Asas Da Memoria
9 E depois da tempestade
Notas iniciais
Aproveitem o capitulo ^^
A semana passou voando, o testamento foi lido e eu me mudei na segunda, na terça eles foram enterrados, na quarta, quinta, e hoje eu fui para a faculdade, as pessoas lá eram gentis, arrumei muitos colegas e muitas lições.Bom, tudo estava bem, eu fiz o que minha mãe mandou e nem se quer uma vez eu chorei.O caso apareceu na TV e a policia continuava ‘investigando’, mas eu não acompanhava, na verdade, eu não queria vê e não tinha tempo, em três dias, minha vida se enterrou numa rotina, coisa que nunca tinha acontecido.
E como agora, eu chegava em ‘casa’ as 22h e ia para meu ‘quarto’, fazer o que eu tinha que fazer.Como amanha era sábado, eu e a minha madrinha iríamos comprar algumas roupas para mim.
–Melanie, cheguei.-Falei para minha madrinha que estava na cozinha.Ela se virou e sorriu.
–Oh querida e como foi?-Perguntou, desde que eu me mudei para cá, eles prestam muita atenção em mim, tanto minha madrinha quanto meu padrinho.
–To cheia de lição, acho que não vou pode descer de novo, tem como eu vim pegar a comida aqui?-Disse, fazendo careta.Eu evitava me sentar a mesa.
–Claro, eu levo lá encima, enquanto você não se acostumar com o ritmo da faculdade, vai ser difícil mesmo.Mas, sobe lá e já começa para terminar mais cedo do que ontem.
–Ok, obrigada.-Dei um beijo na bochecha dela e comecei a ir para o segundo andar.Na escada sem querer, me encontrei com Diego e Sophia.Sorri.-Oi.
–Oi Danielle.-Respondeu Sophia, dando um sorrisinho de lábios fechados.
É, morar com o Diego não estava me ajudando em nada, mas era isso que tinha no testamento dos meus pais, tudo, todos os bens e etc era para mim, já que Andrey se foi junto com eles.Eu não pensava como se eles estivessem mortos, só como se estivessem viajando para algum lugar no mundo e me deixaram para eu estudar.
Eu dividia o quarto com o Diego, já que o meu estava sendo decorado e arrumado para me acolher, era estranho, a gente não se falava.E ele só entrava no quarto para dormir, pegar uma roupa, fazer algum trabalho ou lição, ou se atracar com a Sophia.Os pais de Sophia tinham ido ao velório dos meus pais, na verdade, eles pagaram metade dele.A outra, foi a antiga secretaria dos meus pais.Ela sofreu tanto, eu passei o velório inteiro abraçada com ela e secando suas lagrimas.
Alice, sempre teve uma queda por Diego, durante um bom tempo.Mas ele nunca foi afim dela.Mas acima disso, ela era apegada aos meus pais, ela era nossa ‘meia’ irmã, viajava com a gente, se precisasse de algo era só ligar para ela, saiamos com ela e varias outras coisas.E mesmo naquele momento, em que ela chorava, ela me disse que nada mudaria, do que eu precisasse, ela me ajudaria.Aquilo me reconfortou um pouco.
Matheus não apareceu, depois do evento, a gente não se viu, ele não me ligou e nem sequer me mandou uma mensagem.Eu fiquei magoada e ao mesmo tempo me sentindo abandonada, ele era quem eu mais precisava.Era tudo muito novo, quer dizer, olha com quem eu estava morando!Mas tudo bem, acho que ele sentia por mim.
–Danny, olha aqui.-Disse minha madrinha entrando com um prato, talheres e um copo.Me levantei para ajuda-lá.
–Por que não me chamou?Eu ajudava.-Coloquei as coisas encima da mesa.
–Nossa, você tem muita coisa para fazer!-Disse levantando meus livros.
–Essa pilha é para eu ler, aquela ali no canto é para resumir, aqueles são os de exercícios e esses eu peguei para me ajudar com os outros.-Ela sorriu.
–Isso é muito experto, se fosse eu, teria me desesperado e nunca acharia uma ajuda, ate alguém aparecer e falar.-A gente riu.-Agora vou descer, jantar e parar de atrapalhar você.-Me deu um beijinho na testa e saiu.
