As crônicas de Tartarotti
2 A Sombra no bar
Notas iniciais
Dionísio estava atrás do balcão do bar. Já estava impaciente.
–Pague a conta e saia já daqui. – Pediu.
–Vá com calma. – Pediu o homem no qual Dionísio havia gritado.
Tomado por uma forte vontade de enfiar a faca no homem. Ele puxou a faca e a fincou no balcão de madeira do bar.
Logo ele gritou.
– Tartarotti! – Saia já de meu bar. Volte para aquela tumba que diz ser uma casa.
Até o momento ele estava de cabeça baixa. Ao ouvir a violência na voz de Dionísio ele levantara a cabeça lentamente. O suficiente para que Dionísio pudesse ver seus olhos. Olhos que quando abertos mostravam-se vermelhos como fogo. E uma sombra crescente assumia forma atrás de Tartarotti.
Atrás do balcão Dionísio estava fazendo o sinal da cruz no ar. Derrubou alguns copos e garrafas ao tentar se afastar.
–Pare com isso. Pare! – Disse ele enquanto suava como um porco.
– Tudo bem. – Exclamou Tartarotti com uma voz amigável.
A sombra logo tinha sumido quando Tartarotti voltava a se endireitar no banco. Agora ele estava apreciando sua cerveja novamente quando pensou.
– Ótimo ator esse Dionísio. Não me surpreende ter sobrevivido ao massacre dos Tartarotti.
Seu pensamento foi quebrado pela afirmação do homem do bar.
– Você está ficando velho. – Afirmou Dionísio.
– Mesmo que mantenha a aparência.
Helmtch olhe para mim. – Disse Dionísio.
Tartarotti havia largado sua bebida e olhava para o homem a sua frente.
–Não me venha com sentimentalismo. Você negou. Negou seu nome.
Dionísio ouvia aquilo calado.
– Acalme-se Helmtch. – Pediu Dionísio com a voz mais baixa.
– Diga o meu nome. – Falou Helm.
– Helmtch. – Respondeu.
– Não Dionísio. Fale a minha origem. Ordenou Helmtch.
Agora um ar pesado estava no local. Sem calor. Sem alma.
– Por que negou sua origem Dionísio? –Perguntou o homem.
–Nós matávamos pessoas inocentes. – Respondeu Dionísio.
–Não. Você era um assassino. Outros se dedicaram a magia. Como eu. Explicou Helmtch com um sorriso no canto da boca.
O silêncio penetrou na taberna, nenhum deles se atreveu a romper o silencio. Nesse ponto estava agradável o total silencio.
Dionísio que agora estava de braços cruzados olhando para Helmtch respirar fundo e soltar a respiração.
– Vamos, fale o que quer me dizer. – Pensou Dionísio.
Então Helm se levantou. Olhou para Dionísio enquanto tirava algumas poucas moedas de seu bolso e as jogava no balcão do bar.
– Guarde essas moedas Helm. – Falou Dionísio.
Helmtch se virou com um sorriso complacente e andava em direção a porta da taberna quando parou e olhou novamente para Dionísio por cima de seu ombro.
– Eu sei que ainda acha que a culpa foi sua.
–Não precisa deixar seu irmão beber sem pagar as contas. – Disse Tartarotti piscando um olho e mantendo um sorriso.
–Ora! Como se eu não te devesse algumas bebidas. – Retrucou Dionísio em tom amigável.
Então Tartarotti passou pela porta e seguiu pelo fluxo das pessoas na rua comercial.
–Como ele consegue fazer o bar ficar vazio quando eu estou indo pra lá? – Pensou Helmtch.
Tartarotti riu, e seguiu em frente. Rumo ao lar doce covil.
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