As verdades escondidas
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Quando Julieta acordou percebeu que estava só na cama, suspirou pela ausência do Aurélio e decidiu levantar. Pela janela, o sol já estava alto e se perguntou que horas seriam. Foi então que escutou vozes conversando animadamente e só então se deu conta que o Aurélio morava na casa do Brandão. Ela seria vista saindo do quarto dele! Julieta respirou fundo e decidiu que quanto antes saísse melhor. Não era mulher de fugir das coisas. Até encarar a situação do seu vestido. Ele estava rasgado em várias partes e a parte coberta de lama estava dura. Não tinha menor condição de sair vestida daquela maneira. Quando começou a andar de um lado para o outro pensando no que faria, escutou uma leve batida na porta, seguido da voz de Ema.
— Dona Julieta, eu posso entrar?
Julieta levou um susto. Ema estava na cidade? Aurélio tinha contado a ela que ela estava ali? O que a menina ia pensar?!
— Claro Ema.
— Desculpe, entrar invadindo assim. Mas papai me explicou que a senhora sofreu um acidente ontem e acabou dormindo aqui. Vim ver como a senhora estava e imaginei que talvez pudesse precisar disto. – Ema levantou um vestido bonito, de cor lilás. – Infelizmente não trouxe nenhuma cor escura, mas acho que é melhor do que este daí.
Julieta olhou de um vestido para outro e depois para Ema. Ela era tão parecida com o pai. Tão carinhosa e prestativa.
— Eu aceito sim, Ema, muito obrigada. E assim que chegar em casa eu mando o empregado trazer de volta.
— Ah, não se preocupe com isso, Dona Julieta. Aliás, a senhora deve estar doida para voltar para casa. Devo adiantar que tem uma surpresa te esperando.
— Uma surpresa? Me esperando? – Ela disse enquanto colocava o vestido de Ema. Tinham basicamente a mesma altura, e ele acabou servindo perfeitamente. Ela parou em frente ao espelho e achou aquela imagem muito estranha. Tinha uma mulher, muito parecida com ela a encarando. Mas aquela mulher de vestido com delicadas rendas lavanda parecia mais jovem. Parecia mais leve.
— Se a senhora quiser – disse Ema – posso te ajudar com o cabelo. Sei que gosta dele preso, como eu.
Mais uma vez, ela disse sim a Ema. Ela se sentou enquanto a menina tagarelava sobre São Paulo, a vida no cortiço, o seu novo emprego, Jane e Camilo, Darcy e Elisabeta. Julieta sorria e fazia comentários eventuais, mas gostava de ouvir Ema falar. Ela a divertia. Quando acabou Ema disse:
— Prontinho! O que achou? – Seu rosto estava logo acima do ombro de Julieta e esta pode ver que o seu penteado era igual ao da menina. Observou que ambas tinham o mesmo tom de pele, cabelo e olhos. Arrumadas daquele jeito...
— Em outra vida, poderíamos ter sido mãe e filha. – Sussurrou Julieta, mas para si mesma que para a garota. Ema sorriu com o comentário, e abraçou Julieta.
— Outra vida? Ora Dona Julieta, acho que temos bastante tempo nesta ainda. – E assim, piscou para e ela e saiu do quarto.
Julieta ainda demorou um pouco para descer. Estava apreensiva por aparecer em público sem as cores do luto. Por fim, obrigou-se a sair.
— Onde já se viu, Julieta Sampaio com medo de encarar a vida!
Assim que desceu as escadas viu o Aurélio e a Ema sentados na sala, conversando. Ela caminhou até eles e ficou parada atrás da cadeira que Ema estava. Quando Aurélio a viu, perdeu completamente a fala. Ela estava estonteante. E pela terceira vez em menos de um dia, Julieta se apresentou a ele sem a aparência austera de sempre. Ela parecia tão jovial, tão bonita, que ele esqueceu de qualquer coisa que estava acontecendo antes dela entrar.
Julieta percebeu o olhar de Aurélio e apesar de ter ruborizado, aquilo massageou o seu ego. Vê-lo sem fala, diante dela, que mulher não se sente honrada nestas situações?
— Ora papai! O senhor não vai dizer nada? Dona Julieta não está espetacular no meu vestido?
— A Julieta está sempre espetacular, minha filha. – Ele disse por fim. – Mas devo concordar que a ver assim, sem as cores do luto, é uma... – Aurélio não conseguiu encontrar uma palavra que fizesse jus, então Ema completou.
— Uma visão. Ai Dona Julieta. Este seu namorado não tem jeito!
A menção de Ema, ao próprio pai como namorado dela a fez sentir estranha. Foi um misto de vergonha, desconforto e orgulho. Aurélio, no entanto, não conseguia esconder o sorriso.
