Notas iniciais
Olá, Lady Ellie! Admito, não soube o que fazer quando li sua ficha. Apenas tinha visto a série de instrumentos mortais, mas nunca lido. E não gosto de fazer algo sem conhecer direito os personagens porque acabo fazendo besteira hehehe. Por isso, fiz uma Original que se passa na Idade Medieval, mas aí tive outro problema: E agora? Como fazer Suspense? Shit... Não sei se consegui criar um clima de suspense ou não, mas eu tentei kkk. Pode ser que tenha ficado meio bosta porque não sou bom em escrever pouco (Minhas primeiras ideias pareciam um livro com umas 100 páginas no Word). Tentei resumir porque era difícil conseguir um computador, tempo e algo que não atrapalhasse meus estudos. Acho que consegui mais ou menos, depois de muito desespero, pesquisas muito estranhas na internet e diversas edições. Espero que você (e as outras pessoas que estiverem lendo essa fic) goste!

A noite estava clara e sem nuvens. A luz da lua cheia parecia banhar todo o vilarejo e as estrelas brilhavam tão intensamente que qualquer pessoa podia se perder no tempo ao olhá-las. Diot odiava essas noites.

Antigamente, ela costumava adorar observar aqueles pontos luminosos no céu e se imaginar lá, brilhando com eles. Mas, então, vieram as perguntas: Afinal, por que brilhavam? Por que só apareciam quando nada mais poderia ser visto? Por que eram tão inalcançáveis? Ela recheava seus pais com esse tipo de perguntas e ficava frustrada, pois quase nunca eles sabiam a resposta. Apenas riam e falavam como Diot era uma menininha curiosa e única. Ingênua, ela ria disso, sem perceber que aquilo era mais uma advertência do que um elogio. A curiosidade não fazia bem as pessoas no século XV. Quem fazia muitas perguntas acabava excluído da sociedade ou morto.

Quando começou a conhecer pessoas novas, a pequena garotinha amou que elas a achassem diferente de todo mundo, gostava de ser única. Até que percebeu que “única” era apenas outra palavra para “esquisita”.

Seu único suporte eram seus pais, que podiam reprovar seu hábito de fazer perguntas, mas, ao menos, não a batiam como algumas outras pessoas que achavam suas dúvidas uma afronta às suas crenças. Fosse criança ou adulto, todos aceitavam o que lhes era dito como verdade absoluta e achavam que o melhor jeito de argumentar com alguém para defender seus ideais era pela violência. “Claro”, Diot pensava, “Bata numa pessoa até que ela fique burra que nem vocês, seus imbecis”.

Para seu infortúnio, sua família inteira morreu de uma doença qualquer quando ela ainda era jovem. Diot cresceu sozinha, aprendendo a guardar suas perguntas para si, mas nunca desistindo de tentar respondê-las. Na surdina, ela fazia experimentos e criava as mais diversas teorias para explicar certas questões.

Ainda nova, começou a trabalhar na Igreja, onde precisou ter um cuidado redobrado. Responsável por limpar e servir os padres que ali se encontravam, Diot ficava cada vez mais exposta aos julgamentos precipitados. Mas não sabia de nenhum outro emprego que pudesse arrumar. Além disso, as mulheres que trabalhavam por lá poderiam dormir no Convento, que ficava a menos de dois quarteirões de distância e essa não era uma oferta que podia ser recusada.

Naquela noite em especial, Diot estava saindo de seu trabalho às 19:30, quando deveria ter saído de seu turno às 17 horas. Ela já estava acostumada a isso. Sempre ficava até mais tarde. Olhou para as estrelas no céu sem nuvens e se arrepiou. Noites claras eram o terror. Mais visibilidade, mais chance de ser pega. Ela deveria ficar em casa e esperar para fazer seu experimento num outro dia. Entretanto, Diot não era de esperar o momento certo. Em seus 24 anos de vida, ela percebera que o momento perfeito poderia nunca chegar a acontecer.

Chegando ao Convento onde morava, foi logo para os fundos. Lá havia uma pequena cabaninha com materiais de limpeza. Andou pelas redondezas para conferir se não havia ninguém por perto. Nada. Era seguro. Entrou na cabana cheia de vassouras, sabão e panos e foi até um pequeno compartimento escondido na parte de trás. Na parte de cima havia um livro grosso, no qual estavam seus escritos sobre experimentos que tiveram um resultado interessante. Ao retirar o livro, avistou uma caixa de tamanho médio, onde guardava seus materiais para experimentos. Desde pequena, ela tinha o hábito de ficar recolhendo algumas pequenas coisas que encontrava para usar como materiais em seus experimentos.

