Notas iniciais
Bem, primeiro capítulo está ai! Peço que comentem!

O vento cortava frio naquela manhã de inverno. Sasaki subia a imensa escada espiral em passos lentos e focados. Era um monge jovem, não havia passado do décimo quinto ano de seu nome. Sua cabeça raspada lhe revelava o couro cabeludo branco e seus olhos negros faziam um belo contraste com sua pele pálida. Usava um manto branco que lhe descia até os pés e um pano negro lhe contornava o pescoço e os ombros. Por cima do pano descia um colar de pérolas laranjas vindas do mar gelado da aldeia da névoa. Estava no templo do fogo, aonde os monges ninjas do país do fogo abrigavam-se e governavam. Subia pela torre dos corvos, feitas de pedra de granito cinza lapidado e com uma coroa avermelhada por cima. Todas as manhãs ele subia as escadas, esperando que ao menos uma mancha negra pudesse ser vista voando em direção do templo. Coisa que não acontecia à um mês.

- Espero que tudo mude... — Comentou Sasaki, passando a mão por sua de sua cabeça nua, mostrando descontentamento.

Os degraus terminavam em uma plataforma pequena que dava para uma abertura de laterais retas e por cima um meio arco. Tal abertura era a porta de entrada para um imenso salão de janelas abertas com poleiras para os pássaros mensageiros. Os fios de cimento entre os blocos de granitos eram grossos e bem nítidos aos olhos humanos. Podia se ver de perto a imensa coroa cônica que fechava o topo da torre. A névoa densa da manhã invadia o local, trazendo consigo o frio da alvorada. Porém, ao dar um passo para dentro da sala e fazer os seus chinelos de madeiras soarem em um eco, seu rosto foi tomado por uma expressão de surpresa.

- Um corvo! — Falou ao avistar o pássaro negro com o bico roçando entre as penas. Deu um trote e se posicionou na frente do animal. O corvo grasnou ao ter o pé segurado pelo monge, era um papel branco enrolado por uma fibra amarelada trazendo consigo o símbolo da folha.

- A aldeia da folha... — comentou de forma óbvia. Retirou o papel, desenrolando a fibra e então o abriu. Uma letra negra e fluída escrevia uma mensagem um tanto que alarmante. Os olhos do monge se dilataram e ele recuou, como se pudesse desviar da notícia.

- Não pode ser... — virou-se para porta e começou a correr. O movimento foi tão brusco que fez com que o corvo voasse da poleira para a janela. Sasaki descia os degraus enquanto seus chinelos tamborilavam por serem feitos de madeira. Procurava pelo grande monge e casa dele ficava lá embaixo, ao lado da torre dos corvos.

Após conseguir descer a escada, três vezes mais rápido do que havia subido, o homem pode enxergar o portão de madeira pesada e vermelha que barrava a sua saída. Empurrou com o ombro esquerdo com certa dificuldade e continuou a correr. Adentrou então, a casa do grande monge.

Era na verdade somente um cômodo, havia uma lareira feita de pedras avermelhadas com a lenha já estalando por causa das chamas. Também tinha um colchão fino no canto da sala e uma mesa de pés curtos com uma chaleira e três xícaras de porcelana manchada por cima de uma bandeja de madeira.

O Grande monge permanecia sentado por cima de um tatame, meditando ao som de uma caixa de música feita de madeira e bambu.

- Sasaki-kun... — O monge falou, sem nem mesmo olhar para trás. Era monstruosa sua capacidade de sentir e distinguir o chakra. Não era por menos que se tornou o Grande Monge a 50 anos atrás.

- Hotoki-sama! — Sasaki fez uma reverência meio que forçada, estava nervoso demais para permanecer calmo e cortês.

O velho Hotoki aspirava ao vento, detectando um cheiro que lhe parecia diferente. — Fibra de Bumori... — comentava com um sorriso, enquanto virava o rosto para trás, mostrando a pequena cabeça cheia de rugas e um par de olhos que mais pareciam fendas negras.

- Veio da aldeia da folha, certo? — Falou o velho. Sasaki deu três passos largos para frente, entregando de cabeça baixa o papel branco. O velho ergueu a mão descarnada e agarrou a carta, seus lábios que antes sorriam haviam se transformado em um fio áspero e cheio de rachaduras. Algo dentro dele sabia que aquilo não era boa notícia.

Seus olhos pareceram devorar as palavras, corriam rápidos pelos versos e não demonstravam nenhuma emoção. Ele já esperava isso, pensou tristemente Sasaki. O final da leitura foi anunciado quando os dedos do velho homem dobraram a carta em dois.

- O nosso senhor feudal está morto... — Falou Sasaki.

O velho parecia se esforçar para abrir os olhos, o negro não tinha esclarecido durante sua velhice. Permanecia escuro como o breu da noite.

- Sim... — falou o grande monge, descontente. — Haverá a coroação de seu irmão, e isso irritará os homens...

Sasaki ouviu aquilo confuso. Como assim, irritará os homens? — Pensou se aproximando e ajoelhando de frente ao Monge, sua testa suada encontrava o frio do assoalho de madeira. — Senhor, peço que me deixe segui-lo até a cidade das chamas... — Pediu de olhos fechados. A coroação de um novo senhor feudal sempre requisitava a presença de grandes líderes, caso um não fosse era considerado grande afronta a imagem do senhor feudal e por causa disso, poderia até mesmo haver guerras.

