As testemunhas - O lado mais sombrio
12 Malakai - mais frio que o gelo
Malakai
Eu nasci na Rússia em 1992, ainda me lembro das cores avermelhadas da catedral de são Basílio refletindo ao sol, me lembro da forma que tomava quando estava coberta de neve, e ainda posso sinto o cheiro das beterrabas recém colhidas do jardim do meu pai.
Meu pai era dono de uma grande indústria de sapatos russo, morávamos em uma casa tão grande que eu mal podia contar suas janelas, lembro-me que me sentia tão sozinho naquela casa que ficava sentado por horas perto da porta, meu pai sempre achou que eu ficava ali a sua espera, mas não era, nunca foi ele que eu esperava, eu esperava e sonhava que um dia minha mãe entraria pela aquela porta e me daria o mais forte dos abraços, mas isso nunca aconteceu meu pai nunca falava dela, ela era um fantasma, mas apesar da ausência da minha mãe eu era extremamente feliz naquela casa.
Só havia um problema, eu via coisas que não eram para ser vistas, coisas que uma criança de seis anos não deveria ver , em uma manhã em partícula, vi um homem sentado no último degrau da escada, que corria em espiral no centro da sala, não importa o quanto tentasse eu não via o seu rosto, só o brilho dos seus olhos rubros, envoltos em seu capuz negro, eu segurei minhas emoções e me mantive firme como aço e voltei para o quarto, respirei fundo e sai novamente, o home havia desaparecido como fumaça então levanto meus olhos para o alto e no teto, vejo 12 crianças penduradas por um corda no pescoço, eu gritei mais alto que eu podia naquele dia, meu pai veio ao meu socorro eu apontava para o teto mas ele não conseguia ver o que eu via.
— Cancele todos os meus compromissos para hoje – ele sussurrou para seu assistente.
Ele me colocou no carro e partimos pelas longas estradas cobertas de neve, sobre as vegetações que se mantinham de pé inexoravelmente sobre o frio estonteante, paramos perto a margem de um rio congelado, ele desceu do carro com uma pá nas mãos e começou a cavar até a crosta de gelo se quebrar dando lugar a agua gelada.
— Venha aqui – ele chamou
Eu caminhei desengonçado sobre o gelo, meus dentes começaram a bater involuntariamente – pai por favor eu não posso – supliquei- está muito frio
— o que fazemos para derrotar o gelo? — ele perguntou
— nos tornamos mais frio que ele.
Eu caminhei até onde ele havia rachado o gelo e mergulhei nas aguas mais frias daquele inverno, no início foi como milhares de agulhas perfurando o meu corpo, e eu me lembrava das palavras do meu pai “ seja mais frio que o gelo”, então meu corpo relaxou e não mais sentia frio, eu sentia como se o gelo fosse parte de mim.
Essa foi uma das grandes lições de vida do meu pai, por um tempo eu parei de ver coisas, e a vida continuou como era, pela manhã depôs do café eu pegava uma van para escola, os outros alunos da cidade iam de ônibus, eu e outros onze crianças íamos de van .
— Espero que a nova a professora seja melhor do que a do ano passado – reclamou meu amigo pib que tinha um certo dom por tornar a vida dos nossos tutores em um inferno.
Antes que eu pudesse reponde-lo, vi o mesmo homem que tinha visto na escada, ele passou como um fleche na estrada mas eu tive certeza que era ele, e sinto o pneu da van estourar, ela se jogou bruscamente para direita, o motorista freou inutilmente sobre o gelo frio ela derrapou, caindo no rio sobre os gritos de doze crianças que gritavam desesperadamente o seu último grito, a van mergulhou fundo no rio como uma pedra gigante, o frio não me incomodava, então tive tempo para pensar em como sair dali, eu puxei meu amigo pib pela janela lateral que se rompera com a queda, eu nadei tentando chegar a superfície, eu nadei, tão forte eu nadei, mas era inútil eu não conseguiria com o peso do meu amigo inconsciente, então senti todo o ar dos meus pulmões deixar o meu corpo e só enxergava o azul interminável daquelas aguas, um azul tão puro e pacifico, ali nada mais existia só o silencio das aguas.
