As desvantagens de ser um cupido
5 Capítulo 4
Notas iniciais
–É impressionante como esse tipo de coisa só acontece com a Alice! — disse Mateus rindo e sendo acompanhado pela namorada.
– Sério? Só perceberam agora? — perguntou Alice sinicamente. Olhou novamente para o banheiro esperando encontrar Felipe, como já havia feito quatro vezes, mas não teve sucesso.
– Alice, ele já está vindo — tranquilizou Sarah.
– Não parece.
– Tudo bem. Sabe o que eu estava pensando...
– Você vai fazer uma piada idiota? — perguntou Alice a Mateus prevendo a fala do amigo.
– Não. Todo comediante sabe que uma piada é uma espada que corta muitas coisas, mas algumas coisas devem ser cortadas não com uma espada, mas com aquilo que chamamos de amor.
– Amor, foi você mesmo que disse isso? — perguntou Sarah olhando impressionadamente para o namorado.
– Por que pergunta isso? Você sabe que sou um filósofo nato — respondeu gabando- se.
– Sem palavras — comentou Alice. O amigo tinha se superado.
– Eu vou lá procurar pelo Felipe — disse Mateus se levantando e direcionando- se ao banheiro.
– Relaxa, deve ter acontecido alguma coisa. Afinal, ele só foi se limpar – disse Sarah arrancando um curto riso da morena.
– Eu sei. A questão é esse azar que resolve me rondar nos encontros – respondeu Alice inquieta com a situação.
– Não é azar. São apenas inconveniências – comentou a ruiva dando de ombros.
– Está mais para macumba.
Em todos os encontros da garota, algo, nem que fosse mínimo, dava errado.
– Voltei. Desculpa, demorei um pouco, mas tinha um casal em frente ao banheiro masculino. Não sei se estavam juntos, mas tive a impressão que a garota estava dando em cima dele e ele parecia estar tentando rejeitá-la, e fiquei meio incomodado em sair e atrapalhar — disse Felipe aproximando- se de Alice e sentando à cadeira ao lado.
– Tudo bem. É uma situação embaraçosa — disse Alice olhando de forma compreensiva para o loiro.
– Mateus ainda está no banheiro? — perguntou Sarah estranhando sumiço do namorado.
– Bom, assim que ele percebeu que eu já voltaria saiu — relatou Felipe.
– Ok, eu vou atrás dele — avisou a ruiva se levantando.
...
– Ai meus Deus, uma ajuda seria boa! — murmurou Lucy ao perceber o erro cometido por July.
– Lucy, o garoto voltou para a mesa. Você me garantiu que ele não voltaria!
– Fala isso para Julyana! Não fui eu que me joguei em cima do garoto errado!
– Eu não deveria ter pedido a sua ajuda — lamentou Guilherme olhando para Julyana e baixando a cabeça.
– Foi exatamente isso que eu disse quando me pediu esse "favor"! — acusou Lucy irritada com a situação. A amiga deveria ser bem estúpida para não conseguir reconhecer o garoto.
– Você vai deixar ela lá? Fazendo papel de boba? — perguntou Guilherme apontando discretamente para Julyana, que no momento enlaçava os braços em torno do pescoço do garoto desconhecido.
– Você quer que eu vá lá e diga "Ah, Julyana, não era esse o menino. Você está fazendo um papel ridículo. O alvo era o loiro que está próximo à Alice, mas você é estúpida o suficiente para confundir um moreno com um loiro”? — desabafou Lucy, alterando a voz fazendo com que Tobias, que estava próximo, lançasse um olhar interrogativo à amiga — Desculpe, me transtornei. Ela não é estúpida. Eu não devo ter orientado direito.
Ela tinha essa mania de tomar para si as responsabilidades, problemas e sentimentos dos outros. Um fator que não ajudava.
– Lucy, você reparou que o garoto para quem a Julyana está se insinuando é o Mateus, certo?
– Quem é Mateus? — perguntou Lucy olhando para o garoto e tentando reconhecê-lo.
– Mateus. Namorado da Sarah.
– A ruiva?
– Sim. Ela está indo na direção do banheiro — avisou Guilherme fazendo com que a loira olhasse rapidamente na direção da moça.
...
– O que é isso?
– Você deveria ser mais educada e não atrapalhar a conversa do outros — respondeu Julyana virando- se para a moça e ignorando o rapaz à frente.
– Bom, educada eu sou. Mas não quando agarram meu namorado — retrucou a ruiva lançando um olhar acusador a Mateus.
– Ela que me agarrou! — defendeu- se o moreno.
– E você deixou! — argumentou a ruiva.
Julyana estava perdida. Lucy havia pedido que cantasse um garoto com namorada?
– Você não vai dizer nada? — perguntou Sarah sinicamente ao namorado. — Não há nada a dizer.
– Por que? Porque a cena que eu vi já basta. Concordo — disse a ruiva virando- se e caminhando para fora do banheiro.
Mateus estava confuso. Ela nunca havia demonstrado tanto ciúmes, acabava rindo da situação. Era uma situação tão engraçada que achou que a ruiva pensaria da mesma maneira. Ela sempre o entendia. Ele esperava que fosse igual. Mas quando a viu deixando-o de lado e caminhando apressadamente para algum lugar que, com certeza, ela não avisaria onde, como sempre fazia, o deixou aflito. Hipóteses vieram à sua cabeça com o intuito de tentar fazê-lo compreender o ocorrido.
– Oi? Desde quando eu sou chamativo para você se jogar em cima de mim? Por que você fez isso? — questionou Mateus a Julyana depois de desviar sua atenção da namorada.
