As crônicas de Nárnia - Feiticeira verde
3 O Impossível foi possível.
Notas iniciais
~ POV Lúcia ~
– E-Eu? — perguntei assustada — Mas, eu não posso ir para Nárnia, posso?
– Será isso uma boa ideia? Não é melhor darmos no pé? – perguntou meu primo. Ora essa! Que medroso.
– Não! Não vamos embora, Eustáquio! – respondi. Estava toda confiante, mas ele não pareceu gostar. Ficou nervoso e cruzou os braços.
– Tudo bem, garota. Ficamos então! – respondeu muito mal educado por sinal.
– Ora! Parem com esta briga besta! — comandou Pedro. Graças a ele Eustáquio cessou sua manha. Pedro logo se dirigiu a mim, perguntando se eu queria que ele fosse no meu lugar. Sendo ele o mais velho, deveria proteger os outros. Mas, que absurdo, nos proteger de Nárnia?
Com todo orgulho neguei. E neguei mesmo. Não havia motivos para ter medo algum. Era Nárnia e não o próprio inferno. Pedi aos outros, mais educada do que o próprio Eustáquio fôra, que se afastassem. E assim fizeram. Claro que agradeci aos demais. Agradeci, prendi a respiração e corri contra o espelho.
Assim que abri os olhos vi. Ó meu Deus! Era Nárnia! A primeira e única!
~ POV Edmundo ~
Nós nos afastamos enquanto Lúcia pulava para dentro de um dos espelhos. Quando ela entrou, meu Deus, fiquei impressionado. Era possível, então? Era possível voltarmos para o nosso reino, nossos amigos. Nosso segundo lar.
– Minha vez! Agora eu vou. – disse Pedro.
– Tudo bem, se vocês quiserem eu vou por último. – murmurei, cruzando os braços e suspirando. Quando percebi meu irmão também já estava do outro lado.
– Estou com medo – disse Eustáquio, dando-me um bom motivo para zomba-lo.
– Eustáquio, pelo amor de Deus! Você já enfrentou coisas piores em Nárnia, e está com medo de atravessar um espelho? – perguntei zombeteiro — Desse jeito você parece um bebê.
–T-Tá bom, eu vou! – ele gaguejou nada convencido.
Lúcia e Pedro estavam deitados, conversando na grama verde, enquanto o medroso e patético do meu primo tentava passar para o outro lado. Como ele era idiota! Depois de dez longos minutos enrolando ele passou, e logo fui. Quando estávamos todos novamente juntos — e em Nárnia — caminhamos para Cair Paravel. Pedro e eu estávamos conversando e tentando deduzir como tal coisa fôra possível. Eustáquio, todo desajeitado do jeito que é, estava caminhando enquanto chutava uma pedra. E Lúcia, como sempre, estava caminhando alegremente. Parecia uma criança pequena que acabara de ganhar um doce.
Ainda andávamos quando Lúcia começou a correr na direção de um homem muito bem vestido. Cabelos negros e grisalhos, tudo junto e misturado, estavam desdenhados no topo de sua cabeça. Suas rugas de idade curvavam-se junto do sorriso que surgiu em seu rosto, assim que visto Lúcia.
– Olha gente, é o Caspian! – anunciava, diversas vezes, a minha irmã.
– Olá Lúcia! — cumprimentou ele. Parecia que esperava nossa chegada — Que bom que estão aqui!
– Então Caspian? Há novidades? Está tudo bem em Nárnia? e Aslam? Que há?
Caspian riu.
– Ora essa, calminha Lúcia. Vamos entrar, explico tudo depois. Primeiro vocês precisam trocar de roupa. Pedirei para que providenciem-nas a vocês. Ah, sim! Também pedirei um jantar de boas vindas.
Caminhamos então para dentro de Cair Paravel, indo em seguida aos nossos aposentos. Lúcia teria o dela, e eu iria dividir com Eustáquio e Pedro.
~ POV OFF ~
Sem mais nem menos, as crianças subiram as escadas e seguiram pelos corredores vastos da propriedade. Abrigando de forma sensata um tempo diferente ao do mundo real, o país denominado Nárnia estava sendo desenhado com o final da tarde quando as crianças chegaram. A pausa para a acomodação no palácio fôra suficiente para que o céu fosse tingido do mais espesso azul marinho, tendo consigo o arder de várias estrelas e uma única lua.
Assim que todos prontos e vestidos de forma aconchegante seguiram ao salão de jantar. Caspian já os esperavam na longa mesa de carvalho. Alguns empregados ainda serviam a janta. Havia tudo quanto é tipo de aperitivo ali. Desde saladas coloridas à um fumegante e delicioso presunto defumado. E as crianças não podiam negar. Todos estavam famintos! O tempo em que passara — tanto em seu mundo, quanto em Nárnia — fora o suficiente para despertar um novo apetite.
Acomodados e servidos, todos deram ouvidos à Caspian. Talvez nem todos, já que Eustáquio estava mais preocupado em se empanturrar de sardinhas e torradas.
– Lúcia, Edmundo, Eustáquio. Vocês se lembram de Liliandil? – perguntou o homem de certa idade, que ainda não havia se servido de nada.
– Como esquecê-la? — perguntou Edmundo — É a filha de Ramandu. Conhecemos-a quando viajamos no Peregrino da Alvorada.
– Oh, sim. Ela mesma, Edmundo. – sorriu Caspian, suas marcas de idade desenhando-se juntas ao gesto.
– Bem, acho que sou o único que não a conhece. – pigarreou o irmão mais velho.
– Não se preocupe Pedro — o sorriso do homem mais velho se expandiu — Ela está aqui. Lillian é minha esposa.
– Maravilhoso! — dizia Lúcia. A alegria ocupava-lhe até os pulmões — Ela irá jantar conosco?
– Sim, Lúcia. Lilliandil logo estará chegando — Caspian pausou. O homem estava estruturando suas falas — Enquanto isso, gostariam de saber o porquê da vinda de vocês?
– Claro! – responderam todos. Menos Eustáquio, é claro, que estava mais preocupado com suas sardinhas.
Fale com o autor