Notas iniciais
[Oneshot para o concurso do grupo Escritorinhas e Leitorinhas] Olá a todos! Aqui é a TokkiPC e venho hoje mostrar a minha One-shot para o concurso da página "Escritorinhas & Leitorinhas". Essa fanfic se refere a frase/imagem nº6: "Aqueles que não conseguem reconhecer seu verdadeiro ser estão fadados ao fracasso." Uchiha Itachi ♥ Minhas considerações sobre: a fanfic poderá até ser considerada razoável, mas nossa, eu suei para termina-la! Eu espero do fundo de meu coração que todos que forem lê-la, gostem! ;) Eu revisei, revisei de novo, fiz um ritual para ver se a fanfic estava no ponto para ser digerida, mas caso encontrem algum erro, não se acanhem em me falar. ;_; Não foi inspirada em nenhuma música, mas eu por ventura ouvi essas músicas hoje e relacionei-as com os personagens citados. Se quiserem ouvi-las enquanto leem, fica a escolha de vocês! Rain - BUCK-TICK: https://www.youtube.com/watch?v=dauWtKeggLU Kiss me goodbye - BUCK-TICK: https://www.youtube.com/watch?v=THvCwONaGN4 Então, boa leitura! ;D

Mas basta seres esta dádiva aparente

Pra alegrar quem vive apenas da incerteza.

Que me importa se és tola ou se és indiferente?

Máscara, ornato, salve! Amo a tua beleza!

O amor à mentira – Flores do mal, por Charles Baudelaire

Aqueles olhos negros se revelaram, e agora olhavam vagamente para o teto simplório. Sua mente começava a trabalhar, mesmo com a visão meio turva por ter acordado repentinamente. Mas não resolveu iniciar qualquer movimentação para fora daquela cama desconfortável.

Fechou seus olhos novamente. Queria aproveitar mais o silêncio que reinava naquele quarto. Foi então que percebeu: há quanto tempo ele não queria mais a presença do estado de espírito que lhe abraçou durante anos? Há quanto tempo a solidão não lhe acariciava e estendia os braços para que o menino se afundasse no seu véu profundo e transparente?

Mas a verdadeira pergunta o fazia estremecer para respondê-la: há quanto tempo ele havia sido preenchido com um sentimento caloroso que há muito fora considerado desconhecido pela sua mente?

Ele não saberia formar aqueles pensamentos em palavras concretas; elas ficavam soltas pelo ar.

Há quanto tempo ele havia tornado-se novamente aquele que compreendia; aquele que tinha dificuldade em ficar em trânsito com seus sentimentos; aquele que deixaria as lágrimas fluir livremente pelo seu rosto quando algo o ferisse, interiormente e exteriormente?

Há quanto tempo libertou-se do rapaz frágil e ferido; manchado e instável?

Lembrou-se então das malditas palavras um dia já foram proferidas: não preciso de um lar, nem de companheiros.

Riu fraco. Não deveria sentir-se orgulhoso, mas agora era incapaz controlar o sentimento que fluiu liberadamente pela sua mente. Ah! O orgulho de ter soltado-se das correntes que o prendiam naquele ser.

Companheiros e lar, estas eram as devidas palavras que agora o faziam ter o olhar mais sereno e seu pensamento mais leve.

Não era necessário haver uma construção para que seja chamada de lar; alguém alguma vez lhe disse que bastava ter alguém pensando em você, e era então que os companheiros cumpriam seu papel tão bem quanto o suposto vingador, como já fora conhecido.

Os companheiros o fizeram experimentar sentimentos, fossem bons ou ruins; alegres ou tristes; fáceis ou penosos. Certos sentimentos, em algum momento, foram desconhecidos a seus sentidos os captaram com uma precisão absurda.

Ele estremeceu de repente, e então um rápido pensamento surgiu: seriam realmente eles os responsáveis por fazê-lo enxergar? Por terem aberto seus olhos cegos pelo veneno? Não, ele não tinha nem a atrocidade de realmente parar para pensar nessas palavras flutuando de forma obliqua em sua mente. Na realidade, essa era uma das poucas perguntas na qual ele tinha a resposta; a resposta concreta e explicativa e não automática e ambígua.

O emaranhado de fios de pensamentos fora quebrado quando uma dor desconfortável o atingiu, deixando por fim a cama em que descansava. Olhou melhor ao redor e novamente o ex-companheiro, silêncio, fazia-se presente.

Andou até a janela do quarto pequeno e observou o que o esperava do lado de fora da arquitetura de pedra: uma adorável paisagem repleta de flores por entre a grama colorida nitidamente de um verde-claro.

— Sakura... — sussurrou e um sorriso sentimental nasceu em seu rosto.

