Notas iniciais
História independente de minha outra fanfic ("Vivendo sentimento, sentindo emoções"). Ouçam músicas românticas! Feliz dia dos namorados. ♥

De todas as estações do ano, a que Robin mais gostava era da primavera. A primavera trazia sempre novos ares. Descongelava as ruas e os corações. Voltava a colorir as árvores. Mas, na verdade, o real motivo pra primavera ser a estação preferida do líder titã era outro. Era ela.

Com as flores e cores, Estelar ganhava mais vida ainda. Ela amava essa estação. O cabelo vermelho cereja dela, a pele alaranjada e os olhos verdes conseguiam ficar ainda mais bonitos com a primavera. Era encantadora. A primavera a deixava linda. Renovada.

Ela falava de flores, animais, festividades. Falava do Sol. Robin podia admitir que, por vezes, não ouvia uma palavra se quer do que a princesa alienígena falava, porque se perdia admirando sua beleza.

Eles eram tão diferentes. Ele tão rígido, tão controlado, tão previsível. E ela? Ela conseguia quebrar as defesas dele apenas com um sorriso. Ela conseguia tirá-lo do trabalho apenas convidando-o para dormir com ela. Ela conseguia flexibilizar o pensamento dele apenas olhando-o nos olhos. Como a amava!

Sentia-se marionete nas mãos dela. Ela faria dele o que quisesse. E ele sempre permitiria, porque queria ser dela. Gostava de ser dela. Era dela…

Amava a pele macia dela. Amava quando os dedos dela escorregavam pela mão dele, até os dedos de ambos se entrelaçarem. Amava o olhar terno, travesso, curioso e apaixonado dela, por ele e pelo mundo. O jeito que ela via as coisas. O jeito que ela lidava com os problemas. O jeito que ela simplificava a vida. Sempre alegre. Sempre divertida.

Tão frágil e tão forte.

Amava quando o cabelo dela fazia cócegas no rosto dele na hora de dormir. “Você podia fazer uma trança”, implicava. “Você podia parar de reclamar e me beijar”, desafiava.

Ahhhh dormir com ela. O corpo quente dela, muitas vezes nu, encostado no corpo dele, muitas vezes igualmente nu. O toque pele-com-pele. O abraço. O cheiro. Ela sempre dormia sorrindo.

Ahhhh dormir com ela… às vezes a princesa tinha sonhos agitados e ele sempre descobria quando encontrava hematomas em suas pernas no dia seguinte. “Namorado Robin, tive um sonho incrível…”. Tudo era intenso. Tudo era incrível, magnífico, espetacular…

Amava o que ela o fazia sentir. Amava como ela o fazia se sentir apenas um garoto ao lado dela. Amava os arrepios na nuca que ela provocava. Amava a taquicardia quando ela o encarava com olhos de desejo. Amava o beijo delicado dela. Amava ela toda.

Podia se lembrar de todos os dias dele com ela. Lembrava-se de quando ela tomava sorvete. O desastre em pessoa. Sujava-se inteira. E ele ria dela, enquanto a mesma se deliciava e com a boca suja dizia “deveríamos levara para Tamaram esta sobremesa láctea congelada com sabores diversos”. Tão prolixa. E ele ria dela, enquanto ela tentava convencer o sorveteiro a ter mostarda em seu “estabelecimento revendedor de sobremesas geladas”. Ainda tão prolixa.

Podia se lembrar de todos os dias dele com ela. Lembrava-se da primeira discussão, quando ele estava com dor de cabeça e ela não parava de falar e de falar e de falar. E após ele gritar com ela e eles discutirem, ela simplesmente riu e o abraçou muito contente. “Namorado Robin, finalmente agora somos um casal, pois li em um artigo de revista que é um costume local os casais brigarem”. E ele só pôde rir e coçar a testa. E ele só pôde aninha-la no peito e ignorar a dor de cabeça para ouvi-la falar e falar e falar.

Podia se lembrar de todos os dias dele com ela. Lembrava-se da primeira noite de amor deles. O nervosismo dele. A ansiedade dele. E a tranquilidade dela, “gosto muito dos costumes diferentes de vocês humanos que procuram meios para evitar a reprodução da espécie apenas para se divertir com o ato reprodutivo”. Ele queria mostrar pra ela o quanto aquele contato era bom. O quanto podia ser bom. E aos poucos ele mostrou. E ela? Ela estudou o assunto, leu revistas, artigos, foi em lojas… todo sexo tinha uma coisa diferente. “Amor Robin, eu encontrei este artefato em uma loja que revende artigos de cunho sexual para a reprodução recreativa do sexo”. “Li em um artigo de uma revista que trata sobre assuntos femininos terráqueos que pode ser altamente prazeroso se eu te tocar desta maneira durante o nosso ato reprodutivo recreativo”. E com o tempo ela ia o encantando mais e mais.

Sim, ele podia se lembrar de todos os dias dele com ela. De todas as curiosidades dela para com os “costumes diferentes” dele. A vontade dela de aprender, de conhecer. A fome que ela tinha para a descoberta.

Descoberta.

Era isso. Cada dia com ela era uma nova descoberta. Uma nova experiência. Cada dia com ela era um dia a mais para ser lembrado por ele para sempre. E ele rendia-se a sua própria curiosidade de ficar ao lado dela e descobrir quando ela perderia o encanto. E provavelmente ela não perderia.

Amava observa-la deitada no seu colo, conspirando, confabulando, falando, perguntando, contando… Sempre se pegava rindo da forma como ela fala, da carinha dela, do espanto, das dúvidas. E ele tinha paciência para com ela.

Porque ele amava ensinar coisas a ela. Amava mostrar as coisas a ela. Fazê-la experimentar. Ela era sempre grata pelas poucas coisas que ele fazia. Amava o conforto dela. Amava quando ela percebia que ele só precisava de um sorriso dela e um pouco de carinho… ou cócegas.

Ela era espirituosa. Ela era tudo. Ela o completava. Ela o fazia esquecer todas as coisas, problemas, intrigas, batalhas… Ela fazia tudo valer a pena. Era sua amiga. Era sua companheira. Era tudo que ele podia querer na vida.

Ela era como a primavera. Sempre derretia o gelo do coração congelado dele. Sempre renovava as esperanças dele, do mesmo jeitinho que a natureza renova suas árvores desfolhadas. Ela era toda florida. Ela era toda colorida. Ela era toda cheia de vida.

E por isso a primavera era a estação favorita de Robin.

Notas finais