As testemunhas - O lado mais sombrio
9 Dara - abismo
Esta noite
Eu olhei dentro dos olhos de um homem,
E contemplei um abismo.
Dara
“Era uma floresta fria, sem vida vi uma pequena garota sentada com as mãos no rosto, ela chorava, chorava por que estava sozinha, e com medo, ela não sabia onde estava, só queria voltar para sua cama, quente e confortável. A menina era frágil e medrosa, não sabia como agir, precisava de alguém, mas como poderia, era apenas uma criança, que com o tempo aprenderia a ser forte e corajosa, mas isso está longe de acontecer. Hoje, aqui e agora, ela era só uma menina que precisava sair desse mundo o mais rápido possível, ela ainda não estava preparada para viver aqui, não hoje! Mas a alguns anos, essa criatura que chora como se estivesse com dor, teria poder, a que suporta tudo, ela seria poderosa!
Pouco metros dali tinha uma mulher, que observava a menina, a mulher não sabia se chegava perto da pequena criança, mas sentia que devia, ela queria confortá-la. Aquela mulher era perversa, egoísta e temida por todos, ela não sentia pena ou remoço, mas ao ver a menina ela sentiu algo estranho, compaixão!
Se aproximou lentamente da criança, que a olhou com olhos molhados por causa das lágrimas, seus olhos foram para seu corpo, a mulher se arrependeu de esta dessa forma, mas não podia mudar seu corpo agora, isso assustaria mais a menina.
—Não tenha medo- falou usando sua voz mais suave, e viu que a garota não estava mais chorando, seus olhos ainda estava em seu corpo, a menina nunca tinha visto algo assim, a mulher tinha seus cabelos longos que cobria seus seios, ela não tinha pernas, ela era meio cobra, aquele ser que estava se aproximando da menina era algo que ninguém nunca sabia explicar, mas mesmo sendo assustadora, ela era linda, a sua beleza era o que deixava a menina calma -Feche os olhos criança- ela não queria obedecer, queria olhá-la, mas se viu com os olhos fechados, sentiu uma mão fria tocando seu rosto, que depois foi para seu cabelo, o toque era estranho, mas familiar, e depois sentiu o calor, algo a cobria -Abra seus olhos agora- disse a mulher em seu ouvido, a criança fez o que ela mandou e viu que tinha uma manta a aquecendo, e olhou para a mulher, ela agora tinha pernas, seus cabelos presos e usava um vestido branco, tinha um sorriso belo ao olhos de uma garota inocente, mas aquele mesmo sorriso ela usava quando via uma vida sendo tirada por suas próprias mãos, o lugar também havia mudado, não era mais uma floresta sombria, estava claro e quente, tão lindo que a menina não sabia mais o que era frio medo ou outro sentimento ruim, ela estava feliz, ela amava aquele lugar. A mulher estendeu a mão para a garota, que a segurou sem pensar, elas começaram a andar
—Como é seu nome?- perguntou a menina, sua voz estava não baixa que não passou de um sussurro, mas a mulher escutou
—Eu não devia está aqui, você não devia me conhecer agora, mas não se preocupe, você vai saber tudo sobre mim, meu nome, quem sou, quem fui, quem sou... muitas perguntas, e muitas respostas- a menina a olhou sem estender -Você não tá com medo de mim?
—Não- a garota falou rápido, mas determinada, ela não sentia nada de ruim, na verdade queria que seus braços estivesse a sua volta, a abraçando, ela sentia falta disso, que um carinho
—Você é tão frágil, não da para comparar com a mulher que um dia se tornará, precisa aprende agora que nada será fácil para você, mas seja forte, seja forte!- ela soltou a mão da garota, e a empurrou -Se isso serve de consolação, eu peço desculpas- ela a olhou, e a menina viu pena nos olhos da mulher -Você precisa passar por isso- disse, deu as costas para criança, que ouviu algo se rastejando perto dela, sentiu algo subindo por suas penas, e logo uma dor em sua mão, ela gritou e viu a mulher parando em sua frente, mas logo começou a correr. A mão da menina ardia, ela olhou para o chão e se apavorou, estava cercada por cobras, que rastejavam em sua direção, a garota começo a correr, mas tropeçou, e sentiu o chão frio, e ela não estava mais no lugar bonito e quente, agora estava na floresta escura e sozinha. Tentou se levantar mas uma dor em sua perna, várias cobras apertava seus braços e penas, ela gritou mais alto ao sentir uma picada em seu pescoço...