Ter o conhecimento sobre flores não era a especialidade de Sasuke. Crisântemos, Orquídeas, Narcisos, Hortênsias; os nomes e as aparências eram diferentes, mas Sasuke não se importava em grava-los ou sequer reconhece-los — ele não tinha razão para isso.

Ele apenas reconhecia duas; uma representava o amor e a felicidade, e a outra paixão e coragem, ou carinho, ou mesmo solidão – eram caracterizadas pela sua cor: Flores de cerejeira e rosas, respectivamente.

Um consistente e longo fio vermelho o ligava com as flores de cerejeiras, mas uma estreita ligação o fazia reconhecer as perigosas rosas, com seus afiados e “venenosos” espinhos do caule.

Estas rosas o sufocavam. O caule enlaçava sua garganta o perfurando; abraçava seu corpo quebrando seus ossos; e por fim, agarrava sua cabeça esmagando suas ações. Muitas batalhas já enfrentou destas flores, e muitas vezes já saiu ferido, escondendo vários atos de lucidez apenas para si. Já foi muito perseguido por elas, mas agora sairia ileso de seus espinhos nocivos.

Veja bem, essas flores foram criadas dentro de si: as rosas azuis, as rosas, as amarelas, de forma geral, todas da categoria. Mas flores murcham, e assim que aconteceu com estas. Atos e mais atos – não consequentemente seus — as fizeram murchar e, sequencialmente, “sangrar”; apodreceram dentro de seu interior. O que uma vez já foi lugar de um belo e sentimental roseiral, deu espaço para um mórbido e fúnebre sepulcrário.

Um fragmento de memória passou pelos seus olhos: a morte da mais bela rosa azul que cresceu em si; a bela rosa azul que há muito se passou por um cravo amarelo solitário.

Fechou seus olhos momentaneamente. Como aquela rosa pudera ser tão bondosa e atuante a ponto de deixar esmagarem-na cruelmente? Ele não queria acreditar nas ações da rosa já murcha, mas deveria, pois a brava rosa enfrentou-o e viveu pelo fardo do cravo amarelo – o cravo que jamais existiu em si.

Perto das ações desta rosa, sentia-se apenas uma abelha; uma abelha que usufruía de deveres, sendo bondosos ou obrigatórios.

— Sasuke, por favor, pode ajudar-me com as sacolas? — Uma voz conhecida o tirou de seus devaneios.

Seus sentidos ficaram tão submersos nos pensamentos do jovem homem que sequer notara os finos pingos de chuva baterem na grama fora do quarto. Poderiam as flores reagirem a esses mínimos pingos que a molhavam?

Saiu de seu quarto e foi de encontro com Sakura. Ela estava parada em frente à porta de entrada com várias sacolas. Seu cabelo cor-de-rosa estava molhado e alguns fios grudavam em seu rosto, sendo este ato copiado pelas roupas. Rapidamente pegou algumas sacolas e seguiram para a cozinha.

Por um mínimo momento, perguntou-se porque não estava apenas com a companhia de Sakura naquela casinha simplória.

— Onde está Karin? — perguntou Sakura, suspirando profundo logo em seguida por ter se livrado do peso em seus braços.

— Está dormindo. Ainda não descansou o suficiente de hoje de manhã. — respondeu Sasuke, olhando sem qualquer razão para as sacolas em cima da mesa.

Ao esperar alguma resposta, mudou seu olhar para a mulher que estava à sua frente. Observou cuidadosamente um sorriso divertido florescer em seu rosto, fazendo com que seus lábios sofressem belas deformações, como o desabrochar de uma flor cerejeira.

Espontaneamente, um suave cheiro encheu seu sentido olfativo. Lembrava-o algo doce. Apesar de não ter afeição pelo sabor, era agradável; era bom.

— Você está usando algum perfume? — ele perguntou, direto.

— Ah... — Sakura olhou-o espantada e sussurrou por um segundo, abrindo em seguida um sorriso tímido. Ela não esperava, ele pensou. — Você notou...

Suas sobrancelhas ergueram-se. Por que ele não notaria?

— Após a Karin capotar de sono, eu peguei algumas flores que estavam jogadas perto daqui e fiz uma experiência com os seus aromas e criei um frasco de perfume... — ela disse, sendo clara com as palavras.

— É adocicado... — Ele foi breve com as suas palavras, sem realmente prestar atenção nas que utilizou. — Não é ruim

Ele aproximou-se dela e envolveu sua cintura com seu braço direito — era em momentos como esse que sentia falta do seu braço esquerdo, mas ele não procurava pensar sobre.

Seus lábios pararam nos cabelos molhados da rosada, e ali os deixou por alguns segundos, sentindo o incrível aroma que emanava da garota. Como retribuição, sentiu braços finos o abraçarem, aquecendo-o.

