Notas iniciais
Chorei ao escrever o capítulo. Logo entenderam porque.

Jonathan C.

Depois de deixar a ruiva no hospital completamente atordoada com minha proposta fui direto para empresa. Pouco me importava se eu estava sem camisa e apenas de calça social. Ao passar pela recepção algumas das garotas que chegaram, me olharam de cima a baixo boquiabertas.

No meu escritório fechei todas as janelas, e joguei tudo o que havia em cima da minha mesa no chão. Se Bianca mão aceitasse ir para a cama comigo, eu ia fazer da vida dela um inferno. Desviei meus pensamentos para o sofá de couro que encostado a parede me chamava para um sono profundo. Dei de ombros e me deitei no sofá de dois lugares, e quando menos esperava já estava caindo no sono.

[...]

–Aqui estão. — disse Bárbara entrando e deixando em cima da mesa uma camisa social e sapatos brilhando. Estava surpresa por eu ter vindo trabalhar de chinelo, e sem camisa. — O que passou por aqui? Um furacão?

–Apenas a minha fúria. — falei bocejando. Esfreguei os olhos, não tinha a mínima ideia de que horas eram.

–Você continua agindo como um adolescente. Tem que parar. — repreendeu-me. — Quantas vezes vai continuar sendo irresponsável?

–Irresponsável eu seria se assinasse o contrato com Janoski. Ligue para ele e diga que não. Nossa parceria está cancelada.

–Você joga todo o trabalho sujo para cima de mim.

–Você é a secretária e ganha muito bem por isso. — alertei levantando-me e vestindo a camisa. Ela se aproximou e apertou a gravata ao redor de meu pescoço.

–Tome vergonha na cara Jonathan. — disse rolando os olhos. — O que fez?

–Sabe eu estou muito a fim de transar com você agora. — confessei e ela sorriu.

–Eu não posso fazer isso, se não perderíamos o respeito de nossa relação. — disse irônica. — Se arrume, temos uma reunião para ir.

–Não...

–Sim. Você é o presidente, aja como tal. — saiu da sala me deixando sozinho. Bufei e terminei de me arrumar, calçando os sapatos. Peguei o interfone e liguei para Bárbara.

– Ouça, hoje eu vou a uma festa de uma academia de ballet. O problema é que eu não faço ideia de onde se localiza esse lugar, além de arrumar os ingressos para mim, garanta que eu use um terno bem caro. O mais caro que achar no mercado.

–Quer um terno de ouro? — perguntou debochada.

–Não. Apenas algo que deixem-me mais sexy do que já sou. — respondi antes de desligar. Ela ia fazer o que eu pedi, ela sempre faz.

Não tive tempo nem para sentar-me, Eduardo entrou como um furacão na sala, praguejando tudo e todos. Eu queria rir, isso só o deixaria pior.

–Como ousa cancelar o contrato com Janoski?

–Eu não só ousei como fiz. — respondi pouco me importando. — Ele queria cinquenta por cento dos lucros não trinta como havíamos combinado.

–E daí ? Seus avós me ligaram dos EUA para dizer que você é um estupido. Ainda disseram que seu pai jamais faria isso.

–Não me compare a meu pai. — falei furioso. — Ele está morto e eu não.

–Janoski era a chance de expandirmos os negócios.

–Foda-se. — eu ia perder a paciência com ele. -O governo já nos paga o suficiente para sobrevivermos, engordarmos nossas contas bancárias e fodermos na liderança contra as outras empresas de finanças. Porra, para quê eu vou querer ir para a França e dividir lucros, se posso tê-los só para mim.

Ele ficou calado, em sua expressão era fato de que estava me odiando mentalmente.

–Ok. Afunde os negócios.

–Isso não tem nada haver com os negócios, eu só quero continuar do jeito que está. — expliquei.

–O que está acontecendo com você? — perguntou e balancei a cabeça negativamente. — Você... Jamais faria isso, teria se levantado e ido socar a cara de Janoski por tentar nos passar a perna. Mas não... Está parado e me explicando tudo invés de agir.

–Eu não sou como antes. — respondi olhando para as janelas.

