As três da manhã

35 Um gay sendo homem?


Talia C.

Nem Jon, nem Bianca. Ótimo. Levantei e tomei um banho, estava atrasada para a escola. George queria matar aula (como sempre) pois tinha algo muito sério para me contar. Não me importei até vê-lo chorando nas escadarias, sentei-me ao seu lado e ele me encarou.
–O que houve? — perguntei preocupada.
–Eu e Ted terminamos.
–Vocês não iam casar? — perguntei não entendendo nada. — Me mostrou até o anel.
–Ele brigou na rua por causa de mim. — disse Ge. — Uns caras da academia dele, estavam fazendo brincadeiras de mal gosto por ele ser gay. O resultado? Ele foi expulso, por bater em todos.
–Mas o que isso, fez para vocês terminarem?
–Simples. Ele me bateu.
–Ah... Ge... — coloquei a mão em seu ombro. — Sinto muito.
–Sabe... Eu realmente queria gostar de mulheres... Meus problemas seriam menores.
–Ah não seriam não. — confessei. — Jonathan está cada vez pior, você tem que ver o jeito que ele olha Bianca. Parece querer comê-la.
–Ah Talia. A partir do momento que você deixou Bianca entrar no covil das cobras, sabia que isso aconteceria. Ela é bonita. Até eu transaria com ela. — bati em seu braço. — Não se preocupe eu também transaria com você.
–Ah... Isso me anima muito. — falei.
–Crianças... — chamou Dona Amélia. — Eu vou fechar o portão.
–A gente vai matar aula. — gritei de volta. Peguei na mão de George e o puxei para levantar. — Tchau!
–Tchau crianças. — gritou fechando o portão.
–Ela vai nos denunciar.
–Ela jamais faria isso. — falei ainda com minha mão agarrada a dele. — Vou ligar para Carlos.
–Para onde vamos?
–Transar. — falei e seus olhos se arregalaram. — Eu não to brincando.
Enquanto eu ligava para Carlos pedindo que ele voltasse, George ficou olhando para suas mãos. Eu sei que o havia deixado sem graça, mas para curar o seu coração quebrado nada melhor do que isso.
–Você realmente quer transar? — perguntou depois de um tempo.
–Porque não? Você não é de se jogar fora. — falei e ele riu.
–Eu nunca fiz sexo com uma garota.
–Eu também nunca havia feito sexo com um cara até meu irmão me obrigar. — comentei. — Pensando nisso, talvez se ele não tivesse feito isso eu não teria virado lesbica. Eu não odiaria os homens.
–Cale a boca. — disse ele acendendo um cigarro de maconha. Para variar. — Se a gente for realmente estragar nossa amizade transando, eu quero estar bem chapado.
–Claro. — vi o sedan preto dobrar a esquina e se aproximar da escadaria. Carlos desceu do carro e esperou George terminar de fumar para que finalmente nos deixasse entrar.
–Que cara chato... Até parece que eu vou botar fogo no carro. — resmungou Ge. Eu tive que rir.
[...]
–Así? — gritei entrando em casa. George me seguiu. Seus olhos já estavam vermelhos. Não ouvi nenhum som. — Acho que meu irmão deu folga para ela hoje.
–Ótimo eu estou sozinho com você. — disse ele irônico.
–Tira a roupa. — tranquei a porta da sala.
–O que...
–Eu mandei você tirar a roupa. — falei impaciente. — Ou quer que eu tire?
Ele bufou e resistiu. Acabou retirando sua camisa e jogando-a no chão. Ele não era tão musculoso igual Jon, também tinha os seus atributos, então lembrei que era pelo fato dele ter parado de malhar por causa de Ted.
–Contente? — perguntou. Aproximei-me dele e passei as mãos por suas costas, seus pêlos se arrepiaram e ele me fitou nos olhos. — O que estamos fazendo?
–Estragando nossa amizade. — sussurrei antes de beijá-lo. Ele retribuiu mordendo meus lábios. Me envolveu em seus braços com certa brutalidade e confesso que gostei. Passei os dedos pelo volume de sua calça e ele gemeu.
–Para... Isso ta errado.
–Foda-se. Você disse que transaria comigo, estou esperando.
Molhou os lábios confuso, fitei-o enquanto pensava. Eu não acredito que ia amarelar, ele não podia fazer isso.
–Você disse que não ia trair mais a Bianca.
–Gustavo... Você é homem, eu só estaria a traindo se fosse com uma mulher. — em seus lábios brotou um sorriso.
–Adoro quando me chama de Gustavo. — voltou a me beijar e desta vez foi para valer. Agarrou meus cabelos pela raiz, enquanto apertava sua nuca querendo que ele aprofundasse o beijo. E foi o que fez, sua língua brigava com a minha e ele não deixava de me morder.
Suas mãos deslizaram para dentro de meus jeans apertando minha bunda e fazendo-me apertar meu corpo contra o dele. Caminhamos sem deixar de nos agarrar até o sofá, onde o empurrei e fiz questão de sentar em seu colo sentindo que estava mais do que excitado.
Gustavo começou a retirar minha camisa e gostei quando tomou meus seios em suas mãos. Gemi em seu ouvido ficando louca com seu toque.
[...]
–Isso foi... — sussurrou George. — Legal...
–Viu? Gostar de mulher não vai melhorar seus problemas. — levantei e peguei minha roupa no chão. Ele encarou o teto, George nunca foi seu nome verdadeiro na realidade era Gustavo, George foi sua invenção quando descobriu que era gay. — Ge?
–Se toda mulher que eu pegar a partir de agora for como você. — disse ele. Acabei rindo e terminei de vestir minha regata e meu short jeans.
–Foi só uma transa. — falei. — Para um gay você até que sabe o que fazer na cama.
–Eu não sou gay, sou bi. Se não, a gente não estaria aqui agora.
Tive que sorrir.
–Se veste. Jonathan vai aparecer aqui a qualquer momento e ele vai ter um chilique se te ver nu no sofá. — avisei indo para a cozinha.