Separou tudo que ia levar num balde e colocou seu livro embaixo de seu casaco, guardando o resto de suas coisas no compartimento secreto e saindo correndo. Não deveria ter feito isso. Ao abrir a porta, esbarrou em alguém que parecia estar entrando e as duas acabaram caindo no chão:

— AI! — a moça reclamou, caída no chão, colocando uma mão em suas costas. — Diot? O que você está fazendo aqui a essa hora?

Diot pôde observar as feições da garota caída com atenção, reconhecendo-a como uma das novas faxineiras da Igreja. Seu nome era Aimée e ela tinha apenas 14 anos. Assim como Diot, seus pais haviam falecido. Seu pai era um bêbado que se envolveu numa briga numa taverna e acabou morto. Sua mãe foi acusada de bruxaria, caçada e morta pela inquisição. Ninguém sabia dessa história além de Diot, que fez Aimée prometer não contar isso a mais ninguém. As duas eram quase como irmãs.

— Aimée! Desculpe-me, não tinha te visto — Diot tentou mudar de assunto. Inclinou-se para pegar o balde caído, aproveitando para ver algumas amostras dentro. “Droga!”, pensou ao ver que alguns frascos tinham quebrado e os ingredientes se misturado. Estava tão absorta em seu problema, que não percebeu que seu livro também havia caído.

— Você não me respondeu. O que está fazendo aqui? — Aimée insistiu e viu o livro jogado no chão perto dela — E de quem é esse livro?

— Éerh... Esse livro é do Padre Nikolas e... ele vomitou em seu quarto, então me pediu para limpá-lo. — Uma mentira atrás de outra. — Mas não conte isso para ninguém! Ele não quer que saibam disso.

Acenando com a cabeça, Aimée abriu o livro, que foi tirado bruscamente de suas mãos pela sua amiga. O rosto frustrado da mais nova ficou evidente. Ela nunca aprendera a ler, não tinha muito contato com os livros, mas gostava de folheá-los pensando nas incríveis histórias que poderiam estar dentro deles.

— Desculpe — Diot se apressou em dizer. — O padre está esperando, eu realmente preciso correr.

Aimée pareceu entender, dando um pequeno aceno de cabeça, mas ainda com uma expressão de tristeza.

Diot começou andando rápido até apressar o passo e acabar correndo. O cheiro ruim vindo de dentro do balde era evidente. Com certeza a mistura formara algo não muito recomendável. Dobrou na esquina da Igreja, entrando num beco sem saída. Mas não importava, ela só queria se livrar do conteúdo do balde, seja onde fosse. Se entrasse com ele na Igreja, alguém certamente reconheceria. O beco estava vazio com exceção de um pouco de lixo acumulado e alguns pedaços de madeira já não mais utilizáveis.

Ela apoiou o balde e seu livro no chão enquanto colocava as luvas e o avental que usava no trabalho. Ao menos, eles tinham uma segunda utilidade.

— Olá? — Ela ouviu uma voz na entrada do beco. Seu corpo gelou e seu coração ficou acelerado. Virando-se, ela viu o contorno escuro da forma de um homem um padre pelas vestes. O que fazer? Que desculpa poderia dar? Por um momento, ela ficou calada, esperando que o homem simplesmente a esquecesse e saísse dali. Quem dera. — Quem está aí?

— Diot — Ela respondeu com a boca seca, o que não a impediu de se engasgar um pouco com as palavras. — Deseja alguma coisa?

— Diot... Você trabalha na Igreja, não? — O homem se aproximou e a mulher pôde ver quem era: Vladimir, um bispo com uma péssima reputação entre as empregadas. Ele era baixo, forte e careca. Seus olhos negros refletiam sua vontade de romper seu juramento de celibato e sua fúria implacável por pequenos erros. — Uau, você é bem bonitinha.

Diot estava paralisada. Não conseguia falar, nem se mover. Estava tremendo. O pânico a dominava. Algumas outras empregadas já tinham sido abusadas por ele ou quase o foram, sendo salvas apenas por alguma autoridade que, coincidentemente, chegasse no momento. Mas se alguém chegasse naquela hora, será que iria salvar Diot ou condená-la pelo que estava prestes a fazer?

— Você é muda? — O bispo riu como se tivesse contado uma piada. Estava tão perto de Diot que ela já podia sentir sua respiração quente em cima de sua pele. Ele pegou uma mecha dos cabelos negros da garota e a colocou atrás de sua orelha, dando um sorriso com seus dentes amarelos ao ver melhor seu rosto. — Tudo bem, eu prefiro assim. As agitadas costumam fazer muito escândalo.

Vladimir agarrou forte o uniforme de Diot e tentou tirá-lo à medida que se aproximava de seu pescoço sussurrando palavras que a garota sentia desgosto em ouvir.

