As estrelinhas de Andressa
1 Capítulo Único: Observando as estrelas.
Notas iniciais
As estrelinhas de Andressa
Era uma noite de Dezembro, não era Natal, nem Ano Novo, era apenas uma noite qualquer de Dezembro, Andressa havia decidido ir a seu quintal observar as estrelas, quer dizer, as que estavam lá. A casa dos vizinhos estava tão iluminada que seria quase impossível ver um ponto de luz estampado no céu. Mas ela não ia simplesmente voltar para dentro de casa, estava abafado demais e havia pessoas lá dentro, naquele dia, ela só queria ficar em silêncio, onde pudesse ficar perdida em pensamentos. Ela pegou uma cadeira, colocou-a num canto do quintal, se sentou e começou a olhar para o céu escuro.
Tem alguma coisa errada. Pensou Andressa. O problema não estava no céu, ele estava exatamente como ela esperava, praticamente sem estrelas, ela sabia que deveria haver alguma se esforçando para brilhar o suficiente para ser encontrada, ela tinha certeza, mas ela também sabia que mesmo com esforço, ela poderia estar brilhando bem fraquinho. Se o problema não era com o céu, o problema estava com ela, e assim aconteceu, ela estava com a cabeça inclinada para cima, inclinada demais, Andressa só notou isso quando voltou a posição normal para olhar se tinha alguma coisa no quintal e uma dor no pescoço a atingiu em cheio. Ela precisava achar uma posição que fizesse ela ficar numa posição que não acabasse lhe dando uma bela dor no pescoço na manhã seguinte, mas o que? O que ela poderia usar? Se não dá para usar uma cadeira, por que não um colchão? Ela pensou se lembrando que havia um colchão velho em um dos quartos que ficavam no outro lado do quintal, ela levantou-se, guardou a cadeira, pegou o colchão e se deitou nele. Muito melhor. Ela pensou satisfeita.
Então, seu Pastor Belga entrou em ação, começou a lambê-la e colocar o focinho em sua bochecha, ela sentia cócegas e ria, mas ela queria achar uma estrela para observar e Zéfiro(seu cachorro) estava fazendo com que ela não conseguisse fazer isso, mas logo ela o aquietou com carinhos em sua barriga. Olhou para o céu, confortável e calma.
–Onde você está? — ela perguntou para o vazio. — Cadê você estrelinha?
Foi uma questão de tempo até que ela encontrasse, olhou para o Norte, Leste, Sul e Oeste, mas encontrou a estrelinha bem no meio do quintal, brilhava com esforço, se você se distraísse, a perdia e demorava um pouco para encontrar novamente, mas Andressa estava satisfeita, encontrou sua estrela, agora podia olhar para ela até que algumas companheiras conseguissem aparecer. Alguns minutos depois, um dos vizinhos, os pais de Laís, a nova neném do bairro apagassem as luzes para a miudinha cair no sono. Então mais duas estrelas surgirem.
Três estrelinhas.
Três coleguinhas,
Brincando de Ciranda Cirandinha.
Três estrelinhas.
As três já mocinhas.
Agora fazendo gracinha.
Andressa cantarolava a pequena cantiga que inventara enquanto olhava para elas, precisava fazer o verso onde as estrelas estivessem senhorinhas, mas ainda não pensara em algo com “inha” para elas fazerem, de repente, viu um pontinho de luz. Outra estrela! Pensou ela satisfeita. Mas… Estrelas não se mechem. Ela pensou confusa, mas logo se tocou. Ah, é um vagalume. Um vagalume muito tosco. Era verdade, o vagalume simplesmente começara a voar para um lado e para outro distraindo Andressa, ela tentava achar algo que terminasse com “inha” mas nada lhe vinha a mente. Nenhuma gota de inspiração, e a culpa era por parte do vagalume, que a incomodara no ápice de sua criatividade.
Depois de alguns minutos, o vagalume ainda não havia parado de fazer o movimento repetitivo.
Esse vagalume não é tão tosco. Pensou ela olhando para o inseto. Está mais para desmiolado. Ele fica andando para um lado e pro outro sem parar e parece estar satisfeito com isso. É estranho. Ela refletia mentalmente. Talvez, ele fique feliz fazendo isso. Talvez seja como uma droga pra ele. Ela pensou dando de ombros. Nunca se sabe.
