Notas iniciais
Yo leitores! Mais um capítulo! Desculpem a demora, deixei vocês só com o epílogo por um tempo... Mas aqui estou! Por favor, não se esqueçam de acompanhar/receber atualizações da história.... Nem de dar review! hehehehehe Boa leitura!

O homem do colégio. O líder da ensolarada academia “Sunny Valley de Ensino Moderno”. Aleksander Ivankov raramente era visto pelos alunos do primeiro ano, mas a sua fama não era a das melhores. Ele era conhecido por não ser muito... amigável. Isso fez Vicki engolir um seco antes de tomar coragem e abrir a porta.

Mas quem estava sentado na extensa mesa com uma plaquinha polida não era o diretor, e sim uma pequena senhora. Ela estava com um cardigã azul-claro e tinha os cabelos cacheados em forma de colmeia... que por algum motivo tinha um estranho brilho cor de rosa.

−Posso ajudar?−sorriu, com dentes que mais pareciam uma porta de geladeira.

−Ah, sim, estou procurando o diretor Ivankov...

−Caso não tenha percebido, ele não está disponível no momento −a senhora forçou um sorriso ainda mais ofuscante−Em vez disso, posso resolver a situação, jovenzinha?

−Por favor, não sorria, minhas órbitas estão queimando−murmurou.

−O quê???

−Nada, nada, e-eu vim até aqui mas já vou indo− “Eu posso aproveitar a situação e dizer que o diretor não estava lá”, pensou.− De qualquer forma, obrigada, senhora...

−Brucăr. Viorea Brucăr.

−Como?− Victória franziu a testa.

− Brucăr, garotinha insolente! – o sorriso se desfez dando lugar a uma cara enrugada− e você acha mesmo que eu não sei quem você é? O diretor de deu uma pasta com o histórico de todos os alunos. Me diz qual é a queixa para que eu possa mandar uma surpresinha para os seus pais... –a minúscula senhora era afiada em cada sílaba.

−M-mas que surpresa agradável essa do histórico!!! Se me permite, de onde veio esse, hum, belo e sonoro sobrenome??

Ela se recostou em sua cadeira, nostálgica− Ah, minha família vem do Leste Europeu. Perto da Tchecoslováquia, naturalmente. Não me admira que você não saiba nada dessas coisas−debochou.

−Opa, você quer dizer, o país dos vampiros e tudo o mais?

A senhora parecia que tinha mastigado uma fatia de limão.

−Isso é a Pensilvânia, garota. Quer dizer, meu país tem muitas lendas e folclore riquíssimo...

−E eu poderia saber que país é esse?

−Não sabe ainda? Claro que é a bela... Romênia!− murmurou, sonhadora.

−Mas os vampiros vêm da Romênia.

−CALADA!! Pegue o folheto de advertência, no escritório! VÁ!!

−Tem o seu nome na pasta?

−Sim, meu belíssimo nome está na terceira gaveta...

− Viorea Brucăr−, repetiu Vicki, se dirigindo aos fundos da sala− Viorea Brucăr. Velha Bruaca. Pode deixar – E bateu a porta.

***

−Interrupção da aula, desrespeito aos educadores... Comportamento agressivo e psicótico? Fala sério. Descompostura total, quebra das leis aplicadas pelo colégio? Você assaltou o cofre da escola ou alguma coisa assim?

Victória estava sentada embaixo de um grande carvalho com Thomas Parker, no pátio do recreio.

−E o pior é que seria só metade dessas coisas, se a Bruaca não tivesse dado um piti e quebrado a bacia ou sei lá o quê quando pulou da cadeira.

−É, você está numa enrascada...

Ela ficou olhando Thomas, seu cabelo loiro-arruivado, sua pele corada e seus olhos cor de areia.

Ambos tinham sido amigos desde a infância, mesmo quando ela não tinha mais ninguém por perto. Ele esteve em todos os momentos bons e protegeu-a nos ruins. Mas agora ele estava ficando diferente; mais alto, forte, quieto. Vicki tinha medo, medo do que ele poderia se tornar, e medo de não poder acompanhá-lo nessa.

