Notas iniciais
Estou tão cansada... Minha escola entrou em greve por um tempo, e agora para compensar estou tendo aulas de sábado... argh! Estou um caco de gente...

Quando Lovino e Antonio saíram do restaurante já havia anoitecido, todos os postes estavam acesos e das lojas e restaurantes vizinhos escapavam pequenos feixes de luz pelas vitrines. A brisa antes gelada agora só servia para refrescar o ambiente, tanto que Antonio devolveu a blusa para Lovino, que não reclamou ou fez qualquer protesto, apenas pegou a roupa e a vestiu. (pois seria crueldade de mais amarrar uma blusa de seda na cintura).

–Viu – Começou Antonio – Ainda tem um lugar que quero mostrar á você...

O olhar do espanhol se desviou para o rosto do italiano, e por um momento ele percebeu que Lovino carregava um pequeno e tímido sorriso no rosto, isso fez seu coração se aquecer de uma forma inexplicável.

–Tá, então. – Respondeu o italiano voltando ao seu jeito rude usual.

E assim foram eles pelo Dorsodoro...

Antonio às vezes tentava abraçar Lovino pela cintura, mas logo era repreendido pelo mesmo, e tomando um pouco de coragem , em uma virada de esquina propícia aproveitou para lhe dar um beijo na bochecha, e enquanto o italiano se revoltava e fazia bico, Antonio sorria e aproveitava a cena.

–Não faça isso! – Reclamava Lovino — CHIGIIII!

E nesse momento Antonio aproveitou para beija-lo de novo.

–Fazer o que? – o espanhol rolava os olhos para cima e fazia cara de desentendido, depois ria consigo mesmo enquanto Lovino tinha um ataque de fúria (fofura) na sua frente.

XXX

–Chegamos! – Exclamou Antonio

–A ponte da Accademia? – Lovino parecia um tanto confuso

Antonio não disse nada, apenas sorriu animado e entrelaçando as mãos fez com que Lovino subisse na ponte junto dele. O espanhol andava com um passo lento e de certa forma suave, agia como estivesse em casa, como se conhecesse todas aquelas vigas de madeira, todas aquelas ondas, e todas aquelas embarcações que passavam pelo canal abaixo deles.

Lovino por sua vez estava por algum motivo mais quieto, não calmo! Isso com certeza nunca. Mas o italiano sentia que alguma coisa borbulhava em sua estomago e torcia com todas as forças para não ser a pasta que comera antes.

Antonio parou bem no meio da ponte e apoiou os dois braços em cima dela, consequentemente apoiou também o braço de Lovino visto que ainda segurava a sua mão. O olhar do espanhol era sereno como o de uma criança, e de certa forma parecia um tanto emocionado... Depois de alguns segundos de silêncio com Antonio e Lovino apreciando a vista do canal, o espanhol voltou a falar.

–Sabe porque eu o trouxe aqui?

–...

–Quando eu saí da Espanha pra te procurar, eu realmente não fazia idéia de onde começar... E então um primo meu me disse “Vá para Veneza... Veneza é a cidade perfeita para reencontrar um amor” – Lovino corara com a palavra “amor” – Como eu não tinha muito a perder peguei um avião e vim para cá... Passei boa parte dos dias andando pela cidade e completamente sem rumo. Mas no terceiro dia eu estava sentindo que vim ao lugar errado, já pensava em voltar para a Espanha e reecomeçar do zero... Então alguma coisa aconteceu, eu estava olhando pela sacada do apartamento do meu primo e vi você passar por essa ponte. –Antonio deu um risinho meio envergonhado e passou a mão pelos cabelos da nuca – Então, quando eu finalmente consegui descer, eu não o encontrei em lugar algum.

–Mas eu nunca passei por aqui... – Lovino interrompeu a narrativa com o rosto confuso

–Oh não? Mas realmente se parecia com você... Se bem que estava meio escuro... Podia ser outra pessoa... – O ibérico lançou um olhar perdido para o céu como se tentasse se lembrar de algum detalhe. Lovino por outro lado tinha quase certeza da identidade dessa pessoa.

“Feliciano”

O italiano precisava ter uma conversinha com seu irmão depois.

–Enfim – Retomou Antonio – Naquele dia eu tinha certeza que era você, pode achar meio paranóico, mas eu resolvi que ficaria em Veneza até te encontrar de novo. Então arrumei um emprego de barqueiro, porque assim eu teria muito mais chance do que te procurar de rua em rua.

–Espera... Você mudou todo o seu estilo de vida só para me encontrar? – Lovino parecia incrédulo

–Bom... sim... – Antonio sorriu sem jeito enquanto Lovino corava.

