As três da manhã

10 Quem manda aqui sou eu


Notas iniciais
Quem é Duda? Algumas revelações. . Tirem suas conclusões. .

"Quando a vi, levou-me até o passado. Quando a beijei, senti o gosto de meu primeiro amor." Anônimo

Jonathan C.
–Igual a Duda? — perguntou Edu franzindo a testa. Ele ainda estava tentando entender tudo o que eu havia lhe contado. — A Bianca, é igual a Duda?
–Não igual. Mas, a sua personalidade e aqueles olhos. Iguais. — respondi.
–Acho que você está maluco. — disse por fim. — A Duda morreu Jon, e por mais que você sempre ache que a vê em todo lugar, nao há Duda ali, pois está enterrada! Então pare de dar em cima da namorada de sua irmã.
–Ela me obrigou. Ela quis tanto quanto eu. — confessei enquanto lembrava do nosso beijo.
–Bianca só tem olhos para Talia, é assim desde que a conheço. Pare Jon de se torturar... Não existe nenhum traço dela na Bianca, ok? — assenti com a cabeça.
–Conlicensa. — Bárbara bateu na porta. Eduardo ajeitou seu terno e saiu deixando-me ali. Bárbara entrou tentando sorrir.
–O que foi? — perguntei.
–Acabaram de ligar do colégio de sua irmã. A diretora quer vê-lo imediatamente.
–Manda a velha ir se foder. Não estou com cabeça para gracinhas da minha irmã.
–Bem, se o senhor não comparecer ela vai acionar o conselho tutelar.
–Desgraçada. — levantei-me e Bárbara respirou profundamente antes de continuar.
–Hoje a noite o senhor tem que comparecer ao coquetel da empresa, os sócios mais importantes e alguns políticos estarão aqui. — disse ajeitando sua saia. Antes de eu sair parou-me para apertar minha gravata. — Tudo bem, seu pai sempre ia a escola resolver as bagunças dela.
–Mas eu não sou como ele. Ela vai ser bem castigada. — passei pra fora do escritório.
E lá foi eu, dirigindo igual um louco. O que quer que Talia estivesse aprontado eu ia fazê-la pagar, eu já havia estudado em seu colégio e se ainda fosse a mesma diretora poderíamos chegar a um acordo. Se ela fosse para o conselho tutelar eu perderia sua guarda, então tudo estaria acabado.
Ao chegar na portaria, as lembranças de meus anos ali passados foram tantas. As festinhas, as garotas bonitas, as pegadinhas e Duda... Amaldiçoei-me mentalmente por lembrar dela.
–Você rapaz, se identifique. — disse uma velha mulher de óculos. A escola era dividida em três prédios, o principal, o educacional e o esportivo. Para ir para qualquer um deles eu tinha que primeiro passar por aquela portaria.
–Jonathan Greyson. — respondi e um misto de alegria e surpresa passou diante os olhos dela.
–Jon? — a mulher abriu a porta de vidro e passei. — Como está bonito!
–A senhora que ficou ainda mais bonita. — falei enquanto abraçava-a. No tempo que estudava a única que não me entregava era ela.
–É uma pena que você e a menina Eduarda não tenham casado. Todas nós tínhamos fé no amor de vocês. — disse ela.
–É a vida. Aliás o colégio mudou de diretoria?
–Sim. Sou a única que restou da gestão passada. Agora corra, que com a nova diretora não se brinca.
–Tchau Dona Amélia. — acenei afastando-me para a escadaria de mármore, o único acesso para a secretária e sala de professores.
Quando entrei na secretária, revi a sala da qual toda semana eu ia parar. Talia estava sentada num banco e ao seu lado uma garota de cabelos vermelhos, já até imagino porque fui chamado.
–Você é o Jonathan? — perguntou a secretária com um enorme decote revelando um tentador par de seios.
–Sou... — olhei bem para ela e a reconheci. — Estudamos juntos?
–Claro, não se lembra sou aquela da qual você apelidou de "Maria Sangrenta". — seu sorriso se desmanchou. Eu não tive culpa se quando fomos para a cama, ela jorrou um litro de sangue. — Eu era virgem.
