Notas iniciais
Meu Deus, foi muito tempo? Bem, para mim sim. Sinto muitíssimo, de verdade. Dessa vez, o capítulo está maior, não tão grande quanto gostaria, mas maior. Amanhã eu entro de férias, então, talvez, os capítulos saiam mais rápido. Boa leitura!

– Sabe, você deveria começar a tomar ansiolítico.

– O quê? — perguntou a loira deixando de prestar atenção no professor e virando- se para o amigo atrás.

– Medicamentos que diminuem a ansiedade e a tensão — explicou Guilherme como se fosse o único conhecedor da informação.

– Ninguém pediu sua opinião.

– Eu disse. Siga o conselho.

– Guilherme, você estava conversando? Ah, mil desculpas por atrapalhar — pediu sarcasticamente o professor de matemática, Heráclito, que antes passeava pela sala, agora parado próximo à mesa do moreno.

– Ah, sem problemas — respondeu Guilherme sorrindo inocentemente.

– É, "sem problemas" será minha aula com você sentado no banco lá fora. O que acha? — perguntou o professor olhando desafiadoramente para o moreno. Guilherme ficou quieto, apenas pegou a caneta e voltou a copiar a matéria. Heráclito retornou ao quadro e continuou a fala.

– Você já contou para ele que a garota vai na biblioteca no mesmo horário? — cochichou Vitória a Lucy tomando cuidado para não chamar a atenção do professor.

– E deveria? — perguntou a loira impaciente.

– O bom senso e a amizade dizem que sim.

– E desde quando conceitos falam algo?

– Ah, Lucy — suspirou Vitória se afastando da loira e dirigindo- se ao amigo ao lado. — Ela não vai alertá- lo.

– E você achava que iria? — questionou Euller sarcasticamente.

– Esperava.

– Euller, estou vendo que você sabe muito sobre a minha matéria, não é mesmo? — perguntou Heráclito alto o bastante para que toda a turma ouvisse e lançando um sorrisinho maligno ao aluno.

– Ah, não, professor, estou feliz aqui.

– Não perguntei se está feliz, estou mandando que venha aqui na frente explicar. E explicar certo, né. Por que senão, explicará para mim trinta vezes e em finlandês — completou o professor fazendo o moreno estremecer. — Já vou — rendeu Euller se levantando assustado e fazendo Vitória rir.

...

– Claro, conversa a aula toda. Você pensou que o professor te parabenizaria? — perguntou Lucy ironicamente a Euller, que esperava a namorada sair da sala.

– Sim.

– Nem comento — disse a loira olhando de forma tediosa ao amigo — Lívia! Anda rápido!

– Calma! Sabe, você deveria ser mais feliz! — respondeu a morena saindo da sala e abraçando o namorado.

– Feliz eu sou. Só não hoje.

– Brigou com o Guilherme?

– Ah, aquele menino só reclama. Ele não percebe que estou me esforçando!? — bradou a loira caminhando junto com o casal pelo corredor e chamando a atenção de alguns alunos.

– Relaxa, Lucy. Você é sempre muito explosiva — pediu Lívia percebendo a alteração da loira.

– Agh! Você dois fiquem aí de namorico, eu vou para casa, essa menina está me irritando — exclamou Lucy apressando o passo e deixando os dois para trás.

– Mesmos conhecendo ela há anos, não consigo entendê- la — comentou Euller pensativo, observando a loira se afastar.

– Eu que a conheço há poucos meses, muito menos. Bom, hoje a Alice vai vir aqui na escola fazer um trabalho, então, estou livre.

– Vocês iam sair?

– Sim. Não lembra? — perguntou a morena segurando um riso.

– Ah, sim — respondeu Euller recordando como ficara chateado quando a namorada contou- lhe que iria desmarcar o passeio

– Espera, ela virá hoje? A tarde?

– Sim, 15h — imediatamente após a resposta da morena Euller arregalou os olhos e sorriu malicioso

– O que foi?

