As três da manhã
23 Aceito
Pov Bianca:
Depois de descer as escadas já com minhas coisas prontas, não vi Jonathan. Deixei um beijo na testa de Tay e saí da casa. Eu precisava visitar minha mãe antes de encontrar Rebeca, ela iria me ajudar a escolher um vestido decente para usar.Ao atravessar o jardim vi um carro preto ligado na frente da casa. Um sedan de luxo. Jonathan saltou para fora sorrindo para mim. Ele continuava sem camisa e isso me incomodava ter que falar com ele seminu. –Eu sei, você vai falar: Eu não quero a sua compaixão Jon. E eu vou responder: Eu realmente quero te dar carona. — disse ele e tive que rir.–Ok. Se tentar algo comigo, eu vou te dar um chute na cara. — falei levantando o dedo em aviso. — Eu não só aprendi a dançar como também defesa pessoal.–Ah claro. Tudo bem. — ele levantou as mãos. — Eu me rendo.–Não quero sua carona. — falei caminhando para fora do jardim. — Não quero mesmo, existem ótimo ônibus.–Eu não perguntei se você queria. — disse ele. — Você vai.–Duvido. — respondi continuando a caminhar. Passei por ele na calçada e segui meu caminho por ela.–Bianca...–Tchau Jon. — acenei sem olhar para trás.–Depois não diga que eu não avisei.Dei de ombros, meu caminho seria passar os três quarteirões e a portaria. A algumas ruas do condomínio havia um ponto de ônibus era só eu...–Ah... — gritei sentindo mãos me agarrarem. Jon me pegou no colo jogando no seu ombro como se eu fosse um saco e arrastando de volta para o carro. Senti que ele estava gostando disso pois suas mãos apertavam a minha bunda e não achei nenhum pouco legal estar de cabeça para baixo e com praticamente o rosto colado na sua bunda.–Eu avisei. — disse ele caminhando comigo.–Será que você podia ser menos complicado? — perguntei quase gritando. Não precisávamos fazer tanto barulho pois estávamos de madrugada no meio da rua e eu sendo carregada por um idiota.–Não. — ele abriu a porta do carro e me deixou sentada no banco ao lado do motorista. Deu a volta e entrou no carro sorrindo, sem deixar de trancar a porta. O que ele achava que eu ia fazer? Abrir a porta com o carro em movimento e me jogar na rua? Eu não era tão hardcore assim, não estávamos num filme de ação. –Já que eu não tenho escolha. Você poderia pelo menos me deixar lá?–Claro. É para isso que eu tirei o meu carro quatro horas da manhã da garagem. — disse sarcástico, fingi não perceber.–Porque você se faz de mau?–Mau? — perguntou saindo com o carro da rua.–Sim, você é legal comigo. Com as outras pessoas não. –Eu não estou sendo legal com você. Estou apenas esperando você me retribuir o que eu pedi em troca do dinheiro para o hospital.–O quê? — arregalei os olhos surpresa. — Eu pensei que você tinha desistido dessa ideia.–Não. — ela parou o carro na portaria esperando que o portão de ferro fosse aberto. — Acha mesmo que eu fui lá no hospital e paguei tudo, por simples prazer em ajudar você?Estava sem palavras, ele sorriu e seguiu caminho com o portão aberto.–Além disso, eu posso chegar em Talia e lhe contar tudo. Que você me beijou na cozinha, e que depois foi pedir dinheiro para o hospital. E ai Bianca, ela não vai só terminar o namoro de vocês. Como nem eu, nem ela vamos bancar sua mãe naquele hospital. Entendeu?Eu tinha que ter desconfiado. Era muita gentileza para uma pessoa só, ele jamais ia esquecer o trato e pagou o tratamento esperando que eu lhe dê o que pediu em troca. Me senti uma idiota.–Você não ta falando sério não é? — perguntei assustada.–Estou. A escolha é sua Bianca, você me dá o que eu quero e eu salvo a sua mãe. — continuou ele. — A Talia continua não sabendo de nada, e vocês continuam o conto de fadas.