— O mérito é todo de Ema. Ela que arrumou o meu cabelo. – Disse, dirigindo-se a garota e segurando suas mãos.
— É fácil quando a modelo é tão bonita. E nós chegamos à conclusão que no fim, somos parecidas. Então o senhor é um homem de muita sorte, estando cercada de mulheres tão belas!
— Isso eu não posso negar. Mas Julieta, você gostaria de comer algo?
— Eu acho que prefiro tomar café em casa, se você não se incomodar. Até porque a Ema disse que tem uma surpresa me esperando. Estou curiosa.
— Trago boas notícias então. Eu encontrei o Soberano. Mas gostaria de dar uma avaliada nele, para garantir que está tudo bem, então se não se incomodar, eu gostaria de ir com você para a fazenda.
Este não era o real motivo, Aurélio sabia que o Soberano estava bem. Ele não queria Julieta enfrentando Susana sozinha de novo, mas sabia que ela negaria precisar de ajuda.
— Claro que não me incomodo Aurélio, imagina. Vamos então?
Ema, que observava os dois com um sorriso no rosto, se despediu e os viu deixar a casa. Ficou se perguntando se sua mãe, onde quer que ela esteja, aprovaria sua futura madrasta.
Aurélio e Julieta cavalgaram lado a lado. Julieta se sentia em um sonho. Tudo parecia irreal para ela desde a noite anterior. Ela ali, cavalgando ao lado daquele homem maravilhoso que a cada dia sentia que roubava mais um pedaço do seu coração, em um vestido tão jovial, tão longe do seu luto.... Ela se sentiu ela mesma. Se sentiu com 16 anos de novo, antes de toda a tragédia acontecer, antes da amargura tomar conta dela. Então, percebendo que já estavam a poucos metros da fazenda, ela disse ao Aurélio:
— Eu aposto que consigo chegar aos estábulos antes de você.- Aurélio ficou surpreso com aquele ímpeto de espontaneidade, mas não conseguiu não sorrir.
— E o que estamos apostando? – Ele disse já se preparando para correr.
Ainda tomada por aquele sentimento de jovialidade ela respondeu, já tomando a dianteira.
— E que tal um beijo?- Ela disparou com o cavalo deixando o Aurélio para trás rindo.
— De toda forma, sou eu quem ganho.- Disse ele para si mesmo, avançando atrás dela.
Quando chegaram no estábulo, ela, alguns segundos antes, estavam os dois sem fôlego, afogueados e felizes. Ele saltou do cavalo e a ajudou a descer.
— Bom, acho que isso faz de você a campeã. – Ela sorriu para ele de forma tão singela que o coração dele parou. Ela parecia feliz, ali com ele, naquele estábulo.
— Você sorri como criança. – Ele falou enquanto acariciava o rosto dela.
— Aurélio! – Ela respondeu com indignação e divertimento.
— É um elogio. Toda vez que você ri assim eu sinto coisas que nem sei dizer.
Ela caminhou até ele. E Toda vez, Aurélio, que você me diz essas coisas tenho vontade de chorar. Ela pensou. E de beijá-lo.
— Você está é me distraindo. – Disse por fim.- Para que não pague a aposta.
— Eu? Jamais faria isto. Os tempos de devedores dos Cavalcanti ficaram no passado.
Aurélio a beijou e ela se deixou levar, passando a mão por seus cabelos. Ele a enlaçou pelo pescoço, a puxado para mais perto de si. Eles ficaram naquele beijo até que chocaram com a baia do Soberano e este relinchou o que fez com que eles voltassem para realidade.
— Acho melhor voltarmos.- Ela disse meio sem fôlego. Aurélio pensou que não era o melhor não, mas não discutiu. Caminharam em direção a entrada da fazenda, quando avistaram uma charrete, e de longe, o jovem casal. Foi Aurélio quem apontou:
— Ali não são Jane e Camilo?
Julieta apressou o passo para a casa, quase correndo e Aurélio foi atrás dela. Quando entraram na casa, o casal já estava na sala.
— Camilo meu filho, mas que surpresa boa! — Ela foi em direção do filho que a olhava estupefado. Diante do semblante dele, ela olhou pra Jane que também a olhava com surpresa. – O que foi? Aconteceu algo? Você está bem? — Ela se voltou para Jane. – Jane? Vocês estão bem?
— Minha mãe, a senhora não está de preto.
— Ah.- Ela se sentiu envergonhada. Sua pequena aventura com Aurélio a tinha feito esquecer dos termos de sua vestimenta. – Eu me envolvi em um pequeno acidente ontem a noite, que me obrigou a pegar um vestido emprestado com Ema.- Ela disse por fim, meio sem jeito.
— Acidente? – Se espantou Jane, levando a mão ao curativo em seu rosto. – A senhora está bem? O que houve?
— Nada demais. Não se preocupe meu bem. Por favor, sentem-se. O que trazem vocês ao vale?