−Você vai estar lá hoje, não vai?

Ele se virou, surpreso, e deu um sorriso tristonho,

−Vicki, você sabe que é difícil eu chegar a tempo. Tem toda aquela questão dos meus pais, e...

−Mas Maryland fica a quase três horas de viagem daqui! Seus pais sabem o quanto é importante pra mim!

−Tudo bem, mas a minha mãe é muito possessiva e não vai admitir que eu fique longe dela justo na reunião super importante da família da vovó Andy...

A garota olhou para a grama a seus pés, desapontada. Mais um aniversário sozinha.

−Ei, −Thomas sussurrou perto dela− mas eu já tenho o seu presente−sorriu.

−Tá mentindo.

−Acha que eu estaria mentindo uma coisa dessas?

−Bem que eu estranhei você trazer a mochila pro intervalo −ela ergueu uma sobrancelha.

Thomas puxou uma mochila preta ao seu lado e remexeu um pouco o conteúdo antes de entregar um pacote embrulhado em papel pardo.

−Pronto. Fresquinho do correio.

−Parece uma caixa−comentou.

−Na verdade, não. É bem melhor do que isso.

Vicki tateou o conteúdo com os dedos antes de abrir. Dava pra sentir as falhas no volume, o cair das páginas, o som seco do papel de um...

−Não. Brinca. Sério, Tommy.

−Opa, não tem ninguém brincando aqui−ele ergueu as mãos.

−Não é o que eu estou pensando.

−É, sim!

−Não pode ser!

−Porque não abre e vê se é?

−Oh meu deus! É a coleção...

−Coleção novinha! Primeiros sete volumes...

−...da liga da justiça nova formação! TOMMY, você é o máximo! – a menina o abraçou com toda a sua força.

−É, eu sei... –disse, baixando os braços levantados para retribuir −eu sou mesmo o máximo.

−Falando sério agora. Eu não sei o que vai ser de mim, sem você aqui, ano que vem...

−Ei, sem essa, garotinha. Você tem superpoderes, esqueceu? Tãtãtãtã... A super Vicki V!

−Ha-ha. Quem me dera ter poderes, mesmo. Tommy, eu vou ficar sozinha. Aqui, com toda essa gente que me odeia. Sem ninguém do meu lado, vai ser uma droga.

−Sinceramente, querida. – ela ainda estava abraçada com Tommy, que empurrou sua cabeça delicadamente para cima− eu estou mais preocupado é com o que você vai aprontar. Quero dizer, já estou até imaginando: Victória Morgan manda na escola. Desbancando todas as líderes de torcida, não: Substituindo a própria Jeanine Sparks! Com o Nicolas caído aos seus pés...

−Por que é que eu iria querer Nicolas Deville apaixonado por mim?

−Ah, por favor. Eu não nasci ontem, sabia?

Ela engoliu um seco. Era apaixonada pelo Nicolas? Só o momento poderia dizer. A verdade é que ele era absurdamente bonito: Cabelos castanhos e olhos azuis como o céu das nove horas. Também era absurdamente popular e absurdamente metido e antipático. Mas, era difícil dizer, visto que sempre o observava, nos fundos da sala, olhando pela janela o tempo todo como se estivesse em outro lugar, em outra realidade secreta, que não iria compartilhar com ninguém.

−Você é um imbecil, Tommy− miou.

−Desculpe. Ainda estou iniciante nessa coisa de ser BFF de uma garota. Eu deveria comentar a minha opinião primeiro? “POR DEUS, Nicolas Deville é um TREMENDO GATO!”

Vicki riu até o estômago doer.

O sinal do intervalo tocou, e os dois se levantaram.

−Te vejo mais tarde, então?

−Mais tarde, então. Adeus, super-garotinha.