–Claro que não é. Desde que voltou, não é o mesmo... Você...

–Cala a boca. — gritei pegando meu blazer preto em cima da mesa e passando por ele. — Eu vou visitá-la.

–Isso só vai piorar as coisas.

–Que piorem. — respondi dando de ombros e saindo da sala. Tentei chegar o mais rápido que pude ao meu carro no estacionamento, ignorando os gritos de Barbara sobre a reunião e de Eduardo.

O trânsito estava de encher a paciência de qualquer um. Tentei chegar o mais rápido possível ao cemitério da zona norte, mesmo que tudo indicasse que seria impossível.

Ao parar o carro na frente da portaria de mármore, molhei os lábios. Eu tinha que entrar, era meu dever. Saltei para fora e já avistei uma florista com um carrinho cheio de flores.

–Quanto custa as rosas?

–Pensei que quisesse margaridas. Todos querem. — respondeu a velha mulher simpaticamente.

–Eu não sou como os outros. — apontei para o enorme buquê de rosas brancas. — Eu quero aquele.

–Cinquenta reais.

Abri a carteira e entreguei a nota para a mulher, que me deu o buquê. Tinham um cheiro bom e eram bonitas talvez assim contornassem o clima triste e feio de um cemitério. Na portaria, um homem de óculos me avaliou desconfiado.

–Veio visitar quem? — perguntou arqueando uma das sombrancelhas.

–Maria Eduarda Oliveira... Silva eu acho. — falei tentando lembrar todo o seu nome. Ele digitou o nome nos teclados do pequeno computador a sua frente e depois elevou o olhar para mim.

–Bem... A sua lápide está no lado B do cemitério, número... — ele franziu a testa tentando enxergar algo no computador. — Setenta eu acho.

–Você acha?

–Olha senhor, a família desta menina vem aqui toda a semana e eu sei que não é seu parente porque nunca o vi por aqui.

–Está me proibindo de visitar o túmulo dela?

–Não. Só não entendo o que um rapaz jovem e elegante faz num cemitério.

–Ela morreu com dezesseis anos. — confessei. — Eu era um ano mais velho.

–Lápide oitenta. — confirmou. — Boa sorte.

Depois de atravessar praticamente centenas de túmulos, cheguei ao lado B do cemitério e procurei entre as lápides uma que tivesse a foto e o nome dela. Parei na oitenta, e meus olhos avaliaram a lápide de mármore negro seu nome estava cravado na pedra e seu rosto desenhado. O artista era bom, seu rosto parecia tão real.

Não havia ninguém por perto e o tempo estava nublado desde cedo. Ajoelhei-me e toquei seu rosto esculpido na pedra fria, meus olhos lacrimejaram.

–Duda... — sussurrei. — Faz tanto tempo que não, venho te visitar. Seis anos pra ser exato. Durante esse tempo eu realmente juro que não amei ninguém, ninguém além de você. — eu sentia o gosto salgado das lágrimas em minha boca. — Ah... Eu não queria que tudo tivesse acabado assim.

Franzi os lábios, claro que Duda não estaria ali, mas ia ouvir-me de qualquer maneira.

–Se eu pudesse eu voltaria no tempo e te salvaria. Era para eu estar nessa lápide não você. — continuei. — As coisas estão tão diferentes, você sabe como Eduardo é, sempre pegando no meu pé cobrando de mim o seu esquecimento. Como esquecer você? Como esquecer tudo que vivemos?

Deixei as flores na frente da pedra.

–Trouxe rosas. As suas preferidas... Sei que logo vão murchar e morrer, e não me importo. Eu ainda faço e faria qualquer coisa por ti, ah... Você não sabe o quanto me culpo todas as noites por sua morte, o quanto me culpo por não ter conseguido evitar. Eu sou um trouxa, um idiota, por estar comparando você a Bianca. São tão parecidas, a vossa ingenuidade e inocência... A maneira de falar... E até de sorrir. Ah querida... — deslizei o dedo pelo nome. — Eu sei que onde estiver está me ouvindo, por isso digo... Eu te amo.

Notas finais
5 coments e posto o próximo.