Em duas horas, eu tinha terminado tudo.Fiquei sentada na cadeira girando e mordendo a ponta da caneta.Quando eu comecei a ficar enjoada, parei e fui deixar o prato, o copo e os talheres lá embaixo.Passei pela sala aonde todos os quatro estavam assistindo TV, lavei as coisas e sentei na mesa, tentando pensar.Mas minha mente estava vazia, fechei os olhos com força, e nada.
Fui ate a sala e sentei no colo do meu padrinho.Fiquei sentada lá, olhando para a parede, nenhum barulho ou ruído.Sabe aquele momento em que você começa a se lembrar de como seu passado era bom e agora tudo parece fora de lugar, como se o elenco depois de uns 17 anos fosse trocado e só restasse o personagem principal?!
–Danielle?-Chamou meu padrinho, pisquei e olhei para ele.
–Oi?-Respondi sorrindo.
–Ta tudo bem?-Perguntou segurando minha mão.Eu assenti.-Vá dormir, deve estar muito cansada.
–Eu vou sim, boa noite.-Dei um beijo na testa dele e subi.Na hora que eu tirei a camisa, a porta se abriu.Olhei para Diego e tenho certeza que fiquei branca.
–Diego, o que aconteceu?-Sophia apareceu logo atrás dele, e nesse momento, meu lado malvado se acendeu.Dei de ombros, virei de costas e tirei meu sutian, colocando minha camisola.-Diego!Para de olhar!
–E-e-eu, desculpa.-Disse saindo e fechando a porta.Tirei minha calça e olhei para a foto que tinham me dado, eu e Drey juntos no parque.Metade dos rostos dos nossos pais na borda da foto.
–Boa noite.-Disse indo me deitar e desligando a luz.
Na verdade, eu fiquei lá, só deitada, ainda sem vontade de dormir.Não vou dizer que não dormir direito ou algo do tipo, alias, eu rezei esses dias para ir dormir logo, aonde tinha um pouquinho do que não tenho mais.Eu simplesmente fiquei olhando para o escuro, sem aquele medo que eu tinha antes, sabia que o verdadeiro pesadelo já tinha acontecido.
Então, Diego entrou no quarto junto com Soph, eu já tinha me acostumado a dividir o quarto com eles dois em certas noites.Mas nunca tinha nada, serio, nada.Eles ficavam em silencio, nem se quer se beijavam.Na primeira noite, eles falaram sobre a minha chegada, quer dizer, Sophia não gostou da idéia, Diego simplesmente a reconfortou dizendo que também não, mas que agora eu precisaria de um lar e blábláblá.Depois, ela tentou beijar ele e ele se afastou, quase caindo da cama, eu me segurei para não rir.
Acho que eles se baseavam no passado quando o meu sono era pesado e nem que o mundo caísse eu acordava.Eu tinha vontade de rir da cara deles, em como eles estavam enganados.Mas hoje, o assunto parecia ser serio.
–Ela ta destruindo nosso namoro sem fazer nada, você sabe, não é?-Disse Sophia.
–Não, ela não esta.Você simplesmente chegou naquele ponto que toda mulher chega numa relação, aonde ela acha necessário discutir sobre a relação e que também acha que o amor esta se acabando e etc.-Disse ele fazendo careta e estremecendo.
–Olha como você mudou!Foi ela aparecer e você se transformou naquele idiota de novo.-Falou ela, fazendo gestos com as mãos.
–Talvez, foi você que mudou.Se tornou insegura, vive aqui dentro de casa para poder me vigiar e sempre ta tentando discutir.Se você não quer mais, então termina logo.Eu só não vejo motivos para continuar nessa situação.-Ele deu de ombros e ela parecia chocada, eu não.Para eles continuarem achando que eu estava dormindo, joguei uma perna para o lado, minha cabeça para o outro e meus braço para fora da cama, fechando com um suspiro.
–Eu não acredito que você esta falando isso!-Disse Sophia batendo os punhos na sua frente.-Eu estou só...
–Reclamando.-Interrompeu ele.-Danielle nunca foi disso, pelo contrario, ela me desafiava.
–Mas você nunca namorou ela!-Aumentou o tom.
