As desvantagens de ser um cupido
9 Capítulo 8
Notas iniciais
— Ok, chega. Não quero mais discutir – disse Lucy calando a todos.
— Então, eu posso arrombar a porta? – perguntou Almir virando-se para a loira esperando a resposta.
— Não tem outro jeito? – perguntou a Marquês receosa.
— Nós vamos começar de novo? – perguntou Alice já cansada de ouvir gritos. Apesar de tudo, ela pôde conhecer melhor Lucy, que embora mão tenha dado nenhuma atenção a ela, se mostrou alguém diferente do modo como julgou ser. Percebeu que a loira era boa com argumentos e tinha um senso crítico desenvolvido, o que só ajudou a prolongar a briga já que Almir não era diferente, ele sempre retrucava cada fala da loira e de modo ainda mais eficaz.
— Não. Tudo bem. Com esse tempo todo que perdemos a Ângela já deve estar chegando, e mesmo que vocês conseguissem sair mais cedo, ainda seriam acusados do dano da estante. Então, Almir, arrombe – ordenou Lucy se afastando preocupada com o problema que arranjaria.
— Tem um grampo ou cartão? – perguntou o inspetor se abaixando para ficar da altura da fechadura. A loira imediatamente franziu o cenho.
— Para quê um grampo?
— Oras, não tem como abrir uma porta sem a chave, e demoraria muito até que o chaveiro chegasse e conseguisse abrir, além do grande custo, então eu preciso substituir a chave. E o que seria mais óbvio? – explicou Almir olhando para a aluna.
— Meu Deus! E eu achando que você usaria a força, uma enxada, marreta, que se jogaria contra a porta... – disse exasperada gesticulando enquanto falava – Você não poderia ter usado outra palavra? – parou e respirou aliviada.
— Agora eu entendi o porquê de você ter argumentado tanto. Lucy, não sou maluco. Apesar de que lidar com adolescentes seja difícil – disse olhando para a loira – Adoro meu emprego.
— Tudo bem, chega – manifestou- se Guilherme pela primeira vez olhando entediado para todos.
— Ok. Mas agora precisamos de vigias, vai que temos algum problema? É sempre bom ter uma segunda opção.
— Lucy está certa, alguém pode vir nesta direção e acabar vendo o estrago. Eu não posso arrombar a porta com o risco de alguém me ver – disse Almir.
— Então, o que a gente faz? – questionou Alice olhando para Lucy esperando um comando.
— Liga para o Euller – disse Guilherme indo pegar o celular da morena e discando o número do amigo.
— Ele deve estar com a Lívia, menino – argumentou a Marquês não querendo atrapalhar o rapaz.
— Ele a traz.
— Quem é Euller? – perguntou Alice encarando-os confusa.
— Um menino que namora a Lívia – explicou o moreno não tirando os olhos do smartphone.
— Eu não conheço essa Lívia.
— Ela é um ano mais nova. O Euller é aquele garoto moreno que senta na última cadeira da fila, que vive sendo chamado atenção pelo Heráclito, além de ser 90% das horas, um inútil e os outros 10%, um infeliz.
— Você costuma descrever seus amigos assim? – quis saber a Alcântara rindo do humor da loira.
— Quase sempre.
— Poderíamos chamar a Isabella, minha prima – sugeriu.
— A loira que vive indo para Nárnia durante as aulas? – perguntou Lucy se lembrando da menina que carregava consigo dois livros por dia e que sempre era pega de surpresa quando algum professor a perguntava algo.
— Ela é meio distraída – tentou justificar a morena.
— Bom, se ela não consegue prestar atenção nas aulas, como ela ajudaria aqui? – perguntou a Marquês olhando-a de forma sugestiva.
— É verdade – concordou Alice relembrando as inúmeras viagens da prima – Então chamamos meu amigo Mateus.
— Novaes?
— Sim, podemos chamar ele?
— Acho que não tem necessidade, Euller já é suficiente, precisa de mais alguém? – disse Guilherme não querendo que Mateus viesse. O garoto nunca lhe tratara bem, além de que não gostava de sua presença.
— Me dá o celular – pediu Lucy pegando-o através da janela e discando o número do amigo.
