As e Os

2 Meu Herói


Notas iniciais
Second part :)

O colégio ligou em casa, como Gabe pediu porque sabia que eu era a única que estaria lá. Lógico que entrei em desespero quando soube que ele tinha entrado numa briga e acabado na diretoria. Eu sempre disse para ele brigar fora da escola, assim a diretoria não poderia pegá-lo. Ele seguia esse conselho. Não foi só surpresa, eu pensei em mil coisas que poderiam ter acontecido com ele, um nariz ou um braço quebrado. E se ele tivesse quebrado algum osso de outra pessoa?

Obviamente eu dirigi que nem uma louca até aquela maldita escola, vestida das primeiras roupas que eu achei jogadas no chão do quarto. Havia tantas situações passando pela minha cabeça que mal conseguia me concentrar no caminho. Talvez eu quase tenha atropelado uma velhinha por acidente, não fui minha culpa, eu juro.

Entrei correndo e fui direto para a secretaria, perguntar do Gabe. Eles disseram que ele estava em sentado na sala do diretor, esperando que eu chegasse. Meu coração gelou. Eu fui parar uma vez na sala do diretor, foi por uma discussão besta com minha professora de matemática sobre porque diabos ela não conseguia ensinar direito. O Sr. Dimas nunca foi educado, com ninguém, em todo a vida dele, desde que nasceu provavelmente.

– Com licença, eu sou a responsável pelo Gabe. O senhor ligou em casa – é claro que ele ligou, se não porque eu estaria aqui? Me ajuda aqui, alguém, por favor.

– Sim, eu liguei. Vou dizer que esperava ver a mãe de vocês aqui, mas a senhorita vai servir por enquanto. Como disse por telefone, seu irmão Gabriel se meteu em uma briga. Ele machucou outros dois colegas de turma, que já foram levados pelos pais. O normal nessa situação é advertir o aluno, porém não é a primeira vez que ele seria advertido, então nós decidimos que ele será suspenso.

– Espero eu que os outros meninos também sejam, ao menos, advertidos, porque obviamente eles também machucaram meu irmão – Gabe estava segurando um gelo no nariz e na boca, sentado no canto da vergonha.

– Não, senhorita. Foi ele quem começou a briga, portanto, somente ele será punido. Eu achei sensato que como culpado por esse problema ele fosse responsabilizado por tudo – ele faz questão de ver até onde eu chego. Eu nunca tive um bom comportamento dentro da sala, haviam reclamações frequentes dos professores, sobre como eu respondia e não tinha respeito por eles.

— Não é nem um pouco justo. Gabe não se meteu nessa briga sozinho, além disso, eu não tive a oportunidade de ouvir a versão dele dessa história, muito menos o motivo disso tudo. Então o senhor pode chamar os outros pais em uma reunião, porque eu quero tirar isso a limpo – coragem? Da onde isso vem?

— Eu não acredito que você queira incomodar os pais por esse motivo tolo. Eu não gostaria de ter que pedir que eles voltem com os meninos – ele sabe que eu não represento mais uma aluna que ele pode simplesmente ameaçar e manipular.

— Já disse que gostaria. Agora, por favor chame eles. E se eles não puderam voltar hoje, quero que marque uma reunião com eles. Enquanto faz isso, eu vou falar com meu irmão e cuidar dele. Com licença.

Eu me levantei sem nem me importar com a resposta. Gabe entendeu o meu recado e saiu do escritório. Ele tinha um sorriso de canto de boca. Nós fomos até o banheiro, minhas mãos tremendo. Espero que minha mãe entenda o que eu fiz, é uma escola cara e digamos que nossa renda não é muito alta. Gabe precisa terminar o ensino médio aqui se quiser entrar numa boa faculdade.

— Gabi, você foi incrível. Ainda bem que você veio, ele já estava me crucificando. Sabia que posso contar com você.

— Seu estúpido, imbecil, idiota, burro, o que você estava pensando? Não sabe que aqui é assim? Tá tentando ser expulso ou o quê? Imagina se a mãe descobre tudo isso. Eu vou morar com papai e você vai virar padre. Trouxa.

— Calma ai, você disse que queria ouvir meu lado, lembra?

— Baboseira, só queria enrolar ele. Mas fala ai, o que aconteceu? Derrubou dois mesmo? – eu não acho que deveria estar apoiando ele nesse momento.