- Tenho de encontrar homens que estejam dispostos a ir comigo... — O velho se levantou, apoiado por um dos braços. — Traga-me minha comida e iremos conversar... — O grande Monge caminhou até a porta. Girou a maçaneta, fazendo um ruído enferrujado ressoar por todo o local. Deu um passo para frente e disse: — Te espero na minha sala, no grande templo — e saiu dali. Sasaki se levantou, bateu com ambas as mãos em seu manto branco, retirando os cupins que haviam subido por cima da veste branca e virou-se, atravessando a porta.

Pode ver o imenso templo a sua frente, na frente dele uma estátua de buda se mantinha sorridente. Porém, mesmo com os olhos de pedra fechados, ela parecia perceber a presença de qualquer um que estivesse ali. É como o mestre, pensou Sasaki com um sorriso no canto do rosto. Segurava com as duas mãos uma tigela de madeira escura e um guisado com legumes e carne de lebre. Empurrou o portão avermelhado com a lateral do pé e pode ver tamanha magnitude do local. Se do lado de fora era grande, dentro era mais ainda.

A sala principal parecia um campo fechado, colunas grossas de cimento se mantinham de pé, sustentando os andares superiores do templo. O chão acinzentado era coberto por um tapete bege, feito de palha e fibras entrelaçadas que se estendiam até uma imensa mesa de madeira escura. Havia cerca de 50 assentos na mesa e isto mostrava o tamanho que ela tinha. Era usada para reuniões e refeições. Mas naquela manhã, ela havia recebido somente a visita do frio. Hitoki se mantinha sentado em uma das cadeiras. Uma colher de estanho velha estava repousada na mesa a sua frente, ele deu um sorriso infantil ao ver Sasaki aproximar-se com a tigela.

- Guisado... — Sentiu o cheiro ao aspirar o ar. Sasaki se aproximou e repousou a tigela por cima da mesa. Hitoki juntou ambas as mãos e agradeceu aos deuses, levou a colher até a tigela e cortou um pedaço de batata ensopada e a levou a boca. O vapor da comida havia lhe dado suor ao rosto e ele degustava a batata de olhos fechados e soltando um sonoro Hmmmmmm.

Sasaki sorriu como resposta. — Espero que goste senhor, eu fiz com muito carinho... — Sentou-se em uma cadeira, de frente ao velho. O grande Monge levava agora um pedaço da carne rosada da lebre a sua boca, um ruído úmido pode ser ouvido e ele acabou por engolir a comida de uma só vez. — Você certamente é um dos melhores cozinheiros do templo... — Partiu agora com a colher uma cenoura ao meio e a comeu. — também cuida muito bem dos corvos, dos pequenos monges, de minha morada e de mim! — deu uma pausa, engolindo a comida. — Realmente, será você o melhor braço direito para um monge velho como eu...

Sasaki sorriu. Estava ali desde sua infância, sempre auxiliando o templo com seus trabalhos. O grande monge sempre mostrou empatia e Sasaki o retribuía da mesma forma. Mas aquela felicidade foi tomada por um sentimento de angústia, havia se lembrado das falas do velho na torre dos corvos "Haverá a coroação de seu irmão, e isso irritará os homens... " – Tinha dito ele. Mas o que isso significava?

- Senhor... — iniciou a frase com receio. — O que quis dizer com "isso irritará os homens''? — Encarou o grande monge enquanto ele mastigava um pedaço de batata untada de manteiga. Ficou alguns segundos mastigando e logo após engoliu a comida, a fazendoela passar pela garganta com um glup bem audível.

- O nosso senhor feudal... — Deu uma pausa, demonstrando a tristeza no olhar. — ...era um bom homem, porém seu filho havia morrido de uma doença desconhecida a 3 anos atrás. Só restou o cargo para seu irmão, Hory... – Fez um trejeito amargo com o lábio fino. – Aquele homem é um monstro! – Não pensou em medir as palavras antes de dizer. – Não será um bom líder para o país do fogo e isso trará guerra... – Passou a colher pelo guisado. — ...uma guerra bem feia.

Sasaki pensou em suas palavras, enquanto o monge comia como um touro. O jovem nunca havia saído do templo, desde que chegou lá aos 8 anos nunca se atreveu a pisar para fora da muralha. O tempo fez com que ele se esquecesse de como era o mundo exterior. Porém de uma coisa ele sabia: o mundo lá fora era frio e cruel, todos viviam o hoje sabendo que poderiam morrer amanhã. E isto de certa forma o assustou, o fazendo arrepiar só de pensar que sairia do templo. Porém ele engoliu o medo e vestiu a coragem.

Levantou-se de supetão, a cadeira a qual estava sentado fez um rangido que ecoou por todo o local. O velho monge se engasgou com a comida.

- Senhor, se for preciso, eu mesmo pararei essa guerra! – Falou, pousando ambas as mãos por cima da mesa. – Eu acho interessante a sua perseverança, mas não seja tão confiante... – O velho se levantou, limpando a boca com um pano branco que havia retirado de dentro de sua manga. – Tempos difíceis estão chegando, jovens morrerão antes mesmo de pensarem em atacar e homens feitos sucumbirão pela a língua afiada da guerra.

Deu alguns passos, distanciando de sua cadeira. Seus olhos afiados encontraram o de sua companhia – Prepare tudo para partirmos depois de amanhã. Já sei que nos acompanhará nesta viagem... – os passos voltaram a se repetir e Sasaki olhou perplexo.

- Não me diga que... – Falou enquanto sua boca se abria em um tom de surpresa. – Sim... – interrompeu o velho, terminando de contornar a mesa. – O homem amaldiçoado virá conosco...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.