–Não foi necessário, e eu tenho certeza que se algo tivesse acontecido entre eu e ela, ela não estaria tão insegura como você.-Disse ele em tom firme, logo a olhou de cima a baixo.-E agora olhe para você, insegura, preocupada que algo aconteça entre mim e uma menina que acabou de perder a família, se acha que ela ao menos pensa nisso?Não, porque ela esta sofrendo ou talvez se lamentando.Mas com certeza não esta insegura como você.-Ui, essa doeu ate em mim.Continuando meu papel de ‘moça dormindo’.Me virei de lado em posição fetal e soltei um gemidinho.
–Danielle, ate mesmo dormindo, reage a tudo o que você fala.-Disse Sophia.-Nós nunca teremos essa ligação que ela e você tem, e eu sei que eu nunca serei defendida por você como você a defendeu agora.-Um soluço foi solto.-Mas não se engane, essa segurança toda que você diz a Danielle ter, é só inocência e pura ignorância.Alias, ate em contos de fadas ela acredita, não é?-Logo ela riu.-Agora você vai falar que isso é o que a torna pura.
Do nada, meu telefone começou a tocar.Com a voz do Matheus pedindo para eu atender e minha risada ao fundo.Me levantei num pulo e procurei meu celular, achei ele na bolsa.
–Oi, oi?-Disse atendendo.
–Você ta bem?-O alivio me tomou, eu sorri e coloquei a mão no meu peito.
–To sim, e você?-Me sentei na cadeira.-Bom, não importa.Por que você não me ligou?Eu estava, estou precisando de você.
–Eu to bem, eu sei, eu sei.Mas é que eu queria te dar um tempo.-Ele suspirou.-Mas você tem razão, você precisava de mim e eu não estava ai, desculpa.
–Sem problemas, quer sair amanha?Quer dizer, se você não tiver nada para fazer, a gente pode ir no shopping e assistir um filme, ou ir na casa do seu irmão.-Cocei a cabeça sem estar realmente coçando.-Quem sabe ate jantar.
–Um dia inteiro juntos?-Eu sorri.-Só para resumir.
–Sim, um dia inteiro juntos.Vem me buscar umas nove horas da manhã?Espera um pouco.-Olhei para trás, onde dois seres me olhavam.Tampei o microfone e olhei para eles.-Desculpa, to atrapalhando, não é?Mas já to saindo, vou falar com ele lá fora.
Sai do quarto e puxei o ar.Olhei para um lado e para o outro do corredor, fui para o banheiro e coloquei no viva voz.
–Pode falar agora.-Disse para Matt.
–Vou te buscar amanha as 9h, ta?Boa noite, Ollie ta me chamando.-Fiquei meio triste.
–Ok, boa noite.-E desliguei.
Quando voltei para o quarto, bati na porta antes de entrar.Peguei meu coberto e desci para a sala, não liguei a Tv porque não queria fazer barulho e fiquei lá, simplesmente viajando.
Flashback on
Quando me vi, estava vivendo em 1930, cantando em bares e usando vestido um mais lindo que outro.Eu e Matheus tínhamos nos separado, então, eu me virava sozinha.Foi uma das épocas em que eu mais gostei, claro em sentido de moda.Adorava os chapeis, as bolsinhas, os andados e os sapatos.
Os homens nessa época eram mais fieis e discretos(aqueles que traiam), então conheci uma das minhas melhores amigas, Carlota, era filha de um sueco e uma francesa.Carlota era linda, loira com olhos castanhos escuros e a pele parda clara, claro, era pequena e muito feminina, assim como seu nome dizia.
–Podemos achar um casaco de pele para você usar hoje, vai nevar.-Era um dos seres mais intrigantes que já conheci, ela tinha uma ligação impressionante com o clima.
–Claro, aquele preto esta lindo, não acha?!-Olhou a vitrine, onde estava o casaco, ele tinha pele nas mangas e na gola, e olhou para mim.Fez o sinal de eu esperar e entrou na loja, 6 minutos depois ela voltou.Com duas sacolas, as estendendo para mim.
–Comprei um vestido verde, um chapéu e sandálias pretas que iram da certo com o casaco.-A abracei e peguei as sacolas.-As vezes, você parece uma criança no Natal.
–Também não é assim.-Rimos.-Mas muito obrigada, Carlota.
–Que isso, mas a roupa ficara linda.Assim formara o pacote completo e os homens não ligaram para as outras mulheres dessa cidade.-Olhei para ela.
