As desvantagens de ser um cupido
7 Capítulo 6
Notas iniciais
– Sabe, você deveria começar a tomar ansiolítico.
– O quê? — perguntou a loira deixando de prestar atenção no professor e virando- se para o amigo atrás.
– Medicamentos que diminuem a ansiedade e a tensão — explicou Guilherme como se fosse o único conhecedor da informação.
– Ninguém pediu sua opinião.
– Eu disse. Siga o conselho.
– Guilherme, você estava conversando? Ah, mil desculpas por atrapalhar — pediu sarcasticamente o professor de matemática, Heráclito, que antes passeava pela sala, agora parado próximo à mesa do moreno.
– Ah, sem problemas — respondeu Guilherme sorrindo inocentemente.
– É, "sem problemas" será minha aula com você sentado no banco lá fora. O que acha? — perguntou o professor olhando desafiadoramente para o moreno. Guilherme ficou quieto, apenas pegou a caneta e voltou a copiar a matéria. Heráclito retornou ao quadro e continuou a fala.
– Você já contou para ele que a garota vai na biblioteca no mesmo horário? — cochichou Vitória a Lucy tomando cuidado para não chamar a atenção do professor.
– E deveria? — perguntou a loira impaciente.
– O bom senso e a amizade dizem que sim.
– E desde quando conceitos falam algo?
– Ah, Lucy — suspirou Vitória se afastando da loira e dirigindo- se ao amigo ao lado. — Ela não vai alertá- lo.
– E você achava que iria? — questionou Euller sarcasticamente.
– Esperava.
– Euller, estou vendo que você sabe muito sobre a minha matéria, não é mesmo? — perguntou Heráclito alto o bastante para que toda a turma ouvisse e lançando um sorrisinho maligno ao aluno.
– Ah, não, professor, estou feliz aqui.
– Não perguntei se está feliz, estou mandando que venha aqui na frente explicar. E explicar certo, né. Por que senão, explicará para mim trinta vezes e em finlandês — completou o professor fazendo o moreno estremecer. — Já vou — rendeu Euller se levantando assustado e fazendo Vitória rir.
...
– Claro, conversa a aula toda. Você pensou que o professor te parabenizaria? — perguntou Lucy ironicamente a Euller, que esperava a namorada sair da sala.
– Sim.
– Nem comento — disse a loira olhando de forma tediosa ao amigo — Lívia! Anda rápido!
– Calma! Sabe, você deveria ser mais feliz! — respondeu a morena saindo da sala e abraçando o namorado.
– Feliz eu sou. Só não hoje.
– Brigou com o Guilherme?
– Ah, aquele menino só reclama. Ele não percebe que estou me esforçando!? — bradou a loira caminhando junto com o casal pelo corredor e chamando a atenção de alguns alunos.
– Relaxa, Lucy. Você é sempre muito explosiva — pediu Lívia percebendo a alteração da loira.
– Agh! Você dois fiquem aí de namorico, eu vou para casa, essa menina está me irritando — exclamou Lucy apressando o passo e deixando os dois para trás.
– Mesmos conhecendo ela há anos, não consigo entendê- la — comentou Euller pensativo, observando a loira se afastar.
– Eu que a conheço há poucos meses, muito menos. Bom, hoje a Alice vai vir aqui na escola fazer um trabalho, então, estou livre.
– Vocês iam sair?
– Sim. Não lembra? — perguntou a morena segurando um riso.
– Ah, sim — respondeu Euller recordando como ficara chateado quando a namorada contou- lhe que iria desmarcar o passeio
– Espera, ela virá hoje? A tarde?
– Sim, 15h — imediatamente após a resposta da morena Euller arregalou os olhos e sorriu malicioso
– O que foi?
– Guilherme me disse que viria hoje a tarde terminar um trabalho. Às 15h.
– Ele sabe que ela também virá?
– Deve saber, Lucy sempre sabe tudo, deve ter contado a ele.
– Verdade. Se for assim, ele terá uma bela oportunidade hoje.
...
– Oi, Jaque.
– Boa tarde, Alice — assim que a bibliotecária terminou o cumprimento,
Guilherme virou- se temeroso esperando não ver quem achava que veria.
Infelizmente, ou felizmente, ele ainda não definira, era a pessoa a qual imaginava. A morena passou por ele sorrindo gentilmente e sentou- se na mesa a frente. O menino apenas a observou até que estivesse concentrada na tarefa. Neste momento se tocou que tinha um trabalho importante para terminar e não poderia perder seu tempo com alguém que nem o conhecia. Ainda.
Alice percebia o olhar sobre ela, mas preferiu concentrar- se. Ou ao menos tentar. Assim que ele voltou sua atenção para o cartaz, a morena pareceu relaxar. Não queria mais um problema, e um garoto apaixonado era um. Decidiu pensar no texto de português, não no garoto, que percebeu nem saber o nome.
...
– Jaque, você sabe alguma coisa sobre uso do hífen?
– Sei... Não.
– Nossa, obrigada, Jaque — agradeceu Alice voltando a atenção ao caderno que agora estava coberto por anotações e marcações pelo texto que havia escrito. Ela já estava lá há duas horas, e o garoto também não havia terminado. Parecia estar se esforçando muito, a morena deduzia que ele não tinha habilidades artísticas.
– Mas o Guilherme sabe. Ajuda ela, Gui.
Ah, então esse era seu nome. Menos mal, assim poderia fingir que o conhecia. A morena levantou sorrindo timidamente e sentou- se próxima ao menino. Ele parecia nervoso.
– Ok, enquanto vocês se ajudam, eu preciso ir, mas tenho que fechar a biblioteca até a Ângela chegar. Mas como sei que vocês não farão nada, eu posso trancar a porta? — perguntou Jacqueline pegando sua bolsa e desligado o computador.
Guilherme estremeceu. "Ficar preso com a Alice até a Ângela voltar? Isso deve demorar o que? Três horas?" O moreno odiava essa troca de turno das bibliotecárias, Ângela não era a que mais gostava.
– Tudo bem — respondeu Alice antes mesmo que Guilherme pudesse intervir.
– Boa noite — desejou Jaque saindo do local e trancando a porta.
– Então, vai me ajudar? Você não tem muita escolha, né? — perguntou a morena sorrindo divertidamente.
– É. Ok, em quê você tem dúvida?
– Na verdade, não é uma simples dúvida de ortografia, eu não sei como sair desta frase – explicou Alice apontando para o caderno.
– Certo. Tem um livro que me ajuda muito em textos de português, ele geralmente fica na estante em cima da porta – orientou Guilherme para que a morena pudesse ir buscar. Na verdade, ele só queria arranjar um pretexto para afastá- la dele, sentia que ela pudesse perceber seu nervosismo.
– Esse aqui, Guilherme? – perguntou a garota em cima da cadeira segurando um livro.
Guilherme nem sabia que aquele livro existia, foi um bom momento de descobri- lo.
– Esse. Pega.
– Não sai!
– Como assim?
– Tenta – Guilherme levantou e seguiu até a morena. Subiu na cadeira e pegou o livro. Era como se ele estivesse grudado na estante. Pregado junto à parede.
Só foi possível a Alice ouvir o estrondo da madeira caindo no chão e Guilherme embaixo de livros e livros.
Guilherme nunca odiara tanto que as paredes da biblioteca fossem coberta por estantes de livros. Mesmo que a porta estivesse trancada, a prateleira precisava cair e barrar a saída?
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