As e Os

4 Otp!!!!


Notas iniciais
Eu tive um ataque cardíaco escrevendo, espero que vocês tenham um lendo ;)

Gabi já não tinha mais ideias de frases prontas ou argumentos medíocres para fazer Gabe se acalmar. Ela lhe daria a caixa de calmantes que tinha, mas sabia que ele não aguentaria ficar acordado até de madrugada. Ele tomou dois e um remédio para dor de cabeça, o que seria suficiente para fazer ele dormir de tarde depois do almoço até a hora que Kai chegasse. Poderia dar errado, e acabar que Kai viesse e o irmão ainda estivesse dormindo, mas qual era a chance?

Compraram as roupas que precisavam e decidiram comer. A praça de alimentação estava cheia, o que mais esperar de um shopping no sábado? Arrumaram um lugar para sentar, compraram os lanches. Não era de costume fazer coisas normais para nenhum dos dois. Ir ao shopping e passar o dia lá, com mais quinze pessoas dentro de um metro quadrado. Eles preferiam as feiras de artesanato e lugares estranhos e “alternativos” para comprar.

— É impressão minha ou tem pelo menos vinte meninas com a mesma camisa? – Gabi cerrava os olhos como se não conseguisse ver direito.

— Não dá pra procurar o Wally. Mentira. Tem um manequim ambulante. Você tem trinta segundos pra achar.

— 4 horas. Essa foi fácil. Camisa listrada e shorts, mas não está com a blusa amarrada na cintura. Trinta segundos.

— Acho meio errado a gente falar mal deles sendo que a gente veio tentar copiar eles. Além disso, pode ser um pouco ofensivo.

— Eu sei, desculpa. Ansioso para a sua grande noite? – Gabi comia as batatas pensando na pipoca que ia comprar depois.

— Eu estou é querendo morrer. Como faz pra tirar esse nó na barriga? É uma coisa do capeta, sabe, parece que eu vou explodir.

— Termina de comer, a gente dá mais uma volta e assiste um filme para se distrair. Quer comprar um livro ou um jogo depois daqui? Eu ouvi falar que aqueles livros de terror estão em promoção.

— Tá bom, se você acha que é o melhor jeito de tirar a cabeça disso.

Apesar de todo o movimento de adolescentes querendo pagar de cultos, como dizia Gabi, a livraria estava vazia e tranquila. Haviam alguns grupos de pessoas lendo, outras escolhendo alguma coisa. O irmão olhava fissurado os livros de terror, segurando o escolhido na mão. Enquanto isso, Gabi parecia procurar algo de interessante na sessão de política. Quando Gabi finalmente decidiu o seu e foi pagar no caixa, Gabe estava cercado por um grupinho de amigos.

— Você vai hoje na festa da Ana? A Yasmin vai tá lá e eu sei que ela é meio afim de você – Gabe pareceu surpreso com a revelação, mas também pretendia fazer uma.

— Hoje nem rola, tenho um encontro, eu passo – Gabi sinalizou para o caixa, sem querer atrapalhar o encontro. Gabe entregou o livro e agradeceu.

— Quem é? Tá pegando? – os meninos não costumavam falar com ele, principalmente aqueles. A briga com os meninos mais velhos tinha se espalhado rápido.

— Não, é minha irmã, seu babaca. Tira os olhos, ela é boa demais para você – se havia um defeito genético na família era ter pavio curto e bater boca desnecessariamente.

— Foi mal, mas ela é bonita, Biel – Ana tinha que defender os outros, não queria perder a popularidade. – Vai sair com quem hoje, o pegador?

Gabriel sentiu o coração sair pela boca. O tempo parou em sua cabeça, quase como se ele realmente pudesse escolher a resposta certa a se falar, analisando os finais possíveis. Seu cérebro sabia que o melhor era não dizer a verdade e desviar para outro assunto, entretanto o tempo que ele jurava desacelerar havia alcançado a realidade e a única coisa que conseguiu perceber foi que ele corou.

— Eu acho melhor não expor nomes antes de ter certeza de que vai rolar alguma coisa, sabe como é – ele sentia as bochechas arderem.

— Ele é romântico, tadinho, até ficou vermelho. Vocês deviam aprender com ele, seus idiotas – a felicidade que se estendeu no rosto de Gabe por não terem descoberto a verdade era gritante.

— Só não vai me sair com aquele viadinho do Kai, aquele moleque me assusta. Espero que ele não apareça lá na festa, vou vomitar se tiver que ver ele se agarrando com outro cara. Não que eu seja homofóbico ou nada, ele é esquisito, vocês não acham? Me dá arrepio.

— A única coisa que eu sei é que o seu comentário homofóbico ao extremo me deixou enojada e meu irmão tem o direito de sair com quem quiser, até mesmo porque a responsável por ele sou eu e não você. Agora, se vocês nos dão licença, eu acho que essa lavagem cerebral de idiotices não fará bem ao Gabe. Beijos, crianças.

Gabi puxou o caçula pelo braço, sem que ele tivesse a chance de se despedir dos colegas de escola. Ele agradeceu a ela mais tarde, ela acabou impedindo que ele pulasse no pescoço de alguém.

O resto do passeio foi tranquilo. A primogênita escolheu pipoca doce e Gabe negou dizendo que precisava manter o corpo magro que tinha. A ansiedade parecia ter diminuído ao mesmo tempo que a preguiça e o sono aumentavam. Foram embora assim que a sessão acabou, queriam descansar antes que o convidado especial chegasse.

