As lembranças do anjo de vestido carmesim
5 O cupido descontrolado
Notas iniciais
“Hoje acordei muito bem, tive um sonho estranho envolvendo os 5 amigos. Um sonho que não sei como explicar. Eu tinha asas e usava um vestido vermelho. Definitivamente eu era um anjo da guarda. Foi neste momento que lembrei, Azura usou a palavra anjo para se referia à Jill. Meu coração apertou ao perceber que tudo isso não passava de um sonho. Mas Azura irá conversar com o Him, espero que façam as pazes.”
Azura levantou um pouco mais disposta naquele dia, se arrumou mais do que ultimamente, ficou penteando seu longo cabelo castanho enquanto pensava o que falaria com o Himchan. Ela respirou fundo e abriu a gaveta, ela encontrou a pulseira que guardara desde que deixou de falar com o amigo. Himchan havia lhe dado como presente de aniversário. Estava escrito seu nome com B.A.P do lado. Ela ria sempre que lia o nome do amigo. “Eu conheço o Himchan!” Ela sempre falava para brincar com as amigas k-popers. Ela Pegou a bolsa com seu material e deixou a residência. Ela sempre tomava café na escola, já havia se tornado um costume. Ela, Benjamim e Himchan sempre se encontravam na escola para a refeição. Então ela sabia que melhor hora para encontra-lo sozinho para conversa era durante o café. Para a sorte de Azura, o colégio era na mesma rua de sua casa então ela chegava em poucos segundos. Ela entrou nos domínios da escola e deu a volta no prédio principal para chegar ao refeitório. O cardápio estava na parede próximo à porta:
– Mingau de aveia, maçã e suco de maracujá. Há quanto tempo não como mingau – ela lambeu os lábios e adentrou no lugar. Ela encontrou Himchan de cara, ele estava no lugar que sempre costumavam sentar. Era difícil ele abandonar um habito. Azura pegou um prato e colocou na bandeja, pegou uma maçã e um copo de suco e caminhou até o colega de classe – Bom dia.
– Bo-bom dia eu acho. – ele gaguejou surpreso – Você nunca vem sentar comigo. Aconteceu algo?
– Não, só queria voltar a conversar com você – disse Azura abrindo seu belo sorriso antes de levar a primeira colherada até a boca.
– Mas você disse para nunca mais falar com você.
– Estava nervosa com tudo aquilo e você não pode levar tudo que eu falo a sério.
– Sempre sei quando está brincando ou falando sério. Eu apenas respeitei sua decisão – disse fechando os olhos e bebendo um gole de suco.
– Enfim, eu não queria isso. Falei sem pensar desculpe – disse Lara olhando para seu prato envergonhada – Você me pegou de surpresa e você estava se enganando.
– Porque acha isso?
– Fala sério, você e o Bem se amam. Vocês devem ficar um com o outro – Azura estava segurando, mas acabou deixando uma lágrima cair pelo rosto.
– Eu sei que você é uma fujoshi assumida, mas precisa chorar por um shipp que não deu certo? Não é demais? – perguntou Himchan parecendo indiferente pelo que aconteceu com os dois.
– Porque… Porque você não sabe o que eu passo. Não é só por isso que eu sofro – disse Azura limpando o rosto – Eu sempre achei vocês o casal mais fofo do mundo, porem eu sou culpada por parte por terem terminado.
– O que? Você sabe de alguma coisa? – perguntou Himchan olhado fixamente para ela.
– Na verdade não sei o motivo de vocês terem terminado, mas…
Azura estava caminhando pelo jardim da escola, aquele dia ela estava disposta e determinada que falaria com o Benjamim. Não passaria nenhum dia a mais com esse segredo.
– Azura? Estava me procurando? – perguntou Benjamim surgindo de repente por trás da garota, ela deu um salto assustada. Ele sempre vestia um casaco, não importava se fizesse frio ou calor.
– Você me assustou! – disse Azura com a mão no peito.
– Você é muito idiota – disse Benjamim rindo com a mão na boca.
– Não sou não! Por favor, não me irrite tão cedo – disse Azura de braços cruzados olhando para o amigo ainda rindo – Tenho que falar uma coisa para você.
– O que é?
– Eu preciso admitir que quando éramos menores, eu gostava de você e… — ela deu uma breve pausa enquanto seu rosto corava – Ainda gosto de você. Você… Você quer na-namo…
– Azura? Isso é sério? Que fofa – disse Benjamim apertando o rosto da garota.
– Isso não é coisa que se diga no meio de uma declaração!
– Azura, eu sou gay – a frase do amigo fez a garota arregalar os olhos – Sei como gosta de gays, então queria que fosse a primeira a saber – A garota ficou quieta – Na verdade tenho um interesse no Himchan, já gosto dele faz um tempo. Mas… Mas ele é hétero e não sei oq eu fazer.
