Asa Preateada

5 Capítulo 4 - Vilarejo da Miséria


Dias depois, os dois irmãos, cada um em seu cavalo, seguem viajem para a cidade de Átila, cidade onde reina a Familia Aquarius, terra onde a água é o elemento mais preservado, com a missão de encontrar o xamã daquela região e recrutar membros para provar sua liderança diante de Leo.

Mas no caminho eles passam por um vilarejo pobre, chamado popularmente como Death Survivors, onde as árvores estavam morrendo, e as pessoas tinham feridas abertas e que não se fechavam. Na estrada desse vilarejo, eles param em frente a um rapaz saudável de cabelos brancos usando um tapa-olho, que estava sentado embaixo de uma árvore e lendo um livro velho e sujo.

– Ei, você aí... – Monkey desce do cavalo e se aproxima do rapaz. – Esse é o caminho certo para Átila? ou estamos indo pela direção errada?

– Sim... Você está seguindo pelo caminho certo... – O rapaz se levanta e se aproxima de Monkey, que tapa seu nariz, devido o fedor que o rapaz exalava devido a putrefação das pessoas do vilarejo. – Mas não aconselho seguirem caminho... Estão acontecendo muitas coisas estranhas no vilarejo e pela estrada.

– Como assim estranhas? Estranha tipo o quê? Assassinatos – Mary se interessa pelo assunto, e também desce do seu cavalo.

– Não diria assassinato... diria meio que doenças, sequestros e coisas do tipo... Mercadores negros tem como alvo o vilarejo, eles aproveitam que as pessoas daqui estão morrendo e as sequestram pra retirar órgãos e coisas do tipo... Alguns voltam e outras não... – Explica o garoto. – Ah, desculpe minha ignorância, me chamo Zack, e vocês?

– Meu nome é Monkey e essa é minha irmã Mary, somos herdeiros dos heróis Lawnrin’s, mas quando você falou em ladrões de órgãos, você quis dizer... – Monkey aponta discretamente para o tapa-olho de Zack.

– Ah isso? Não, não... Isso não foi furto, é apenas um presente do homem que me cuidou. – Venham para minha casa hoje, amanhã cedo vocês seguem seu rumo, é mais seguro!

– Agradecemos ao seu pedido, mas nós devemos seguir para Átila... E já está anoitecendo, precisamos seguir logo!

– Garota, temos praticamente a mesma idade, e eu tenho mais experiência em conhecer essa estrada pela noite, do que vocês, e acreditem... Vocês não gostaram do irão encontrar pela noite nessa floresta. – Zack diz para Mary.

Zack fecha seu livro e puxa os cavalos dos irmãos, os forçando a ir para sua casa, eles caminham durante alguns minutos até chegar a uma fazenda com um barraco caindo aos pedaços, lá eles avistam uma jovem doente sentada a espera de Zack.

– Pessoal, aquela lá é uma garota que foi criada juntamente comigo... Ela pegou o vírus Haryfius Blark, a doença da morte, o mesmo vírus responsável pelas mortes na cidade... A cidade é conhecida como “Cidade dos Mortos Andantes” devido a esse vírus... Essa doença corrói a carne da pessoa, fazendo-a apodrecer sem sentir qualquer dor, o resultado é que acaba matando o hospedeiro aos poucos.

– Nossa, que triste isso... Mas não há cura? – Mary pergunta.

– Infelizmente não... — Zack baixa sua cabeça e coloca sua mão sobre o tapa-olho. – Eu estou atrás da cura... Ela foi a única pessoa que restou, ela é especial pra mim... Eu venho estudando dia após dia sobre ervas, poções e até mesmo...

– Até mesmo?

– Feitiços e invocações...

– Mana, esse cara é doente... – Monkey cochicha para Mary. – Precisamos sair daqui o mais rápido possível!

– Espera só mais um pouco mano! – Mary se aproxima de Zack e o para. – Você sabe com o que está lidando? Invocações e feitiços são coisas perigosas de lidar... Principalmente os que mexem com o campo da vida e da morte, esses são os mais perigosos!

– Sim, eu sei... Mas é impossível ficar sem fazer nada depois de ver os familiares morrendo aos poucos... – Zack olha para Mary e amarra os cavalos. – Vamos entrem... Cammy cheguei... – Zack se ajoelha, beija a testa de Cammy, e a leva para dentro da casa, em seguida a coloca em cima de uma cama. – Podem entrar, o barraco é pequeno, mas aqui cabia cerca de 16 crianças...

Monkey e Mary colocam suas bagagens sobre o chão e começam a olhar o barraco por completo, a noite já estava começando a cair, e Zack acendia algumas velas para a escuridão não tomar conta do local. Ventos começavam a soprar forte, parecia que aquela casa iria ao chão, mas Zack estava calmo, enquanto preparava algo para os alimentar.

Mary olhava aluns utensílios da casa, brinquedos, bonecas de pano, cavalos de pau velhos, facas enferrujadas, e 16 camas vazias e com os lençóis para arrumar. Quando ela se aproxima de uma das camas para arrumar, ela olha para Cammy que apenas balança em sina de negação.

