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Notas iniciais
Isso não é nada de mais, eu só me sinto no humor de escrever agora. Escrevi tanto hoje que minhas mãos agora estão se virando contra mim, acho que já me odeiam. Queria escrever mais, mas não sei oque escrever. Então vou escrevendo para ver se qualquer sentimento vai me invadir para que eu possa dar continuidade.
Sabe, eu estou tão cansada. Eu queria poder fugir para o mundo atrás das minhas pálpebras e voltar para meu mundo de fogo daqui a muitos anos, só para ver como estão as pessoas por aqui. Lá é tudo tão bobo e bonito. É tão fantástico. Lá nós nos amamos.
Lá nós nadamos nos rios mais belos, e todos os rios são belos. Era tão bom. Mas um dia você resolveu que iria mudar as coisas. Cansou do mundo bobo que eu criei, era injusto para contigo viver feliz para sempre sem que nada pudesse mudar isso. Então acordamos com o sol em nossos olhos, só eu e você como sempre havia sido. No meio das árvores, em uma clareira, na grama, imóveis, apenas eu e você, como sempre havia sido.
Minha pele na sua, corpos que ao meu ver se confiavam e amavam. Fomos juntos à beira do rio, cantando músicas felizes sem vergonha de nossos corpos despidos. Nadamos juntos e brincamos na água como duas crianças. Boiando na água, que abafava o som de sua voz que cantava para mim. Cante, continue cantando, eu dizia. Mergulhava mais e mais em sua voz, com os olhos fechados, até era incapaz de respirar.
Abri os olhos com medo e via seus braços me empurrando. A espuma na água e toda a agitação em minha mente, incapaz e tola demais para entender que você já estava farto de cantar. Então tudo sumiu. Consegui voltar à superfície e vi sua silhueta ao longe. Gritei seu nome repetidamente mas você não voltou.
Me deixou ali e eu não sabia mais como nadar. Então cansei de me debater e deixei a água me levar. Mesmo morrendo era você que eu ainda via. Mesmo tendo me matado era você quem eu ainda queria. Volto ao mundo de fogo com medo de fechar meus olhos e terminar minha morte na água. Dentro e fora das minhas pálpebras, é sempre você. É tudo você. Me forçando a escolher um modo de morrer.
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