Asas Da Memoria
5 Um Pouquinho de Verdade
Notas iniciais
Boa Leitura XD
Olhei o horizonte pela laje da casa da Soph, ela estava tomando banho, o que me deixou sozinha.Me secar a moda lá secador não foi uma boa idéia, porque o ar do secador de Soph esquentava demais e o negocio estava me queimando, então eu estava com um roupão e o cabelo solto para secar, escutando I dont know what to do vindo de alguma casa vizinha. Cantei alguns pedaçinhos e minha cabeça se mexia com a batida.Ate que começou a tocar Let Me Think About It e eu comecei a jogar os cabelos para lá e para cá que nem louca.Os pais da Soph tinha saído junto com a irmã mais nova dela.
O que eu não esperava era esta ali curtindo um pouco de musica eletrônica (coisa que eu pouco fazia) e quando abrisse os olhos visse ele ali.Então Fraks do The Creeps começou a tocar.Ele estava lindo, uma camiseta preta por de baixo da camiseta xadrez azul com cinza(que eu tinha dado de natal), uma calça jeans e tênis.
–Oi.-Foi o que saiu de mim.-Eu Soph lá banho embaixo volto ela já.-Nem eu entendi o que falei e nem sabia porque estava nervosa, mas ele parecia ter entendido o que eu tinha dito.
Então Diego se virou e desceu as escadas, depois de uns minutinhos, eu desci alguns degraus e escutei.Pensando em pegar algum pedaço bom da conversa.Mas parecia que não, não era nada bom e eu tive que colocar uma mão para tampar minha boca e outra encima do meu peito por causa da surpresa e dor.
–Por que você apareceu aqui de repente?Por que não me ligou?-Sussurrou Soph.
–Eu queria fazer surpresa, vim te ver.-Disse Diego.-Não sabia que ela estava aqui, não esperava que ela estivesse aqui.
–Você vai ferrar com tudo!É muito fofo o que tentou fazer, mas você podia pensar que a Danny é minha melhor amiga e ela vem aqui.Eu ia contar para ela tudo agora.-Disse Soph.
–Não, não.-Murmurei.Subi as escadas de volta e comecei a cantar, como se tivesse descendo agora.Eles se separaram na hora que me viram, e eu sorri como se não soubesse de nada.
Passei por eles e fui para o quarto de Soph, onde fechei a porta.Hora de ir embora, coloquei minha roupa que estava ainda meio úmida e fui para a sala colocar meus sapatos, Soph tinha voltado para o banheiro.
–Você já esta indo embora?-Diego perguntou.
–O que esta acontecendo realmente entre vocês dois?-Eu perguntei sem olha-ló.Porque tinha acabado de notar, que toda aquelas brincadeiras durante o baile, o quase beijo e etc fora tudo teatro, eles andavam se falando demais, ele estava vindo na casa dela, mas eu não sabia se ela estava indo na dele.
O silencio tomou conta e notei que Soph tinha aberto um pouco a porta.Puxei o ar, sem soltar nem um pingo.Devo ter virado um baiacu, tenho certeza.
–Quer saber, eu sei o que ta rolando e se alguém falar alguma coisa aqui...-Neguei com a cabeça.-Eu solto os meus cachorros.-Me levantei e fui em direção a porta, mas estava trancada e sem a chave no burraco.- E você ainda usa a camiseta que eu te dei para vê ela?-Eu ri sem humor e me encostei na parede.Meus cachos se balançando na minha frente, meu cabelo tinha duas opções, ou ele ficava liso ou cacheado, por causa que eu tinha feito relaxamento.
–Não faça isso, Danny, a gente só...-Eu olhei para Soph que tinha acabado de sair do banheiro, e ela viu a raiva que eu estava sentindo.
–Danielle, você já não tem mais o direito de me tratar com intimidade.-Eu estava com a calma incorporada.-Vocês estão de parabéns, realmente.Eu quase não notei, e isso foi a coisa mais estúpida, já que eu estava ali desde o começo.
