As cronicas de duas retardadas.
2 🎭“Cada um tem seu nível."
Notas iniciais
Querido diário, alguns são normais e outros nem tanto. E ainda tem aqueles que extrapolam os limites do ridículo no caso minha prima/melhor amiga e eu:
–Finalmente intervalo- eu praticamente gritei
Também depois de duas aulas tortuosas de inglês em que eu sou obrigada a aprender sempre o verbo to be –que para falar a verdade até hoje eu não aprendi- quem aguenta?
–Vamos lanchar na rampa?
–Sempre- eu disse.
Subimos para a rampa que leva ao corredor do Ensino médio, no início fica o primeiro ano, depois segundo, terceiro e pôr fim a sala da coordenadora do Ensino médio.
Ficamos perto da sala do primeiro ano como de costume.
Eleonora, Viviane e Larissa passam se achando as maiores gostosas do pedaço, praticamente rebolaram em nossas caras -o que foi muito nojento diga-se de passagem- nos olharam com o típico olhar de desprezo e riram de nossas caras. Essas são as prostitutas do nono ano, a única que é realmente bonita é a Viviane que em compensação é tão inteligente quanto uma porta.
Larissa é uma garota sem classe e grossa que se acha a última bolacha do pacote-deveriam avisar a ela que a última bolacha do pacote vem sempre caindo aos pedaços, só no farelo minha querida! — Eleonora é ainda mais desprovida de inteligência que Viviane e ainda mais ridícula que Larissa, além de é claro ser a líder do “grupinho das populares”.
Lia e eu começamos a rir da ceninha armada pelas três cobras. Digamos que nossas risadas são escandalosas e longas. É aquele tipo de risada que começa por motivos bobos e não tem mais fim e quando finalmente acaba Lia e eu nos encaramos e voltamos a rir e então o povo nos encara como se fossemos as maiores retardadas do planeta e perguntam se estamos bem, meu rosto fica vermelho de tanto rir e Cecilia abaixa a cabeça para tentar disfarçar o riso enquanto eu começo a tossir ou espirar para disfarçar o que normalmente gera mais risos porquê eu definitivamente não consigo disfarçar, limpamos as lagrimas invisíveis e fingimos que nada aconteceu.
Percebemos Miguel, um colega nosso, nos encarando, porém nem nos mexemos afinal ainda estávamos nos debatendo como duas focas, poderíamos A- tentar parar de rir ou então B- sair correndo e fingir que nada aconteceu. Mas na verdade olhamos para a cara de Miguel e começamos a rir mais.
Ele revirou os olhos e nos olhou com uma expressa seria.
–Cada um tem seu nível- sussurrou antes de sair.
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