As três da manhã
18 Está paga a conta
Talia C.Depois do ataque de Bianca, liguei para George vir o mais rápido possível. O veado chegou depois de duas horas, tive que ficar assistindo desenho animado na TV. Abri a porta e ele passou rebolando e já foi se jogando no sofá. Ele estava na minha casa, não na dele!–Então... — perguntou mudando de canal na TV. — Qual foi o ataque de Bianca desta vez?–Acredita que ela veio aqui, me pedir dinheiro?–Ué! — gritou. Na verdade eu acho que relinchou. — Você é a namorada dela rica, pra quem ela iria pedir "money" ?–Para mim que não. Na verdade eu até me sinto culpada por não ter ajudado ela... O pior foi o escândalo que ela deu por eu ter passado a noite com a Catita.
–Ah... — George balançou a cabeça como se estivesse indignado. — Talia, pense amor... Você iria gostar de chegar na casa da Bianca e ver ela transando com alguém, iria?–Não. Ela não pode fazer isso comigo! — falei me sentando ao seu lado no sofá.–E você pode? — ele perguntou. — Se eu fosse na casa de Ted e visse outro bicha saindo de lá, eu arrancava aquilo que os dois chamam de pênis! Ela terminou com você?–Não...–Mas que louca! O que aquela garota tem na cabeça? Merda. Só pode... Alguém precisa ensinar a ela o que é o Amor!–Ela não precisa aprender nada. Apenas parar de ser... Tão grudenta... — George agarrou o meu braço e praticamente me deu um tapa no rosto. –Acorda Talia! Ela tem é que procurar alguém que realmente a ame, e você não faz isso! — ele levantou-se. — Eu não sei se te reconheço mais...–O que está dizendo? — perguntei confusa.–Que você está cada vez mais parecida com Jonathan. Vocês dois se merecem! Você nem teve pena da coitada... –Eu tive.–Não teve Tay. Sou seu melhor amigo desde nossos dez anos de idade e em sete anos de amizade eu te conheço muito bem. Se você não ama Bianca, o melhor a fazer é terminar com ela!Ele não esperou resposta, abriu a porta e saiu deixando-me sozinha. Como ele podia ficar do lado da Bianca invés do meu?Bianca S.Quando voltei para o hospital, minha mãe ainda estava lá na cama tossindo. Respirei profundamente, eu tinha que contar tudo. Inclusive que não tinha dinheiro para ajudá-la a permanecer ali.–Bianca... — disse levantando seu olhar para mim. Sorri de lado. Afinal, nem tudo estava bem. — Ah querida, eles são tão atenciosos... E a comida daqui é muito boa, seu pai veio me visitar a pouco, e teve que voltar para trabalhar.–Mãe... Eu tenho uma má noticia... — falei. Seus olhos se arregalaram e se não fosse trágico seria cômico. — Bem...–O que foi? Você está péssima, chorou? — ela acariciou minha bochecha suavemente. — Bi?–Eu não consegui o dinheiro para pagar o hospital. Teremos que voltar para... O público. Olha mãe eu fui até no banco, e eles negaram. Como podem fazer isso? Você precisa ficar aqui... — falei pegando em sua mão. Estava tão magra, que eu sentia os ossos de seus dedos. — Eles cuidam bem de você aqui...–Não se preocupe... — ela sussurrou. — Eu já estou acostumada, podemos voltar tranquilos.–Não. Eu não vou deixar...–Conlicensa. — a maldita enfermeira que me irritou por dinheiro entrou com mais algumas doses de medicamentos. — Vim trocar o soro!Afastei-me da cama. Ela com certeza ia me chamar e dizer que a ambulância esperava minha mãe para levá-la embora. Não o fez, até sorriu para mim e tratou minha mãe com a maior gentileza.–Ouça, eu não consegui o dinheiro. Se forem levar minha mãe, deixe eu ir junto. — falei. Ela terminou de trocar o soro e se virou para mim sorrindo. Minha mãe tossiu e se deitou de lado, devia estar com sono.–Levá-la? Quem vai tirar sua mãe daqui querida? Ninguém. Não depois de terem pago tudo, inclusive os medicamentos caríssimos. Sua mãe vai poder ficar até melhorar.–Como... Eu não paguei nada e meu pai também não. — olhei para minha mãe, ela já estava com os olhos fechados.–Bem, um homem foi a recepção e fez questão de deixar um cheque bem gordo. Ele até fez questão para que fizéssemos logo o transplante dos pulmões de sua mãe. Muito gentil, o rapaz. — vi em seu avental o seu nome. Vera. Eu ainda estava tentando raciocinar. — Ele deve ser irmão ou parente de vocês. –Não. — respondi franzindo a testa. — Qual o nome dele?–Jonathan. Acho que perdi todo o sangue de meu rosto ou fiquei tão pálida que a própria enfermeira perguntou se eu estava bem. O que fez ele pagar sendo que não lhe dei e nem vou dar o que pediu-me?–Aliás... — continuou Vera. — Ele disse que queria que sua sogra melhorasse logo.–Sogra? — gritei horrorizada. O que ele pensa que está fazendo? — Me desculpe, vocês não podem aceitar esse cheque! Eu prefiro que minha mãe volte para o hospital público do que ser bancada por ele.–É uma pena. Enquanto estava fora, o cheque foi descontado na conta do hospital. Não podemos devolver, então se acalme ok? — ela suspirou. — Cuidaremos de sua mãe.–Ele vai ver! — gritei saindo do quarto furiosa.
Notas finais
Muahahahahaha será que ela ainda vai transar com ele?
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