As relíquias dos Imortais-Reino dos Elementais
38 Shambala
Notas iniciais
O caminho de rocha era espaçoso se comparado ao caminho para que há dias atrás os golens Arkadius e Cléver abriram para Jack e Katherine passarem. Até que eles encontraram algo maior e talvez melhor de tudo que já tinham visto. No final do rochedo uma grande e linda torrente de água cristalina caía e despejava no chão formando um grande lago a qual partia um rio cuja água não era funda mas tão cristalina que parecia perfeita. Rochas coloridas podiam ser vistas, peixes e mais formas de vida nadavam e viviam debaixo das águas. Do lado direito da margem do lago/rio cristalino uma bela floresta tropical se avantajava mas não com animais perigosos ou carnívoros mas coelhos, esquilos e toda a variedade animais inofensivos. As árvores eram verde vivas e o céu... o céu era límpido e azul, tão altivo que era perfeito. O rio parecia correr uma trajetória única que permitiria os quatro elementais ficarem ali o resto da eternidade numa utopia infinita, pássaros variados desde araras até pardais voavam pelos céus colorindo e o sol se estendia como se fosse o limiar do meio-dia.
Jack estava muito perplexo para lembrar de todos os pensamentos que já tinham lhe ocorrido antes, pois tudo estava num enorme e quase perfeita paz. Klaus estava preocupado com Suzana mas quando os pés dela tocaram a água do rio, uma energia viva e renovada parecia tomá-la e acordá-la, não foi necessário saber o que estava acontecendo pois simplesmente não tinham palavras para descrever até que eles avistaram uma mancha negra no rio, pensaram que pudesse ser Ahura mas a mancha negra tinha formato não como chamas mas como uma serpente ou um crocodilo.
No final das contas, os quatro elementais viram do que se tratava. Um enorme ser, com corpo de serpente negra e escamado, chifres como de cervo, bigodes como de bagre, olhos de gato, garras de águia, nariz de salamandra e grandes patas de lagarto além da mera juba de leão. Nem mesmo Klaus fazia ideia do que era, até que a mancha negra que tinha traços de diferentes animais ergueu seu torço como se quisesse se comparar em tamanho aos outros e olhou para Suzana, num breve momento eles se entreolharam e ela o tocou com intimidade, piscou os olhos e disse;
–O nome dele é Lung, ele é o dragão guardião de Shambala e quer nos ajudar a procurar o que queremos- Jack não sabia como Suzana tinha conseguido conversar com um suposto dragão que por mais incrível que parecesse ficava na água, desde quando existiam dragões aquáticos? E se existiam, por que não havia um deles na ilha Tartária?
Ninguém se opôs a ajuda do dragão quieto e então quando Jack iria propor para que fossem em Fang olhou em volta, buscando a fênix mas não a achou;
–Gente... onde está Fang?- por um breve momento todos se sentiram desnorteados e então novamente Suzana falou;
–Lung disse que aqui, todas as forma de vida são livres. Se ela se afastou de nós foi por conta própria e poderá voltar ou não- o salamandra não podia contestar. A fênix esteve o lado deles o tempo todo e sempre defendeu seja contra a tríade negra ou um elemental como Perunú, tentou deixar de lado e junto com os outros montaram no dragão aquático e seguiram caminho mais adentro da terra de Shambala.
*****
Shambala era linda e misteriosa, como uma terra ou um paraíso perdido no tempo. Suzana se comportava como uma intermediária entre o dragão e os amigos, explicou que diferente do que os outros achavam, Shambala não era uma cidadela, e sim um recanto utópico de felicidade e comunhão com tudo e todos. Ao logo do percusso no rio, sentiram as águas limpas e cristalinas e sentiram o equilíbrio. De toda a sua alma, Klaus desejava que o mundo uma dia fosse assim, sem rancor, sem tristeza, sem ódio sem nada de ruim > no entanto ele sabia que este ainda era um sonho distante. Os elementais ainda estavam com suas mochilas desde que tinham atravessado a passagem graças a Klaus, juntamente com o diário/livro de Paracelso.
A medida que Katherine se encantava ainda com as borboletas e as cores vivas, imaginava se algo de ruim já tivera acontecido naquele paraíso. Talvez fosse por isso que Yeti tenha estado ali desde muito tempo atrás ou o motivo da relíquia ter sido escondida em Shambala, o lugar ideal, longe das abominações. Kate entendia o porquê de dragões não serem a companhia preferida dos elementais. Dragões, como Lung, eram elementais razoavelmente diversificados, ou seja, eles podiam habitar tanto no fogo, como na água, na terra, ou no ar só que havia um porém: eles não podiam ser dominados ou controlados contra a própria vontade, caso o contrário se suicidariam pois eram seres livres.
