Notas iniciais
Peço mil perdões pela demora, estive doente nesses dias. Obrigada pela paciência, e boa leitura ♥

Aproximei-me da entrada do castelo , e rapidamente dois guardas apontaram suas lanças para mim, exigindo que eu me identificasse. Eu não sabia ao certo o que dizer, então apenas mostrei a pequena folha que me fora entregue. Os guardar analisaram a folha , se entreolharam , e com certa relutância me deixaram passar, contanto que eu deixasse qualquer tipo de arma com eles. Obviamente eu protestei, mas um dos guardas disse que elas seriam devolvidas após uma breve inspeção, era um protocolo, algo do tipo. Um guarda foi encarregado para me levar até o Rei.

Nunca estive em muitos castelos durante a minha vida, porém este em que eu me encontrava não era diferente de todos os que eu imaginava. As paredes eram claras, num material que lembrava mármore. Toda a decoração do teto era magnificamente trabalhada em ouro, e cada corredor possuía um lustre. Apesar de sermos ricos de modo geral, nós anões nunca vimos necessidade de construir nossas casas com tanto luxo, costumávamos fazer de pedra ou granito, e isso foi o que me levou a achar o gosto do Rei em colocar tudo tão brilhante um exagero. Por todo o corredor eu via estátuas de gesso de personalidades que eu desconhecia, mais e mais quadros do rei e de homens que provavelmente eu julguei serem seus antecessores até que me encontrei diante de uma enorme porta de madeira com maçanetas de ouro puro.

Quando o guarda estava prestes a me anunciar, o monarca abriu as portas com violência e começou a apertar a minha mão com força até sacudir-me, porém ao mesmo tempo em que era bruta, sua recepção era calorosa.

— Zubart, meu amigo! Que satisfação conhecê-lo! Sim , senhor! Olhe só para você, é idêntico ao seu pai! Vamos soldado recruta, pode sair e voltar ao seu posto, o senhor Barba Ruiva é um convidado muito esperado!

Quando finalmente consegui me focalizar, pude analisar melhor o Rei. Ele se parecia muito com uns dos mineiros anões : baixo para um humano (mas mais alto que eu), uma barriga avantajada, bigodes brancos aparados cuidadosamente como os de um barbeiro, uma cabeça calva , e roupas em tons de vermelho sangue e dourado, tudo muito colorido e enjoativo aos meus olhos. E seus olhos eram pequeninos e azuis, e mesmo usando uma espécie de lente para enxergar parecia-me que ele apresentava dificuldades para me ver com nitidez.

— Senhor, acho que não preciso me identificar , uma vez que ...

— Ora essa ! Se identificar ! Dartan me falou horas sobre você, confesso que em certos momentos cheguei a cochilar. Você sabe como é, nós quando chegamos em certa idade, não temos foco para mais nada, salvo algumas excessões, Hehehe! — Ele deu uma piscadela para mim. Definitivamente esse Rei era irritante, pois falava e agia como um bêbado mulherengo. E pela sua enorme pança, esse homem era um verdadeiro comilão.

— Acho melhor irmos direto ao assunto. — Respondi secamente.

— Assunto ... assunto ... ah sim! Maldita cabeça de mula ! Aquele assunto ! O que me diz de jantarmos primeiro? Ah , agora pouco senti o aroma delicioso do boi sendo assado! E mandei trazer para o Senhor o melhor vinho de toda essa era! Ouvi dizer que é muitíssimo apreciado pelos anões !

— Bem , eu ...

— Com licença, papai, mas o cozinheiro gostaria de saber se já pode por a mesa agora.

E mais uma vez fui interrompido, dessa vez por uma voz feminina e doce. E quando virei as costas, estava diante de mim uma mulher. Se eu achava que a Encantriz era a mulher mais bela que eu já tinha visto, ela não era nada em comparação à beleza dessa jovem. E pela primeira vez fiquei sem fala. Não que eu estivesse me apaixonando ou algo do tipo, afinal prometi para mim mesmo que jamais me envolveria com uma mulher outra vez. Mas a sua beleza era hipnotizante, como se ela fosse uma pintura e não uma humana de carne e osso.

Essa jovem possuia os cabelos negros da cor das penas de um corvo, a cor do seu olho era de uma avelã, cujos cílios longos e bem definidos complementavam seu olhar. Seus lábios eram vermelhos como a pétala de uma rosa, sua pela era alva como uma nevasca e as maçãs de seu rosto eram levemente rosadas. Estava óbvio que essa jovem era uma das suas filhas, uma das sete princesas mencionadas por Dartan, pois ela estava vestida como uma princesa. Porém, notei algo em seu rosto que não era comum em uma dama: uma espécie de tapa olho em seu olho esquerdo; feito de cetim branco.

— Oh , perdoe-me em interromper a conversa dos dois! Não imaginava que nosso convidado tivesse chegado. Você deve ser Zubart, o anão. — Ela sorriu para mim e me estendeu uma das mãos, então eu a beijei e não consegui pensar em mais nada para responder.

— Ela é como uma flor, hein senhor Barba Ruiva? E foi ótimo termos sido avisados da comida por ninguém menos que minha adorável filha mais velha! Sim... sim ... puxaram a graça e a beleza da mãe, que esteja em bom lugar. Pois vamos, meu amigo e sinta-se à vontade. Vamos discutir sobre a profecia após um espetacular banquete! Dê as ordens, minha querida Suzan!

E passando um dos braços atrás de mim, me conduziu até seu salão de jantar. A jovem foi à frente, após também me desejar uma boa estadia. E eu continuava cada vez mais intrigado: que tipo de Rei é esse? Porque uma princesa usaria um tapa olho? Qual será o nome desse cara? E porque estou sendo conduzido por um bobalhão tagarela?

Definitivamente, essa era a família real mais sem noção que eu já conhecera em toda a minha vida!

Notas finais
UAUU ! Continuem acompanhando, Zubart e as meninas vão partir no capítulo seguinte!