“Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo dos abismos”

Eu vi um homem sentando a beira de um riacho, cabeça baixa ele tentava regular o peso de uma coroa prata de ametistas que não importava o seu esforço ela nunca ficava no lugar, e ele odiava isso, ele sentiu o vento soprando trazendo consigo o cheiro agridoce das violetas do jardim do palácio, parecia impossível senti-las dali ele precisava estar o mais longe de casa possível para fazer aquilo, ele tinha se certificado que estava longe o suficiente e que ninguém o tinha seguido, o riacho era uma abundante de aguas claras que começavam a se tornar alaranjadas com o por do sol, a meia noite ela tinha lhe dito, a meia noite e eu serei sua, ele não conseguiu esperar ate a meia noite, ele queria ver o sol se pondo, ver os últimos raios de luz deixar a terra ater ficar escuro suficiente para ela iluminar anoite como nenhum sol era capaz de fazer, afinal era a ultima vez que ele poderia vê-la.

Logo o sol se pós e nada mais existia além de trevas e o coaxar dos sapos, ele estava cansado tinha sido um dia pesado cheio de falsas modéstias e sorrisos de papel, ele tirou sua coroa e a colocou de lado naquele momento ele não era um príncipe, e vagarosamente se deitou com as costas na grama, por mais que eu tentasse não conseguia ver o seu rosto, ele olhou o céu e viu as estrelas brilhando na imensidão sem fim como se deseja-se de algum modo voar ate elas, então ele fechou os olhos, e se imaginou voando no céu contornando as estrelas se imaginou rindo das pessoas e de seus problemas inúteis, ate seu devaneio ser interrompido pelo soar de galhos quebrando na mata atrás dele, como um soldado treinado para matar ele desembainhou sua espada e se pós em guarda, então ele a viu sair do mato ela ainda usava as vestes sujas da cozinha do castelo e esteva despenteada como se tivesse visto um fantasma com tudo nem as mais belas princesas da corte poderia se igualar a ela.

— calma meu herói, sou eu – sua voz era como um vento que soprava o fim de uma tempestade.

E ele se acalmou e naquele momento sua espada caiu ao chão, e aquele foi o seu primeiro erro, ele correu ate ela e a beijou como se fosse a ultima vez, ele a abraçou como se fosse a ultima vez e eles fizeram amor como se fosse a ultima vez, e no fim das contas era a ultima vez.

— eu queria ficar aqui com você aqui, ate o meu ultimo dia.

Ela estava com os seios nus banhada pela luz das estrelas não sentíamos frio, a lua não se atreveu a aparecer pois sabia que a sua beleza não se comparava a dela.

— meu príncipe sabe que não pode ficar com uma escrava.

— eu acabei de deitar com uma escrava, aposto que posso fazer oque eu quiser – disse com ironia pois ele sabia que não podia.

E ela sorriu e ele a beijou.

— o que pensa que esta fazendo? – era james o irmão bastardo da rainha- ele empunhava a espada do príncipe.

Eles se levantaram com o susto, seus corações agora palpitavam o medo, não isso não poderia ter acontecido por que me deixei levar.

— tio abaixe essa espada – clamou o príncipe se pondo na frente de sua amada.

— amanha é seu casamento com a minha filha e você se deita com essa escrava imunda.

— abaixe a espada eu volto com você só deixa ela ir.

— a você voltara comigo mas ela vai ser enforcada por traição a coroa.- dava para sentir o ódio e a repulsa em sua voz.

A garota chorava e se escondia atrás do príncipe se segurando a seu braço.

Devagar ele se virou pra ela, segurou firme a sua cintura, ela a olhou nos olhos e seu medo acabou se sentiu segura, então ele a arremessou no meio do rio, e seu grito logo foi abafado pela agua que a puxava na correnteza rio abaixo, ela foi levada pela correnteza e não viu mais nada além da escuridão do rio, lentamente a agua começou entrar em seus pulmões ela sentiu o seu desespero bater na porta junto com a sua morte, ela já estava cansada de lutar, então se entregou e começou a afundar, então sentiu uma mão a puxar para cima então ela arfou e sentiu de novo o oxigênio invadir seu corpo.

— porque não me disse que não sabia nadar – era seu príncipe ele também estava molhado da cabeça aos pés.

— acho que eu não tive tempo pra ter opções.

Suas falas logo foram interrompidas pelo latir de cães

.- não temos mais tempo temos que fugir agora

Ele a puxou pelo braço e começaram a correr o mais longe que pudessem, atravessar os campos de capim e toda a floresta dos gritos atravessaram campos, ate chegarem na base de uma colina, não importavam o quanto eles corressem a cavalaria real já estava perto o bastante para captura-los.

— eu não posso voltar para lá vão me enforcar por traição – dizia aos prantos

Ele a abraçou e ouviu o grito de um cavaleiro – estão ali

— ei olha eu não vou deixar que nos peguem ta bem, a gente vai ficar juntos para sempre.

No meio as lagrimas ela avistou um antigo carvalho branco e logo lembrou daquele lugar, era chamada a colina dos sete juízes e aquela era a uma arvore forca, onde os grandes reis do passado enforcavam ladroes e assassinos.

— tenho um plano para ficarmos juntos para sempre meu príncipe

E correram colina a cima eles estavam cansados demais para correr, então chegaram a base do carvalho no seu tronco era gravado o rosto de um homem chorando em todas as arvores havia uma abundancia de folhas e frutos, menos naquela ela escutou o vento soprar era o grito das milhares de almas que tinham sido perdidas ali.

— o que esta fazendo ? – Perguntou o príncipe

— venha comigo – disse a escrava – venha comigo e vamos ficar juntos para sempre.

Então eles subiram ate o galho mais alto daquela arvore, o vento soprava e seus corações palpitavam, ele segurou a mão dela e por um momento ele sentiu tudo que eles tinham vivido ate aquele momento, ele sabia que aquela não era uma historia de amor, porque historias de amor o garoto termina com a garoto, ele só suplicavam aos céus que seu amor fosse tão grande que os fizessem ficar juntos por toda a eternidade, então juntos eles coloram a corda nos seus pescoços.

— vamos ficar juntos para sempre meu amor.

Então pularam.

Os corpos pendiam e balançavam e então fiquei horrorizado porque finalmente vi o rosto do príncipe, era eu.

Então acordei, eu estava molhado caia uma ligeira chuva e eu estava com as costas na lama, enquanto a chuva me cegava, eu não lembro quem eu era, só lembrava daquele terrível sonho que eu perdia tudo, eu não lembro quem eu sou , nem onde eu estou, felizmente eu não era aquele príncipe, e porque no sonho eu era ele? Oque isso queria dizer ? , eu não consigo mover o meu copo e não consigo me levantar, a única coisa que me lembro é desse maldito sonho que não para de me atormentar e lembro do meu nome, Malakai.