Acordou assustada, passando as mãos no corpo para ter certeza que não tinha nenhuma cobra, seu quarto estava tão escuro, e o medo aumentou, saiu de sua cama batendo em algo, chegou até a porta, tentou abri-la mais estava fechada
—Papai- ela gritou, dando socos fracos na porta -Papai abre a porta, por favor, abre a porta- seus olhos encheram de lágrimas, ela queria sair dali, queria que seu pai abrisse a porta, e a tirasse daquele escuro, que ele a abraçasse e a confortasse -Por favor papai, abre, eu to com medo- não era a primeira vez que ela sonhava com cobras, ela não tinha medo delas, e sim a dor que ela sentia no sonho, era tão real. Ela gritou, e gritou até perceber que ninguém abriria a porta, que ninguém a abraçaria, ela estava sozinha, ela sempre seria sozinha. Não era a primeira vez e essa não seria a última que ela chamaria por alguém e nunca teria resposta, a menina precisa entender que ela seria sozinha, sempre estaria sozinha"
***
A estrada de pedras se tornava irregular aos nossos pés, já estávamos quase no poente, mas ainda não tínhamos se afastado o suficiente, meu companheiro de viagem era um asno desengonçado de quase dois metros de comprimento que me fazia pensar seriamente em deixa-lo em algum buraco na estrada, mas apesar do seu mal jeito noto que a uma força descomunal presente naquela criatura, e me pego a pensar mais uma vez nas palavras do ancião ele só desejava o amor, o amor dos humanos, e esse amor o destruiu, e se ele estiver destruído e se agora o único traço humano que ele herdou seja o da destruição, rezo para que esteja fazendo a coisa certa.
— Meus pés doem – reclamou ele
— Não andamos o suficiente ainda.
O sol já começava a se pôr, e as luzes alaranjadas do entardecer começavam a pintar o céu como um quadro de um artista amador, Adam olhou para o céu e sorriu como uma criança que coberta pelo manto da inocência admira tudo com beleza e esplendor.
— Vamos, não temos tempo para isso
Ele me seguiu a passos lentos
— Porque não vai logo me dizendo o que as bruxas queriam com você ?
A sua expressão se tornou seria e amedrontada
— Elas sãos más – disse a criatura – elas cortaram adam e o espetaram com uma agulha comprida, adam não gosta delas, elas são más.
Parecia que ele havia gostado do seu nome, nomes são importantes ele dizia tudo precisa de um nome, como eu havia lhe dado um nome ele se sentia na obrigação em procurar nomes para todo animal que cruzava nosso caminho , tive que esperar um tempão até ele decidir que iria chamar de timont um esquilo pequeno que estava preso no galho de uma arvore, e estranhamente timont o esquilo também havia gostado do seu nome e agora andava pendurado para todo lado no ombro de adam como um fiel escudeiro, maravilha o esquadrão suicida um esquilo, e um asno desengonçado prontos pra enfrentar o exército do céu.
Já era noite e começávamos a tropeçar nas pedras e troncos do caminho, e adam começava a sentir um certo pavor pelo escuro.
— Vamos acampar naquela arvore – não era bem uma arvore e sim um tronco de um antigo carvalho branco se estendendo ao céu.
Adam segurou timont o esquilo entre as mãos, mãos feitas para destruir, era irônico, ele se deitou no chão duro como se fosse a mais macia das camas, mas aposto que ele ainda não saiba o que era uma cama, ele caiu em sono profundo enquanto timont se aconchegava em cima da barriga de adam, ele lambeu suas garras e se enrolou entre a cauda e dormiu, receio que o sono não iria me visitar naquela noite, estava frio e eu ansiava por uma chama de calor, mas eu não podia arriscar, eles poderiam estar perto.