–VOCÊ É MALUCO?!? Tem noção do que fez? E se não me encontrasse? Iria sacrificar tudo por minha causa?

–Mas valeu a pena, não valeu? Estamos aqui, juntos...

–Ma...

–Shiiii – Lovino foi interrompido

–Eu faria tudo de novo se fosse necessário...

–Mas... Porque? Eu não entendo!

–Porque eu te amo. Não é o suficiente? – Lovino estava prestes a dizer alguma coisa, mas achou melhor ficar calado.

Assim o silêncio caiu sobre o casal novamente, Antonio voltou a olhar a paisagem e Lovino passou a encarar os próprios pés, com uma expressão meio boba.

–Sabe,tem outro motivo para eu te trazer aqui, – Começou Antonio – Naquele dia eu não notei, mas depois meu primo disse que a Ponte da Accademia possui mais de um significado... Está vendo esses cadeados? – Lovino olhou para baixo e pela primeira vez pode notar que haviam vários deles pendurados em correntes em quase toda a ponte. – Então, diz a lenda que se você prender um cadeado aqui e jogar a chave no canal, o casamento durará para sempre... ... ...Algum dia nós vamos colocar nosso cadeado aqui.

Antonio disse isso e abraçou Lovino por trás, como se o italiano fosse algum tipo de urso de pelúcia, Lovino corara e teve uma vontade explosiva de empurrar Antonio ponte abaixo.

–NÃO VÁ TÃO RÁPIDO!

O espanhol soltou uma gargalhada.

–Você é a criatura mais fofa que eu poderia encontrar.

O italiano resmungou alguma coisa que nem ele e nem o outro entenderam, e em vez de empurar Antonio para longe, Lovino apenas se aconchegou melhor deixando que o outro o abraçasse, afinal, estava tão quente...

–Sabe- Disse Antonio – Tem uma coisa que está faltando

–O que?

Em um movimento Antonio virou Lovino deixando-os face á face. O italiano percebeu que dos olhos verde oliva de Antonio saia um brilho especial.

–Você disse que se não fossemos mais estranhos eu podiria te beijar... –Lovino desviou o olhar para baixo – E... Não somos mais estranhos, certo?

–N-não...

–Então, eu posso te beijar?

–...

Lovino não respondeu nada e começou a encara os próprios pés. Antonio encarou o silêncio como uma permissão colocou a mão no queixo do outro o puxando para cima, o italiano fechou os olhos e esperou, em pouco tempo já sentia os lábios quentes de Antonio contra os seus.

Naquele momento nada mais importava.

XXX

–Lovino... Está ficando tarde, não? – O espanhol começou a puxar papo enquanto andavam de mãos dadas pelo bairro.

–Uhum – Lovino continuava muito vermelho, e mesmo depois de varios minutos terem se passado, ele ainda não conseguia manter a sua cabeça erguida.

–Você quer que eu te leve pra casa?

–N-não, não precisa... Eu sei voltar

–Ah...

Os dois pararam de caminhar aos poucos ficando imoveis enquanto permaneciam de mãos dadas, era um pedido mudo para que ficassem assim por mais tempo, mas ambos sabiam, estava realmente tarde e andar de madrugada por aí nunca era bom.

No fim foi Lovino quem começou a puxar aos poucos a mão, Antonio o soltou com alguma resistência e ficou encarando seu cabelo. Lovino encarava os sapatos de Antonio sem ter a menor ideia de como se despedir.

–Anh... Tchau... — E levantou a cabeça para abanar a mão e tentar encarar os olhos do espanhol.

Antonio aproveitando a deixa segurou com as duas mãos a cabeça de Lovino de uma forma carinhosa e beijou sua testa, este corou absurdamente.

–Tchau... Lovi...

Lovino não estava com ânimo para discutir ou xingar o outro por culpa do apelidinho, então apenas deixou que este o guiasse até o porto e o ultimo vaporetto.

Enquanto o barco se afastava Lovino pôde ver que Antonio ficou parado um bom tempo o encarando fixamente, depois viu que remexeu os bolsos e tirou algo de lá de dentro, então se dirigiu para um dos prédios quase grudado ao caiz. Depois de um tempo parado na porta esta se abriu e Lovino pôde ver Antonio entrando e cumprimentando alguém.

O barco se afastou mais e mais, a névoa da madrugada começou a cobrir a visão do italiano e mesmo assim, ao longe, Lovino percebeu uma luz discreta e meio amarelada se acender de uma janela no prédio onde Antonio entrara, logo uma figura esguia apareceu e se apoiou no parepeito da janela.

O italiano não podia ver direito, mas sentiu a presença de duas orbes verdes e carinhosas o seguindo pelo resto do percurso até a sua casa.

Notas finais
( ͡° ͜ʖ ͡°) boa noite