Pov Bianca:

Depois de descer as escadas já com minhas coisas prontas, não vi Jonathan. Deixei um beijo na testa de Tay e saí da casa. Eu precisava visitar minha mãe antes de encontrar Rebeca, ela iria me ajudar a escolher um vestido decente para usar.

Ao atravessar o jardim vi um carro preto ligado na frente da casa. Um sedan de luxo. Jonathan saltou para fora sorrindo para mim. Ele continuava sem camisa e isso me incomodava ter que falar com ele seminu.

–Eu sei, você vai falar: Eu não quero a sua compaixão Jon. E eu vou responder: Eu realmente quero te dar carona. — disse ele e tive que rir.

–Ok. Se tentar algo comigo, eu vou te dar um chute na cara. — falei levantando o dedo em aviso. — Eu não só aprendi a dançar como também defesa pessoal.

–Ah claro. Tudo bem. — ele levantou as mãos. — Eu me rendo.

–Não quero sua carona. — falei caminhando para fora do jardim. — Não quero mesmo, existem ótimo ônibus.

–Eu não perguntei se você queria. — disse ele. — Você vai.

–Duvido. — respondi continuando a caminhar. Passei por ele na calçada e segui meu caminho por ela.

–Bianca...

–Tchau Jon. — acenei sem olhar para trás.

–Depois não diga que eu não avisei.

Dei de ombros, meu caminho seria passar os três quarteirões e a portaria. A algumas ruas do condomínio havia um ponto de ônibus era só eu...

–Ah... — gritei sentindo mãos me agarrarem. Jon me pegou no colo jogando no seu ombro como se eu fosse um saco e arrastando de volta para o carro. Senti que ele estava gostando disso pois suas mãos apertavam a minha bunda e não achei nenhum pouco legal estar de cabeça para baixo e com praticamente o rosto colado na sua bunda.

–Eu avisei. — disse ele caminhando comigo.

–Será que você podia ser menos complicado? — perguntei quase gritando. Não precisávamos fazer tanto barulho pois estávamos de madrugada no meio da rua e eu sendo carregada por um idiota.

–Não. — ele abriu a porta do carro e me deixou sentada no banco ao lado do motorista. Deu a volta e entrou no carro sorrindo, sem deixar de trancar a porta. O que ele achava que eu ia fazer? Abrir a porta com o carro em movimento e me jogar na rua? Eu não era tão hardcore assim, não estávamos num filme de ação.

–Já que eu não tenho escolha. Você poderia pelo menos me deixar lá?

–Claro. É para isso que eu tirei o meu carro quatro horas da manhã da garagem. — disse sarcástico, fingi não perceber.

–Porque você se faz de mau?

–Mau? — perguntou saindo com o carro da rua.

–Sim, você é legal comigo. Com as outras pessoas não.

–Eu não estou sendo legal com você. Estou apenas esperando você me retribuir o que eu pedi em troca do dinheiro para o hospital.

–O quê? — arregalei os olhos surpresa. — Eu pensei que você tinha desistido dessa ideia.

–Não. — ela parou o carro na portaria esperando que o portão de ferro fosse aberto. — Acha mesmo que eu fui lá no hospital e paguei tudo, por simples prazer em ajudar você?

Estava sem palavras, ele sorriu e seguiu caminho com o portão aberto.

–Além disso, eu posso chegar em Talia e lhe contar tudo. Que você me beijou na cozinha, e que depois foi pedir dinheiro para o hospital. E ai Bianca, ela não vai só terminar o namoro de vocês. Como nem eu, nem ela vamos bancar sua mãe naquele hospital. Entendeu?

Eu tinha que ter desconfiado. Era muita gentileza para uma pessoa só, ele jamais ia esquecer o trato e pagou o tratamento esperando que eu lhe dê o que pediu em troca. Me senti uma idiota.

–Você não ta falando sério não é? — perguntei assustada.

–Estou. A escolha é sua Bianca, você me dá o que eu quero e eu salvo a sua mãe. — continuou ele. — A Talia continua não sabendo de nada, e vocês continuam o conto de fadas.

–E depois... — sussurrei. Era muita informação, eu não pretendia ficar Jon muito menos transar com ele. Eu nunca transei com um homem apenas com Talia.