Jane e Camilo se olharam em cumplicidade. Eles estavam empolgados para contar a novidade a Julieta. Camilo tinha acabado de fazer as pazes com a mãe e com o apoio de Jane queria retomar as relações com ela.
— Primeiro, me sinto na obrigação de dizer que a senhora está estupenda, Dona Julieta. Não me lembro de tê-la visto sem o luto, mas agora que vi, acho que vou militar nesta causa. – Antes que ela pudesse protestar, Camilo continuou. – E nós queríamos saber se podemos ficar aqui durante a nossa estadia no Vale. A casa dos Beneditos está um pouco cheia, visto que Elisabetta também voltou.
— Mas é claro que vocês podem ficar! Esta casa é de vocês...- Antes que pudesse terminar de dizer algo, Susana desceu as escadas, com Petúlia em seu encalce trazendo suas malas.
— Mas veja só, se a família não está reunida. Camilito, Jane Benedito. – Ela olhou com ironia de Julieta para o jovem casal.
— Susana!- Respondeu Camilo. – Está indo viajar?
— Estou indo embora. Sua mãe me demitiu, me expulsou desta casa, me jogando na rua da amargura! Me disse as coisas mais horríveis... Mas você pode imaginar, já que ela fez o mesmo com você.
Camilo olhou abismado para mãe, que de repente, tinha reassumido a postura de Rainha do Café.
— Você não quer aproveitar e contar o motivo que me levou a isto, Genésia?
— Genésia? Mãe, Susana, o que está acontecendo?
Julieta então, expos tudo o que tinha acontecido na noite anterior. Jane se mostrou horrorizada.
— Minha irmã. Por que você tentou separar Darcy de Elisabetta, Susana? Por que fazer tamanha maldade?
— Ora, muito simples, minha querida. Sua irmã não é mulher para o Darcy, assim como você não era mulher para o Camilo.
— Não ouse falar assim com a minha esposa. Eu não consigo acreditar, Susana. Depois de tudo.... Eu te considerava mais que uma amiga. Você era da família.
— Esposa. – Susana riu e Julieta sentiu o que ela estava preste a falar.- Bom, já que estamos aqui todos tão fãs da verdade, e para provar para você Camilito que eu não sou a vilã da história, pergunte a sua mãe sobre o padre do seu casamento com Jane! – Camilo, Jane e Aurélio encaravam agora Julieta com olhares interrogativos.- Ah, mais agora ela não está mais tão falante! Vamos Julieta! O gato comeu sua língua? — Susana gargalhou.
— Camilo, meu filho, escute, eu...- Julieta começou, mas não sabia como se explicar. Como explicaria tamanha crueldade que fez contra seu filho e sua nora? Não existiam palavras para justificar e Susana não daria a ela a chance de pensar naquilo direito. E naquele momento, outra coisa lhe atingiu. Aurélio estava na sala. Ela virou institivamente para ele que olhava toda aquela cena com um ar confuso. Seu coração se partiu por antecipação. Aurélio sempre vira o melhor nela, sempre acreditou na bondade de seu coração quando nem mesmo ela tinha visto. Ele ficaria decepcionado com ela. Ele veria finalmente que tipo de monstro ela era e então a abandonaria. Todos a abandonariam, ela não podia suportar.
— Pois bem! Já que sua mamãezinha querida não vai lhe contar, eu vou. E que fique claro que eu ainda fui magnânima o suficiente para lhe dar a oportunidade de contar, Julieta. – Ela se virou para o jovem casal.- Vocês não são casados coisa nenhuma. O padre que celebrou o casamento de vocês era falso. Um ator de beira de estrada que a Julieta contratou. Vocês têm vivido em pecado.
Um silêncio tomou conta da sala. Todos os rostos se voltaram para Julieta e ela sentiu os olhos, nariz e garganta arderem.
— Não, não pode ser verdade. – Jane disse enquanto abraçava a barriga.
— Minha mãe, diga que isto é mentira. Diga que é mais uma armação da Susana.
— Camilo...- Julieta deu um passo em direção do filho, que deu um passo para trás. Ela olhou em seus olhos e conseguiu ver toda a dor, decepção e raiva. Ela não conseguiria suportar aquilo. Poderia suportar toda dor do mundo, toda miséria e angustia que a vida tinha reservado a ela, mas jamais conseguiria suportar o desprezo do filho. Mas naquele mesmo momento, Jane desmaiou.
— Jane! – Camilo gritou e foi até a esposa. Ele se virou para Julieta. – Se alguma coisa acontecer com ela ou com o meu filho, eu nunca, nunca vou perdoar a senhora, dona Julieta!
Julieta, que também tinha corrido em direção a Jane, congelou.
— Filho? Você disse seu filho, Camilo? A Jane está grávida?
