Notas iniciais
Os capítulos 1 de qualquer história são sempre meio chatos, na minha opinião. Peço que tenham calma, pois o ritmo da história aumentará a cada novo capítulo! ;D

Não havia nada senão uma enorme quantidade de estrelas aquela noite. Aquela mesma cidade havia crescido um pouco, ainda era pequena, e a família Williams mudara de casa havia doze anos.

As quatro paredes azul-claras, o teto revestido de madeira e a janela e cortinas fechadas faziam com que, mesmo no outono, o quarto não tão grande de Andrew ficasse abafado e numa temperatura ambiente boa, de uns 22°C. Ele estava deitado em sua cama, com a mão apoiando sua cabeça. A madrugada era a única hora em que ele gostava de ficar quieto, já que sempre está bem acordado e sempre fazendo alguma coisa. Ele é do tipo de garoto que nunca para.

Ele estava sem camisa e com uma calça de moletom cinza com listras laterais vermelhas. Suas pernas estavam cruzadas e seus pensamentos estavam longe. No que ele tanto pensava? Bem, ele era um garoto de muitas dúvidas. Mais tarde, todos saberão o por que.

Ele pensou em Cameron, seu melhor amigo. Cameron sabia de todos os pensamentos do amigo e vice-versa. Era daqueles fiéis e companheiros, os garotos nunca se desgrudavam. Ele sabia da paixão de Andrew, Elizabeth, uma garota do colégio. Há muito, ele tentava conquistá-la, e prometeu um dia fazer isso.

Os cabelos pretos, lisos e brilhosos do rapaz estavam desgrenhados, como quase sempre. Mesmo sendo um belo rapaz, ele nunca se importou muito em manter uma boa aparência.

Ele virou um pouco a cabeça e levantou o olhar para a cômoda de madeira onde sob ela, ficavam um telefone e um despertador – que, aliás, tocaria dali a duas horas.

O garoto bufou e voltou a encarar o teto. Após alguns segundos, ele se ajeitou na cama e pegou o controle que estava na cabeceira, apontou-o para a TV que ficava presa na parede num painel azul e branco do seu quarto e a ligou. Colocou o volume baixinho para que ninguém da casa acordasse e começou a procurar algum canal onde estivesse passando algo legal.

“Às quatro e meia da madrugada, Andrew? Que gênio, você. Além do mais, uma madrugada de domingo para segunda.” Ele pensou e deu uma risada baixa. Depois disso, acomodou-se na cama e conseguiu pegar no sono.

Algumas horas depois, o despertador tocou e Andrew levantou-se num salto da cama. Como ele conseguia ter tanta energia depois de praticamente não ter dormido? Ele dirigiu-se ao banheiro e tomou um bom banho quente. Pôs um tênis All Star branco, calça jeans preta, uma camisa básica branca e um moletom da GAP azul escuro. Escovou bem os dentes e pegou sua mochila que estava no chão, encostada no pé da escrivaninha, pois estava fazendo uma pesquisa na noite passada. Enfiou dois cadernos dentro da mochila branca com uns riscos meio quadriculados pretos, zipou-a e pôs nas costas.

Desceu as escadas de dois em dois degraus. Ele podia ouvir o barulho da água corrente da torneira da pia caindo, o que provavelmente queria dizer que seus pais já terminaram o café e sua mãe estava lavando as louças.

- Bom dia, mamãe — Andrew disse sorrindo e deu um abraço nela por trás. — Papai já foi trabalhar? Tão cedo?

- Bom dia, Andy. Sim, ele foi. Ele tinha alguma reunião importante e ele não podia chegar nem um minuto atrasado. E eu — ela disse dando um leve tapa na mão dele fazendo sinal para que o garoto tirasse seus braços de volta da sua cintura -, tenho que começar a me arrumar também. Quero voltar cedo e fazer as malas para a viagem de negócios. Quero acompanhar seu pai nisso.

