Notas iniciais
Peço desculpas por faltar com minha palavra ontem, mas quando eu fui postar o capítulo o Nyah estava em manutenção imagino. Espero que gostem, e muito obrigada pelos comentários. Com amor, Andy.

Eu costumava passar meu tempo mexendo no computador, quer dizer, isso em 2013, mas aqui em 2003 não tem Wi-Fi pra eu poder mexer no notebook. Sempre via sites de moda e beleza, as vezes assistia alguns filmes, mexia no Twitter, Facebook, mas agora a única opção que eu tenho é ler. Não sou uma leitora excepcional, até por que eu odiava ler até uns dois anos atrás, eu não entendia a necessidade de ler quando se tem tantos filmes pra ver, então eu comecei a ler apenas livros que têm filmes, sabe, gosto de ficar comparando, no caso passei a manhã inteira lendo "A Culpa é das Estrelas", eu sei que é meio clichê, mas a verdade é que o livro é muito bom e o filme sai daqui uns 6 meses, então até lá minha língua vai estar pronta pra criticar todos os erros que terão no filme.

Estava na minha cama lendo o ACEDE, quando a parte triste chega, chorei, sou muito chorona, chorei muito, e bem nessa hora meu celular toca. Eu estava sem fazer nada o dia inteiro e justo quando eu pego um livro e choro o lendo é que alguém liga, fazer o que, é a vida. Enxuguei meu minhas lágrimas escorridas com a costa da mão esquerda.

– Alô.

– Que foi Finn?

– Como você sabe que sou eu?

Eu tinha me esquecido que em 2003 os celulares não tinham identificação de chamada. Eu sou uma burra.

– Reconheci pela voz.

– Ah ta. Rachel Berry, eu estava pensando se por acaso você não gostaria de ir ao parque comigo?

– Finn Hudson, eu estava pensando aqui agora numa resposta legal, e por acaso eu quero ir sim, mas, com uma condição.

– Aff, diga.

– Você não vai fumar perto de mim.

– Sério?

– Mais sério impossível, faça uma forcinha, vai ser melhor pra você e eu e o mundo vamos agradecer.

– Hmmm, tá bom.

Nossa, finalmente, finalmente! Finn Hudson ia ficar sem fumar durante aquele tempinho, eu não sei se ele ia conseguir, mas ele ia tentar, o que no caso já está ótimo.

– Que hora nós vamos ir?

– Agora.

– Tipo, agora agora?

– Sim, agora.

– Mas eu ainda tenho que me trocar e me arrumar.

– Ah nem precisa, só poe um monte de agasalho e me encontra na esquina da West Temple com a North Temple em uns 20 minutos.

– Tá.

– Tá.

Ele desligou e eu já sai no pique pra me arrumar, já que eu só tinha 15 minutos pra isso. Joguei a calça e blusa do pijama no chão do quarto, corri para o banheiro, tirei a calcinha, o sutiã e as meias, prendi o cabelo e fui para o chuveiro. Eu passava o sabonete como se minha vida dependesse daquilo, o que em partes é verdade. Terminei o banho, eu ainda tinha 10 minutos pra me arrumar, me enxuguei rapidinho e corri para o armário.

Peguei duas calças jeans, vesti-as uma em cima da outra, hoje estava 7 graus negativos. Meu coturno clássico, uma blusa do Ramones de manga comprida, eu odeio Ramones ou qualquer música cujo o gênero seja rock, mas foi minha tia que deu, sabe, presente de amigo secreto. Por cima coloquei um cardigã preto de lã, e ainda por cima um agasalho cinza escuro que seu tecido parecia o de um cobertor, ele era super quente. Coloquei luvas e um cachecol pretos, ainda tinha 5 minutos, peguei uma bolsa de couro transversal onde coloquei minha carteira, dinheiro, chaves, uma balinha, um livro, meus fones e o celular, passei meu perfume e sai as pressas.

Ao longe eu o via, calça jeans, coturno preto e um sobretudo. Estava sem os óculos e sim, sim! Sem o cigarro!

– Onde fica esse tal parque?

– Vem comigo e você vai ver ué.

Tomamos um ônibus e fomos até o Memory Grove Park.

– O que exatamente viemos fazer aqui.

– Rachel Berry, você faz muitas perguntas, vamos apenas relaxar, vem.

Ele me puxou pelo braço e fomos correndo até de baixo de algumas árvores secas. Era tão surreal. Em um momento eu era fã daquele cara e em outro eu era uma quase amiga ou amiga dele.

Ele se sentou na neve, suas pernas enormes estavam esticadas no chão. De repente ele me olhou, nos olhos, eu estava de pé na sua frente, seus olhos pequenos franzidos devido a claridade, um sorriso fechado em seus lábios secos, ele os molhou com a língua antes de falar.

– Não vai sentar?

– Na neve?

– Não, na árvore — ele riu.

– Tonto — eu disse rindo, mas para ser simpática e conquistar a amizade dele, por que a piadinha foi estúpida mas engraçadinha até.

Sentei e coloquei a bolsa no meu colo.

– Rachel Berry, não querendo ser pé no saco, mas já sendo, onde você estuda?

– Em casa.