–E depois... — sussurrei. Era muita informação, eu não pretendia ficar Jon muito menos transar com ele. Eu nunca transei com um homem apenas com Talia. –Depois nada. Eu nunca mais toco em você. — disse ele. Parecia tudo tão natural quando ele dizia, era um negócio. Mais um negócio para Jon. — Então?Respirei profundamente antes de responder. Eu só tinha uma opção.–Eu aceito.[...]Não dissemos mais nada o caminho inteiro. Quando o carro parou saltei desesperada para fora, e corri para o hospital. Eu não queria muito menos devia ficar mais um minuto com ele. Aonde fui me meter... Num ninho de cobrar. Jonathan e Talia. Ambos me faziam mal.Ao entrar no quarto minha mãe estava sentada conversando animadamente com uma amiga sua. Esperei quieta a mulher se despedir e ir embora para abraçar minha mãe e começar a chorar.–O que houve? — perguntou preocupada.–Eu... — não sabia como começar então falei de tudo. Desde o começo, a morte dos pais de Talia, a chegada de Jonathan e até a proposta indecente que ele me propôs. Minha mãe ficou indignada.–Você não é um pedaço de carne para ele negociar. — disse por fim. — E eu também não sou a moeda de troca. Bianca... –Mãe ele vai infernizar minha vida. — expliquei. — Primeiro fazer Talia terminar comigo. Segundo, deixar que você volte para um hospital público. Se sair daqui, você não vai melhorar e sim piorar.
–Não se venda. Isso que esse homem quer é prostituição Bianca. Eu posso muito bem voltar a fazer o tratamento onde estava.–Não. Eu não quero. Ouça mãe, quando eu me tornar uma bailarina famosa você não vai precisar nem eu, de ajuda e dinheiro de ninguém. Até lá, se eu ainda quiser que meu namoro fique em pé e que a senhora melhore, vou ter que fazer isso.–Ah querida. — ela me abraçou. — Espero que converse com Rebeca, ela vai dizer que isso é errado como eu.–Acho que não mãe...[...]–Você vai dar para ele? — gritou Rebeca enquanto me ajudava a fechar o zíper de um vestido. — Que legal!–Eu não quero fazer isso, e você acha legal? — me senti sufocada. — Este vestido não.–Ai ta difícil Bianca. Você não gosta de nenhum que te ofereço. — disse ela bufando e abrindo o zíper. — Eu acho que você tem que transar com ele. Vai que você percebe que os homens são muito mais gostosos?–Gostosos como Renan? — sugeri e ela me deu um tapa de leve em minhas costas nuas. — Eu não quero.–Ah... Vai amiga. Pode ir. Se um deus grego me oferecesse isso eu aceitaria. — ela me mostrou um vestido branco todo rendando. Assenti com a cabeça seria aquele que eu iria usar. — Você tem que ficar com um homem para ver o quanto é bom, se for ruim eu nunca mais falo nada.Peguei o vestido de sua mão e caminhei para o provador furiosa.–Ok. Se eu não gostar você nunca mais abre essa boca para falar nada sobre isso.–Eu juro.Fechei as cortinas e comecei a tirar aquele vestido colado horrível para provar o outro. Rebeca ia comprar para nós duas os vestidos, mas eu me sentia no direito de pagar o meu, só não sei de onde ia tirar o dinheiro.–O que acha de eu arrumar um emprego? — perguntei enquanto vestia o outro.Rebeca riu, demais até. Não entendi. –Você trabalhando? Só se for de empregada doméstica. -Abri as cortinas e ela fez uma expressão de surpresa. — Uau! Se eu fosse lésbica te pegava! É esse vestido Bi.–Eu vou arrumar um emprego! — falei me olhando no espelho e sorrindo. — Nem que seja de empregada doméstica porque não? Eu sempre ajudei minha mãe limpando a nossa casa.–Eu sei o que você vai limpar... Os músculos de Jonathan Greyson...–Ai cala a boca. — gritei furiosa voltando para o provador.
Notas finais
Quem achou que Jon não ia pedir nada em troca? Até parece gente... Bianca aceitou mas só posto o próximo com pelo menos cinco capítulos... Haha como estou sendo malvada.
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