Minha cabeça começou a doer, logo no machucado cicatrizado.Merda.Eu não ia me alterar, alias eu nem sabia porque eu estava daquele jeito, talvez ainda tivesse alguma coisa do que eu sentia no passado, quem sabe?
–Abra a porta para mim, por favor?-Perguntei.Soph negou com a cabeça.Fui ate a cozinha e passei a mão atrás da geladeira, peguei a chave escondida e fui em direção a porta.Mas Diego estava lá, seus olhos procurando os meus.
–Danielle, não fique com raiva, a gente estava trabalhando junto para poder te fazer uma surpresa.-‘E fizeram, de verdade, mas que consideração.’ Pensei.-E as coisas aconteceram desde lá, você passou muito tempo sem da sinal de vida, quer dizer, você ligou, mandou e-mails etc.Mas não apareceu.-Só olhei em seus olhos.
–Já faz 6 meses, foi o tempo que eu sumi para poder fazer minha mudança.Foram 6 meses SEM ME CONTAREM NADA.-Gritei o final da frase.-O pior não foi ter rolado alguma coisa entre vocês, o pior foi terem não me dito nada.Foi por você...-Apontei para Diego.-Ter tentado me beijar no baile, sabendo muito bem que eu não ia deixar apesar dela ter chegado a tempo.Vocês me disseram que eu era a melhor amiga de vocês, e mesmo assim me esconderam isso sem saber se ia me afetar ou não.Deixaram rolar ate que uma hora a pedra parasse em mim.
–Eu sinto muito.-Disse Sophia.
–Pode sentir, eu quero que você sinta tanta culpa.-Disse andando em direção a ela.-Tanta culpa que isso tire seu sono, porque foi graças a mim que você conseguiu ele.Ou não se lembra?-Disse batalhando contra aquela chama de vingança que subiu pela minha garganta, aquela chama que vem escrita: “Se te magoaram, faça o mesmo”.
–Danielle -Disseram eles em uníssono.Levantei os olhos e vi a janela, era brilhante, malditamente brilhante.Mas eu ia ficar para vê no que isso ia dá.
–Ai que lindo.-Ri alto.-Agora vocês falam junto, sabe...-Disse cruzando um braço embaixo dos meus peitos, apoiando o cotovelo do outro e com o indicador sobre meus lábios.-Eu nunca vi um casal progredi tão rápido, serio, eu estou realmente impressionada.
–Danielle, pare com isso.-Disse Diego.-Pare com esse humor negro, todos nós sabemos que da ultima vez que ele “voltou” você perdeu o controle.-Fez aspas no ar no voltou, eu assenti.
–E lembra de outra coisa?-Ele me olhou.-A culpa foi sua.-Hum, golpe baixo.-E você sabia,não era Sophia?Naquela época você me disse que não valia a pena e que era por isso que eu não devia ficar perto dele.“É tudo para o seu bem, Dany”, você disse.-Segundo golpe e já era um sucesso.
–Talvez a gente devesse deixar ela ir embora agora.-Disse Sophia com sua voz minguando, olhando para a parede ao seu lado esquerdo.
–Ai coitada, sinceramente deu ate vontade de te dar um abraço e dizer o que uma melhor amiga diria.-Terceiro golpe e a chama estava tomando conta de mim.-Mas para que ir embora, você queria conversar comigo, não queria?-Puxei o ar tentando me controlar.-Eu não notei porque eu tinha confiança em vocês, ambos sabiam que eu ainda podia sentir algo por ele e eu não notei porque confiava em vocês.-Quarto golpe e pronto, fim do primeiro round.
E então a magoa começou a tomar conta de mim pela verdade que tinha saído dos meus lábios.As lagrimas desceram uma por cima da outra muito rápida, meus olhos estavam cobertos por elas e eu não conseguia enxergar.Foi quando o som da salvação me veio, a chave sendo passada na porta, na hora em que a porta se abriu eu passei por ela tão rapidamente.Descendo as escadas rapidamente e passando pelo portão.
