Asas negras
16 Capítulo 7 - Pena - parte 4
Revistas.
Revista e mais revistas. Ah, claro. Tirando um livro empoeirado no meio delas. As revistas diziam quase a mesma coisa. Algo que aconteceu, como incêndios e etc, e salvos por alguém que não sabiam quem era. Nome de algumas famílias e, dentre elas, a Genoom. Na verdade, a mais citadas nelas. Li a matéria de uma — só por curiosidade. Ah, e claro. Tirei o note-book da mala e liguei na internet. Eu não tinha como entender o que estava escrito. Estava tudo em grego.
Traduzindo:
Um anjo entre nós?
Os Deuses voltaram para nos salvar?
Porque especificamente só essas famílias?
não somos dignos de ser salvados também?
15 de setembro de 2004. O incêndio começou pelas 4h e 15mim da manhã — como fora informado pela policia. Fora na casa dos Genoom. Todos estavam dormindo, mas por um milagre ou sei-lá-o-que alguém os salvou antes que a fumaça os acessassem.
Um dos moradores falou conosco. "O fogo começou de repente. Sai da cozinha o mais rápido possível para ajudá-los, mas não precisava. Vi a sombra de alguém trazendo os Genoom para fora de casa. não tenho certeza, mas acho que vi asas." disse o residente Major Alengar.
Seria um anjo? Um dos Deuses gregos que os salvaram? Pouco provável. Nosso povo vive em volta de fatos, razão e provas materiais. Se os Deuses existem? não sabemos, mas é pouco improvável que um Deus salve uma simples família sem eira nem beira. E anjo? Nunca se sabe, mas a sociedade e os policiais recusam-se a acreditar.
Mas não é a primeira vez. Vários acidentes que acontece com essa família.. mas porque são sempre salvos? Por só os Genoom, os Dreale e os Zape?
Pesquisamos sobre eles.
Sim, eles tem uma ligação.
Essas famílias viveram na mesma casa pelos anos 1890 e 1978. E nenhum deles morreram antes de completar os 90 anos. Nenhum deles tinham morrido por assalto, assassinato ou outros casos que acontecem aqui e pelo mundo a fora. Ele eram mais do que protegidos. Foi só se separarem que alguns dos Dreale e os Zape morreram por causas de assaltos ou etc.
Menos os Genoom.
Que tipo de aura ou proteção há em volta deles? É a primeira vez que pergunto isso, mas porque não morrem antes?!
Anjos. Acho que não. Eu era batizada, ia em igrejas, acreditava em anjos e em Deus, mas... é que parecia tão impossível! Não acho que um anjo seja o salvador por trás desses casos. Apesar de tudo que acredito, concordo também com o escritor. Que vivemos em volta de fatos, razão e provas materiais. É difícil tentar acreditar nisso quando se é criado em volta de pessoas que não acreditam.
Somos tipo assim:
Acreditar — eu acredito, mas com um pé atrás.
Não é certo, eu sabia, mas é difícil acreditar quando... bom... Você sabe.
Procurei por algo sobre essas famílias, inclusive essa, mas não achei nada além das mesmas informações essas revistas. Só que moravam na mesma casa e que depois de separaram. Olhei o livro então.
Que ironia.
Era sobre anjos.
Não especificamente anjos, mas sim anjos que se apaixonavam por humanos. Anjos que caíram do céu. Havia historias — que pareciam ser verídicas -, fotos, desenho representando anjos caídos, e... e uma foto que me chamou muita atenção. Era uma foto tirada de uma pena. Uma pena negra. não parecia pena de pássaro, não parecia o tipo de pena que podíamos ver em animais.
E havia uma legenda abaixo.
Encontrei-a perto do pé do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, Brasil Procurei na internet para ver de que pássaro era, e se era de uma ave. Não, eu não encontrei. Procurei especialistas, mas eles também não souberam me dizer. Foi então que de repente ela meio branca e depois sumiu, mas eu ainda podia senti-la.
Eu sou católico, acredito em anjos e em Deus. E foi o que eu pensei. Peter Grant
Era igualzinho que tinha acontecido comigo — quer dizer, aquela parte de sumir. Peguei a bolsa e tirei as penas de lá.
Sim, era igualzinha.
Negras e ásperas como sempre. Senti um calafrio ao tocá-la, como sempre também. Anjo? Bom, havia mais coisa entre o céu e a terra do que podíamos imaginar. Era difícil de acreditar, apesar de ser a única coisa que explicava aquela espécie de pena. Mas o que Kyle estava fazendo com aquilo? Talvez a mesma coisa que o cara que acho a pena da foto. Guardando-a... Não. Qual é a probabilidade de isso acontecer? Quer dizer, eu achei as penas por sorte, eu talvez não por tanta sorte assim. Ou talvez... é improvável, mas...
Talvez ele fosse um anjo caído
...
Não.
Não mesmo. Kyle podia ser qualquer coisa, menos um anjo ou sei-lá-o-que. Até a ideia de ele ser um Deus grego era mais tranquilizadora do que ele ser um anjo. A verdade em tudo isso era que eu queria e não queria acreditar. Eu não sabia mais no que pensar! Era tudo tão louco!
Eu precisava dormir.
E foi o que eu fiz. Desliguei o note, guardei todas aquelas revistas e aquele livro, guardei as penas e desabei na cama. A sensação veio forte dessa vez, mas o torpor estava como muralhas a minha volta e a dor não pode me acessar. Fiquei grata por isso.
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