— Foi na troca de aula antes do lanche. Lembra que eu falei que os caras estavam zoando Kai ontem? Então, eles pegaram as coisas dele, o estojo e tals. Ai eu tava falando com a Amanda, que senta na fileira do lado, eu pedi pra eles devolverem. Mas eles nem me escutaram e começaram a mexer com o Kai, porque ele só pedia, não fazia mais nada. Eles ficaram mexendo no cabelo dele, porque ele tem cabelo comprido, ficaram zoando o jeito que ele se veste, coisas assim. Ai eu não aguentei e entrei no meio. Falei pros caras devolverem as coisas e pararem com aquilo, porque era estupidez da parte deles. Sabe o cara que eu te falei que parece pelo menos três anos mais velho que a gente? Então, ele e aquele menino estranho que anda com ele, o que usa droga, vieram pra cima de mim.

— Quem deu o primeiro soco? – eu realmente não deveria apoiar isso. Onde entra a parte de ser uma adulta responsável?

— Eles. Eu dei um no zé das drogas, ele caiu que nem saco de batatas. Eu nem tive tempo de desviar do outro cara, só vi o pulso dele vindo. Ai eu cai que nem saco de batata, mas eu não conseguia levantar porque eles ficavam me chutando. A única coisa que eu fiz foi chutar o cara mais velho, mas pegou na coxa dele e ficou um roxo. Nada demais.

— Um dos meninos conseguiu fazer seu nariz sangrar e cortar sua boca com um soco? E querem suspender só você? Patético. Sua sorte que eu decidi fazer faculdade de direito, mas to pensando em mudar pra veterinária pra ver se conserto seu rosto – ele sorriu e me empurrou.

— Eu vou falar a verdade, estou assustado com essa conversa. Você podia ter deixado passar, eu ia ser suspenso só por dois dias. Sem problemas – ele passou a mão pela cabeça.

— Você quase não tem cabelo. Ta parecendo uma cebola com esse cabelo. Relaxa, vou fazer minha mágica. Além disso, dois dias suspenso significa nunca mais ir numa festa em um mês para a mamãe. Vai dar tudo certo.

Eu sou a melhor pessoa no mundo. Falei que não faço advocacia para nada. Consegui convencer o pai de um e a mãe de outro que, pelo menos, eles deviam ser advertidos, além disso o menino que deu o soco no Gabe vai ficar de castigo. Eu garanti a eles que Gabe não ficaram impune também e ficaria sem sair durante os próximos três finais de semana. Ainda bem que os amigos dele vem em casa, assim ele não vai precisar sair. Deve ser por isso que muitos bandidos saem impunes de crimes, tem bons advogados. Ganhando bem, que mal tem?

Difícil foi convencer minha mãe de que a briga foi por uma boa causa, que Gabe só estava sendo um bom samaritano. Ela acabou deixando meu padrasto decidir, o que foi melhor ainda. Ele é o tipo de cara que entende a “nova geração” e disse que ao menos meu irmão impressionou alguma garota. Espero eu que Kai também. Nós conseguimos nossa festinha no sábado. Os meninos vêm de tarde para jogar videogame e zoar. Ficaremos só eu e eles, sem adultos (responsáveis). Dois ou três amigos da faculdade vem também.

Queria ter conversado com minha antiga professora de química para saber o que ocorreu no laboratório. Ela dá aula na faculdade e era ela a professora que estava dando aula no laboratório quando aconteceu. De qualquer jeito, se um apocalipse zumbi rolar, já sabemos de quem é a culpa. Ela pode ter certeza que não a defendo em um tribunal. Quase me repetiu em um ano, só porque eu quebrei um vidrinho de substância um dia. Enfim, vou voltar para minha escrivaninha porque eu tenho uma pilha de coisas para fazer. Olhar o teto enquanto eu giro na cadeira, foi isso o que eu quis dizer.

Notas finais
Hey! Estamos ralando para postar um por semana, mesmo em semana de provas. Não sei se teremos algo semana que vem, irei fazer meu melhor. Veremos se esse tal de Kai vai aparecer para a festa no sábado. O que esse ser humano é afinal de contas? Vamos descobrir daqui uns quinze capítulos (insira uma risada maligna aqui). Te vejo no próximo, não morra até lá.