–Ah... — exclamei fingindo ter demorado um século para relembrar. — Você era tão insignificante que a única coisa que me lembro, é de seu grito por não aguentar dar.
–Eu vou fingir que não ouvi isso. — resmungou Talia. A garota ao seu lado riu.
–Eu também. — disse a secretária. — É melhor você entrar logo.
Ao passar para dentro da sala, percebi que tudo havia mudado. Antes os móveis eram de madeira e o lugar aconchegante. Agora era frio e moderno de mais, no centro da sala atrás de uma enorme mesa de vidro estava a atual diretora que não tinha nenhum ar de convidativa.
–É o responsável de Talia imagino? — perguntou. — Sente-se.
Obedeci já que ela não demostrava simpatia.
–O que ela fez?
–Beijo praticamente fazendo sexo, aquela garota que esta ao lado dela na cantina da escola. Além disso, desrespeitou a mim e a minha filha.
Eu vou matar Talia.
–Entendo, eu não participei de sua criação. Meus pais deixavam ela fazer tudo o que quisesse.
–Mas você não vai deixar não é? — a mulher franziu a testa.
–Não. — assegurei-lhe. — Ela merece um bom castigo por desrespeitar as normas da escola.
–Que bom que concorda comigo. — ela sorriu finalmente. — Posso contar com o senhor não é?
–Claro. Se quiser colocá-la para limpar a escola, eu apóio. — respondi sorrindo de volta. — Ou de detenção...
Entramos num acordo de poucas palavras, despedi-me dela e de sua secretária sangrenta. Talia seguiu-me para o carro, antes despedime de Dona Amélia, era uma das poucas pessoas que realmente gostaram de mim. Quando entramos tranquei as portas.
–Pensei que só fizesse essas coisas com sua ruiva em seu quarto. — falei. Ela fingiu não ouvir.
–Você não manda em mim.
–Quem manda aqui sou eu! — gritei dando um murro no volante. — Se aquela Velha dizer ao conselho, que não sou capaz de te controlar vão tirar sua guarda de mim.
–Dane-se você. — resmungou.
–Não, quem vai se danar é você! Lá não existe luxo nem cartão de crédito. Só dor e fome. — continuei gritando me controlando para não lhe bater.
–Eu tinha uma família feliz, mas você Jon destrói tudo o que toca não é?
–A melhor coisa que aconteceu aos nossos pais foi a morte.
–Eu sabia que você os desprezava... Mas nem tanto.
–Foda-se Talia. O assunto morre aqui. Ou você se controla ou vou ter que...
–O quê? — gritou interrompendo-me. — Me bater? É assim que você resolve as coisas não é? Na violência!
–Você não sabe o que diz. — balancei a cabeça negativamente.
–Não, o pior é que eu sei! Você continua sendo aquele sadomasoquista de antes. A diferença é que agora toma remédios, porque se você fizer o mesmo que fez com aquela garota é preso. Nunca vai ser um homem de verdade, é um monstro. Não merecia nem o amor de nossos pais... — começou a falar e aquelas frases ecoavam por minha cabeça. Minha mão direita voou para seu pescoço apertando sua garganta enquanto ela esperneava e tentava me acertar com as mãos.
–Eu falei que o assunto morre aqui! — ela começou a se engasgar em busca de ar. Contudo minha mão não queria deixar seu macio pescoço. Era assim, quando eu começava não queria parar. — Lembra quando era pequena e comia meus chocolates? Um dia fiz isso com você e nunca mais comeu nada que me pertencia. Estou te avisando Talia, não toque nos meus doces mais.
Soltei seu pescoço e ela enfim pode tossir ou procurar ar para encher seus pulmões. Girei a chave do carro e esperei um tempo até ela terminar o seu drama "Em busca de oxigênio" para acelerar rumo a nossa casa.

Notas finais
Vish. O que acharam do Jon? Ele ta sendo muito mau?