Doze filhos dos mais ricos executivos de moscou morreram naquela van inclusive eu, eram o céus dando uma lição neles “ vocês não tem todo o poder”.
Não sei se foi um sonho ou visão, mas tudo estava claro o céu cintilava alaranjado, e escuto a voz de uma mulher dizendo – oh minha criança, tão pequenina es, lamento, mas hoje ainda não e o seu dia , um dia encontraras uma pessoa igual você , você deve protegê-la como lhe foi ordenado , as trevas e a luz lhes caçaram como o caçador caça a sua presa, uma escolha de vida tomaras, e o mundo escondido para sempre mudara, e escutei sua voz ficar mais fraca como se dissipando até ficar mais forte e mais uma coisa meu guardião, proteja o mundo do mal liberto pela primeira mulher, então escutei como se ela chorasse pode vir comigo se quiser ou pode volta seu fardo e pesado demais para suporta.
Eu voltarei, eu voltarei, eu votarei.
Eu acordei nos braços de um estranho que me tirava da agua, — pai – gritei
E meu pai veio até mim como sempre fazia seus olhos de espanto contemplavam um milagre, ele não contou a ninguém sobre aquele dia e mantivemos em segredo, então continuamos nossas vidas na mais perfeita paz, mas como humanos estamos cansados de saber que a paz é a mais frágil das peças de porcelana, Meu pai me arrancou da cama aquela noite – filho, saia pela nossa passagem secreta eu mandei um motorista lhe esperar lá ele vai te tirar daqui.
— o que esta acontecendo pai ?
— não temos tempo, vá agora.
— eu não desobedecia a uma ordem do meu pai, sai como estava e fiquei próximo a passagem escondida, eu esperava que ele fosse comigo mas ele não veio, então devagar voltei alguns metros e pelo corrimão da escada vi quatro homens encapuzados, eles apontavam um arma para o meu pai, e insistiam em gritar – onde está a criança?
Meu pai ficou imóvel sem dizer uma palavra, eu queria ir até lá e tira-lo dali, mas sabia que seria inútil segurei minhas lagrimas e olhei cada um dos homens no rosto, — onde está a criança? — tornavam a gritar, o mais baixo deles disse – levem o daqui vamos tirar essa informação dele custe a vida de quem custar.
— receio que isso não seja problema – disse meu pai enquanto tirava uma arma da cintura e se dava um tiro na boca – meu grito foi abafado pelas mãos de um homem que me segurava, ainda posso sentir o gosto de couros das suas luvas, ele me arrastou pela passagem secreta até o carro que me esperava, e me tirou dali sem me dar uma explicação sobre quem era aquelas pessoas, ou sobre o meu pai que sangrava na sala da escada espiral.
Eu acordei no aeroporto, o motorista me dera as instruções que eu teria que passar um tempo longe da Rússia e ficaria escondido em uma pais chamado brasil, eu não teria uma família seria criado em um orfanato e aos dezoito anos eu poderia ter acesso ao dinheiro do meu pai, como se aquilo me importasse ou qualquer coisa ali dita me importasse, eu só queria poder voltar para minha casa, e desejava que meu pai tivesse lá me esperando de braços abertos, mas eu descobri logo cedo que sonhos idiotas de crianças não se realizam.
Hoje
Eu ainda sentia o veneno do kevan percorrer todo o meu corpo, sentia meu corpo queimar, eu acordei e seus olhos azuis foram as primeiras coisas que vi, eles eram azuis como o lago que morrera um dia, isso não me assustava me fortalecia, sua expressão de preocupação me trouxeram alivio, ela não me odiava apesar de tudo, então dei uma olhada onde estávamos e percebi as instalações impecáveis da ordem.
— Eles tiraram todo o veneno do seu corpo – disse ela preocupada – eles falaram que você vai ficar bem, falaram que você é forte.
— Pelo contrário.
— Você salvou minha vida.
