As notas do piano
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Adorava sentir o ecoar das canções de piano que por ela eram tocadas
Sua franja, as brilhosas madeixas que lhe cobriam os olhos,
Ela estava sempre tão bela frente aquilo que por vezes lhe sossegava
Seus dedos com o velho esmalte preto corroído
Foi sempre tão desleixada com o aspecto de beleza
Gostava daquele batom vermelho vinho
Que tanto lhe agradava
Deixando marcas nos copos e taças espalhados pela casa.
Mesmo por deveras vezes errar notas
E deixar leves torções em sua boca,
Recomeçava quase como um general
Tentando novamente, sem nunca parar
Lindo era sorriso que ela esboçava enquanto dedilhava docemente
O mais belo que qualquer um em sã consciência poderia ver,
Era dado ao enorme piano que ganhou de herança de sua vó
Ela o tocava com tanta paixão que seus dedos se avermelhavam.
A mulher apreciava o cheiro de cigarro infestado em seu quarto,
Era uma garota qualquer
Ansiava partilhar de seus hobbies com alguém
Gostava de balé, porém era vergonhosa.
Enfim optava pela alcova aconchegante que lhe fazia sentir bem
Livros
Músicas
Piano
Papéis
Um dos seus meros prazeres era escrever
Rodopiava em cima de papéis amarrotados
Era como se escrever aliviasse sua dor, sua agonia e pensamentos mórbidos
Alegremente sorria, tristemente encolhida.
Seu silêncio foi sempre algo a se contemplar para ela
Ela gostava da solidão
Sentia-se bem ao redor da bagunça que era.
Apreciava ficar ali, somente ela.
Gostava de sentir a bebida que lhe incinerava a alma
Provava dos mais doces venenos
O cigarro de menta que devorava
Além de sua saúde, talvez sua alma.
Doce senhorita, estava morrendo sorrindo.
Bailando sozinha
Tocando suas mais belas notas
Adorava Brahms, Sinfônias e aquele velho Metal.
Era uma mistura de tantas coisas
Que por vezes se perdia dentro de si mesma
Seus olhos com a maquiagem preta borrada,
Das lágrimas secas que lamentara minutos antes.
Sua xícara sempre cheia de café,
Para quando enjoasse da amarga bebida acoólica.
Engolia a cafeína fria e amarga,
Que por vezes era sua companhia durante longas madrugadas.
E assim ela seguia
Bailando
Tocando
Escrevendo
Bebendo
Dançava com graciosidade para seu abismo.
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