Eu estudava em um colégio comum, mas lá em 2013, aqui eu preferi apenas mentir e dizer que estudava em casa. Ele não falou nada.

– E você, por acaso estuda?

– Olha, por acaso eu estudo sim, mas só as vezes, quando eu tenho vontade, quando não tenho, mato aula e saio com um pessoal aí.

Eu não disse nada. Ele se deitou, na neve, ficou olhando pra cima, pro céu, como ele sempre faz. Eu também me deitei. Olhava pro céu, a neve gelando o meu corpo inteiro.

– Rachel Berry, vamos fazer um jogo, eu faço uma pergunta, você responde e termina com outra pergunta, é bem simples.

– Tá.

– Você tem namorado?

– Não e você tem namorada?

– Tinha. Você já beijou alguém?

– Sim e você?

– Sim, já transou?

Achei aquela pergunta forte demais pra alguém que eu conhecera 2 dias atrás. Eu não queria responder aquilo, eu era virgem, claro.

– Adoro ler e você?

– Odeio ler, já bebeu?

– Odeio bebida e você?

– Tenho alguns problemas com bebidas, já usou drogas?

– Já, mas não sou escrava delas e você?

– Usei algumas vezes, mas eu não vou cair nessa de ficar viciado. Vamos fazer anjos de neve?

– Vamos.

Ele começou a mexer os braços enormes para cima e para baixo, eu também, era engraçado, mexíamos as pernas também, seus braços enormes se encontravam com o meu e acabavam colidindo, até que em um desses encontros ele segurou minha mão, suas enormes mãos com luvas envolveram as minhas. Eu e ele continuávamos olhando para o céu. Ficamos ali um tempo em silêncio, de mãos dadas, olhando para o céu. O que aquilo queria dizer? Ele gostava de mim? Ele era gay? Que merda foi aquela. Foi uma merda, mas foi uma merda legal, acho que eu gostava daquela merda. Fiquei olhando para o céu até ver o primeiro floco de neve cair.

– Posso te levar para um lugar agora?

– Onde?

Eu soltei de sua mão, me apoiei nas pernas e me levantei limpando a neve de minha roupa e meu cabelo.

– Vem comigo e você vai ver, ué.

Comecei a andar, sem olhar para trás, e logo escutei seus passos apressados atrás de mim. Andamos um ao lado do outro. Tomamos um ônibus e fomos até a biblioteca da cidade.

– Uma biblioteca? Sério?

– Sim, adoro bibliotecas.

Ele bufou, olhou para os lados, como se estivesse se certificando de que ninguém conhecido o visse entrando lá.

– Já podemos sair?

– Não.

– O que exatamente estamos procurando?

– Um romance.

– Aff, romance.

– Por favor, não seja infantil.

– Não estou sendo infantil, eu só odeio romance, se fosse pra ler um livro ia ser de zumbis ou coisa assim, sei lá.

– Quer saber de uma coisa?

– Na verdade eu não quero não.

– Mas vou falar mesmo assim, te desafio a ler um romance.

– E eu te desafio a escutar um CD do Ramones. Eu vi sua camiseta e está na cara de que você não gosta de rock.

– Eu odeio rock.

– Então o desafio está equilibrado.

– Tá bom.

Nós apertamos as mãos.

– Toma. — eu disse entregando a ele um livro.

– Que livro é esse?

– Leia o título.

– Sangue Quente? Que porra é essa?

– Sim, você não disse que se fosse ler, leria um livro de zumbi ou sei lá o que?

– Sim, mas e daí?

– Esse aí é um romance misturado com o apocalipse zumbi.

– E da onde você tirou esse livro?

– Da minha bolsa.

– Credo, você leva um livro na bolsa.

– Ué, por que não?

– Sendo assim, toma.

Ele me deu um CD do Ramones. Tipo, ele tinha um cd do Ramones junto com ele. Fiquei confusa, por que um livro eu até entendo levar, mas um cd, ah sei lá né, cada um com suas loucuras.

– Credo, você leva um CD contigo?

– Ué, por que não? — ele deu uma risadinha sarcástica no canto da boca, aquilo era sexy.

Peguei Mr. Potter que era lançamento em 2002 e levei. Saímos da livraria e pegamos um ônibus onde retomamos ao ponto que nos encontramos.

– Bom, daqui você já sabe o caminho.

– Óbvio.

– Tá, vejo você por aí.

Eu balancei a cabeça franzindo a testa. Ele me deu um beijo na bochecha, como ele fazia com todo mundo quando ia embora e se virou para ir para casa. Nossa ele era demais, todo desengonçado mas ainda sim conseguia ser tão... tão... sexy? Na volta pra casa, algo começou a martelar em minha cabeça, quando estávamos deitados em baixo daquela árvore, ele me disse que já havia usado drogas algumas vezes, aquilo de me deixou super preocupada, e o tópico do por que eu havia voltado ao passado surgiu a tona, pois é, nem tudo é um mar de rosas, ou um romance fofo, eu ainda tinha que achar um jeito de fazê-lo largar do cigarro, das bebidas e de tudo que praticamente pode mata-lo.

Notas finais
"Nunca andes pelo caminho traçado, pois ele conduz somente onde outros já foram." -Alexander Graham Bell. Reviews?