Eunãoqueroqueelasemachuqueeunãoqueroqueelasemachuqueeunãoqueroqueelasemachuque

Isso era a única coisa em que pensei enquanto via Elsa deitada em meus braços. Sua pele estava marca em vermelho onde Anderson bateu.

Levantei o olhar, e encontrei Daniel nos encarando.

— Pensei que estava morto. — Falei abruptamente.

—Pensei que você fosse um guardião.

—Eu sou...

— E aqui está você: ao invés de estar cuidando de crianças, está cuidando dela. — Ele aponta para Elsa. — E aqui estou eu: ao invés de estar em uma cova, estou aqui. — Falou ele, indicando o quarto.

Levantei pousando delicadamente Elsa no chão, e dei um abraço em Daniel.

— Cara, senti sua falta. Você tem ideia de quantas crianças precisei que você curasse?

— Jack... Jack... Jack... — Diz em tom de desaprovação. — Você sempre exagerou nas brincadeiras... É por isso que está aqui? Por um exagero? Qual foi seu acordo?

Daniel era a única pessoa com quem eu falava quando não era guardião. Ele curava todas as crianças que eu machucava. Às vezes era difícil de se lidar com ele, mas era um bom amigo. Assim como eu, ninguém o via, porém quando fez 700 anos — 20 anos atrás — uma bruxa fez um acordo com ele e assim perdeu seus poderes, ninguém nunca soube se ao perder seus poderes ele morreu, ou se não. Naquele momento eu soube, ele virou um escravo da bruxa, um destino pior que a morte.

Contei a história minha e de Elsa, e o acordo que fiz, ele ouviu atentamente.

— Ou seja, se eu não salvá-la eu não perco os poderes, mas não posso ficar parado, sem fazer nada enquanto ela sofre.

— Olhe, Jack, eu me arrependo todos os dias por ter feito o meu acordo. Meus poderes eram o que eu era. Depois que os perdi me senti vazio, eu me sinto vazio. Não posso deixar o mesmo acontecer com você. No acordo há uma brecha, mas a bruxa nunca vai te deixar em paz.

— Por enquanto, o que eu posso fazer?

— A garota não tem poderes agora, você pode pensar que é por ela estar nesse mundo, mas não é. Ela está sem energia. Você pode não ter percebido, pois tem mais energia aqui do que no outro mundo; a bruxa suga sua energia. E Jack, o único jeito de sair daqui, deste lugar é através dos seus poderes ou o da Elsa.

Daniel começou a se afastar, ele tomou a posição de guarda como estava. Anderson abriu a porta com tanta força que ao bater na parede ele fez um buraco, o rosto dele estava vermelho de raiva.

— Ela quer falar com você. — Disse ele a Daniel — E, dessa vez, você não ai se safar.

“Dessa vez você não vai se safar” essas palavras ecoaram na minha mente. O que isso quer dizer? O que vai acontecer com ele? Ele pode morrer por ter me ajudado? Eu não fui o primeiro a quem ele ajudou?

Perguntas... Perguntas que nunca seriam respondidas seu eu não fizesse nada.

Sem nem pensar no que eu iria fazer, pulei para ficar em pé, peguei meu cajado e fiz uma rajada de vento, empurrando Anderson para a parede, onde eu prendi suas mãos e pés com gelo. Antes de sentir um toque em meu ombro, tampei sua boca.

— Sempre tão impulsivo, Jack. Mas o que vai acontecer agora?

— Você pode ir embora.

— Ela vai me achar. — Falou ele, pessimista.

— Vá até o castelo do Noel. E de todo jeito, o que acontece se ela te pegar? Você já não vai se safar dessa mesmo. — Repeti o que Anderson disse.

Daniel concordou, não sabia se ele considerava que a bruxa não iria o achar ou se ela achasse nada mais podia fazer para atingi-lo; ele já não se importava.

Antes de ir embora Daniel me desse duas coisa: a primeira era que eu deveria me vingar por ele; a segunda era para eu não deixar Elsa, nunca.

— Ela é boa demais para você. — Eu percebi nesse momento que o que o fez ir embora e se arriscar era a esperança, esperança de ter seus poderes; assim ele me deu esperança também: de eu conseguir sair daquela sala com meus poderes e com Elsa inteira.

Nanci chegou quinze minutos depois.

Quinze minutos depois eu estava dormindo no chão para recuperar a energia que havia passado para Elsa.

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Tínhamos voltado do voo e ela estava dormindo, parecia tão tranquila na pedra de gelo, que chamou de cama. Ela deveria estar sofrendo com a cama. Ao invés de fazer um montinho de neve, ela fez um bloco de gelo

Elsa não conseguia controlar seus sentimentos, por isso fez o bloco; ela não conseguia manipular o frio; não conseguia transformar o gelo em neve; portanto, não conseguia transformar sentimentos duros e ruins em algo macio e bom.

Lentamente comecei a transformar o gelo da cama em neve até a rainha estar deitada em um montinho de neve. Vendo o quarto, o montinho podia parecer deslocado ao estar cercado por todo o gelo liso e transparente. O montinho me deixava mais confiante ao saber que Elsa quem dormiu todos os anos de sua vida no seu colchão macio não estivesse dormindo em algo duro.

Percebi em enquanto ela dormia que estava mais serena e feliz aqui do que em todos os anos que a vi trancada naquele quarto, infeliz, sem comer nada, sem apetite. É por isso que eu ficava feliz ao vê-la devorar um donut ou encher a boca de macarrão; por isso, eu adorava brincar com ela sobre pulgas e meu arqui-inimigo inexistente, por que depois de vê-la tantos anos infeliz eu so quero que ela tenha um sorriso no rosto.

Sei que não deveria, mas fui deitar ao lado de Elsa no montinho; comecei a notar cada um dos seus detalhes: seu corpo magro que também tinha curvas; a pele do rosto branca e sem manchas; os cílios volumosos que escondia os incríveis olhos azuis cobalto, os quais mostravam determinação sempre que eu os olhava e se mostravam cada vez mais penetrantes e faziam dela sexy só com o olhar.

A rainha do gelo me hipnotizava pelos seus tracos, silhueta e comportamento, fiquei olhando tanto tempo para ela que adormeci.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.