No meio do caminho alguém me chamou.Olhei em direção a voz, mas ver era o problema.Passei a mão nos meus olhos e vi que era meu irmão com a namorada dele.Foi quando abri o berreiro mesmo, ele atravessou a rua junto com a Holly e me abraçou.Holly só passou sua mão nas minhas costa enquanto meu irmão me sustentava e tentava me acalmar.
–Vamos para o carro, ok?-Assenti com a cabeça.-Quando chegar em casa a gente conversa.
Eles dois me levaram ate o carro, acho que estava cansada porque eu cai no sono.Dormi ate quando senti o carro parar, me sentei e olhei pela janela.Estávamos no estacionamento de um shopping.
–O que estamos fazendo aqui?-Perguntei.
–Vamos comprar um celular novo para você, era por isso que eu estava indo para a casa da Sophia, te buscar.-Ao ouvir o nome dela, meus olhos se encheram de água.Mas antes que elas se derramassem, eu puxei o ar com força e as espantei.
Descemos do carro, e fomos entrando no shopping.Já na primeira loja que fomos, eu escolhi um celular de touch preto e fomos embora.Deixamos Holly na casa dela e fomos para o condomínio.Quando chegamos em casa, tinha um bilhete dos nossos pais falando que hoje eles não iam poder aparecer e um pequeno memorando da Alice, que era a secretaria pessoal deles, falando que tinha comida na geladeira.
–É melhor eles não estarem aqui, a gente come alguma besteira, monta um acampamento na sala como quando a gente era mais novo e assistimos filmes ate amanha de manhã.-Olhei sorrindo para o meu irmão.
–Verdade, a gente não faz isso já faz um bom tempo.-Disse, sentindo a melancolia transbordando na minha voz.
–Vai, sobe, se troca e começa a arrumar o tapete e os sacos de dormir.-Deu um tapa no meu bumbum e eu ri.
Subi e coloquei meu pijama, uma camiseta azul e uma calça preta.Peguei meu saco de dormir rosa que meu pai tinha comprado quando eu tinha 9 anos, peguei um travesseiro e um lençol, desci e fui para o quarto de Andrey.
O quarto dele era sensacional, com uma king de casal, um closet, seu banheiro próprio, uma mini geladeira e vários, vários, mais vários mesmos posters e aparelhos eletrônicos.Entrei no closet e peguei seu saco de dormir e um tapete.Voltei para a sala de estar, coloquei o tapete, arrumei os pois sacos de dormir e peguei uns filmes no quarto dos nossos pais, aonde tinha uma estante que cobria toda a parede cheio de DVDs.Peguei Avatar, esposa de mentirinha e G.I Joe.
Por fim, eu sabia que a gente não ia assistir nenhum.Meu irmão ia perguntar o que estava acontecendo e eu teria que contar.Bom, eu teria mesmo, ate que meu irmão começou a gritar um monte de coisas que eu não entendi da cozinha.
–O que?-Disse entrando na cozinha, mas os braços do meu irmão me rodearam e logo me levantou me levando para o meu quarto no andar de cima.
–Vai se arrumar, vamos sair.Vista sua melhor roupa, a melhor.E passa um pouco de maquiagem nesses olhos.Anda, anda.-Disse me soltando e descendo.Eu ri em voz alta.
Entrei e peguei uma saia preta cintura alta e uma camisa branca de alças, uma meia preta sinta-liga e uma bota cinza sem cano.Entrei no banheiro e me troquei, peguei minha maleta de maquiagem(aquela com vários andares,sabe?), passei corretivo, depois um pó volume um, lápis de olho preto, sombra cinza, um gloss incolor e penteei meu cabelo num rabo de cavalo alto.
Voltei para a sala de estar com o celular novo na mão, odiava bolsas, elas simplesmente te impedem de se diverti do jeito que você quer.Fiquei esperando meu irmão, que apareceu depois com uma calça jeans preta, uma blusa azul e um colete também preto.Geralmente a gente entrava em contraste um com outro, mas agora que ele tem uma namoradinha...Já sabem aonde isso vai chegar,não é?!Sua franja caindo encima do olho.
–Demora mais do que eu para se arrumar!-Disse pra ele.