– Mary, sério... Esse cara me dá medo! – Monkey puxa Mary pelo braço e cochicha em seu ouvido. – Eu quero ir embora... – Ao terminar a frase a chuva começa a cair sobre o vilarejo.

– Agora não dá mais né? E vira homem cara... Eu estou sendo mais macho do que você! – Mary olha para a sala e vê que lá ainda tem 16 cadeiras ao redor da mesa principal. – Eram dezesseis mesmo... Mas o que houve aqui?

– Mary... – Suplica Monkey. – Onde no mundo vai aparecer um cara cegueta, que fede, que tem um barraco caindo aos pedaços no meio do nada, que tem uma mulher morrendo, num lugar onde as pessoas morrem direto... Me diz... Onde? Isso já tava estranho demais desde o ínicio quando ele falou que tá estudando invocações, e agora essa chuva... Mary... Vamos embora... Eu pego minha faca e rasga a garganta dele e já era... Corremos e ninguém viu!

– Para com isso Monkey... Não percebe o quão ridículo está? – Mary se aproxima do quarto de Cammy e vê que ela está tossindo muito. – Zack, ela está assim desde quando?

– Desde anteontem, logo logo as feridas começaram a aparecer e ela...

– Eu não vou te deixar sozinho bobo, você não conseguia se cuidar antes, imagina agora... – Diz Cammy com muita fraqueza. — Você vai encontrar a cura pra isso...

– Eu sei que não me deixará... – Zack retira a panela de cima da fogueira e coloca um pouco de sopa leguminosa nos pratos. – Fiquem a vontade, é bom pra aquecer o corpo nessa chuva fria. – Zack pega um prato e leva para dar de comer à Cammy.

Enquantos eles estavam comendo alguém bate desesperadamente na porta do barraco, e Monkey se assusta, e saca logo sua pequena faca, e fica posicionado em frente a porta.

– ZACK, PROBLEMAS!! OUTRO SEQUESTRO!! VENHA RÁPIDO... ELE AINDA ESTÁ NA CIDADE!! – Gritava a pessoa do outro lado da porta.

– Como assim? – Zack entrega o prato para Cammy e corre para abrir a porta, ao abrir vê um homem que já estava sem um dos braços e totalmente encharcado, devido a chuva que caia. – Explique melhor...

– Ele tentou sequestrar a filha do prefeito, mas os guardas apareceram e ele tentou pegar fuga, mas não conseguiu e ele está pelo vilarejo... vamos!! – o homem puxa Zack pelo braço, que para e retorna para o barraco e pega apenas o seu livro, ele beija a teste de Cammy e quando vai sair da casa, Mary o para.

– Nós iremos com você!

– Iremos? – Monkey olha para Mary que está o encarando. – Iremos!! Pode contar conosco sim!

– Antes, preciso explicar algo pra vocês... Não entrem em contato com o sangue de um infectado e nem deixe ele tocá-lo!

– Mas ele acabou de lhe tocar! – Monkey exclama.

– É uma longa história... Não tenho tempo pra explicar tudo! – Zack e os irmãos correm em direção ao vilarejo, minutos depois eles chegam e veem um alvoroço em meio a praça central, soldados rodeando um homem encapuzado de vestes mais negras que a própria noite, ele era tão rápido que os guardas não conseguiam segurá-lo.

A população do vilarejo estava toda debaixo de chuva vendo aquela cena, do homem que lutava pela liberdade como um animal selvagem fugindo do seu predador. Monkey chega e se coloca frente a frente com o homem encapuzado.

– Acabou pra você... – Monkey pega sua faca e ataca o homem, que desvia e o segura pelo braço, e com bastante força e brutalidade o joga contra uma parede de uma das casas ali.

Ao ver isso, a população entrou em caos, e todos ali buscavam refúgio para escapar daquele homem que tinha grande destreza e habilidade, o homem corre na direção de Zack e quando vai ferí-lo com garras metálicas, Mary se joga na frente e o defende com sua espada.

– Quem é você? — Mary pergunta.

– Um seguidor dos portões demoníacos da serpente...

– Serpente?

O homem se afasta, pega impulso e ataca novamente, mas quando Mary vai se defender, ele para e a acerta com um chute na barriga, jogando-a pra longe; Monkey mesmo com dores se levanta e corre para ajudar sua irmã, eles olham o homem encapuzado levantar Zack pelo pescoço, que por sua vez coloca sua mão direita sobre a cabeça do homem e retira uma fumaça negra da testa dele, abre o livro e prende a fumaça dentro do livro, o homem cai no chão e Zack o prende ao chão, retira o tapa-olho e encara o homem.

Mary e Monkey tentavam saber o que Zack estava fazendo, mas não conseguiam já que a chuva atrapalhava tanto na visão quanto na audição, eles se levantam e lentamente se aproximam, então Zack se vira com uma feição de desespero, tapando seu olho.

– Monkey, Mary... Corram até a Cammy!!! Não saiam de perto dela!! – Quando Zack termina de falar isso ele cai desmaiado sobre o corpo do homem encapuzado.

– O que está havendo aqui? – Monkey pergunta. – O que foi isso?

– Não sei... Mas precisamos voltar... Sinto que algo muito ruim vai acontecer...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.