Em algum momento, o vagalume simplesmente mudou de lugar e permitiu que Andressa olhasse para suas queridas estrelas, no momento em que colocou os olhos nela, uma luz se acendeu em sua mente, uma palavra que rimava.
Três estrelinhas.
Agora senhorinhas.
Todas juntas já formaram panelinha.
Essas estrelinhas
São muito danadinhas.
Vão para lá e para cá.
Falando abobrinhas.
As palavras saíram de sua boca de modo tão natural que riu, como era bom ter um momento só seu, ela não ficaria lá para sempre, uma hora ia amanhecer, e ela precisava dormir, mas ela ia aproveitar o quanto podia daquele momento. Apenas ela, as estrelas e a respiração canina de Zéfiro.
Como alguém já havia dito, tudo que é bom dura pouco, pois cinco minutos depois de ter concluído sua cantiga particular, as luzes do quintal se acenderam, eram luzes fortes, e, junto com elas, seu irmãozinho, Lúcio, chegou.
–Andressa! Andressa! — ele chamava agitado.
–O que foi Lú? — ela perguntava preguiçosa.
– Posso jogar bola?
_Agora não. Já é noite. Você devia estar de pijama e indo para a cama.
–Mas a mamãe disse que eu podia ficar com você. — ele argumentou.
–Não significa que você possa jogar bola. — ela rebateu.
–Poxa Andressa, deixa. Por favor. — ele pedia com um olhar manhoso.
–Lú, você joga bola todo dia. — Andressa disse se sentando no colchão. — Dá uma folga e deixa eu aproveitar um pouquinho aqui. — ela disse um tanto irritada.
–Certo, você fica aí e eu durmo na sua cama. — ele disse com um sorriso satisfeito.
–Não! — ela disse quase gritando, mas não agressivamente, ela pediu quase implorando. — Da última vez que dormiu na minha cama você babou muito no meu travesseiro. — ela comentou arrepiada. — Foi nojento. E eu ainda vou ir para dentro de casa quando for dormir.
–Do jeito que você é, vai acabar caindo no sono aqui mesmo. — ele disse com um pé numa bola que antes estava num outro canto do quintal.
–Guarda essa bola Lú. — ela disse com as mãos no rosto. — Vamos fazer um trato. — ela ergueu um dedo. — Você fica na minha cama até a hora que estiver com muito sono.
–Mas eu sou igualzinho a você! — ele disse com as mãos pra cima. — Eu sempre durmo sem perceber!
–Você não deixou eu terminar. — Andressa disse com os braços cruzados.
–Foi mal. — ele disse com biquinho. — Pode falar.
–Quando você estiver com sono, você vem aqui, me chama, e então eu vou para a minha cama e durmo. Ok?
–Pode deixar! — ele disse satisfeito. — Vou ficar na sua cama. — ele disse cantarolando divertidamente, depois, saiu do quintal e apagou as luzes.
Não demorou muito, ela caiu no sono abraçada a seu cachorro. O que realmente demorou foi seu irmão se lembrar de chamá-la, ele também havia dormido. Mas ele a chamou, como prometido.
Antes de ir para dentro de casa, guardou o colchão e ficou olhando para o céu, era mais ou menos uma e meia da madrugada, o céu estava lotado de estrelas, literalmente, uma estrela ao lado da outra. Mas Andressa reconhecia a primeira estrela que viu, ela ainda brilhava com força, as outras duas também, chegaram adiantadas e ganharam destaque. Andressa sorriu olhando para o céu e sussurrou:
–Boa noite estrelinhas. Quero ver vocês amanhã. — e em seguida, mandou um beijo com a mão para o céu.
Assim que se deitou em sua cama, entrou em sono profundo. Mas sonhou com suas estrelas.
Três estrelinhas.
Três coleguinhas,
Brincando de Ciranda Cirandinha.
–
Três estrelinhas.
As três já mocinhas.
Agora fazendo gracinha.
–
Três estrelinhas.
Agora senhorinhas.
Todas juntas já formaram panelinha.
–
Essas estrelinhas
São muito danadinhas.
Vão para lá e para cá.
Falando abobrinhas.
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