–Tive que ligar para Holly, ela vai juntos com uns amigos dela.-Revirou os olhos.E balançou as chaves do Eco Sport na minha frente em sinal de “vamos”.
O caminho foi sossegado, perguntei quem era esses amigos dela, e ele disse que não fazia idéia, perguntei com que roupa ela ia e ele respondeu que não sabia, perguntei aonde íamos e ele disse que não ia me falar.Por fim desisti e fiquei esperando ate a gente chegar lá, como estava demorando para chegar, comecei a mandar mensagem para os números que eu sabia de cabeça.
O primeiro a me responder foi Rômulo, depois Kaio, seguido por Luiza, Karla, Rebecca, Cristina, Rodrigo, e outros.Eu estava tão concentrada nas mensagens que quando olhei estávamos dentro de um estacionamento muito escuro por sinal.O batuque da musica contaminava o estacionamento.
–Por onde a gente vai subir?-Perguntei olhando ao redor.-Ou descer?
–Descer, é uma balada subterrânea.-Ahhh, então aqui era a Sub-Mundo.
Descemos do carro e fomos pelo estacionamento a dentro ate as escadas rolantes.A Sub-Mundo é uma das baladas mais foda e barata do mundo, eu nunca tinha vindo aqui antes e desde que ouvi falar sobre ela queria vim aqui.O dono dela era um cara totalmente maluco, tipo ele é totalmente apaixonado por essas coisas sobrenaturais, então por isso a balada era subterrânea.
As paredes e o teto eram almofadados em tom de vermelho florescente, o chão era de sei lá o que, mas eu sei que tinha uns tipos de líquidos vermelhos e pretos escorrendo por todo o lugar, esses líquidos pretos e vermelhos vinham de duas cachoeiras em cantos opostos do local. Tinha um lustre enorme descendo do teto, as pedras que o formavam tinha formato de anjos, demônios e vários outros bichos na cor branca.
Sim, eu já sabia de tudo isso sem nunca ter entrado lá.Depois de um tempo pesquisando, vendo imagens, entrando no site oficial, você meio que sabe o que tem lá dentro.Mas nada se compara ao “ao vivo e em cores”.
–Meu Deus.-Arfei.Só o corredor de entrada já era lindo!Ele tinhas paredes brancas e no final dava uma curva, as luzes iam se acendendo e apagando conforme você passasse e tivesse passado por elas.
–Gostou?-Andrey perguntou no meu ouvido.Eu só assenti olhando para tudo aquilo.Meu irmão aponto para a curva.-Temos que passar pelos seguranças para a melhor parte.
–Eu sei disso, eu sei tudo sobre o Sub-Mundo.-No final da curva ia ter dois seguranças enormes e um sensor para sei lá o que, talvez para armas, drogas, bombas nucleares, quem sabe?O dono era um pirado!
Passamos pelos seguranças e entramos no maravilhoso pátio, andamos ate um canto que tinha uma mesa com a Holly e um pessoal.A musica entrava nas minhas veias e vibrava dentro de mim.Eu não sabia que musica Techno que era, mas era muito legal.Holly veio e me abraçou, deixando meu irmão no vaco.
–Ta tudo bem?-Ela perguntou no meu ouvido.-Realmente esta bem?Eu quero saber.
–Ta tudo ótimo.-Disse soltando dela e sorrindo.Ela respondeu meu sorriso.
–Deixa eu te apresentar.Esse é o Nicolas.-Apontou para um carinha de cabelo curto e camiseta verde escura.-Essa é a namorada dele, Luiza.-Apontou para uma menina de cabelos roxos.-Essa é a Jessica.-Essa se levantou e veio me comprimentar, ela tinha o cabelo rosa escuro.-Ok, vamos ser mais rápidos.Sandra, Letícia e Mateus.-Era uma menina com um lado da cabeça raspado, a outra era muito alta e o cara era...
–Eu já conheço ele.-Ri.-Atropelei ele hoje de tarde.
Notas finais
Beijinhos, ate o proximo.
P.S.:Revisado (07/12)
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