Na verdade talvez fosse isso que todo ser vivo queria: liberdade.
A partir de um momento, Jack e Katherine viam monges! monges e mais monges meditando. Segundo Klaus, pessoas que largaram a vida mundana (muitos deles, elementais) para viverem no Nirvana em Shambala, o estado de espírito perfeito que um ser humano poderia alcançar. Eles não abatiam nem matavam para se alimentar, apenas sobreviviam a partir das frutas e pegavam as sementes, utilizando para plantar mais árvores, dessa forma tudo estava em perfeita e nostálgica harmonia.
Lung conduziu os garotos até um ilhota no meio do rio que tinha uma árvore, cujos frutos eram desconhecidos para eles;
–Mas que árvore é essa?- perguntou Kate;
–É a árvore do tempo, onde o pai e mãe de todos os povos comeram e se alimentaram. Ela remota desde os tempos antigos, pois os espíritos se envolveram nela-respondeu Suzana. A árvore era bonita, diferente do que qualquer outra e até mesmo Klaus como gnomo não fazia ideia da espécie. Os quatro olharam para árvore e ela parecia ter muita história para contar até que Jack avistou um cajado, de madeira, muito comum, encravado na raiz, novo em folha;
–Aquele- falava Suzana ainda sob o transe de Lung -É o cajado que procuramos. Ele preserva a parte do espírito da água e por isso é tão jovial- Jack estava feliz, não só por ter conseguido ter atravessado quase um continente inteiro mas por ter realizado algo que era considerado impossível até mesmo para outros elementais. Suzana, a ondina, saiu de Lung e começou a andar sobre a água. Ela se aproximou da ilhota e tocou no cajado e então levemente ele saiu como se esperasse por aquilo há muito tempo atrás. Uma energia azul cósmica saiu do cajado e começou a filtrar o corpo de Suzana que sentia como se estivesse sendo inspecionada.
Era algo maior do que ela, uma força tão poderosa parecia conhecê-la, se adaptar ao corpo dele e então a mesma voz que a usou na caverna disse;
Bom trabalho menina, espero isso há muito tempo. Estou orgulhosa de você.
Aquela voz lembrava Suzana da mãe dela por ser tão maternal. Quase desmaiou na água se não fosse por Klaus que tinha saído de Lung e agora a levantava nos braços;
–Você está bem?- perguntou o gnomo;
–Estou- os dois evitaram se beijar naquele momento já que perceberam que tinha um dragão mudo, além de Jack e Katherine. Depois de um tempo, os quatro experimentaram um pouco a paz da terra de Shambala, sentiram a natureza envolver eles e mais ainda a paz de espírito. Klaus e Suzana tinham separado um tempo para eles, brincando na água, como um casal apaixonado enquanto Jack e Katherine conversavam acerca da família deles. Tudo era muito novo para eles, apesar de terem terminado uma missão, uma jornada inteira ainda se traçava pela frente. Quando por fim todos se secaram e se alimentaram com as folhas milagrosas o bom e velho nerd Klaus disse;
–A nossa jornada ainda não acabou, Podemos ter recuperado o cajado que inclusive foi usado por Moisés mas... existem mais três relíquias espalhadas pelo mundo que precisamos achar- Suzana assentiu e disse;
–Eu aposto que Ahura vai adorar colocar as patas deles nelas- todos riram um pouco e então Kate continuou logo depois de morder uma maçã;
–Com toda certeza, mas... ainda preciso descobrir onde estão meus pais e fazer justiça contra os Ravens e a tríade negra- Jack abraçou Kate e os dois ainda se sentiam unidos. Agora o velho e bom Jack não estava mais solitário nem órfão, ele tinha amigos, família e um destino para cumprir: salvar o mundo era a sua meta. Antes que a força das trevas destruam a civilização;
–Mas não vamos nos afastar. Vamos fazer isso juntos- Os quatro juntaram as mãos e desejaram sorte, rezando ao destino que batendo às portas exclamava terror e angústia mas também esperança de um Novo Mundo. Juntos eles olhavam o pôr do sol e se preparavam para a próxima missão, mesmo que ainda uma pergunta restasse. O fato de Suzana ter sido brevemente dominada pela espírita da água estava claro mas e Jack? O que aconteceu com ele no lago?
Fim
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