Asas De Sangue
1 Capítulo 1: Morte, talvez.
E de repente tudo escureceu. O céu mudou de cor, as nuvens cobriram o que ainda restava do azul. Trovoadas e raios faziam uma festa, mesclando o céu de um brilho intenso.
Naquela noite eu estava pronta. Pronta para morrer.
Eu estava cercada por dois homens altos, com músculos enormes e rostos não muito familiares, eu estava jogada no chão, suja de sangue e lama. E essa era a hora.
Era dia 27 de abril de 1996, eu e meu primo estávamos vendo um filme de terror na sala da casa dele, horas antes de tudo isso acontecer. O filme havia sido pausado por ele, enquanto ele pegava uma bebida para mim. Quando ele voltou, ele estava diferente. Não sabia explicar o que, mas ele estava de certo modo diferente. Ele se sentou ao meu lado e me entregou a bebida, era deliciosamente gelada, eu bebi tudo e no fundo senti gosto de sangue. Ele pulou em cima de mim, o que me fez cair no chão. Ele tirou a minha blusa e olhou as minhas marcas nas costas que eu tinha desde que era pequena. Ele me jogou na parede e gritava para eu abrir minhas asas, eu não estava entendendo nada. Que asas ele estava se referindo?! Ele estava louco e eu era refém disso.
Eu já estava tonta por causa das pancadas na cabeça. E então finalmente olhei para os olhos dele, não sei se o que eu via era miragem por causa da tonteira, mas os olhos dele estavam vermelhos cor de sangue. Fiquei hipnotizada com o olhar dele que me desliguei do mundo por segundos, mas ele desviou o olhar e eu consequentemente fiz o mesmo.
Eu buscava ar para preencher meus pulmões, porém ele me tirava todo o oxigênio, não sabia explicar porque. Ele pegou um casaco e me cobriu com ele, me levou para uma floresta a 5 km de sua casa. Ele se encontrou com dois homens, esses homens me jogaram no chão, tiraram o casaco que eu vestia e arranharam minhas costas como se estivessem procurando algo. Eu gritava de dor, mas não sentia nada. Então ouvi dizer que iriam atiar fogo no meu corpo por não encontrar as “asas” que lhe eram tão preciosas.
Lágrimas com gostas de sangue caiam pelo meu rosto. Meus olhos estavam embaçados mas eu conseguia ver um homem louro, sem camisa e um corpo magnífico, ele lutou com os homens e me pegou no colo. Eu não conseguia gritar, mas sentia que ele me acalmava com o toque de suas mãos e a ternura de sua voz dizendo que tudo iria ficar bem. Ele abriu suas asas e eu dormi em seu colo, e me tirou dali.
Acordei imensamente dolorida, meus olhos ardiam, minha cabeça explodia. Eu me encontrara na casa do homem que havia me salvado, olhei em volta do quarto, aparentemente eu estava sozinha. O quarto era pequeno e quente, e escuro pois já havia entardecido. Ao me levantar da cama, me deparo com uma foto dele quando criança, com um bebê no colo. Eu pego o retrato e ele aparece ao meu lado e tira-o de minha mão. Me assusto ao vê-lo que estava ao meu lado, sendo que segundos atrás eu estava sozinha.
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