- Certo! — Andrew respondeu e a soltou.

A cozinha era grande. Andrew dirigiu-se até o fogão, estendeu suas mãos para alcançar os armários da cozinha que eram quadrados brancos e verdes e pegou um prato da pilha. Abriu a primeira gaveta do armário que havia do lado esquerdo do fogão, pegou uma colher e pôs bacon e ovos em seu prato. Colocou um copo do suco natural de laranja que estava na geladeira, sentou-se em uma das seis cadeiras que arrodeavam uma grande mesa de vidro com pernas prateadas que ficavam ao centro da cozinha e pôs-se a comer rapidamente.

Quando faltavam cinco minutos para a hora do ônibus chegar, Andrew pôs as coisas que havia sujado na pia para que a empregada doméstica as limpasse mais tarde, colocou novamente a sua mochila nas costas e entrou para o ônibus que já o esperava.

Após poucos minutos, ele já estava na escola. Cidade média, ele às vezes achava isso até desnecessário.

A escola era muito bem arborizada e também bem grande. Tinha piscina, quadra de tênis, basebol, um refeitório, a cor predominante era branca, armários individuais, enfim... Tudo o que era comum nas escolas norte-americanas.

Andrew estava andando no corredor com vários armários, quando avistou Elizabeth. Uma garota de sua idade, dezesseis anos, cabelos longos e ruivos, pele bem branca e delicada, olhos azuis penetrantes, um azul que para Andrew era único, sardas no rosto que Andrew achava super fofas, lábios bem vermelhos, enfim... Andrew era apaixonado por ela. Ela era sua amiga, eles confiavam um no outro, mas ele nunca tinha falado nada disso para ela com medo de estragar a amizade que há muito tempo eles tinham. Ele a deixava bobo, mas ele amava isso até... E ele achava que era mestre em disfarçar, já que ela nunca tinha percebido — ou ao menos era o que o rapaz esperava. Ele foi na direção da garota com um largo sorriso no rosto — que ele fazia sempre que a via.

- Liz! — ele disse sorrindo. — Bom dia! Como foi seu fim de semana?

- And! Tudo bom? — ela disse sorrindo e o abraçou. O abraço de Elizabeth fazia com que ele se sentisse nas nuvens. Ele retribuiu o abraço com cuidado e esperou uma resposta. — Meu fim de semana foi entediante, ainda mais com a quantidade de trabalho que nos foi passada, e o seu?

- Exatamente igual — ele disse e riu. O sinal bateu. — Ah, é hora de irmos. Hoje nós temos aula de história juntos, então, até lá.

- Até mais tarde, And — ela disse ainda com um sorriso no rosto e se dirigiu até sua sala.

Andrew fez o mesmo, e lá estava Cameron, seu melhor amigo. Tão amigos que os dois têm a mesma grade de horários, todos os dias da semana. Andrew nunca fora um rapaz de ter muitas amizades que ele considerasse boa e verdadeira, mesmo que ele falasse com todos. Em seu quadro de amizade, Cameron com certeza sempre esteve em primeiro lugar. Os dois cresceram juntos como irmãos e sempre levaram uma linda amizade. Cameron era um garoto muito bom, estudioso, calmo, cortês, enfim, ele tinha muitas qualidades. Para Andrew, ser uma pessoa muito boa era o defeito do amigo. Cameron nunca agrediria ninguém, ou faria alguém se sentir mal. Sempre estava disposto a ajudar quem fosse.

Cameron sorriu e acenou para o amigo com a cabeça, que retribuiu. Andrew sentou-se na carteira ao lado do amigo e pôs sua mochila no chão.

- Ela ainda vai me matar, cara — disse ele.

- Se eu fosse uma garota, te ajudaria com isso — respondeu o amigo. — Mas eu não sei como conversar com Elizabeth sobre esse tipo de coisa. Mas se você tiver alguma ideia, pode me falar que eu tento. No entanto, lembre-se de que você já é um bom amigo dela e pode tentar conquistá-la. Qual é, há quanto tempo são amigos?

