As três da manhã

27 A verdade sobre Jon


Jonathan C.

–Foi divertido. — comentei fechando a porta e prendendo o cinto do carro a minha volta. Bianca olhava para a janela. Desde que conversou com a amiga dela estava assim. — Você ganhou o papel.
–Do que adianta eu ter ganho aquele papel se minha amiga me odeia. — resmungou.
–Pelo menos ela não me odeia. — falei.
–Não. Ela te acha um gostoso. — resmungou sem expressão. Realmente estava chateada.
–Gostoso eu sei que sou.
–Não seja convencido. Eu não quero sua carona, pode me deixar num ponto de ônibus qualquer.
–Não. Você vai comigo para a minha casa. — falei. Ela me olhou franzindo a testa. — Você tem que contar a novidade para a sua namorada não é?
–Claro.
Ela não respondeu nenhuma pergunta minha. O caminho inteiro ficou calada olhando para a janela. Novamente choveu, odiava quando chovia. Estacionei o carro na garagem e fechei o portão, Bianca entrou na casa sem esperar-me.
–Eu consegui! — gritou pulando no colo de Talia que assistia TV. Droga se ela me visse ia perceber que saímos juntos, passei pela sala sem fazer barulho e corri para meu quarto.

Bianca S.
–Você veio com meu irmão? — perguntou Talia confusa.
–Sim, ele também estava na festa e ofereceu carona. — disfarcei no fundo era verdade.
–Desculpa, eu não ter ido. Sinto muito.
–Ah não tudo bem. — beijei-a e ela retribuiu apertando meu quadril contra o seu.
–Ai que cólica maldita. — resmungou. Sai de seu colo preocupada, eu não sabia nada sobre como era menstruar já que ainda não tinha chegado a minha hora. Meus hormônios devem ser bem atrasados. — Será que hoje a gente podia só dormir?
–Claro. Não precisamos fazer sexo toda vez que venho aqui. — ela riu e se levantou, segui-a para a cozinha. Na bancada havia uma caixa de pizza. Meus olhos brilharam eu precisava comer aquilo, peguei um pedaço e comi com ferocidade. Talia riu.
–Eu falei com aquela garota... — começou ela me oferecendo um copo de refrigerante.
–Que garota? — perguntei confusa.
–A que você viu ontem sair daqui. Brigamos, pois eu disse para ela nunca mais tratar você daquele jeito. Não merece.
Bebi o refrigerante e sorri vergonhosa.
–Não precisava.
–Eu falei que nunca mais ia te trair não falei? Não foi uma mentira ou uma promessa vazia. — disse séria. — Foi verdade.
–Eu sei... Quem aqui está dizendo que é mentira?
Ela ficou quieta, terminei de comer a pizza de calabresa e de tomar o refrigerante. Saiu da cozinha sem dizer nada e deduzi que foi dormir. Lavei alguns pratos que estavam na pia e depois fui atrás de Tay.
–Você está estranha. — falei trancando a porta de seu quarto. Ela já estava deitada na cama.
–Não ta tudo bem. — disse.
–Eu sei, porque conheço você. É minha namorada. — comecei. Sentei-me ao seu lado na cama e seus olhos azuis me fitaram. Ela e Jon eram tão parecidos, tanto que não imaginavam.
–Lembra do que falei sobre Jon, que o odiava.
–Eu jamais vou esquecer isso.
–Eu tenho um motivo. — ela se sentou. — Não é pelas brigas ou pelas vezes que me bateu.
–É por qual motivo? — perguntei confusa.
–Ele me estuprou... — disse ela. Arregalei os olhos com a revelação só poderia ser mentira. Jon era mal, não o imaginava fazendo uma coisa dessas. — No dia de seu aniversário de dezoito anos. Eu nunca contei para ninguém, muito menos para ele que diz não se lembrar, mas eu sei que ela sabe o que fez comigo. Ele sabe.
Balancei a cabeça negativamente era muita coisa para digerir.
–Como ele pode estuprar a própria irmã, isso não tem sentido Talia. Ele te odeia.
–Ha... É de Jonathan que estamos falando Bianca. — disse ela. Estava começando a chorar. — Nem eu acreditei.
–Tay...
–É verdade. Por isso que sempre que você perguntava eu não tinha estômago para contar. Sempre que penso naquela maldita noite, tenho vontade de vomitar. — ela abraçou a si mesma. — Ele foi...
–Não precisa falar... — toquei seu braço.
–Eu preciso. Eu preciso que você saiba, para que finalmente entenda tudo.
–Não. Eu já entendi, ele se finge de bom contudo é um monstro.
–Entende, que é por isso que me mata ver você sozinha com ele? Eu não quero que fique em momento nenhum com ele.
–Se ele tentar fazer alguma coisa comigo, eu sei lutar. — expliquei e ela riu.
–Jonathan gosta de sentir dor e dar dor aos outros. É isso que o mantém vivo. Não se trata de um simples sadomasoquista, ele gosta. Não só no sexo, em todos os sentidos. Eu acredito que por isso a tal namoradinha dele morreu.
–Que namorada? — de todas as nossas conversas aquela era a mais estranha. Não por ela finalmente me contar a verdade e sim por me fazer enxergar Jon de outro maneira.
–Uma tal de Maria Eduarda. — respondeu. Tirei meus sapatos e o vestido enquanto digeria tudo. Deitei ao seu lado e ela tentou sorrir. — Acho que ele batia nela.
–Na própria namorada?
–Ele chegou a dar um tapa na minha mãe um dia. Não duvido nada. — cada palavra sua era carregada de ódio.
–Como uma pessoa pode ser assim? — comentei.
–Ele é assim Bianca. Eu só preciso da prova certa, para mandá-lo para a cadeia. Então jamais ele vai poder encostar um dedo em mim. — abracei-a fortemente.
–Tudo bem. Eu não vou deixar ele nunca mais tocar em mim.
[...]
Quando acordei me sentia sufocada, era calor. Olhei para o relógio de cabeceira. Malditas três da manhã, em ponto. Levantei-me e percebi que suava. Talia não, ela estava com frio debaixo daquele cobertor de algodão.
Desci as escadas para a cozinha, desta vez certifiquei-me que ninguém me seguia para não ter novas surpresas. Abri a geladeira e peguei uma jarra de água e quando estava despejando o conteúdo num copo de vidro ouvi passos. Só podia ser Jonathan. Seria bom, afinal eu ia adorar perguntar sobre todas as coisas que Talia me contou.

Notas finais
O que será que vai rolar? eu seu e coisa boa é) Façam barulho ou melhor, comentem bastante.