–E quanto a Kylie, ele não olha para mim.-Kylie era o australiano louco pela Carlota.Ela bufou.-Qual é?Você tem que admitir, ele é lindo com aquele cabelo preto, olhos azuis e moreno!E tem um caráter impecável.
–É isso que me irrita, ele é um santo!Como ter algo com um santo?-Eu ri da cara de pânico de Carlota.
–Saia com ele, se divirta.Se sente com ele agora quando eu for cantar.-E a idéia de fazer uma homenagem a eles brilhou na minha cabeça.
Entramos no bar que eu ia cantar hoje, fui para o camarim e me troquei.O vestido verde era realmente lindo, com brilhinhos no vestido, ele chegava ate a minha canela sem decote.E deu realmente certo com o sapato, chapéu e casaco.Arrumei meu cabelo que foi cortado em Chanel para acompanhar a moda, coloquei o chapéu e fiz minha maquiagem.Sai e já fui para o palco, tirando o casaco ligeiramente para a loucura dos homens.
–Vamos tocar Voodoo, ok?-Disse para a banda, eles assentiram.Peguei o microfone quadrado e pesado na mão.-Bom, hoje quero cantar uma musica a um casal, não exatamente formado, mas que ira se formar.-Disse piscando para Carlota.
Eu não tenho roupas para você pegar emprestado
Mas tenho lugares que você pode descansar a cabeça
Não leio livros que possa te emprestar
Mas posso ver sua história sendo lida
Você sabe que estou de olho em você
E eu posso ver que eles envenenaram sua cabeça
Não tenho lugares para onde possa te mandar
Tenho água benta aqui, ao invés disso
Me faz parar e pensar
Sob que feitiço eu tenho estado
Quem te ensinou o voodoo que você faz?
Mas eu posso ver sua glória
Eu quero escrever sua história
O voodoo de alguém me ligou a você
Eu sei que você está cuidando de si mesmo
E sobrevivendo da bondade de estranhos
Você me pegou desprevinida
E agora estou atenta a qualquer tipo de perigo
Você tem o andar de um tigre
Você me deixou na sua corda bamba
A qualquer momento você pode atacar
Refrão
E mesmo quando isso me consome viva
Seu poder eleva meu espírito por dentro
Não há nada que eu possa fazer para consertar
Eu vou te seguir para sempre através da noite
Sou uma parte sua para o resto da minha vida
O feitiço no meu coração não vai me deixar mentir
Eu estarei aqui até o dia que morrermos
Esse voodoo é que irá decidir
O voodoo de alguém
Eu consigo sobreviver a essa noite?
O voodoo de alguém
Eu consigo sobreviver?
Refrão
No final eles me aplaudiram, e cantei mais cinco musicas.Carlota tinha desaparecido com o seu “santo”.Coloquei meu casaco enquanto ria, mas Carlota entrou nesse mesmo momento no bar.
–Marjorie.-Ela disse me olhando com um sorriso gigantesco.
–Quem é Marjorie?-Perguntei, arrumando seu cabelo com as mãos.
–Obrigada, você é Marjorie.-Pisquei os olhos sem entender.-Marjorie significa ‘a suprema’ e esse vai ser como eu vou te chamar, porque...-Ela gritou.-A gente ta namorando e tudo por sua causa!-Eu sorri e ela me abraçou.
Flashback off
Isso estava ficando estranho, muito estranho.Olhei para TV desligada e sorri, sorri por amanha poder estar com uma pessoa que me faz me sentir bem, que eu sei que vou poder contar.Me levantei e olhei pela janela lá fora, amanha seria lua cheia.E tudo ia dar muito bem.
Quando era umas cinco da manha, me levantei e fiz um café da manha para todos, coloquei a mesa e esperei ate as seis.Todos levantavam as seis, os primeiros foram meus padrinhos e depois o casal feliz.
–Bom Dia.-Sorri para todos.
–O que é isso?-Perguntou meu padrinho.
–Desde quando você cozinha?-Perguntou Diego se sentando.
–Desde um tempo ai, foi Matt que me ensinou e isso é o café da manha como agradecimento por esses dias.-Me sentei na cabeça da mesa.-Fiz dois chá e café, ali na gafara vermelha tem leite.E bom apetite.-Coloquei meu café da manhã e comi.-Ah, madrinha, eu vou sair com o Matt hoje, me desculpe por desmarcar nosso compromisso, mas eu preciso passar um dia inteiro me divertindo e talvez não volte hoje.