– Fala com ele. Tenho certeza que ele vai entender!
– Sério?
– Confia em mim – disse com a cabeça abaixada – Como você sabe amo gays e vocês fazem um belo casal.
– Espera um pouco! Você gosta do Ben? – perguntou Himchan perplexo pelo o que acabara de ouvir.
– Sim, gostava muito, mas ele era gay. Assim que ele se declarou e você o aceitou como namorado eu fiquei feliz por aquilo, mas ao mesmo tempo fiquei triste porque nunca iria tê-lo. Eu sempre tive inveja, eu shippo demais vocês dois, mas sempre quis estar no seu lugar. Sempre quis receber seus beijos, sempre quis ouvir suas mensagens carinhosas – Azura voltou a chorar apertando a colher com força – Acho que minha inveja que destruiu o relacionamento de vocês que durou dois anos. Foi tudo culpa minha.
– Porque nunca me contou isso? Me sinto um monstro por isso… — Himchan foi impedido de falar.
– Acha que ia atrapalhar a felicidade de vocês com meus sentimentos?
– Deveria ter me falado – disse Himchan mostrando a mão com uma pequena cicatriz no local. Azura arregalou os olhos e viu a marca fazendo-a lembrar de quando eram pequenos – Nós somos irmãos de sangue lembra? Lembra da nossa promessa?
Azura tinha 5 anos e machucou a sua mão após correr de uns garotos “malvados” da escola, foi quando Himchan surgiu e expulsou os garotos com pedras.
– Está tudo bem Zuzu? Aqueles garotos te machucaram? – perguntou olhando para amiga que chorava como um bebê.
– Não. Sou fraca não é? Nem posso brincar sozinha.
– Olha! Sua mão está sangrando, a minha também. Isso é um sinal sabia? – Aquilo fez Azura parar de chorar por um minuto, ele pegou a mão da garota e juntou os machucados misturando o sangue – Agora nós somos irmãos de sangue.
– O que isso quer dizer? – disse com os olhos brilhando.
– Que como irmão vou te proteger e cuidar de você. Toda vez que precisar de mim, qualquer coisa, é só me chamar ok? – em seguida ele sorriu para a garota.
– Sim! – ela sorriu de volta, era como se já tivessem esquecido do que acontecera.
– Eu prometi, você deveria ter me contado.
– Desculpe. Him, quero que sejamos amigos novamente, como éramos antes – disse Azura levantando-se da cadeira – E como pedido de desculpas eu vou juntar você e o Ben novamente.
– Missão meio impossível, mas vamos ver o que você pode fazer. Obrigado.
– Não precisa agradecer.
Rey estava seguindo em direção à escola, queria saber como foi a conversa de Azura com Himchan. No caminho, encontrou-se com Claire que caminhava lendo seu livro.
– Qual é a história que você tanto lê hein? – perguntou tocando o ombro da garota.
– Desculpe, posso t responder depois? Esta é a parte que eu mais gosto – disse a garota acelerando o passo para escapar da garota.
– Nem adianta. Claire não para de ler aquele livro para nada – disse Kate surgindo de repente. Elas não eram muito próximas, mas Rey já tentou tantas vezes que a garota acabou indo até ela pela primeira vez – Sabe, aquele livro foi um presente da Jill. Ela já deve ter lido umas mil vezes.
– O mundo de vocês gira em torno dela.
– Se você tivesse a conhecido você faria o mesmo. Ela foi a melhor pessoa que conheci. Ela já me ajudou tanto, você nem imagina. Nós seis nos entendíamos muito, mas ela era a única que conhecia cada um de nós, conseguia nos dar conselhos e tudo – Kate respirou fundo aquele ar gelado da manhã – Sabia que ela gostava do Himchan, mas apoiou e ajudou o casal várias vezes? Ela era incrível, minha fonte de inspiração na hora de criar músicas.
– Você canta? – perguntou Rey olhando para a pele fina e branca da garota.
– Canto e toco. Se quiser levo o violão um dia para a escola.
– Seria muito legal. Faria isso por mim? – perguntou com os olhos brilhantes.
– Lógico, agora vou ali no mercadinho comprar um lanche e dar em cima daquela gostosa. Não me espere! Se eu me der bem só entro na segunda aula – disse correndo em direção à pequena lojinha de um simpático senhor. Rey riu não só pela atitude da garota, mas também por estar finalmente conseguindo se aproximar de Kate.
“Tem muita coisa pra acontecer hoje ainda. Tenho certeza que terei muitos avanços hoje. Agora vou me apressar ou então não terei tempo para falar com Azura.”
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