Notas iniciais
Desculpe-me pela demora, seguidores de Aslam! Boa leitura.

Na manhã seguinte, Tyler acordou com o clarão abrasador do sol pousar sobre seus olhos. A tal ação da natureza o deixou um pouco nervoso, afinal de contas, aquela não era a melhor forma de se despertar. Ora! Quem é que gosta de ter os olhos torrados pela forte calidez? Tyler é que não.

Espreguiçando-se, afastou-se dos que ainda se mantinham em sono profundo, indo para dentro da cabana para averiguar a estante de livros do pai. Quase que nunca ia na pequena sala, sempre preferia ficar ao ar livre. Engraçado é que, quando precisava de sua irmã, sabia onde encontra-la.

– Há quanto tempo está acordada? — perguntou ele quando avistou a irmã que continha pilhas de livros ao seu lado.

– Talvez desde as sete da manhã — a garota sorriu, fechando o livro que estava em suas mãos, mas deixando as mesmas marcando a página desejada. – Não achei justo procurar o que querem sozinha, então, resolvi terminar o que estava lendo. Ah! o seu grandioso livro está em cima da mesa...

Sentindo calafrios, Tyler se aproximou da mesa de carvalho enquanto ainda dava ouvidos a irmã.

– ...ele parece ser bem velho, quase em pedaços! — continuou ela — Não sei como papai não o jogou fora.

– Papai é um colecionador de tralhas, Ariel — respondeu Tyler, rapidamente, abrindo a capa do livro — Esse livro parece ser dos tempos antigos. Não acho que ele teria a coragem para livrar-se dele. Existe a majestosa chance de ele ser único.

– Concordo — entregou-se Ariel, fazendo uma pausa, mas logo continuou: — Esperara os outros ou procurara o que quer sozinho?

Silêncio.

– Teve algum pesadelo hoje? — Tyler sentou-se ao lado da irmã, já com o livro velho nas mãos — Desculpe a pergunta repentina. Sua resposta é a segunda opção, começarei a procurar. O quanto mais rápido melhor.

Ariel levantou os olhos e encontrou os azuis do irmão.

– Nenhum pesadelo.

– Interessante — indagou — Se realmente isso for o caso, seria muita coincidência se você tivesse pesadelos durante meses e justo quando descobre que tal coisa possa ser causa de males eles repentinamente tomam pausa. — ele suspirou — Com certeza estamos indo pelo caminho certo.

– Você vai ter que partir com eles? — perguntou a menina, dando de ombros ao seu livro.

– Eu não poderia perder algo tão grandioso quanto isso, Ariel — respondeu Tyler, relutante — Na primeira vez quase perdi toda a diversão proposta. Depois do acontecido, prometi que sempre estaria junto. Nunca que deixaria isso acontecer novamente, minha sede de aventura está gritando por uma nova jornada.

Ariel hesitou.

–Posso ir junto? — sussurrou.

Tyler arregalou os olhos como se a irmã fosse devorá-lo, apesar de estar encolhida, como se fosse vítima de suas próprias presas. Estava incerto do que realmente deveria responder.

– Eu não sei se deveria — essa foi a vez de Tyler hesitar — Se eu perdesse você no meio da jornada nunca me perdoaria.

– Sabes bem que sei dar-me conta sozinha! — sibilou Ariel, defendendo-se.

– Sim, sei. — suspirou ele — Você luta, é inteligente, mas, sabe-se bem que isso também se trata de estratégia.

– Você sabe que eu conseguiria, e também sabe que suas desculpas não me manipulam. Sua insegurança está falando mais alto nesse momento, mas ontem à noite ela não estava perto para te impedir de dizer que eu estava participando de uma nova aventura.

Silêncio.

– Eu não sei Ariel. — respondeu Tyler, rapidamente, enquanto ouvia passos rangerem na madeira, do outro lado da porta — Conversaremos sobre isso depois.

Levantando os olhos viu a passagem sendo aberta. Uma garota de cabelos cor de relútio e seu irmão nas mechas de tonalidade do carvão entraram na sala. Ariel sorriu para os dois, Tyler permaneceu com uma expressão pouco passiva.

– Bom dia! — Cumprimentou Lúcia, sentando-se ao lado da garotinha.

Edmundo, igualado a irmã, também se acomodou, e nada deixando de fora notou o livro grosso e de capa dura nas mãos de Tyler.

– Estávamos certos? — perguntou ele.

– Desculpe?

– Sobre ser uma lenda. Estávamos certos?

Tyler deu de ombros.

– Não sei. Eu ia procurar, mas vocês chegaram.

– Oh, claro — disse Lúcia, despercebida — Então melhor começarmos.

Pareceram-se horas, mas apenas foram minutos até acharem a página certa do tal livro. Todos estavam prestes a desistir. Edmundo tentou sugerir que faltasse as folhas da lenda, já que o livro era antigo, mas estava errado. A lenda era a última de tantas folhas.

Tyler agarrou o livro por cima e apoiou seus cotovelos por cima das penas. O rapaz leu a história para si mesmo em um atormentado silêncio.

Os irmãos presentes se entreolharam. O egoísmo reinou ao lado de Tyler, afinal, achavam que o amigo leria alto para que todos ouvissem. Porém não o fez.

Seus olhos celestes mexiam frenéticos, de um lado para o outro várias e várias vezes. Quando chegou na última frase engoliu seco, levantando os olhos, encarando a todos. Tyler abriu a boca para falar algo, mas foi interrompido por um grito do lado de fora, onde Rillian, Eustáquio e Pedro ainda eram mantidos.

