Asas negras
7 Capítulo 4 - Deixada
Capitulo 4 — Deixada.
Acordei suando mais uma vez. A sensação continuava e a pena também continuava preta. Eu não entendia. Aquela pena me trazia segurança, mas agora... como pode? Aquela sensação boa da textura pareceu que tinha virado um sonho, pois agora estava áspera. Já era quase 14h quando vi no relógio. Atrasada, como sempre. Vesti um sobretudo preto com botões do tamanho do fundo de um copo (eu tinha mais sobretudo do que alguém possa imaginar, a maioria da minha roupa era), uma legg preta meio rasgada (designer) e mini bota. Não sei, mas parecia que eu sempre saia assim! Deve ser paranoia minha. Estava saindo quando olhei para a pena de novo. Olhei para a bolsa, de novo para a pena e para minha mão.Então levei-a comigo, apesar de preta.O táxi percorreu a 7th avenida até o final e entrei a direita na Clarkson St. Eu não me lembrava bem se era depois da Hudson St., mas mas pedi para que fosse para lá e virasse a direita de novo para parar o carro no minúsculo estacionamento. Sim, era lá. Lá estava o Moo's Madness espremido entre dois edifícios. Já tinha uma picape lá, vermelha. Sai do táxi e parei na porta. Por que parei? Havia um segurança gordo e forte parado. Logo que olhei para ele vi que foi uma má ideia ter ido se encontrar ali naquele bar que sempre me pareceu nojento, mas só agora que eu tinha lembrado.Estava dando meia volta quando alguém me chamou.Vitor.- Hei! Aqui! — gritou acenando. Tentei sorrir, mas saiu mais como uma careta. Tentei ir até ele, mas o segurança me impediu colocando a mão sob meu peito. Senti uma raiva enorme, mas tentei me conter. Vitor entendeu. — Ela está comigo.- Uhum. — assenti.Então o cara nos deixou entrar. Como eu suspeitava, o lugar era mais do que nojento. Havia moscas rondando as pessoas, bêbados, cerveja caído no chão e gente brigando. Comecei a ficar enjoada. Então Vitor me puxou até a mesa de sinuca, envolveu sua mão direita na minha cintura para pegar o taco e começou a jogar. Eu gostei do perigo, mas aquilo era perigo demais. Estava começando a me assustar.- Já acabo Aure. Deixe o cara voltar e terei... — sussurrou ao dar uma tacada certeira na bola 8.O outro jogador chegou logo depois. Mas o que mais me inraiveceu aquela hora foi quando o cara passou por nós e passou a mãos em mim. Me senti mais do que suja.- Hei! — libertei-me das mãos de Vitor. — Dá mais uma passada de mão e vai perder algo que você presa por entre as pernas. — ameacei. O cara riu. Pude ver o dente amarelado com chiclete que parecia ser consumida desdo ano passado. Estava até preto. Tive que me esforçar para não vomitar.- Invocadinha hem Vic? — ele preparou outra tacada.- Cara, você mereceu fazendo isso na minha garota.Minha garota? Que minha garota era isso?!- Que tal apostar a garota?- Só se você quiser ir para o hospital...- Eu andava com uma saudades de lá... — ironizou.- Perca e a sua picape vira minha. — disse abraçando-me pelas costas. Senti um calor enorme subindo e descendo meu corpo. Senti vontade de pedir para que ele apertasse mais, mas me senti uma idiota pensando em falar isso. Mas Vitor pareceu perceber minha reação, o que eu queria, e apertou mais. Cheguei ficar sem ar.- Errou. Picape. Minha.O outro resmungou algo que eu não pude ouvir, mas entregou a chave. Vitor brincou um pouco com a chave zoando com a cara do outro e me puxou para a porta. Mas antes disso, pegou um copão de cerveja. Não gostei disso. - Ganhou não? — perguntou o segurança.Vitor assentiu.Ao entrarmos na picape, ele tomou um golão da cerveja e me beijou. Pude sentir o gosto do álcool na minha língua, chegava me dar tontura e — principalmente — nojo. Eu odiava e sempre odiei cerveja. Vitor se afastou. Por pouco eu não cuspia na cara dele.Direção? Que isso! Ele quase atropelou só três mulheres, um cachorro e cinco velhinhas... só isso. - AAAAAA! Vitor!!! — ele ia matar nós dois! E ele ainda continuava a beber o copão, mas isso foi até eu atirar pela janela. Tentei pegar o volante para tentar voltar a pista, mas ele jogou minha cabeça contra o vidro. Tudo começou a rodar. Demorei um bom tempo até voltar o meu estado de sanidade, foi então que gritei de novo. Ele passou no sinal vermelho e, ainda por cima, quase fomos atropelados. Mas a caminhonete passou antes que atingíssemos ela. Envergonhada era pouco.- Vitor! Pare já com isso!- Cale a boca! Estou dirigindo! — o que? Isso era piada... não era? Ele estava é correndo, não dirigindo.- Entra no Central Park!- Não, ainda não.- Agora!!!- Ta bom. Ok. — ele girou o volante bruscamente para a esquerda pela West Dr. onde mais na frente as estradas se encontravam — duas, a que estávamos e outra que vinha lá do outro lado com o mesmo nome. E parou o carro ali.Respirei fundo.Vitor saiu do carro, cambaleou até uma lixeira e vomitou. Pelo som quase vomitei também. Era mais do que nojento. Nem tive coragem de sair do carro, não agora. Mas ele mesmo tomou a iniciativa e quase arrancou a porta para me tirar de lá. Limpou a boca com a manga da blusa preta e me apertou pela cintura me fazendo cambalear junto com ele, bêbado. Novidade.
- Vitor. Acorda, Vitor. — supliquei, mas ele só deu um sorriso amarelo cheio de residos do que tinha vomitado. A ânsia começou quase que imediatamente, mas tentei me esforçar para não vomitar também.Eu tinha meu orgulho.Mas nossa caminhada de tropeços e cambaleadas durou pouco. Vitor começou me puxar em direção ao lado a nossa direita, gritei para que parasse — como se fosse possível -, mas ele nem deu atenção. Me puxou até a ponta e quando vi que íamos cair... algo nos puxou. Ou alguém.
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