***

Os corredores do Sunny não eram cheios que nem aqueles colégios de filme. O que era um milagre, já que o colégio não tinha segundo andar e ficava em uma área completamente plana da cidade. Ele cercava uma grande área gramada, o pátio da escola, que tinha extensão considerável. Também era irritantemente colorido em alguns corredores, com figuras de pranchas, conchas e outras coisas que dizem, tipo: “Eei, estamos na Flórida, todo dia é dia de praia!”. Legal. A praia fica a uns 30 quilômetros daqui.

O corredor do primeiro ano ficava à esquerda, e era, obviamente, o mais cheio. À medida que Vicki chegava, a tensão em encontrar as pessoas da turma aumentava. Ela detestava a maioria, pra falar a verdade. Quem não era um idiota completo se empenhava arduamente em ser. Status, sabe como é.

Alguns podem achar exagero, mas isso acaba no momento em que se entra no corredor e recebe trombadas internacionais de várias garotas embonecadas. E, liderando elas, no meio do corredor, estava Jeanine.

Sabe aquelas típicas líderes de torcida loiras, barbies e superlindas? Jeanine era diferente. Ela era morena. Tinha cara de filhinha-de-papai, e preferia mil vezes lilás à rosa, prata à dourado. Tirando isso, a maldade era a mesma.

−Uh, veja quem chegou! Bom dia, Victória! – debochou, com um sorrisinho.

−Você está atrasada. –alertou Lin, uma asiática de jaqueta de couro e apliques coloridos.

−O professor ia trancar a porta, mas eu disse, “mas, professor, falta a Vicki!”, e ele me deixou avisar a você! Não é um fofo, o professor de história?

−Eu gosto dele... –confessou Vicki.

−Ele é um saco− disse a asiática, com cara de morta− nunca deixa a gente mexer no celular. Nem mascar chiclete. Como é possível?

−Bem, é proibido fazer as duas coisas. Tem até uma plaquinha ali− disse, apontando para um espaço na parede.

−Vai, entra! A aula já começou− disse Jeanine, apontando para a porta à esquerda.

−Obrigado, amores− Vicki fez uma pequena reverência− ah, e Jeanine... Da próxima vez que quiser parar uma aula para me buscar sei lá aonde... Não faça! –disse, sorrindo, e entrou na sala.

Jeanine a encarou, mexendo em uma das marinhas-chiquinhas cor de café, esperou Lin entrar e bateu a porta com força.

O professor de história ficou de pé.

Bem, agora que todos estão aqui, vamos dar inicio à aula. O tema de hoje falara de “utopia”. Alguém da sala poderia me dizer, o que foi o socialismo utópico?

Para a surpresa de todos, quem ergueu a mão foi Nicolas Deville.

−Eu sei. Foi a ideia de um socialismo, no qual todos teriam as mesmas coisas e mesmo dinheiro, com nada faltando para ninguém.

−Exato. Essa “ideia” foi criada na Rússia, por Karl e Marx. Vocês já estudaram isso ano passado. O fato é que, ao colocar em prática, não foi bem desse jeito, tanto que chegamos ao fim da União Soviética nos anos 80.

“Utopia, seria uma civilização ideal, fantástica, imaginária, referindo-se a uma cidade ou um mundo, porém em outro paralelo.O termo foi inventado por Thomas More, vem do grego e significa ‘lugar que não existe’. Existem vários tipos de utopia: a econômica, a religiosa...

...mas não é só um lugar ou realidade fantástica que define utopia. Não, caros alunos. Utopia também pode significar um modo otimista de ver um mundo, pessoas e coisas, do jeito que gostaríamos que elas fossem”.

Um mundo ideal. Vicki olhou para Nicolas.

Ideal... ideal seria ter um garoto como esse na sua...

Ele, como sempre, não mexia nem os olhos.

A vida dela, como sempre, parecia mais uma distopia.

Notas finais
Pois é, gente, digam o que acharam, estarei trabalhando para trazer mais um capítulo em breve. ;)