Bianca S.

O resto da semana foi tranqüilo. Passei o fim de semana com minha mãe no hospital, cirurgia de transplante estava marcada para a próxima semana. Não quis ir dormir na casa de Tay tão cedo, talvez eu estava com medo de reencontrar Jon. Nós duas conversávamos por mensagens. Então uma nova semana começou, os ensaios do ballet estavam ficando cada vez pior. Renan levou aquele papo de química muito a sério e as vezes quando dançávamos juntos eu me sentia um pouco constrangida já que ele fazia questão de passar a mão em lugares que não devia. Na coreografia individual eu estava melhor, mesmo que Madame Pety ficasse repetindo que eu tinha que emagrecer para dançar perfeitamente. Comecei a comer pouco e a dançar mais pesado, tanto em casa quanto nos ensaios. Meu tempo estava tão cheio, que pouco falei com Talia aquela semana.

Mais uma vez passei sábado e domingo com minha mãe no hospital. A diferença era que ela já havia feito a cirurgia de transplante e agora esperava se curar para poder voltar para a casa. Nova semana, ensaios ainda mais pesados, era a última que tínhamos para deixar tudo pronto para o espetáculo.

Na quinta-feira depois dos ensaios. Resolvi que tinha que ir visitar minha namorada. Tomei um banho e me troquei, despedi-me de Renan na saída, e como disse ele estava levando as coisas muito a sério. Puxou-me pela cintura e me beijou de língua tentei Empurrá-lo, mas ele era mais forte. Quando me soltou eu quase soquei sua cara.

–Pare. — gritei. — Você é o namorado de Rebeca!

–A gente terminou...

–Não... — fugi. Deixei Talia para mais tarde, eu tinha que falar com Beca. Ela devia estar péssima, seu namoro com Renan já iria fazer dois anos.

Ao bater pela centésima vez na porta de seu apartamento, ela abriu com os olhos repletos de lágrimas.

–Bi! — ela me abraçou. — Ele te contou?

–Contou que vocês terminaram. — falei. E de pensar que era culpa minha, me sentia péssima.

–A peça estreia semana que vem não é? Eu vou. — disse me soltando.

–Não vá se torturar. — falei.

–Eu vou, eu tenho que ir ver aquele desgraçado. — disse. A maquiagem em seus olhos estava borrada. — Ele disse que era uma por causa de uma garota de lá, quem é que ele está pegando lá ?

–Eu não sei. Eu não vi nada.

–Ah... Idiota. Me trocar por outra vadia. Tomara que essa garota caía e quebre o pé.

–Você ta muito nervosa.

–E não era para estar? — gritou. — Eu o odeio.

–Amiga, que tal sair? Encontrar outro.

–Eu não quero outro eu quero aquele cretino! — ela bateu a porta na minha cara. Fechei os olhos e suspirei. Renan magoou minha amiga, ele ia ter seu troco.

Na manhã seguinte, tratei de acordar e chegar antes de todo mundo na sala de ensaios. Pedro e a garota que tocava com ele, chegaram em seguida. Enquanto eles treinavam seus violinos, eu me aquecia.

–Bianca chegou cedo. — comentou ele. Revirei os olhos. — Que novidade!

–Eu acho bom, você cuidar apenas do seu violino. — avisei. Eu era boa, mas quando faziam as pessoas que eu amava chorar. — Porque hoje isso aqui vai pegar fogo.

Ele franziu a testa não entendendo nada. Em seguida quem entrou foi Pety, aquela velha maldita.

–Hoje eu... Bianca? O que faz aqui tão cedo? — fitei-a pelo espelho e continuei a estiver minhas pernas nas grades de apoio. — Não interessa. Eu não vou poder ensaiar você e Renan, já que sabem a coreografia podem fazer isso sozinhos. Vocês dois Pedro e Alice, toquem a música que combinei ontem.

E saiu, revirei os olhos. Como eu queria que ela morresse queimada. Vinte minutos se passaram, eu dançava minha coreografia individual quando Renan chegou.

–Chegou mais cedo. — disse ele. — Legal.

–Legal o caralho. — falei o olhando furioso. Os dois músicos estreitaram os olhos. Renan não entendeu. -Porque terminou com Rebeca?

–Porque eu quis. — chutei seu rosto. Todos gritaram, não sei o que havia dado em mim. Minha perna avançou contra seu rosto. Por isso que eu adorava o ballet, eu sou tão flexível. — Porque fez isso?

–Porque eu quis. — falei. — Eu não vou suportar olhar para você muito menos dançar, Rebeca vai estar na platéia.

–E daí? — ele deu de ombros.

–Ela ainda te ama. Eu não suporto vê-la assim.

–Quem começou isso foi você. — disse sorrindo. — A culpa é sua.

–Só porque eu te beijei?

–Vocês vão ficar discutindo? — perguntou Pedro. Meus olhar e o de Renan foram para ele, carregados de ódio. — Temos que ensaiar.

–Claro. — falei sorrindo irônica. Me senti como Jon naquele momento. — Toquem...

A coreografia foi horrível, sempre que ele me tocava eu tinha que lhe dar um soco. Os músicos estavam se cansando de parar de tocar todo momento para que eu e Renan continuássemos discutindo. No fim, aquele dia foi completamente desperdiçado, pois não ensaios nada. Depois daquele dia eu não sabia como iria fazer a peça ao lado desse idiota.

Na saída do teatro Talia me esperava com Carlos.

–Ah... — falei sorrindo. — Veio me buscar.

–Faz uma semana que você não dorme comigo. Estou com saudades. — disse ela. Aproximei-me e colei nossos lábios, ela retribuiu o beijo e senti pela sua ferocidade que aquilo significava que tínhamos que transar.

–Então vamos logo. — chamei entrando no carro.

Notas finais
Que que é isso? 5 coments e o próximo. É uma pena que a historia já esteja na reta final.