— Obrigada por me ajudar a trazer as compras — ela disse, quebrando o silêncio, movimentando sua cabeça em seu peito sobre a camisa. — Eu sei que parece ser difícil para você...

— Não se preocupe. — Após dizer estas palavras, ele sentiu sua camisa mover-se fracamente; ela sorriu.

Pensou em se afastar, mas mãos macias tocaram seu rosto e pescoço, o puxando para um beijo cálido, fervoroso, afastando todas as ondas frias que percorriam seus corpos.

Era um beijo comum, mas os outros não sabiam o quanto este beijo poderia afeta-los, pois era mais que um beijo comum: era um beijo apaixonado.

Por quanto tempo ele não desejou o toque feminino em si? Ou o simples roçar de lábios sobre os seus; ou sobre a pele? Ele realmente sabia o que era um toque nítido de prazer e sentimento? Não, ele não sabia responder nenhuma dessas perguntas, mas não precisava, pois Sasuke não necessitava saber por ou há quanto tempo ele não desejou; não suplicou; não pensou; não imaginou; não agiu. Ele simplesmente sabia que sentia a troca de calor e que compreendia os sentimentos enlaçados entre todas as suas atitudes e as atitudes dela. Ele não precisava contar o tempo, se o sentimento e a atração batiam à sua porta quando necessários.

Não era necessário saber o tempo de nada daquelas coisas para Sasuke; era necessário sentir e absorver as emoções. Isso bastava.

Há quanto tempo sentia-se vivo?

O toque feminino em sua cintura continuava o mesmo quando ele começou a se aprofundar na sua vaga mente, mas a intensidade do beijo apenas aumentava; o sentimento adocicado o fez reconhecer a palavra vivo novamente.

Há quanto tempo sentia-se vivo?

A resposta excitada pelos toques femininos era a seguinte: no momento em que seus olhos se abriram para aqueles companheiros que tentavam pegar sua mão; tentavam tira-lo do abraço materno da solidão e livrar-se do carinho do silêncio.

Esses companheiros o fizeram reconhecer quem ele verdadeiramente era, apesar dos erros que cometeu; das armadilhas que caiu; do arrependimento que o banhou. Eles o livraram dos caules venenosos que tomava seu coração e o esmagava aos poucos, fazendo o licor dos sentimentos bons caírem em gotas grossas no vazio. Eles reuniram penosamente as gotas grossas dos sentimentos e fizeram as retomar novamente para o seu lugar de origem.

Era claro que nada que um dia foi, será novamente, da mesma forma que as gotas que um dia caíram, não seriam novamente repostas perfeitamente. As mesmas gotas que foram expulsas pelo veneno do caule mortífero não voltaram e cobriram exatamente as cicatrizes que os espinhos deixaram, mas melhor que isso foi as novas gotas poderosas que fizeram companhia às antigas.

Essas novas gotas de sentimento retiraram as vendas de seus olhos e agora ele realmente é o que deveria ser; ele é o que a rosa azul já quis que ele fosse, e que a sua própria flor o guiou; ele é o que ele deveria ser e o que ele desejou para que fosse, graças a belas flores que enlaçaram seus caules bondosos em suas mãos e o libertaram do passado que cuidava dele.

— Sakura... — ele suspirou seu nome como um agradecimento pelo socorro que viera.

Ela o ouviu em silêncio, mas ele não continuou a suposta frase.

— Bem, eu vou trocar de roupa. Não quero pegar um resfriado logo agora no meio de suas pesquisas — ela disse, libertando-se de seu abraço incompleto. — Desculpe-me por lhe molhar também.

Ela saiu em retirada a uma porta pelo dali, e ele a seguiu sem que ela realmente percebesse. Esperou alguns segundos fora daquele quarto, e entrou sorrateiramente.

A luz do corredor iluminou fracamente o quarto envolvido levemente pela escuridão. Sakura percebeu a iluminação invadindo rapidamente seu quarto, mas não deu atenção; fingiu não perceber.

Sua bermuda preta já havia sido retirada e jogada em algum canto do quarto; agora suas pernas eram visíveis aos olhos de quem queria.

Suas mãos passaram lentamente pela a blusa rosa até chegar aos botões, desabotoando-os e, logo, deslizando o tecido pelos seus braços.

O Uchiha suspirou, fechando lentamente os olhos e abrindo-os rapidamente, apenas para ver sua mão segurar a cintura da mulher a sua frente; apenas para ver seus lábios tocarem os outros de forma sagaz.

