As crônicas das Pedra. - As nove Pedras.
4 Elysia: Nove pedras, Nove reinos, Nove pragas, Nove prêmios.
Notas iniciais
Elysia.
Elysia tentara escapar a tempo do incêndio, quando metade do reino de Kaath foi incendiada. Era tão óbvio oque a segunda pedra foi revelada como a água era molhada.
A chuva de meteoros gigantes atingiram a zona leste, e parte da Norte e Sul do reino, o que afetara basicamente todo o reino. As pessoas mais importantes, como a mãe de Elysia – A rainha de Kaath, moravam ali.
As tropas do senhor seu pai fugiram a tempo, mas pessoas importantes como seu tio e vassalos de seu pai, a quem juraram lealdade estariam agora em baixo de cinzas.
Eles já estavam longe agora, a caminho da cidade de Lanys. Mais uma semana e chegavam. Elysia montava em seu cavalo negro como a noite, que basicamente se camuflava na noite profunda cheia de estrelas.
As árvores secas iam e vinham enquanto um vento forte soprava os cabelos escuros de Elysia. Em seus pés brotava bolhas, e sua coluna já estava doendo. Haviam horas de cavalgada, mas seu pai prometera a ela que descansariam logo, logo. E foi o que acontecera.
– Parem! – Gritou Kevan, o senhor seu pai. – Armem acampamento aqui.
Seu pai deu a ordem a seu cavaleiro mais fiel, Koan, mandando-o caçar. Koan levou mais cinco homens, e saiu na noite escura.
A tropa desceu de seus cavalos e montaram barracas e tendas. Fizeram uma fogueira gigante ao centro, e a maior cabana ficava próxima a ela, onde Elysia dormiria.
Elysia aproximou seu cavalo até ao de seu pai.
– Meu senhor – Disse ela. – Não haverá caça o suficiente. Precisará de mais.
O pai fingiu de não se importava.
– Se os outros quiserem, eles que cacem. – Disse ele, e ela sabia que pessoas morreriam de fome.
Elysia desmontou de seu cavalo, e o amarrou em uma grande árvore.
Ao fundo, uma criança aproximou.
– Por favor – Disse o menino loiro, com uma foz fofa de criança. – Minha mãe! Por favor.
Elysia o observou. Era pequeno, e seus olhos, incrivelmente grandes e vermelhos.
– O que... ? Tudo bem, já estou indo. – Disse ela.
O menino agarrou sua mão, e levou ela através da multidão. Passaram por mais fogueiras e mais crianças chorando, além de homens e mulheres aos montes.
Mas a criança passou além disso, até a fronteira do exército, onde a floresta era mais profunda e negra.
O menino continuou, mas Elysia parou. Observou com medo a floresta.
– Venha! – Disse o menino com um gesto.
– Não! Venha aqui você! Não sabemos o que tem aí, é perigoso! – Disse ela, gritando para que ele pudesse ouvir.
– Eu sei o que tem lá! – Disse a criança – Minha mãe!
Elysia olhou de um lado para o outro, e então decidiu fazer a loucura. Dando passos curtos e lentos, adentrou floresta adentro. Se olhasse bem fundo, ainda conseguia ver as chamas ardendo, e ouvir as pessoas gritando...
A floresta era mais assustadora do que ela se lembrava. Corujas cantavam, e ela podia jurar que ouviam algumas sussurravam seu nome. O menino seguia a frente, de costas para ela.
Seu coração gelado, suas mãos frias, aberrações sussurrando seu nome, e os galhos secos das árvores escondendo o que ela não podia, e nem queria ver.
Caminharam até encontrarem uma mulher ao chão.
Ela vestia um vestido de seda branco, o que destacava seus cabelos incrivelmente negros, e estava sobre uma enorme poça de sangue. Era incrível como possuía uma beleza natural. Sua pele era branca como gelo, e seus olhos estavam fechados, mas algo dizia a Elysia que era tão vermelhos quanto os do menino.
– Por favor, ajude-a! – Disse o menino, novamente, chorando.
Elysia aproximou mais ainda da mulher. O outro lado do corpo ainda não estava visível.
Elysia deu um grito que a floresta toda ouvira
A parte esquerda era uma boneca. Mas quando Elysia se aproximou, o lado esquerdo da boca da mulher estava desprovido de lábios. Era carne seca. Algo cortou a parte esquerda do rosto da mulher, em forma de um sorriso, que ia literalmente até o olho. Seus dentes estavam a amostra e sangrava muito.