Sua voz foi interrompida por um homem alto grisalho que nos chamava – o comandante deseja vê-los imediatamente, assim que se recuperar claro.
— eu estou ótimo podemos ir
— não disse ela apreensiva, ele precisa de mais tempo ele quase morreu.
— Elena eu estou bem, precisamos falar com ele agora.
O homem nos acompanhou gentilmente pelos longos corredores daquela instalação, primeiro passamos por uma sala de treinamento, em cima brilhava orgulhosamente o símbolos dos guerreiros, um martelo se chocando a uma pedra em fundo amarelo, os guerreiros eram uma facção treinada para serem incorruptíveis e a jamais, fracassar eles eram os soldados de elite da ordem. O homem nos conduziu pelo corredor direito então percebi que algo estava errado, apenas uma vez havia entrado no prédio das almas, mas eu sabia que a sala do comandante fica no centro da instalação ao lado da facção da sabedoria.
— Para onde está nos levando? — pressionei-o
— siga-me, ele está lhe esperando — disse o homem cortes
— quem nos tá esperando?
— kai o que foi? — perguntou elena que segurava meu braço
— a algo errado vamos embora daqui
mas antes que eu pudesse arranca-la dali, ouço uma voz gritar de longe – não, por favor espere.
Ele caminhou apressado em nossa direção, era alto seus cabelos eram de um louro prateado, pelo porte físico pertencia aos guerreiros, seus olhos de verde profundo orgulhosamente nos fitavam.
— Por favor – ele arfou – me escutem um minuto.
— Quem é você? — perguntou elena curiosa.
— meu nome demetrio, todos estão falando de vocês, por favor- ele suplicou enquanto tirava uma foto do bolso – meu pai é o comandante mas sei o quanto ele é imprevisível, essa é minha irmã, ela fugiu – ele falava tremulo enquanto entregava a foto nas mão de elena – por favor ela está sozinha lá fora.
— isso não é problema nosso, vamos elena não temos tempo para isso.
Ela segurou firmemente a foto entre as mãos, cabelos cumpridos e pele de oliva, ela tinha os mesmos olhos do irmão verde escuro, mas os dela transbordava simplicidade enquanto os dele soberba.
— eu nunca tive um irmão, — disse elena – mas sei como é perder uma pessoa que se ama, vamos encontra-la pra você eu prometo.
— a que ótimo , como se já não tivéssemos problema suficiente.
— obrigado minha rainha – disse ele com tom de reverencia – tenho algo para você – disse ele enquanto tirava uma rosa branca do bolso – as rosas brancas são as mais belas que existem, assim como você, essa rosa jamais murchara, inverno, chuva ou sol, não importa ela continuará bela, assim como espero que você resista as coisas que estão por vir.
Elena segurou a rosa com cuidado – obrigado.
— O nome dela é dara – disse demetrio – se a encontrar diga que eu vou acertar as coisas por aqui e até lá ela precisa ser forte.
— eu direi
— Vamos elena não temos tempo.
— Tchau doce donzela, muita sorte na sua jornada.
Caminhamos apressados na direção certa dessa vez, Elena andava com um sorriso disfarçado sentindo o cheiro da rosa branca, Eu não podia acreditar, mas sim ela ficou encantada com o príncipe de 1.99, até então ela voltar a realidade, seu sorriso se desfez e a rosa lhe fez lembrar o funeral dos pais, ela guardou a rosa na bolsa e continuou nos seguindo.
Passamos pela facção da inteligência como deveríamos ter passado antes, era um vasto salão branco com uma variedade de equipamentos de ponta, ali era o cérebro da ordem, então vejo seu estandarte no alto, uma lareira acesa sobre o fundo carmesim, o nosso condutor nos levou a porta certa dessa vez.
Era uma porta alto de carvalho com dois homens na porta a guardando dia após dia, eles nos deram passagem e entramos, o silencio foi quebrado pelo grito de espanto de elena, o comandante estava jogado no chão, seu terno impecavelmente branco estava ensopado do seu sangue que escorria da sua boca e ouvidos, o comandante estava morto, e com ele toda a paz morrera dando lugar ao caos.
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