As três da manhã

12 Um coquetel de surpresas


Notas iniciais

"Nunca conquiste uma mulher, se não tem a intenção de amá-la." Anônimo

Jonathan C.
Quando adentrei o hall de entrada do hotel informado por Bárbara por mensagem de texto, logo a avistei me esperando. Ter uma secretária gostosa e dedicada era um dos motivos para que eu não renunciasse a presidência da empresa, incluindo ter um ar-condicionado em perfeito estado. Bárbara veio correndo em seus saltos agulha, num vestido colado ao corpo vermelho rodado na cintura. Ao se aproximar parou de correr e tentou manter a pose.
–Esta atrasado! — disse enfiando as mãos em minha gravata e a apertando. — Não sabe ajeitar uma gravata? — me olhou de cima a baixo. — Que roxo é esse em sua testa?
–Nada. — falei abaixando sua mão.
–Ainda se mete em brigas? Como quer que os empresários invistam na empresa se você se comporta como um adolescente? — ela respirou profundamente. — Desculpe-me estar ralhando como uma mãe desesperada com o Senhor, mas é que eles não param de perguntar pelo novo presidente.
–Tudo bem, o que seria de mim sem os seus conselhos e seu aperto em minha gravata? — perguntei sorrindo e ela corou.
–Vá logo falar com eles. — disse abrindo caminho entre as mesas. Caminhei a sua frente e ela seguiu-me.
Numa das mesas do restaurante do hotel estavam cinco homens. Rostos que já vi estampados em capas de revistas, homens de negócios. Reconheci um deles o empresário Victor Hugo, dono de um dos bancos públicos brasileiros o resto eu pouco me lembrava muito menos de seus nomes.
–Joseph Abília, dono do banco central de São Paulo. Pedro Yussef, investidor da bolsa. Rogério Tolentino também investidor só que da nossa empresa mesmo. Victor Hugo, dono do banco Brasil e por último Peter Janoski, ele quer fazer uma parceira com você para a França. — sussurrou todos para mim Bárbara.
–Obrigado. — sussurrei de volta e abri um imenso sorriso ao sentar com os outros na mesa redonda. — Boa noite senhores.
–Sr.Greyson. Seu pai não atrasava dessa maneira. — comentou Pedro.
–Desculpem, eu tive um imprevisto. Não sei se sabem, eu fiquei com a guarda de minha irmã e os senhores imaginem... Adolescentes. — justifiquei enquanto Bárbara sentava ao meu lado um pouco desconfortável já que todos os olhares eram para si.
–Não imagino, porque a empresa foi para as mãos de outro adolescente. — respondeu Joseph me deixando sem graça. Ele parecia um homem que enchia a cara quando podia, percebi pela sua barriga de chope. — Não somos seus amigos, Jonathan. Somos investidores de sua empresa.
–Claro. — respondi voltando a sorrir. Não queria parecer um tolo. — Tanto é que seu banco tem uma dívida milionária conosco. E se pensa que com a morte de meu pai, eu esqueci. Está enganado.
–Ora... — o homem perdeu a fala.
–Bem... — começou Bárbara cortando o silêncio. — Estamos reunidos não para discutir senhores, e sim para resolver a questão da construção de uma filial na França.
–Claro. — Peter tossiu. — Espero que o senhor colabore. — disse olhando-me.
–Claro. Tudo para expandir a empresa que meus avós criaram. — respondi. — Aliás, acho que devíamos construir filiais no mundo inteiro. E tornar a Greyson's internacional.
–Ótimo. — observou Peter. — Porque não comemorar com um drinque?
–Claro. — peguei um copo de uísque com gelo a minha frente e os outros se juntaram ao brinde. Tudo aquilo era teatro, já que a maioria dos homens ali se odiavam. Todos deviam a minha empresa, então eu estava feliz. Quem não fica feliz com mais dinheiro no bolso?
[...]
–Obrigado. — sussurrei a Bárbara quando Peter, o último homem restante nos deixou para ir dormir em seu quarto de hotel. O coquetel foi agradável, apenas conversas envolvendo dinheiro, o governo, a subida e descida do dólar, entre outros entediantes assuntos.
–De nada. Afinal, o que seria de você sem mim? Ainda não me disse o porquê do machucado em sua testa. — disse ela terminando de beber sua água. Devia ser a única sóbria, até eu estava meio tonto.
–Bateram em mim com uma frigideira. — confessei. — Eu acho que não beijei muito bem. — por qual motivo eu estava dizendo isso a ela? Ah... Eu estava bêbado.
–Você não beijou muito bem? — ela franziu a testa. — Quem?
–Bianca. A vadia da namorada da minha irmã... Ah... Pelo visto ela não gosta de homem mesmo. — e continuei falando. — Sabe, eu não vou desistir. Ela é gostosa demais para eu abandonar a ideia de leva -la para a cama.
–Sabe que está dizendo isso para outra mulher não sabe? — questionou-me. — E eu não sabia que sua irmã era lesbica.
–Eu também não sabia.
–Ela é mais bonita que eu?
–Quem? — peguei a garrafa de uísque e virei o resto de seu líquido em meu copo vazio.
–Bianca. — ela pegou o copo de minha mão e bebeu o resto do uísque. Fiquei boquiaberto.
–Obrigado por beber meu último copo. — sussurrei piscando. Eu realmente não estava bem.
–Você não me respondeu... — disse ela aproximando seu rosto do meu. Droga o que ela estava fazendo?
–Não. Ela não é, porque você tem mais seios e bunda. Tirando isso eu acho... — então seus lábios se uniram aos meus. Não sei se era real ou minha fantasia de bêbado, não me importei e retribui o beijo que foi se tornando cada vez mais quente até eu sentir que ela estava me deixando excitado com nossa troca de carícias. -Acho que eu devo dar meu cartão de crédito para o hotel e reservar um quarto para nós.
–Deixa que eu faço isso. — ela se levantou e limpou o borrado de sua boca. — Afinal, sou sua secretária.
Concordei com a cabeça enquanto a via se afastar, lambi os lábios ainda sentindo o gosto de morango e uísque. Voltei a piscar repetidas vezes e foi quando a vi, Duda parada a minha frente balançando a cabeça negativamente, usava a mesma roupa que da última vez que nos encontramos e seus longos cabelos pretos estavam soltos. Minha cabeça latejava e eu não conseguia saber se era real ou imaginação.
–Duda... — sussurrei. Voltei a piscar e ela já havia desaparecido.
Quando Bárbara voltou eu só queria dormir. Passei as mãos por meus cabelos confuso enquanto ela balançava a chave do quarto na minha frente.
–O que foi? — perguntou.
–Você é minha secretária, e nos conhecemos a dois dias. Eu não acho que transar seja bom para nós dois, já que é uma mulher brilhante e se fizermos isso eu jamais vou voltar a respeitar você da maneira que faço. — comecei a falar e as palavras foram surgindo. Minha cabeça doía a cada palavra que saia de minha boca. — Eu realmente já imaginei transar com você na mesa da minha sala, mas agora eu realmente acho isso uma fantasia idiota. — peguei a chave de sua mão e lutei para me levantar. — Eu vou dormir aqui esta noite e amanhã vou para a empresa.
Passei por ela sem olhar para trás, a cada passo minhas pernas pareciam pesar ainda mais, era como na adolescência que eu caía de tão bêbado. E foi isso que aconteceu, mal passei por uma mesa e senti meu corpo pesar, caí no chão e para piorar meus olhos se fecharam contra a minha vontade e perdi o pouco de noção e consciência que tinha naquele momento.

Notas finais
Quem será Duda? Hehuehue eu sei...