— NÃO!! — Ela gritou, empurrando-o para longe e fazendo-o cair ainda com um pedaço de tecido da roupa de Diot, que, agora, estava com parte de sua pele exposta na região do abdômen.

— Ora, sua... — O homem caído praguejou, levantando-se e indo em direção à garota mais uma vez — Você precisa obedecer aos meus comandos! Eu sou o representante de Deus aqui na Terra! Minhas vontades não podem ser ignoradas!

Antes que ele pudesse chegar na jovem, ela pegou o balde e jogou as reações químicas que lá havia em seu agressor. Era pouco, mas o suficiente para machucá-lo. Seu grito de dor ecoou alto e suas mãos cobriam seu rosto no lugar onde o líquido havia caído. Ainda com o balde na mão, Diot bateu na cabeça de Vladimir, fazendo-o cair no chão com o impacto. Soltou o balde logo depois e saiu correndo, mas se lembrou do livro e voltou para pegá-lo.

Quando, novamente, estava na entrada do beco, percebeu que as luzes se acendiam dentro das casas e murmúrios eram ouvidos enquanto todos eram acordados pelos berros do homem machucado. O portão da Igreja começou a abrir e Diot correu com medo do que aconteceria, seu livro agarrado junto ao peito. Ela não tinha culpa, mas com certeza não sairia impune.

“Bruxa!!”, ela ouviu gritarem atrás de si. Era isso que Vladimir tinha falado? Com o rosto deformado, não seria difícil acreditar nele. Além disso, ela estava correndo da cena do crime com um livro grosso em mãos e algumas pessoas tinham conhecimento de seu passado conturbado. Os gritos ecoaram atrás dela, ficando cada vez mais altos e mais furiosos. Lágrimas rolaram sobre sua face. Não de tristeza, mas raiva de como ela tinha se esforçado tanto e, mesmo assim, fracassado.

Suas pernas já doíam e seu peito parecia arder em chamas com o fôlego perdido, mas, por fora, o frio intenso da noite a dominava. Avistou um homem loiro, com físico forte e que parecia ter a sua idade ali perto, vendo as estrelas em seu quintal. Agarrou-se a seu livro com força, colocando-o junto ao peito e foi pedir ajuda. Ela sempre fora independente, mas, dessa vez, não tinha opção.

— Por favor, ajude-me! — Sua boca tremia, fazendo sua voz sair quase como um sussurro. O homem parecia não ter escutado. — Por favor!

Dessa vez, o loiro escutou e se virou em sua direção. Por um instante, desconfiou da situação, mas viu as roupas rasgadas e o aspecto cansado de Diot e correu para seu socorro. Levou-a para dentro de sua casa e cobriu-a com um lençol. Uma senhora idosa chegou pouco depois perguntando o que estava acontecendo, mas logo viu a garota e correu para dentro da casa, voltando pouco depois com lenha nas mãos. Acenderam a lareira e puseram Diot sentada numa poltrona perto dela.

— Pietro, prepare a banheira! Ela precisa de um banho. — A senhora falou com o loiro, que subiu até o primeiro andar no mesmo instante, e, depois, foi na cozinha pegar um pouco de comida para Diot, voltando com algumas torradas e um pouco de leite quente. Deixou tudo numa mesinha no centro e se sentou perto da jovem. — E quanto a você, o que houve, querida?

Diot pensou no que dizer. A verdade não seria bem recebida, com certeza. Percebendo a hesitação, a idosa sorriu, simpática, então disse:

— Não precisa ter medo, eu sou muito boa em guardar segredos. — Diot não podia mais segurar. Desabafou toda sua história, suas inseguranças, sua indignação. Cada palavra a fazia afrouxar cada vez mais o livro que agarrava em seus braços.

Ao final da história, Diot já estava à beira de lágrimas. A gentil senhora limpou algumas de suas lágrimas com um lenço e um sorriso gentil. Ofereceu mais torradas e leite, que a garota aceitou rapidamente.

— Desculpe-me, não cheguei a me apresentar. Eu sou Diot.

— Prazer em conhecê-la. Meu nome é Agnes Bernauer. — A senhora falou sorrindo, mas, depois, sua expressão ficou séria. — Então eles acham que você é uma bruxa?

— Sim.

— E você não é?

— Claro que não!

— Sinto muito, mas eu discordo. — Quando Agnes disse essas palavras, Diot se agarrou a seu livro e já se preparou para sair correndo. Entretanto, a senhora acrescentou rapidamente — O que é uma bruxa? Eu acho que uma bruxa é alguém que se relaciona com a magia, não? E a magia é apenas algo que os seres humanos ainda não entendem.