O chão e o tronco se tornavam cada vez mais duros, mas o sono começou me abater e devagar eu fui caindo em um sono profundo, então eu sonhei de novo com aquela casa branca e uma cobra gigante se enroscava nas suas paredes e o céu rubro chorava sangue, da sua porta uma mulher com as vestes rasgadas coberta de sangue fugia da grande cobra, ela chorava lagrimas de sangue sobre o seu herói morto, suas mãos tremulas alisavam os cabelos , enquanto a cobra gigante se preparava para dar o bote, os cabelos negros coberto de sangue do herói arrastavam no chão enquanto a mulher das vestes rasgadas suplicava aos céus que devolvessem seu príncipe – corre – eu gritava, mas ela não me escutava.
Eu tentei correr até eles mas não importava quanto esforço eu fizesse não conseguia salva-los, quando a cobra estava prestes a devora-los, a triste moça que haverá perdido seu príncipe me viu pela primeira vez e aquilo me assustou – dara – ela chamou meu nome entre lagrimas de sangue – dara acorda, por favor acorda – ela suplicava.
Então acordei e o mundo estava coberto em chamas.
Um círculo de fogo nos cercava consumido tudo que tivesse vida ao nosso redor, o calor intenso arder o meu rosto e a fumaça começava irritar.
— Adam – gritei com um último relance apagado pela explosão de uma bomba.
Aviam jogado uma k2 em nós, uma bomba de nêutron, armamento pesado usado para matar, o clarão da bomba me arremessou por alguns metros enquanto adam se contorcia no chão.
O mundo parou e eu não enxergava nada além de um vasto clarão, e imagens irregulares dançando como vultos na estrada, eu demorei um pouco para perceber o que estava acontecendo, mas logo intendi, esses métodos de combate, me doía saber, mas era a ordem que nos atacava com todas as suas forçar preparados para matar.
— Adam – arquejo no último suspiro sentindo o gosto de terra na boca.
Sinto uma mão forte me levantar pela garganta – aonde você estava levando ele? – Ele me perguntava sentindo a familiaridade na sua voz – aonde você estava levando ele? – Ele tornava a perguntar me jogando com força no tronco da arvore que o sentia rachar.
Sua mão era forte e apertava meu pescoço de tal modo que não conseguia me mexer, então finalmente vi seu rosto, era Belzabar o comandante chefe da facção dos guerreiros, meu antigo mestre – devo ser muito importante para você vir até aqui – arquejei.
Eu tentava com toda as forças alcançar meu arco largado no chão, mas era totalmente inútil.
— Você me decepcionou garota, decepcionou seu pai todos nos.
— Vai para o inferno junto com ele.
— Acha que isso é brincadeira – ele me levantou mais alto – nos traiu por aquela criatura – ele me fez olhar.
Então eu vi adam no chão gritando de dor, eles o estavam torturando, eles o chicoteavam com correntes de elétrons enquanto dois seguravam seu pescoço amarrado pelo uma coleira como se fosse um cão raivoso , mas adam não parecia sentir dor alguma ele fitava seus olhos inocentes mais a frente, era timont que estava estirado no chão sem vida queimado pelo calor da bomba, então naquele momento eu vi a inocência escapar dos olhos de adam e ser preenchido pelo mais puro ódio.
Uma lagrima percorreu meu rosto – você vai pagar por isso – meu coração se encheu de fúria – todos vocês vão pagar por isso.
— É isso que acontece com quem tenta nos desafiar, achou que poderia escapar de nós? Ninguém pode escapar de nossas mãos.
Para onde você estava levando ele? – belzabar tornava a gritar.
enquanto apertava minha garganta com mais força, e aos poucos seus gritos eloquentes começavam ficar mais baixo, aos poucos o mundo começou se embaçar, e sinto que a vida começara deixar o meu corpo... e tudo ficou escuro, um completo vazio, um completo abismo...
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