–Depois nada. Eu nunca mais toco em você. — disse ele. Parecia tudo tão natural quando ele dizia, era um negócio. Mais um negócio para Jon. — Então?

Respirei profundamente antes de responder. Eu só tinha uma opção.

–Eu aceito.

[...]

Não dissemos mais nada o caminho inteiro. Quando o carro parou saltei desesperada para fora, e corri para o hospital. Eu não queria muito menos devia ficar mais um minuto com ele. Aonde fui me meter... Num ninho de cobrar. Jonathan e Talia. Ambos me faziam mal.

Ao entrar no quarto minha mãe estava sentada conversando animadamente com uma amiga sua. Esperei quieta a mulher se despedir e ir embora para abraçar minha mãe e começar a chorar.

–O que houve? — perguntou preocupada.

–Eu... — não sabia como começar então falei de tudo. Desde o começo, a morte dos pais de Talia, a chegada de Jonathan e até a proposta indecente que ele me propôs. Minha mãe ficou indignada.

–Você não é um pedaço de carne para ele negociar. — disse por fim. — E eu também não sou a moeda de troca. Bianca...

–Mãe ele vai infernizar minha vida. — expliquei. — Primeiro fazer Talia terminar comigo. Segundo, deixar que você volte para um hospital público. Se sair daqui, você não vai melhorar e sim piorar.

–Não se venda. Isso que esse homem quer é prostituição Bianca. Eu posso muito bem voltar a fazer o tratamento onde estava.

–Não. Eu não quero. Ouça mãe, quando eu me tornar uma bailarina famosa você não vai precisar nem eu, de ajuda e dinheiro de ninguém. Até lá, se eu ainda quiser que meu namoro fique em pé e que a senhora melhore, vou ter que fazer isso.

–Ah querida. — ela me abraçou. — Espero que converse com Rebeca, ela vai dizer que isso é errado como eu.

–Acho que não mãe...

[...]

–Você vai dar para ele? — gritou Rebeca enquanto me ajudava a fechar o zíper de um vestido. — Que legal!

–Eu não quero fazer isso, e você acha legal? — me senti sufocada. — Este vestido não.

–Ai ta difícil Bianca. Você não gosta de nenhum que te ofereço. — disse ela bufando e abrindo o zíper. — Eu acho que você tem que transar com ele. Vai que você percebe que os homens são muito mais gostosos?

–Gostosos como Renan? — sugeri e ela me deu um tapa de leve em minhas costas nuas. — Eu não quero.

–Ah... Vai amiga. Pode ir. Se um deus grego me oferecesse isso eu aceitaria. — ela me mostrou um vestido branco todo rendando. Assenti com a cabeça seria aquele que eu iria usar. — Você tem que ficar com um homem para ver o quanto é bom, se for ruim eu nunca mais falo nada.

Peguei o vestido de sua mão e caminhei para o provador furiosa.

–Ok. Se eu não gostar você nunca mais abre essa boca para falar nada sobre isso.

–Eu juro.

Fechei as cortinas e comecei a tirar aquele vestido colado horrível para provar o outro. Rebeca ia comprar para nós duas os vestidos, mas eu me sentia no direito de pagar o meu, só não sei de onde ia tirar o dinheiro.

–O que acha de eu arrumar um emprego? — perguntei enquanto vestia o outro.

Rebeca riu, demais até. Não entendi.

–Você trabalhando? Só se for de empregada doméstica. -Abri as cortinas e ela fez uma expressão de surpresa. — Uau! Se eu fosse lésbica te pegava! É esse vestido Bi.

–Eu vou arrumar um emprego! — falei me olhando no espelho e sorrindo. — Nem que seja de empregada doméstica porque não? Eu sempre ajudei minha mãe limpando a nossa casa.

–Eu sei o que você vai limpar... Os músculos de Jonathan Greyson...

–Ai cala a boca. — gritei furiosa voltando para o provador.

Notas finais
Quem achou que Jon não ia pedir nada em troca? Até parece gente... Bianca aceitou mas só posto o próximo com pelo menos cinco capítulos... Haha como estou sendo malvada.