As relíquias dos Imortais-Reino dos Elementais
35 Sonhos Montanhosos
Notas iniciais
Katherine estava exausta, cansada e totalmente mudada. Se ela pudesse dizer a diferença entre a eu de semanas atrás com a eu de agora diria que estava precisando seriamente de um psiquiátrica elemental logo. Depois de ser chamada por uma profecia pela chama sagrada, lutar contra um elemental com séculos de idade, descobrir que existe uma sociedade secreta que cultua um espírito e que eles querem ela e os amigos mortos... bem, era mais loucura do que ela podia imaginar. Desde que tinham achado aquela caverna como refúgio na cordilheira, achou que só podia ser milagre de todos os deuses de todas as religiões já que ela não aguentava mais andar. Jack estava estranho, apesar de só ter tido contato com quando o garoto era apenas um bebezinho existia algo de diferente dele desde o momento que Klaus havia sido afogado, ele parecia mais velho, maduro até mesmo para um garoto de treze anos pálido e magricelo (algo do tipo que você encontra na maioria dos orfanatos da Inglaterra). A noite no Tibete só era parcialmente diferente do dia mas sobretudo fria, extremamente fria, foi necessário que de 50 e 50 minutos Fang pudesse servir de aquecedor para os outros, o que realmente era consolador.
A ave de fogo gostava cada vez mais de Katherine desde o dia que ela tinha derrotado Perunú mas... de qualquer forma, ela sabia que as coisas apenas pioravam. Klaus tinha falado com eles que estava incapacitado de poder controlar a terra devido a algo relacionado a vida e um papo meio hippie e... ele estava sem seu gorro. Por mais incrível que parecesse enquanto ele tinha se afogado no lago, o gorro sumiu, e desde então ele tem ficado mais deprimido do que o normal. Tudo bem o garoto era nerd mas tinha demonstrado um grande valor para a equipe. Ele não só tinha ajudado eles na viagem descobrindo segredos acerca do ramo oriental dos ondins (a família de Suzana) como também tinha lido o diário de Paracelso e obtido conhecimentos perdidos desde a II Guerra Mundial! Sim ele era fantástico, mas e Suzana? Nossa, ela era corajosa, impetuosa, exemplo único de superação, antes ela se achava nada mas desde o discurso de Jack parecia estar cada vez mais destemida.
Katherine.... bem, ela era a Katherine não mais de antes com toda certeza. 30 minutos após dormir, ela se levantou. No entanto não era ela e sim a projeção dela mesma que sai do corpo que ela... enfim, Kate estava na formação de projeção astral, o que de fato ela conhecia muito bem. Seus pais tinham lhe dito há tempos atrás, que certos elementais experientes tinham a habilidade de se comunicar com outros por meio da projeção mas ela simplesmente estava sendo puxada, por alguma força negra e escura tão... medonha que parecia um buraco negro que se alimentava de projeções astrais. Quando por fim parou de ser sugada sentiu dor, angústia e talvez sofrimento mas ao mesmo tempo prazer em senti-lo. A escuridão era tão grande que agora crepitava em chamas negras
Não tenha medo das montanhas, pequena Sílfide falava Ahura Eu vou matá-la de qualquer jeito. A sua perdição e o fim de todos e tudo está próximo, eis que eu me erguerei das profundezas, levantarei o meu poder e minha fúria e então saberá quem sou eu. seu destino será pior do que a morte.
Kate quis dizer que ele estava errado, que tudo iria acabar bem, que o mal e o caos não iriam predominar ms ela estava sem voz, estava fraca, não conseguia exprimir nem um grunhido nem um suspiro. Na realidade era assim que ela se sentia: sufocada, solitária, sem ninguém. Klaus tinha seus pais assim como Suzana mas e Katherine?
Claro, você não pode falar nada. Mas afinal, essa é sua vida não é pequena Kate? zombava Ahura, nas profundezas das trevas Eu tenho poder, querida mas você não tem nada! Nunca teve,seus pais te largaram, e ainda tem essa fachada de mais velha e engraçada mas no final você é tão nada quanto seu priminho. Eu vou matar vocês, e quando fizer isso, não vai sobrar um que se lembre que em algum momento existiu.
As profundezas ficavam cada vez mais espessas e as imagens mais turvas, Kate estava em total desespero até que acordou. A loira teve que manter a sanidade para não explodir de frustração pois ela sabia que estava despencando mesmo assim estava com dois garotos de 13 anos e uma menina que faria catorze, Katherine tinha 16 e... mesmo assim parecia tão perdida quanto uma menina de 7 anos num mega shopping center de uma metrópole. Klaus tinha falado que enquanto dormia, havia descoberto que mesmo o Yeti sendo um elemental ancestral ele não podia ser tão resistente ao frio portanto devia ter algum lugar de refúgio e descobriu que a caverna em que estavam era uma das muitas entradas que conduziam até os portões de Shambala.
Suzana e Jack tinham ficado mais animados com a notícia. Katherine não queria estragar aquele momento feliz, por isso resolveu esconder o sonho... por enquanto. Após desmontarem a cabana no interior da caverna e deixarem o lixo para trás continuaram andando na caverna que realmente era gélida e tão fria que parecia ser a boca do submundo. A medida que adentravam viam pinturas rupestres imagens símbolos estranhos e escrita que parecia ser anterior ao nascimento de Cristo, os primórdios se aproximavam, e a antiguidade cada vez mais perto deles. Shambala era uma cidade mística bastante conhecida no folclore tibetano por estar entre as montanhas e ser guardada por fronteiras divinas mantendo a imortalidade e a perfeição, o local ideal para a relíquia do espírito da água ter escondido o pedaço de sua alma.
Apesar disso, havia algo mais do que uma mera lembrança do passado que era tão remoto a ponto de ter sido há 10.000 anos atrás e sim uma energia tão grande que parecia emanar do próprio universo, algo poderoso, cósmico, que agora não ecoava do fundo de uma caverna mas de uma espécie de santuário oco que parecia ser na verdade ramificações de uma única entrada a qual levava para as portas da tão misteriosa cidadela. O gelo trincava por meio das estalactites além da neve que soterrava, quase Katherine teria caído no buraco quase sem fundo senão fosse por Jack que a pegou pelo braço. Todos estavam chocados demais para dizer qualquer coisa e então reverenciavam não só a grandeza mas a mediocridade do ser humano.
Tanto conhecimento, séculos e agora se resumia aquele ponto único e convexo. a entrada lateral se resumia agora a uma uma saída que agora se dava numa enorme passagem que mais parecia uma caverna com duas tochas a qual fogo azul crepitava, fora da caverna nevava com tamanha força que o frio era tão gélido e infernal que mataria apenas no toque. Nas paredes de rocha morta e gelose viam desenhos de civilizações, reinos, pessoas caçando, a revolução da humanidade além de caracteres que iludiam não só a Kate como a Klaus que ficavam cada vez mais encantados. Finalmente eles tinham conseguido se não fosse pelo Yeti.
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