– Guilherme me disse que viria hoje a tarde terminar um trabalho. Às 15h.

– Ele sabe que ela também virá?

– Deve saber, Lucy sempre sabe tudo, deve ter contado a ele.

– Verdade. Se for assim, ele terá uma bela oportunidade hoje.

...

– Oi, Jaque.

– Boa tarde, Alice — assim que a bibliotecária terminou o cumprimento,

Guilherme virou- se temeroso esperando não ver quem achava que veria.
Infelizmente, ou felizmente, ele ainda não definira, era a pessoa a qual imaginava. A morena passou por ele sorrindo gentilmente e sentou- se na mesa a frente. O menino apenas a observou até que estivesse concentrada na tarefa. Neste momento se tocou que tinha um trabalho importante para terminar e não poderia perder seu tempo com alguém que nem o conhecia. Ainda.

Alice percebia o olhar sobre ela, mas preferiu concentrar- se. Ou ao menos tentar. Assim que ele voltou sua atenção para o cartaz, a morena pareceu relaxar. Não queria mais um problema, e um garoto apaixonado era um. Decidiu pensar no texto de português, não no garoto, que percebeu nem saber o nome.

...

– Jaque, você sabe alguma coisa sobre uso do hífen?

– Sei... Não.

– Nossa, obrigada, Jaque — agradeceu Alice voltando a atenção ao caderno que agora estava coberto por anotações e marcações pelo texto que havia escrito. Ela já estava lá há duas horas, e o garoto também não havia terminado. Parecia estar se esforçando muito, a morena deduzia que ele não tinha habilidades artísticas.

– Mas o Guilherme sabe. Ajuda ela, Gui.

Ah, então esse era seu nome. Menos mal, assim poderia fingir que o conhecia. A morena levantou sorrindo timidamente e sentou- se próxima ao menino. Ele parecia nervoso.

– Ok, enquanto vocês se ajudam, eu preciso ir, mas tenho que fechar a biblioteca até a Ângela chegar. Mas como sei que vocês não farão nada, eu posso trancar a porta? — perguntou Jacqueline pegando sua bolsa e desligado o computador.

Guilherme estremeceu. "Ficar preso com a Alice até a Ângela voltar? Isso deve demorar o que? Três horas?" O moreno odiava essa troca de turno das bibliotecárias, Ângela não era a que mais gostava.

– Tudo bem — respondeu Alice antes mesmo que Guilherme pudesse intervir.

– Boa noite — desejou Jaque saindo do local e trancando a porta.

– Então, vai me ajudar? Você não tem muita escolha, né? — perguntou a morena sorrindo divertidamente.

– É. Ok, em quê você tem dúvida?

– Na verdade, não é uma simples dúvida de ortografia, eu não sei como sair desta frase – explicou Alice apontando para o caderno.

– Certo. Tem um livro que me ajuda muito em textos de português, ele geralmente fica na estante em cima da porta – orientou Guilherme para que a morena pudesse ir buscar. Na verdade, ele só queria arranjar um pretexto para afastá- la dele, sentia que ela pudesse perceber seu nervosismo.

– Esse aqui, Guilherme? – perguntou a garota em cima da cadeira segurando um livro.
Guilherme nem sabia que aquele livro existia, foi um bom momento de descobri- lo.

– Esse. Pega.

– Não sai!

– Como assim?

– Tenta – Guilherme levantou e seguiu até a morena. Subiu na cadeira e pegou o livro. Era como se ele estivesse grudado na estante. Pregado junto à parede.

Só foi possível a Alice ouvir o estrondo da madeira caindo no chão e Guilherme embaixo de livros e livros.

Guilherme nunca odiara tanto que as paredes da biblioteca fossem coberta por estantes de livros. Mesmo que a porta estivesse trancada, a prateleira precisava cair e barrar a saída?

Notas finais
Prontinho! Então? BJsss