Apenas vejo minha mãe chamando a enfermeira, junto a ela, vieram os médicos. Minha vida esta cheia de desmaios. Até nos sonhos eu desmaio. Não acredito que perdi tudo que tinha. Principalmente meu amor. Que droga. Agora eu nunca vou ter um namorado, ótimo.

Acordo novamente, dessa vez meu pai que está comigo, na poltrona, dormindo. Eu chamo ele, com a voz trêmula:

– Pai?

– Sim?

– Há quanto tempo eu estou dormindo?

– Acho que 5 dias.

– Ah, meu Deus. Tô no morre — não morre.

– Não diga isso minha filha! Você só está misturando as emoções com pensamentos, o que deixa seu sistema nervoso confuso.

– Mas eu estou em coma, pai.

– Não seria pior se estivesse num cemitério? – percebi que estava muito ranzinza.

– Por que o senhor está assim, pai? Tão nervoso...

– Eu sempre fui assim. Aliás, preciso que sua mãe fique aqui, preciso trabalhar.

– Trabalhar? Mas o senhor é desempregado!

– Eu não! Trabalho na firma de construções, esqueceu? Sua mãe é que perdeu o emprego depois de tanto tempo faltando. – foi aí que eu pensei. Meu sonho modificou tudo para melhor e para pior. Será que eu perdi minhas melhores amigas? Será que na verdade elas são minhas inimigas?? Meu pai saiu apressado e deu um beijo na minha cabeça, como de costume. Acho que já me acostumei com a vida de “em coma”, sei lá. Só que agora minha vida não faz mais sentido sem o Leonard Phenses. Parecia até que ele era a outra metade do meu coração partido. Mas ele não existe, nem adianta pensar tanto nele. Já me conformei que minha vida agora é chata e infeliz. Ainda não saí do desespero. Quando será que vou voltar para a escola? Será que tenho mais anos do que eu esperava? Eu sou casada? Droga, não sei de nada.