tamanha atitude sem nexo, não fiz nada. E — talvez por essa minha conduta piegas — Riley pareceu se convencer que havia algo mais entre nós. Mas não havia nada alem de amizade! Será que ele não entendia que eu só o deixava fazer essas coisas porque achava que éramos amigos? Que eu não queria feri-lo tirando minha mão bruscamente da dele e censurá-lo? Talvez esse fosse meu erro. Ficar em silencio.
Tentei fingir despreocupada.
- Tem razão. Está tarde, vamos embora. Podemos ver o resto algum outro dia... — ...talvez nunca. Essa aproximação estava me assustando.
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