Gabe acordou grogue com a quantidade de remédio que tinha tomado. Checou o horário no celular. Faltavam vinte minutos para que Kai chegasse, tempo suficiente para um banho e arrumar a casa (ou só jogar a bagunça no armário). A irmã não estava no quarto, então ele desceu as escadas em direção a cozinha.

— Bela Adormecida, finalmente você despertou do seu sono. Achei que o príncipe encantado fosse ter que te beijar – Gabi enchia dois copos com refrigerante.

— Já pensou em entrar para Praça É Nossa? Você é muito engraçada – a sede fez com que ele avançasse em direção ao copo, mas parou assim que ouviu o barulho da descarga.

— Acho que você não viu suas mensagens. Kai veio mais cedo – Gabi tomou um gole e ofereceu ao irmão. – Sobe e se troca antes que ele saia do banheiro.

O movimento que o corpo de Gabe fez o deixou mais próximo a porta do que da escada. Se Kai estivesse ali, então Gabe queria vê-lo. A agonia que subia pelo seu estômago sugeria que as coisas ficariam melhores se o beijo acontecesse logo. No momento em que a visita surgisse, Gabe saberia o que fazer.

Kai ajeitou os cabelos no espelho. A voz de Gabe tinha lhe chamado atenção. Esperava que a Gabi estivesse certa sobre a noite, então poderia contar ao amigo a verdade. Abriu a porta do banheiro e a fechou. Deu um passo e levantou a cabeça. Seus olhos se prenderam nos de Gabe. O cabelo sempre preso em um coque estava solto e amassado por causa das longas horas dormindo, assim estava a calça e estaria a camisa se Gabe não tivesse arrancado de calor durante o cochilo.

— Oi Gabe. Tudo bem? – o convidado andou para cumprimentar o anfitrião, estendendo a mão.

Gabi sufocou um grito de felicidade quando viu o irmão beijar Kai. Ela cobria a boca com a mão esquerda, enquanto se apoiava na bancada com a direita. Lembrou do que seu novo amigo havia lhe dito e pareceu se dar conta de como a cena também lhe parecia errada. Gabe estava aprendendo a andar outro dia, agora estava por ai beijando os outros. Como nenhum dos dois se manifestava para se soltar, ela se sentiu obrigada a interromper.

— Ahm, meninos. Oi, então, eu vou sair para comprar pizza e sorvete, volto daqui a pouco.

Ambos olharam para direções diferentes, percebendo o quão constrangidos eles ficariam após a saída dela. Porém, nada poderiam fazer para impedir. A bolsa já estava debaixo do braço e ela do lado de fora.

— Me desculpa, eu não queria te colocar nessa situação. Foi impulso, eu juro. Eu sei que sou uma péssima pessoa – Gabe se contorcia e se escondia atrás das mãos.

— Não, tudo bem, relaxa. A sua irmã me contou os planos para hoje à noite, a gente está conversando a mais de uma hora. Eu só queria te contar uma coisa antes que o beijo rolasse, até mesmo para evitar problemas futuros.

— Pode falar, eu sei que fui um idiota e que não deveria ter te beijado assim, de repente – o cômodo começou a girar. Eram tantas possibilidades, tantas variações do que poderia dar errado.

Kai iria dizer que não é gay, ou que namorava, ou que não gostava de Gabe, ou que estava afim da irmã e não dele, que só estava ali porque ficara com pena dele depois da briga, que só tinha ido para ficar longe dos pais, que tinha ido só para jogar videogames, que os pais tinham obrigado ele a ir, que...

— Eu não pretendo ter nenhum relacionamento sério agora. Não é nada demais, nenhuma surpresa. Eu tive um término ruim com meu namorado na cidade que eu vim, então não queria nada comprometedor.

— Que alívio. Você quase eu ter um ataque cardíaco, Deus. Eu preciso recuperar o ar nos meus pulmões. Não faz mais isso comigo, meu coração.

— Gabi disse que você iria reagir assim – Kai sorria e balançava as mãos.

— Eu achei que você fosse me dar o maior pé na bunda, e caralho eu to saindo do armário porra. Ia ser devastador para mim. Desculpa os palavrões. É a adrenalina.

— Não esquenta com isso, eu também passei por isso antes de me assumir. Sua irmã disse que seus pais não sabem ainda, então seu eu puder ajudar em alguma coisa me avisa. Eu sei como é foda e assustador passar por isso.

— Esse problema a gente vê depois. Olha, eu entendo que você não queira namorar agora, não tem o menor problema. Se der certo e as coisas começarem a rolar, a gente deixa acontecer e vai indo. Pode ser?

— Graças que você sugeriu isso, porque eu tava super afim de você.

A noite terminou em pizza, risadas, sorvete e amassos. Só não conta para Gabi, que ela é problemática em relação a casais, incluindo aqueles que estão começando e são fofos.

Notas finais
Hey! Eu sai do hiatus só para terminar essa história, então não prometo nada sobre qualquer outra coisa (ta tudo no meio, não consigo terminar). Eu me diverti demais escrevendo sobre esse casal fofo, queria guardar num potinho. Quem sabe eu faça mais nesse gênero, não prometo nada. Espero que vocês tenham curtido esse drama todo e a gente se vê daqui a pouco (planos malignos estão chegando, mentira são fofos). Espero você no próximo capítulo, não morra até lá. Ps.: eu estou alone mofando nessas férias e na vida, comenta, me manda mensagem, me add no twitter. Amo vocês, seus leitores fantasmas.