Camilo não respondeu a mãe. Levantou a sua esposa e a pôs deitada no sofá. Susana ia aproveitando toda aquela confusão para sair de fininho, mas foi surpreendida quando Aurélio segurou seu braço e disse num tom baixo, mas firme:
— Acho bom você ficar fora da vida de Julieta de vez. Porque se você fizer qualquer coisa contra ela de novo, é comigo que você vai ter que lidar.
Susana então abriu um sorriso debochado e respondeu:
— Nossa Aurélio, você falando dessa forma até consigo ver o que a Julieta viu em você. – Então ela se desvencilhou dele e foi até a porta- Tchauzinho.
Aurélio voltou-se então para os Bittencourt e disse:
— Eu vou chamar o Rômulo para cuidar dela.
Ele olhou Julieta nos olhos, mas ela não conseguiu lê-lo. Ela desviou logo o olhar pois tinha medo de decifrá-lo e encontrar coisas que não queria ver. Camilo não falou mais diretamente com ela e Jane acordou um pouco depois. Ela sussurrou algo para Camilo que logo em seguida, dirigiu-se a mãe.
— Dona Julieta- Ele disse com frieza. – Será que você podia nos deixar a sós? A sua presença aqui está tornando tudo ainda mais difícil para a minha família.
Julieta não conseguiu falar nada. Apenas assentiu e foi ao seu escritório. Chegando lá, uma onda de fúria a acometeu e ela começou a jogar as coisas de cima da mesa no chão. Quebrou vasos, virou cadeiras e quando finalmente se cansou, sentou-se no chão, em meio aos destroços de seu escritório e chorou. Chorou por ela, pelo filho, pela nora, pelo neto. Chorou pela família destruída, que agora começaria a ter. Sabia que não haveria a menor chance de Camilo e Jane perdoa-la, muito menos deixa-la fazer parte da vida do neto. E quem poderia culpa-los? Ela também não deixaria. Não deixaria um monstro como ela tocar em alfo tão puro e precioso com o netinho ou netinha que estava por vir. Meu Deus! Ela seria avó. Esta seria a chance, a chance de se redimir. De poder dar todo o amor e carinho para esta criança que não conseguiu dar para o seu filho. E foi no meio aquele caos que Aurélio a encontrou. Ele havia batido na porta, mas ela não tinha respondido. Ele estava preocupado com ela, mas também queria respostas. Não conseguia imaginar que ela pudesse ter feito aquilo com o filho.
— Julieta? Você está bem? O que aconteceu aqui?
— Aurélio. – Ela levantou e o encarou. Queria correr para os braços dele, como fizera na noite anterior. Mas o olhar em seu rosto era de desconfiança. Ela suspirou e tentou enxugar as lágrimas que escorriam. – Como está Jane?
— Ela e o bebê estão bem. Mas ela pediu para ver a mãe, então Rômulo e Camilo estão indo leva-la para a casa dos Beneditos.
— Ah sim, claro. – Ela concordou. Ele olhava para o escritório e para ela sem saber o que dizer.- Você deve estar me desprezando agora. Vai, diga o que está na sua mente.
— Eu só estou tentando entender. Por que você fez isto, Julieta?
— Eu achava que estava protegendo Camilo. E Jane, por incrível que pareça. Eu...- ela caminhou até ele e segurou suas mãos – Eu achava que era o certo a se fazer na época. Eu não sabia do que meu filho era capaz. Duvidava de sua fibra, de sua capacidade amar. Talvez por ver tanto de seu pai nele. Fui tola, tola por deixar a semelhança física de Camilo com aquele verme anuviar o caráter de meu filho!- Ela deu as costas par a Aurélio e caminhou até a janela. – Tudo culpa daquele verme. Eu não eu era assim Aurélio. Eu não era esse monstro que sou agora. Ele, foi ele, que me transformou nisto. Eu era assim. – disse ela segurando o vestido lilás. – Eu era uma menina sonhadora, como Ema. Audaciosa, como Elisabeta. Foi ele, ele que me transformou neste monstro. – Então ela começou a gritar e arranhar os próprios braços. Por não saber o que fazer, Aurélio foi até ela e a abraçou. Ela começou então a chorar.
— O que ele te fez, Julieta? Ele te maltratava?
— Maltratava? – Julieta bufou. – Ele me estripou a alma. Ele me violentava. – disse por fim, quase em um sussurro. Mas foi alto o suficiente para que os dois homens que escutavam seu monólogo se calarem.
Camilo tinha subido para exigir explicações da sua mãe e dizer para se manter afastada de sua família, quando ouviu o que sua mãe dizia a Aurélio. Pretendia entrar quando ela começou a falar de sua semelhança com o seu pai. Mas foi quando ela disse aquelas três últimas palavras que ele sentiu seu mundo ceder.
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