- Acho que tem mais de três anos — Andrew respondeu.

- Bom dia, classe — disse o professor, entrando na sala e fechando a porta.

Depois disso, todos os alunos se calaram e começaram a prestar atenção. A aula, para Andrew, estava muito entediante. Ele queria sair logo dali e fazer alguma coisa.

Andrew passou a aula conversando com Cameron sobre Elizabeth, menos no horário de história que os três ficaram conversando juntos. Cameron era muito fiel e companheiro, um amigo perfeito. Andrew achava sorte tê-lo como amigo e o amava muito. Os dois eram perfeitamente como irmãos, mas sem a parte da birra.

Quando a aula acabou, Andrew e Cameron saíram juntos. Cameron vestia um tênis branco que por algum milagre estava bem limpo, calça jeans azul e uma camisa xadrez azul com branco com uma básica branca por baixo. Ele era bonito, cabelos loiros e bem cacheados, olhos castanho-dourados, media 1,78, dois centímetros maior que o amigo, lábios bem vermelhos, um nariz benfeito e ele sempre deixava um pouco de barba, mas o tempo todo estava aparada. Suas bochechas eram grandes e dava vontade de apertar, diferente de Andrew que tem um rosto mais magro com feições mais finas e quase nunca usava barba.

- Eu vou no banheiro. Espere-me lá na saída — disse Andrew para o amigo, que concordou com a cabeça.

Andrew deu meia-volta e Cameron continuou caminhando, até que dois alunos do colégio que já estavam no último ano pararam na frente dele o fazendo esbarrar e cair no chão.

- Por favor, deixem-me passar? — Cameron perguntou com educação e cabeça baixa, abraçado com seus livros.

- Porque não bate em nós, seu gay? — disse um com um sorriso malévolo no rosto.

- Não diga isso, Brandon. O coitadinho vai chorar para a mamãe — disse o outro rapaz e riu alto, depois imitou o choro de uma criança.

- Acho que precisamos te ensinar a ser homem — Brandon falou novamente e deu um soco no tronco de Cameron que controlou a dor e soltou apenas um gemido.

- Você pode fazer melhor, cara — disse o outro que deu um chute forte no rosto de Cameron, fazendo com que ele jorasse um pouco de sangue pela boca e caísse novamente no chão.

Cameron nada fazia.

- EI! — berrou uma voz. Era Andrew.

Ele vinha correndo. Jogou sua mochila para um lado e deu vários socos e chutes habilidosos no que havia dado o chute em Cameron. Depois, Brandou veio e socou Andrew na cara, que pareceu nem se importar. Depois disso, um chute no rosto de Brandon e um soco muito forte em sua barriga o fez vomitar.

- Espero que não mexam com meu amigo outra vez. NUNCA MAIS! — ele disse berrando e só depois notou que um monte de gente da escola os cervacam e ficavam "Briga! Briga! Briga!" enquanto batiam palmas. Mas ele ignorou isso totalmente. Os brigões fugiram, e Andrew viu Elizabeth comemorando e fazendo sinal de "joinha" para ele.

- Cam, você está bem? — ele perguntou.

- Sim, estou. Obrigado — Cameron respondeu e levantou-se com a mão na barriga. Com uma expressão de dor, ele levantou a camisa xadrez e passou na boca para limpá-la. O local do chute do rapaz estava deixando roxo o rosto de Cameron.

- Tem certeza? — Andrew insistia.

Antes que Cameron o respondesse, Andrew caiu no chão de joelhos. O que já era comum aconteceu: ele teve uma forte dor de cabeça que veio do nada e começou a ter visões estranhas de um bater de asas estranho e todo o mundo mergulhando em escuridão. Ele nada mais via.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.