–Ta bom, meu bem.Mas vamos conhecer esse Matt primeiro, não?-Sorri e assenti.Olhei para o relógio, 6:10h, podia demorar mais?
–Ele só vem as nove me pegar aqui.-Disse mordendo meu pão e mastigando.
–Quantos anos mais velho?-Perguntou meu padrinho.
–Três ou quatro, quem sabe?-Disse com desdém.
–Seu namorado, Danielle?-Perguntou minha madrinha, eu engasguei.
–Calma, calma.-Disse meu padrinho rindo e batendo nas minhas costas, tossi e aspirei.
–Er... quer dizer, eu...você sabe, não?É que...-Ri.
–Ele é ou não, fala logo.-Disse Diego, olhei para cara dele e fiz minha escolha.
–É que...-A campanhia tocou e eu voei ate a porta.Quando eu abri, lá estava Matt, nas suas calças jeans, sua camiseta azul e seus cabelos amarrados.-Matt.-Gritei pulando nele, ele me segurou pela cintura enquanto eu abraçava ele, entrou e fechou a porta.
–Oi Danny.-Riu.
–Vem, eu ainda to tomando café da manha, já tomei banho, só falta trocar de roupa, ok?-Entramos na sala de jantar.Todos olharam para nós.-Matt, esses são Melanie e Christopher , meus padrinhos.-Ele cumprimentou os dois e voltou para o meu lado.
–Você não quer sentar e comer um pouquinho?-Perguntou minha madrinha.
–É claro, senhora.-Disse se sentando na outra ponta da mesa.
–Foi a Danielle que fez tudo.-Disse meu padrinho sorrindo.Olhei para cara dele e arregalei meus olhos, terminei meu café da manhã.
–Eu vou subir, escovar os dentes e colocar uma roupa, ok?Não matem ele, por favor.É muito novo para parar num hospício.-Eles riram.Subi e fui para o banheiro, mas a porta se abriu de novo.Era Diego, olhei para ele.-Sabe, eu to usando.
–Por que esta fazendo isso?-O olhei sem entender.-Se fosse no passado, a essa hora você estaria me procurando para contar as coisas, para a gente...Por que esta demorando tanto para voltar ao normal?
–Você notou o que esta falando?-Disse me virando totalmente para ele.-Você esta falando como se eu devesse ir correndo atrás de você a cada vez que você comete bosta, eu não sou obrigada, já cedi demais por você.Agora, volta para sua namoradinha, por favor.-E me virei para o espelho.
–Então é isso?É o meu namoro com ela?-Ele veio por trás de mim, fiquei olhando o seu reflexo no espelho com um sorriso malicioso.
–Para falar a verdade, isso não me incomoda.Por que esta fazendo isso?-Suas mãos acariciaram meus braços, subindo aos meus ombros.Segurei suas mãos e as tirei de perto de mim.-Saia daqui, por favor e não fale comigo.-Ele hesitou durante um tempo, mas logo saiu.Suspirei e fui tocar banho.
Fui para o quarto e vesti as únicas roupas que eu tinha, ouvindo as risadas lá embaixo.Coloquei minha calça jeans e uma blusa azul regata, peguei uma jaqueta que meu padrinho tinha me dado por esses dias, ela era curtinha e jeans.Coloquei uma sandália preta que se entrelaçava no meu pé e formava um laço atrás.Desci correndo as escadas e encontrei Matt sentado numa poltrona conversando e rindo com os meus padrinho e Soph.
–Vamos?-Disse sorrindo.Ele se levantou e veio ate mim, eu o abracei.
–Bom, o café da manha estava muito bom.-Ele riu.-E a conversa foi muito boa, amanha dou um jeito de passar por aqui.
–Foi muito bom conhecer você, Matheus.-Disse meu padrinho apertando a mão dele.
–Ai credo, parem com isso, vocês vão ver muito ele por esses dias.Alias, esse idiota não vai desgrudar de mim agora, já que ele ficou esses dias sem me ver.-Minha madrinha riu.
Isso ate que era bom, essa simulação de felicidade.Mas a pergunta era: ate quando vai durar?
Notas finais
XOXO
Revisado(19/12)
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