– Favores — respondeu Julyana pensando se Lucy teria sido tão insensata a esse ponto ou se teria pedido alguma informação.
– Como? — Nada. Só vai atrás dela. Desculpe — pediu July saindo de perto do moreno e procurando a amiga.
...
– Lucy, qual o seu problema? — indagou July chegando silenciosamente próximo a Lucy e Guilherme e dando-lhes um pequeno susto.
– Desculpe, desculpe. Eu acho que não expliquei direito.
– Pois agora já era. A tal namorada já deve ter terminado — avisou a morena por um lado triste por interferir em um relacionamento, digamos, inocente.
– Licença — pediu Lucy se direcionado a saída.
...
– Onde está Sarah? — Mateus não sabia que chegaria a tanto.
– Ela foi atrás de você — respondeu Alice tirando o sorriso do rosto no momento em que viu o amigo desolado — O que houve?
– Nada. Apenas uma louca me agarrou. Sarah viu tudo e interpretou de forma errada. Achei que pensaria da mesma forma que eu — explicou Mateus diminuindo a intensidade da voz no decorrer da frase.
– Ela deve ter ido para fora. Vá procurá-la — disse Felipe.
...
– Ô, ruiva! — Sarah imediatamente virou o pescoço sabendo que não era o namorado. Se ele fosse esperto não a procuraria. E ela sabia que ele era.
– Oi? — respondeu a ruiva parando de caminhar e deixando que a loira se aproximasse.
– Mateus não fez nada. Ele não teve culpa. Não demonstrou interesse nela.
– Como?
– Seu namorado. Aquilo foi uma... falha. Eu sei que você não deve estar entendendo. Mas apenas, escute e pense. Não faça uma idiotice. Tenha a sensatez que eu sei que tem.
– Sarah! — gritou Mateus após encontra a namorada.
– Até — despediu- se Lucy e se afastou da ruiva.
– Minha cereja... Desculpe. Perdão. Perdão. Eu deveria ter pensado que você não levaria como uma situação engraçada — pediu Mateus olhando suplicantemente para a ainda namorada.
A ruiva ainda pensava na loira e em seu conselho inexplicável. O que ela tinha a ver com a situação?
– Sarah...
– Oi. Desculpe — a moça ponderava minimamente o que diria. O namorado não parecia ter culpa. E, além disso, ele não parecia estar dando chance a tal garota – Desculpe? Nada de desculpas da minha parte. Vá embora — terminou a ruiva ignorando sua consciência e deixando que a raiva a conduzisse.
– Minha Mary Jane, perdão! Eu deveria ter empurrado ela, jogado-a no chão, pedido que os ETs a abduzissem, não sei qualquer coisa, mas eu deveria ter tomado uma atitude.
– Correto. Deveria. Mas não fez. Eu nunca me importei com isso, você sabe...
– E foi por isso que estranhei. Eu sou o namorado mais meloso que você poderia ter escolhido. Quantas vezes eu já disse que você é o amor da minha vida?
“Não sei se estavam juntos, mas tive a impressão que a garota estava dando em cima dele e ele parecia estar tentando rejeitá-la”.
“Mateus não fez nada”.
"Tenha a sensatez que eu sei que tem".
Essas frases pairavam sobre a cabeça de Sarah. Ela deveria escutar o namorado e confiar nele.
– Olha, se você acha que eu vou trocar a mulher mais incrível que eu já conheci por qualquer uma que se joga em mim você está muito enganada — disse Mateus decidido que conseguiria convencê-la.
– Eu sei — disse de modo doce ao namorado, sorrindo carinhosamente. Ela tinha certeza que ele não desistiria, resolveu não teimar, assim não perderiam o tempo que tinham juntos.
– Tudo bem. Mas, por hoje, não me incomode mais. Ainda estou chateada — avisou Sarah dando um beijo de despedida no rapaz e indo para o ponto de táxi.
...
– Desde que o Mateus saiu você falou muito pouco. Por quê?
– Preocupada — respondeu Alice. O loiro tentara animá-la, mas ela só conseguia pensar se o amigo conseguiria convencer a ruiva.
– Com a briga do Mateus e da Sarah?
– Sim. Eles se gostam muito. E, pelo que Mateus disse, Sarah ficou chateada. Ela costuma tirar um tempo para pensar, assim não diz besteira. Mas, talvez, na raiva, ela diga coisas que se arrependa.
– Deixa para lá. Isso vai acabar estragado nosso tempo juntos — começou Felipe — Eles são maduros, foi apenas um incidente. Você não precisa atrapalhar nosso encontro por conta deles — concluiu o loiro com certo tom cínico.
– Você está querendo dizer que eles não são importantes o suficiente para fazer com que eu fique preocupada e comprometa um misero encontro para não poder ajudá-los? — perguntou Alice não crendo no que tinha ouvido.
– Não foi isso que disse.
– Em outras palavras, sim — acusou a morena. Imediatamente a imagem de sua mãe lhe veio a cabeça. Ela ouviria um longo sermão quando chegasse em casa acompanhado de um claro e sonoro" Eu avisei".
– Olha, se minha fala deu a entender isso, me desculpe. Mas, sinceramente, você interpretou de uma forma muito melhor. Você não pode estragar seu encontro por eles — disse Felipe olhando para Alice como se estivesse criticando- a moralmente.
– Felipe, licença. Eu acho que por essa noite, aliás, pelo resto da minha vida, já basta. Eu acho que já está na hora de sair daqui. Na verdade, não sei porquê vim. Por favor, nunca mais fale comigo. Obrigada! Boa noite — terminado a frase, Alice se levantou e caminhou até a saída, onde sabia que encontraria o amigo.
Fale com o autor