A loira conseguiu convencer Euller a ajudá-la, como suspeitava, o mesmo estava com a namorada, que já seria um grande problema. Enquanto o garoto não chegava, Lucy e Almir tentavam pensar em como arrumariam a estante, porque, afinal, todas as paredes da biblioteca eram repletas de estantes recheadas de livros e um imenso buraco na parede não passaria despercebido. O inspetor, ao mesmo tempo em que discutia com Lucy, tentava abrir a porta, ele havia conseguido um clipe, que ele julgava ser o necessário. Ele não poderia esperar o amigo dela chegar para começar a trabalhar.
***
Dez minutos depois, Euller e Mateus entravam pelo portão principal da escola, onde fora possível que a loira os avistasse.
— Pensei que tivesse chamado somente o Euller – comentou inocentemente Guilherme olhando para o garoto ao lado do amigo.
— Não estou aqui por você, babaca. Vim ajudar minha amiga – respondeu rudemente Mateus.
— Não importa o porquê dele também estar aqui – disse encarando Guilherme e Mateus — Novaes, você vai ajudar o Almir com a porta. Euller, vigia a entrada, a Ângela não pode ver isso. Eu vou conferir se a diretora ainda está na escola – determinou a Marquês saindo de perto de todos e caminhando até a sala da diretora.
Euller não esperou e logo se dirigiu até o portão. Mateus ficou a contragosto e se abaixou para ajudar o inspetor.
— Você alguma vez, já abriu uma porta sem usar a chave? – perguntou Mateus curioso sobre as habilidades de Almir.
— Diversas vezes – respondeu ainda concentrado na fechadura – Mas, acho que um clipe não será suficiente. Preciso de um cartão – disse levantando pensativo sobre onde conseguiria um.
— De crédito?
— Os de telefones, são menos valiosos.
— Em que diacho de lugar você espera que encontremos um cartão de orelhão? – perguntou Lucy se aproximando de Almir exaltada.
— Calma. Nesses depósitos de materiais aqui da escola sempre tem milhões de coisas. Eu vou lá procurar – avisou atravessando o corredor e indo para o pátio central onde desceria o jardim e encontraria o depósito.
— Isso é inacreditável! – exclamou Lucy fazendo Alice balançar a cabeça afirmativamente.
— Concordo.
***
— Eu estou começando a achar que seria mais fácil você ter arrombado. – suspirou Lucy cansada das diversas desculpas dada pelo inspetor.
— O cartão não era adequado.
— Você também disse isso sobre os dois cartões anteriores – retrucou Lucy.
— Mateus, você está me atrapalhando – reclamou Almir.
— Eu estou fazendo exatamente o que você me pediu. – rebateu o garoto – Exatamente nada.
— Mas, está me desconcentrando – Lucy encarava os dois de forma tediosa esperando um milagre. Guilherme estava a ponto de chutar a porta e Alice ria como uma criança. Como? Ela não fazia ideia.
— Licença – pediu o Novaes. O garoto passou por Almir e chutou a porta que rapidamente abriu. O inspetor olhava aquilo estupefato. Lucy mandava o casal juntar o material e sair da sala. Mateus desculpava-se com Almir e acompanhava a amiga.
— Almir, levanta.
— Lucy... Ele pode ter danificado a porta – avisou preocupado.
— Não aconteceu nada demais, e se aconteceu ninguém vai reparar. Me ajuda com essa estante. – Ele não se mexeu.
— Você não será acusado de nada se algo acontecer. Relaxa.
— Não me preocupo comigo, mas com vocês. Não tenho certeza se as câmeras não filmaram isso.
— Relaxa. Vai dá tudo certo. Anda.
Almir levantou e ergueu a estante. Lucy recolhia os livros e tenta organizá-los. Ela queria agradecê-lo. O inspetor era quase parte de sua família. Ele a conhecia desde criança e sentia como se fosse um tio ou algo parecido. Mas não era fácil arrancar-lhe um obrigada.
— Não precisa. De nada – sorriu para a loira e continuou arrumando a estante. No mesmo instante o celular de Lucy vibra e a mesma nota a nova mensagem.
Ângela chegou. 3 minutos
— Euller.
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