Notas iniciais
Crônica é uma narrativa histórica que expõe os fatos seguindo uma ordem cronológica. Uma crônica explora a caracterização de seres, descrevendo-os. E, ao mesmo tempo mostra fatos cotidianos.

Dionísio estava atrás do balcão do bar. Já estava impaciente.

–Pague a conta e saia já daqui. – Pediu.

–Vá com calma. – Pediu o homem no qual Dionísio havia gritado.

Tomado por uma forte vontade de enfiar a faca no homem. Ele puxou a faca e a fincou no balcão de madeira do bar.

Logo ele gritou.

– Tartarotti! – Saia já de meu bar. Volte para aquela tumba que diz ser uma casa.

Até o momento ele estava de cabeça baixa. Ao ouvir a violência na voz de Dionísio ele levantara a cabeça lentamente. O suficiente para que Dionísio pudesse ver seus olhos. Olhos que quando abertos mostravam-se vermelhos como fogo. E uma sombra crescente assumia forma atrás de Tartarotti.

Atrás do balcão Dionísio estava fazendo o sinal da cruz no ar. Derrubou alguns copos e garrafas ao tentar se afastar.

–Pare com isso. Pare! – Disse ele enquanto suava como um porco.

– Tudo bem. – Exclamou Tartarotti com uma voz amigável.

A sombra logo tinha sumido quando Tartarotti voltava a se endireitar no banco. Agora ele estava apreciando sua cerveja novamente quando pensou.

– Ótimo ator esse Dionísio. Não me surpreende ter sobrevivido ao massacre dos Tartarotti.

Seu pensamento foi quebrado pela afirmação do homem do bar.

­– Você está ficando velho. – Afirmou Dionísio.

­– Mesmo que mantenha a aparência.

Helmtch olhe para mim. ­– Disse Dionísio.

Tartarotti havia largado sua bebida e olhava para o homem a sua frente.

–Não me venha com sentimentalismo. Você negou. Negou seu nome.

Dionísio ouvia aquilo calado.

– Acalme-se Helmtch. – Pediu Dionísio com a voz mais baixa.

– Diga o meu nome. – Falou Helm.

– Helmtch. – Respondeu.

– Não Dionísio. Fale a minha origem. Ordenou Helmtch.

Agora um ar pesado estava no local. Sem calor. Sem alma.

– Por que negou sua origem Dionísio? –Perguntou o homem.

–Nós matávamos pessoas inocentes. – Respondeu Dionísio.

–Não. Você era um assassino. Outros se dedicaram a magia. Como eu. Explicou Helmtch com um sorriso no canto da boca.

O silêncio penetrou na taberna, nenhum deles se atreveu a romper o silencio. Nesse ponto estava agradável o total silencio.

Dionísio que agora estava de braços cruzados olhando para Helmtch respirar fundo e soltar a respiração.

– Vamos, fale o que quer me dizer. – Pensou Dionísio.

Então Helm se levantou. Olhou para Dionísio enquanto tirava algumas poucas moedas de seu bolso e as jogava no balcão do bar.

– Guarde essas moedas Helm. –­ Falou Dionísio.

Helmtch se virou com um sorriso complacente e andava em direção a porta da taberna quando parou e olhou novamente para Dionísio por cima de seu ombro. ­

– Eu sei que ainda acha que a culpa foi sua.

­–Não precisa deixar seu irmão beber sem pagar as contas. ­– Disse Tartarotti piscando um olho e mantendo um sorriso.

­–Ora! Como se eu não te devesse algumas bebidas. – Retrucou Dionísio em tom amigável.

Então Tartarotti passou pela porta e seguiu pelo fluxo das pessoas na rua comercial.

­–Como ele consegue fazer o bar ficar vazio quando eu estou indo pra lá? ­– Pensou Helmtch.

­Tartarotti riu, e seguiu em frente. Rumo ao lar doce covil.