Em seu olho esquerdo, uma lamina de vidro puro encravava penetrando em sua pupila.
Era incrível a mudança. Elysia olhou a parte direita, ainda horrorizada, e continuava uma boneca, de olhos fechados e pele branquinha. Olhou a esquerda, de olhos abertos e pele vermelha de sangue, olhos abertos e uma faca nele. Olhou a direita, uma boneca de olhos fechados, a esquerda, uma aberração de olhos abertos. Esquerda uma aberração de olhos abertos, e a direita, uma boneca que acabara de abrir seus olhos mostrando-os vermelhos como sangue.
Elysia deu um grito maior do que o passado, e arredou para trás, caindo ao chão de terra, arrastando para trás.
A mulher se levantou, sorrindo com o sorriso forçado, e sangrando muito, encarando Elysia com seus olhos de sangue. O menino gritou junto com ela.
A mulher virou de costas, vendo o menino, curiosa.
– Mãe? – Disse ele com medo, sentado, encolhido.
A suposta mãe agarrou o menino, levando o a boca, como se fosse beijar, e por um momento o menino parara de chorar. E foi então que ela começou a morder seu rosto, arrancando sua pele, e o menino deu seu último grito.
Elysia se levantou mais rápido que pode, com lagrimas aos olhos, gritando alto. Correu fazendo o caminho de volta pro acampamento, gritando ao nome de qualquer pessoa conhecida.
Ela escutou passos correndo até ela, e ela correu mais ainda, quase caindo novamente, até avistar então, as primeiras fogueiras.
Soltou um grito de alívio e gritou o nome de seu pai, até sua garganta doer.
O pai veio desesperado.
– Elysia? – Disse ele com a voz grossa de sempre – Onde se meteu?!
– Pai! – Ela correu e deu um abraço forte. – Pai, ela, o menino, ela devorou... – Não conseguiu terminar a frase, começou a soluçar.
– Venha pra barraca.
***
– E então... E então ela mordeu o rosto do menino. – Terminou ela, contando para seu pai e mãe. Estavam em sua barraca, velas acessas e cortinas fechadas. Ao centro, uma mesa de madeira, e o redor, colchões de algodão.
A mãe encarou o pai.
– Filha, deixe-me conversar a sós com sua mãe. Koan trouxe veado da caça, vá comer. Peça-o vinho.
Elysia suspirou fundo, e saiu de sua tenda, mas não foi a procura de Koan. Sentou a fora, escutando a conversa de seu pai e mãe.
– Kevan precisamos partir – A voz doce da mãe era profunda. – Achava que os possuidores estavam extintos!
– Eu também, Raysa, eu também. Mas já suspeitava que acontecesse. Não duvido mais de nada desde que recebi notícias de que Brandon, de Whintcherland recebera um dragão, junto com sua primeira pedra. Escuta, não podemos correr riscos, você sabe do que precisamos...
Ficaram em silêncio por um pouco.
– Não. Não, Kevan, não!
– Escute, na última guerra, o reino de Kaath estava na liderança. Nossos homens tem a inteligência que eles não têm.
– Como sabe? – Disse a mãe. – E se não passarem de historias que seus pais o contaram?
– Não, não pode ser. – A voz do pai estava cheia de emoção. — Se não providenciarmos algo, as consequências serão cada vez pior. Não chegamos a última pedra, guerra passada, e desconhecemos as consequências a seguir. Nove pedras, Nove reinos, Nove pragas, Nove prêmios. Milhões de mortes.
– E o que vamos fazer? Lutar contra Capenhagem e Azaara? Ou será que você está tão doido a respeito de lutar contra Stonebroken?
– Não, nada disso. Iremos planejar isso antes, mas navegaremos contornando o mundo, e chegaremos a Whintcherland. Mataremos o rei e tomaremos a pedra e o dragão, e depois atacaremos os reinos menores, deixando Sanchezo por último.
– Está pensando errado. E se Sanchezo se sentir ameaçada e lutar contra nós? E além do mais, bem sabe você que Stonebroken é doida por uma guerra. Kevan, faça o que eu digo! Mantenha a paz!
– Não. – Disse ele por um tempo. – Faremos o que eu digo. Iremos para a cidade de Lanys, juntaremos o melhor exército possível, e navegaremos para Whintcherland.
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