Ele não percebeu, mas a cor pálida do rosto de Sakura fora tomada por uma ardente tonalidade de carmesim. Ela não se importava mais pelos diversos tons que inundavam seu rosto; já estava acostumada. O costume se encaixava bem ao toque forte sentido pelo seu corpo, porém seria um dos costumes que ela nunca reclamaria; ela sempre iria esperar por aqueles arrepios que sentia com o contato da sua pele com a dele.

Sakura envolveu seus braços ao pescoço daquele quem amava, intensificando a profundidade do toque de ambas as partes, enquanto a mão de Sasuke apertava vorazmente a carne do corpo feminino.

Sem que Sakura notasse, haviam chegado perto demais da cama, fazendo com que batesse sua canela na tábua de madeira. Ambos os corpos caíram no colchão não muito confortável.

Sasuke olhou para Sakura, erguendo suas sobrancelhas; ela esta rindo. O som abafado da risada chegou aos seus ouvidos como amortecedores. Ele pensou em questionar, mesmo sendo óbvia a resposta, mas sua voz saiu antes que a dele.

— Eu te amo, Sasuke-kun! — disse Sakura, dando ênfase no antigo modo em que ela usava para chamá-lo. Ela abriu o sorriso que mostrava apenas para ele; o sorriso que parecia ser feito de todos os bons sentimentos que já descobrira.

— Ei... O que foi, Sasuke? — Dessa vez, o tom de suas palavras veio carregado de preocupação, até mesmo fazendo-a sentar e segurar sua mão fortemente.

Quando percebeu o porquê da preocupação em sua voz, notou o rastro quente de uma gota de lágrima que passou pelo seu rosto. Desde quando...?

Virou seu rosto para o lado e soltou sua mão da de Sakura, limpando-o superficialmente. Ela pareceu notar a rápida mudança das ações de Sasuke e resolveu não pergunta-lo mais nada; ela já entendia.

Levantou-se e ficou a sua frente, surpreendendo Sasuke com um abraço forte e apertado.

Ele então concluiu que realmente não precisava do conhecimento de diversas flores, mas sim apenas daquelas que compunham sua vida; concluiu que flores tinham aromas límpidos, mas não sabia dizer se ficavam nítidos ou opacos com a chuva – preferiu ficar com a segunda opção -, e que ele sempre teve a sua própria flor; a flor mais bela que encontrara; a que lutara por ele, fazendo jus a antiga existência da rosa azul.

Ele não sabia das outras, mas a sua flor ficava fria e preocupada quando as lágrimas neutras tocavam nela; a sua flor erguera a esperança em seu coração lúgubre; essa sua flor tinha o seu próprio aroma, que jamais seria comparado com os outros demais.

Sasuke jamais poderia esquecer-se das palavras companheiros e perseverança. E nunca poderia esquecer-se daquela que se arrependeu e conseguiu; chorou e sorriu. Seus verdadeiros valores sempre foram notados, e alguns até comentados.

Aos poucos uma nobre flor cresceu em seu coração em meio ao sepulcrário. Essa flor era a sua flor, a que além de todas as outras, alcançou seu objetivo e ultrapassou-os; o fez reconhecer quem ele era, quem ele deixou de ser, e reanimou sua existência com um sentimento caloroso há tempo esquecido.

Quem visse a flor florescida no sepulcrário, poderia pensar “a beleza que cresce em meio a devastação”, e há quem pense “pobre flor que cresce sozinha em um lugar penoso”. Mas essa flor jamais estará sozinha, pois o caloroso sentimento chamado amor aquece a todos. E mesmo não podendo renascer quem um dia já foi, pode reerguer quem um dia será.

A chuva do lado de fora da casa aumentava a cada segundo, e as flores do lado de fora do quarto pequeno aproveitavam-se dos pingos dela para banhassem, retirando as sujeiras impuras e indesejadas de si e preparando-se para que quando a chuva parasse, mostrassem novamente as suas verdadeiras belezas.

Sasuke não notou, mas abaixo da janela em que observou a paisagem, flores murchas encontravam-se deixadas de lado, pegando fracamente os pingos da chuva. Elas jamais iriam se reerguer de novo – não havia motivos -, mas não havia o que se importar, pois bastava o pensamento que elas já enfeitaram uma vez o jardim; que elas já tinham feito o deu devido dever.

Notas finais
E então? O que acharam? Espero que tenham gostado. Eu procurei várias referências de flores para fazer essa fanfic, e provavelmente vocês não sabem o significado de muitas flores, então irei colocar aqui para que consigam entender as "comparações". Cravos amarelos: significam rejeição e desdém quando sozinhos. Rosas azuis: significam verdadeiro amor eterno, forte e raro, no sentindo que usei nessa minha fanfic. Espero que tenham gostado², e é isso! Beijinhos e obrigada por lerem! ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!