As desvantagens de ser um cupido
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Lucy andava lentamente em direção a escola. Sabia o que teria de fazer quando chegasse e queria adiar o máximo possível a situação. Sentia-se fraca por não ter conseguido recusar o pedido do amigo. Nunca experimentou do desespero, sempre soubera como agir, o que dizer, mas, no momento, a única coisa que circulava por sua mente era a enorme vontade de encontrar seu amigo e dar-lhe um belo soco por pôr-la naquelas circunstâncias. Depois da conversa que tiveram, onde o amigo disse o nome da menina, Lucy passou o fim de semana preocupada e, ao invés de pensar em algo, resolveu tentar se posicionar na situação: ou ela tentava conhecer Alice e ajudava Guilherme, ou ignorava o amigo até conseguir fazer com que ele entenda que ela não era a favor.
...
Caminhava até a sala de aula quando percebeu certo moreno vindo em sua direção. Diminuiu o passo e observou o amigo se aproximar. Preparou-se mentalmente e tentou pensar em alguma desculpa que o convencesse de que, durante o fim de semana, pensara em como ajudá-lo. Agradeceu a Deus no momento que ouviu sua amiga lhe chamar, pelo menos ganharia tempo até fazer alguma ideia de como abordar a tal moça
– Oi, Vi.
– Lucy! Então, pensou no que te disse?
– O que você me disse? -perguntou relembrando todo seu fim de semana a procura da conversa com a amiga.
– Seu problema... Física... Dificuldade... Não lembra?
– Ah, claro! A ajuda. Pode ser. Eu nunca entendo nada mesmo talvez, você consiga.
– Ótimo — A partir daí Lucy não prestou mais atenção na amiga, apenas focou seu olhar na garota, a tal Alice, e percebeu que, nem tão longe, o amigo a observava, conseguia ver como Guilherme a olhava com admiração e pensou que, talvez, não fosse tão ruim Guilherme e Alice se aproximarem.
– Lucy.
– Oi?
– Você não ouviu né? -perguntou Vitória. Lucy já havia esquecido que ela estava ali.
– Desculpa — pediu Lucy segurando um riso. Todos sabiam que ela nunca fora uma das pessoas mais atentas.
– Vamos... A professora está esperando — disse depois de olhar para a porta da sala de aula e reparar em um turbilhão de alunos em volta dela.
– Desde quando todos ficam disputando para entrar na sala de aula? — perguntou Vitória aos risos.
As duas andaram até a sala e depois de conseguirem abrir caminho na multidão que havia diante da porta, repararam o que estava chamando tanta atenção da turma.
“Você sempre quis um amigo, alguém em quem confiar, alguém que te aconselhasse. Agora tem.”
A mensagem estava escrita à mão no quadro negro. Não tinha assinatura e nem destinatário. Nem algo que remeta a alguém. Todos ficaram em silêncio, um observando o outro, procurando o responsável.
– Bom dia, pessoal! – a professora entrou na sala e imediatamente olhou para a lousa- Por favor, apaguem isto. Vocês já passaram desse tempo de mensagens anônimas.
...
– Alguma novidade, Senhorita Marquês?
Lucy mexia impacientemente em seu smartphone, mudando de mão toda hora. Olhou para Guilherme que de sentava na cadeira a sua frente.
"Começou com as formalidades" pensou a loira.
Guilherme sabia o quanto a amiga adorava a língua portuguesa e o quanto achava lindo quando se referiam a ela formalmente. Tentava usar isso a seu favor.
– Nada de novidades- Lucy respondeu — E continuará assim até que eu saiba o que fazer — completou sem tirar os olhos do celular.
– Lucy, por favor...
– Por favor, digo eu, Gui. Eu não faço a menor ideia de como vou virar amiga de uma garota que, na qual a única informação que possuo é seu nome! — desabafou a loira.
Certo. Era complicado e ele sabia. A garota pelo qual se apaixonara era completamente o oposto da melhor amiga, temia que talvez ela não conseguisse se aproximar, mas era preciso. Todas as vezes que tentara se aproximar seu coração acelerava e suas mãos tremiam, e mesmo que ninguém reparasse, pelo menos era o que achava, não demorava muito até que fizesse alguma besteira. Queria se sentir seguro, confiante e precisava da ajuda da amiga.
– Desculpa, ok... Só espera um pouco, tud...
– Tudo no seu tempo, eu sei. Já esqueci! – rendeu Guilherme.
– Ótimo!... Mudando de assunto... – começou Lucy.
– Eu sei. Aquela mensagem bizarra na sala. Sinceramente, não sei — respondeu Guilherme.
Depois que as aulas terminaram a professora voltou à sala, reuniu os alunos e pediu que o responsável pela tal mensagem anônima se apresentasse. Claro, ninguém disse nada, e apesar de não ter sido nenhuma ameaça ou coisa parecida, era estranho.
– O problema é que não tem como saber para quem que é. Todo mundo quer um confidente.
– Eu não.
– E eu sou o que, menino?
– Minha confidente – disse o moreno fazendo Lucy revisar os olhos.
– Nem comento.
Os dois estavam sentados no banco de entrada da escola, cada um com seus pensamentos, até que Alice chegou com seus amigos. Ela sempre foi esse tipo de pessoa, sempre acompanhada.
De longe parecia uma pessoa boa. Talvez ela fosse melhor que a antiga namorada de seu amigo. Só talvez.
– Estudando o caso?
– Você sabe que quando aceito fazer algo gosto de fazer bem feito.
– E é por isso que eu te adoro! — declarou Guilherme arrancando um curto riso da amiga.
Lucy estava começando a gostar da ideia, não via o amigo feliz há tempos. Além de tudo, seria engraçado tentar juntá-los.
– Ela parece legal — comentou a loira.
Alice era feliz. Sabia disso, ela não poupava esforços para demonstrar. Sempre estava aos risos, com o olhar iluminado, mas também havia algo que a rondava. Algo oculto. Era apenas esse detalhe que a deixava temerosa em seguir em frente com o plano ou fazer com que o amigo esquecesse a garota.
Guilherme já estava mais seguro quanto à opinião da amiga sobre a garota, percebe que a loira a olha de um modo diferente depois de observá-la melhor, mas havia certo receio. Mesmo assim uma pontinha que esperança já começara a crescer dentro de si e isso o alegrou. Virou-se para a amiga e percebeu um leve sorriso em seu rosto, sorriu, Lucy poderia ser fria, mas gostava de fazer a pessoas felizes. Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho ensurdecedor do sinal indicando o final das aulas.
– Vamos você tem muito que pensar — disse Guilherme se levantando sendo seguido pela amiga.
– Pensar? – indagou a loira.
– Claro, eu preciso de um encontro com a Alice – respondeu Guilherme como se fosse óbvio.
– Oi? Mas, eu não ia virar amiga dela primeiro?
– Disse bem, “Ia”. Cheguei a conclusão que você não deve se aproximar dela, pode acabar gostando dela. E você apoiando isso completamente, pode acabar fazendo maluquices.
– Não acho que chegaria a tanto. E afinal, eu sempre faço loucuras – disse a loira de certa forma, orgulhosa de todas as suas artimanhas.
– Conheço a amiga que tenho. E quando você acredita em algo, faz tudo para comprová-lo. É melhor me precaver – disse Guilherme com um sorriso brincalhão no rosto.
– Idiota – provocou Lucy, fazendo o moreno rir.
Fale com o autor