Ele olhou pelo ombro e, rapidamente, voltou o olhar aos parceiros. A irmã estava com os olhos arregalados, quase saltados. Estava em pé, sua mão apoiada no cabo de sua adaga.

Tyler colou a mão em seu ombro.

– Fique aqui.

Ariel cruzou os braços e bufou.

– Ariel — suspirou Tyler — Não fique assim, por favor. Você vai ajudar, está bem?

– Como? — alegrou-se ela, colocando novamente a mão sobre a adaga.

O irmão se aproximou da porta escancarada, sem observar o que acontecia entre o sol escaldante. Os gritos do lado de fora eram apavorantes. Tyler jurou alguém urrar seu nome.

– Esse lugar não vai sobreviver se houver uma briga perto. — disse — Diga para mamãe e papai que devem sair.

Quando deixou a missão com a irmã, não a lhe deu tempo de responder. Sabia que não ouviria algo agradável se a desse a chance de se manifestar, afinal, não era aquele tal tipo de missão que torcia a receber. Tyler queria rir e lhe bagunçar os cabelos negros, caçoando-a, porém não era o momento certo a se fazer isso.

Rapidamente, pegou uma de suas lanças que estava apoiada entre a soleira da porta e saiu.

Calafrios percorreram o seu corpo. Parecia que seu maior pesadelos havia criado vida, que tinha fugido de suas antigas lembras. Aquelas, no qual ele trancou em um armário e tentou deixar no fundo da memória, torcendo a esquecer.

Havia os dois tigres que queriam roubar seu território e matá-lo, mas, em vez da primeira irmã, seus amigos que eram as vítimas. E, novamente, ele próprio.

Tyler congelou por um momento, olhando o terror que se formava a sua frente, captando detalhes de suas lembranças. Por sorte foi apenas por um momento.

– Tyler! — chamou Lúcia, fazendo-o balançar a cabeça — Pelo amor! Que é isso!?

– Ainda não virei um mago adivinha, Lúcia — disse entre dentes, mas logo sussurrou — Porém tenho minhas teorias.

Lúcia, mas se importando com sussurrou, deu-lhe de ombros, voltando a lutar pela vida.

Tyler correu, lançando a lança no ar, atingindo o braço esquerdo de um dos oponentes. O monstro lhe encarou, bufando. Lúcia estava à sua frente, deixando com que o tigre a derrubasse, enquanto corria enfurecido na direção de Tyler. Edmundo correu para ajudar a irmã, deixando o outro monstro nas mãos de Rillian, Eustáquio e Pedro.

Quando o oponente estava prestes a atacar Tyler, uma adaga, que foi iluminada pela luz do sol, atravessou por cima de sua cabeça, acertando um dos olhos do inimigo. Dejá-vù?

Olhando por cima do ombro ele encontrou a irmã, em pé, sorrindo.

– Não foi exatamente esse tipo de ajuda que eu lhe encarreguei, Ariel!

– Mas foi esse tipo de ajuda que me encarreguei de oferecer — retrucou a menina.

– Deixe de teimosia! Por apenas um momento! — gritou ele.

A garota bufou.

– Já cumpri o que me ofereceu a fazer. Mamãe e papai foram para perto da grande árvore. Eu não iria ficar lá dentro, sabes disso!

– Gostaria de acreditar no contrário — respondeu ele. Tyler encarou o animal à sua frente que ainda urrava de dor. Seu olho atingido pela adaga estava negro. O mesmo tom escuro que também ocupava a volta de onde ele havia acertado o inimigo com a lança.

Percebendo aquilo, deu-se conta do que estava acontecendo.

Observou todos em sua volta, checando se estavam bem. Chegando na vez da irmã, assustou-se. Ela estava ao seu lado, com o grande animal, furioso e rápido, prestes a atacá-los.

– Ariel, não!– Tyler empurrou-a longe. Segundos depois, o monstro estava por cima dele, no qual, no mesmo momento, transformou-se.

Ariel arregalou os olhos com a cena dos dois animais enfurecidos. Achando que estava muito perto, afastou-se mais deles, arrastando-se entre grama e terra.

– Temos que ir embora! — gritou ela — Agora!

Já em pé, correu até os cavalos, tentando desamarrar suas rédeas das árvores. Percebendo a dificuldade da menina, Lúcia foi ajudar.

– Não podemos ir! — indagou Lúcia — Não agora!

– Tyler disse que devemos — respondeu Ariel — Ele próprio tem que derrotá-los, não nós, apenas ele, meu irmão.

– Ariel... — começou Lúcia, desamarrando a última rédea.

– Confie em mim! — interrompeu a menina — Chame a todos, deixe Tyler!

Lúcia hesitou, mas fez o que implorou a garotinha.

Depois de sentir a garganta doer de tanto gritar, todos estavam reunidos em volta dos cavalos, exceto Tyler, que agora enfrentava os dois animais.

– Ariel, tem certeza disso? — perguntou Edmundo, aproximando-se de seu cavalo.

– Absoluta! — respondeu ela, entre dentes — ele vai conseguir. Tyler que decidiu assim. Meu irmão sabe o que está fazendo.

Percebendo que a garotinha estava tensa, decidiram deixar as perguntas para outro momento.

– Tudo bem se você for comigo? — perguntou Lúcia à Ariel, vendo sua família galopar para longe, levantando um pequeno nível de poeira.

– Claro.

As garotas montaram e partiram.

Olhando por sobre o ombro, Ariel viu nuvens negras espalhando-se pelo campo de batalha. Não sabia ao certo se deveria sorrir ou derramar-se em lágrimas, então, apenas olhou para frente, agarrou-se mais a Lúcia e sentiu a brisa desmanchar-se em seu rosto.

Notas finais
Espero que gostem., e até breve!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.