Diot começou a compreender seu ponto de vista. Havia lógica na questão. E Agnes continuou a falar:

— Você, querida, é sim uma bruxa! E não há nada de errado com isso. Você faz coisas maravilhosas e foi até onde qualquer mulher nunca chegou. Joana D’arc também era uma mulher instigante, diferente e espetacular. Ela também fez coisas incríveis, liderou homens e venceu guerras, mas foi acusada de bruxaria por ser boa demais. Os homens ainda não nos entendem e não sabem de nosso potencial.

Ambas sorriram uma para a outra. Elas se entenderam como ninguém. Depois de mais alguns minutos, Diot subiu para tomar seu banho, já se sentindo mais leve. Pietro a guiou até o banheiro. Ele era gentil como a mãe.

— Você está melhor? Fiquei preocupado quando te vi lá fora.

— Sim, obrigada. Só preciso de um banho agora. Sinto-me como se tivesse escamas em meu corpo com toda essa sujeira.

— Escamas? Então, você é como uma cobra?

— Talvez eu seja uma parente, só que com um pouco mais de veneno do que aqueles animaizinhos rastejantes — ambos riram com aquela conversa sem muito sentido.

Pietro Bernaur deixou-a no banheiro e voltou para o quintal para observar as estrelas por mais um pouco de tempo. Diot deitou na banheira com água quente e ficou folheando o seu livro com capa de couro. Ela tinha desenhado duas estrelas na frente, uma para sua mãe, outra para seu pai. Dentro do livro, diversas páginas estavam escritas sobre as mais diversas experiências. Ela gostava das que causavam explosão de luz e mudança de cores da água à fumaça. Queria ter liberdade para fazer mais. Para fazer aquilo que realmente gostava.

Ao sair do banho, Diot vestiu um antigo vestido de sua anfitriã e foi até a janela chamar Pietro para tomar algo quente. Contudo, antes de sair, avistou pela janela algumas pessoas estranhas junto com padres falando com o Bernaur. Pôde ouvir apenas parte da conversa.

— Bruxa? De verdade? — Pietro perguntou.

— Sim — Diot gelou ao ouvir a voz de Vladimir. — Olhe o que ela fez com meu rosto! Ela começou se fingindo de boazinha, mas, quando eu menos esperava, lançou seu feitiço. Ela não é confiável.

— Eu sei onde ela está — Pietro falou e o coração de Diot pareceu parar por um segundo. Ele não tinha acreditado mesmo em Vladimir, tinha? Será que ele a entregaria? Afinal, por que ele confiaria numa completa estranha que pudesse comprometer sua segurança? Tentou espiar pela janela para descobrir se ele ia falar a verdade ou apontar outra direção. Precisava saber se precisaria fugir.

Não teve tempo de obter uma resposta. Alguém a viu pela janela e gritou para todos os outros sobre a sua localização. Sem tempo, Diot precisou correr para os fundos. Sorte sua que não tinha largado o livro. Nunca largaria se pudesse. Correu desesperadamente e só olhou para trás quando tinha certeza que estava numa distância segura. Prendeu a respiração nos segundos que se seguiram. Puseram fogo na casa. Será que Pietro e Agnes conseguiram fugir? Será que eles morreram por sua causa? Não tinha como saber.

Agora, ela iria aproveitar que estavam todos longe para organizar sua fuga. Rezava para que todos acreditassem que ela havia morrido dentro da casa e ficassem até o final, vendo-a ser queimada. Diot voltou para o Convento onde morava, indo até seu quarto e reunindo roupas para a longa viagem. Na saída, avistou o quarto de Aimée. Sem pensar direito, ela entrou sem bater e acordou a mais nova.

— Diot? O que você está fazendo aqui? — Em poucas palavras, Diot explicou a situação.

— Então, Aimée, você quer vir comigo? Estou com medo de que te liguem a mim e te acusem de bruxaria também se descobrirem sobre sua mãe.

Após muita hesitação e murmúrios de indignação de que ela podia ter feito isso de manhã cedo, Aimée concordou. Saíram depois de alguns minutos, correndo e rindo naquela madrugada fria, em que todas as peças pareceram, finalmente, começar a se encaixarem. Diot tinha se encontrado e, agora, podia ser ela mesma. Diot tinha se tornado a estrela que nascera para ser

Notas finais
Por favor, não me odeie ;-; ashuashuashuashuas Se não tiver gostado, foi meu coelho que escreveu -q Ah, Agnes Bernauer realmente existiu e foi morta pela inquisição, acusada de bruxaria. Teoricamente, teriam afogado ela em seus 25 anos, se não me engano, mas eu coloquei um final alternativo, como uma homenagem, em que ela sobreviveu. Não deixei claro se ela e/ou Pietro morreram ou não porque sim. Tá aí seu mistério kkk E aí? Gostou?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.