Notas iniciais
Oie *-*

Eu me lembro de quando amei alguém. Ela não saia da minha cabeça, quando nossos caminhos se cruzavam pelo corredor da escola, meu coração parava. Isso não é uma metáfora, eu realmente o sentia parar por alguns milésimos de segundo. Uma explosão de reações químicas permeava o meu corpo.

E enquanto ele dizia que sim, eu dizia que não. Eu sequer a cumprimentava, e quando percebia que ela poderia perceber que eu estava olhando-a, virava o rosto pro chão. Porque eu fazia isso? Porque eu era um fantasma. Fantasma. Eu usei essa palavra descuidadamente, embora eu possa ser invisível para a maioria das pessoas, não é como se elas fossem me atravessar se passassem por mim.

Se eu tivesse que escolher a palavra certa diria NPC, sim, um daqueles personagens de jogo que não são jogáveis, mas eu não era um NPC qualquer, afinal há alguns desses personagens que, como por exemplo, vendedores. Possuem interação, eu porém, não possuía interação alguma. Existia apenas como parte do cenário, continuava fazendo o que fazia sem se importar com o que acontecia a minha volta.

Se tenho uma qualidade é a minha habilidade de observação. Eu me imaginava como um personagem duma história literária. Como se dentro de mim, existisse alguém escrevendo uma história sobre mim. Por isso eu me colocava a prestar atenção nos mínimos detalhes do ambiente que me cercava, para que o autor que via através de meus olhos pudesse escrever com precisão.

Uma vez cheguei a pensar que ele simplesmente escrevia um livro sobre meu dia-a-dia, mas essa ideia foi logo descartada, porque ninguém leria sobre a vida de um NPC, ainda mais um sem interação como eu. Talvez se eu fosse um jogador lendário, a história ficasse interessante e se tornasse no livro mais vendido de todos os tempos.

Enquanto eu sentia pena do improvável escritor que via com os meus olhos, uma fagulha de esperança para ele surgiu. Um acontecimento que serviu como catalisador para me tornar o que sou hoje. Eu me apaixonei, ao ver uma linda garota loira de olhos verdes, porém o que mais me chamou a atenção nela não foi só sua beleza, mas também seu sorriso.

Me perguntei como que alguém conseguia sorrir daquela forma, não era um sorriso fingido, ou algo vindo depois de se ouvir uma piada. Era um sorriso vindo do fundo da alma, estava repleto de alegria e calor. Quando esse calor chegou ao meu coração, ele começou a queimá-lo, ele ardia. Era um ardor agradável.

Notas finais
Espero que tenha gostado ^_^ Tentarei postar o próximo capítulo em breve.