Querido diário, acredita que estão botando pressão para irmos a uma tal aula de campo? Tudo começou hoje cedo quando a coordenadora Primavera apareceu na sala e quando soube que não íamos acabou nos obrigando a pegar um aviso que só quem quer ir na aula de campo pegou. Nesse aviso tem data, hora e valor. Só que ela pareceu não entender que não queremos ir na aula de campo e ela não foi a única que não entendeu.

–Por que vocês não vão?

–Peter pela última vez, nós podemos ser assassinadas, estupradas, atropeladas, o ônibus pode capotar e pegar fogo. Quer que eu continue?

–Lia não se esqueça do tráfico ilegal de órgãos.

–Isso ai Ali!

–Dramáticas- disse Peter revirando os olhos

–Só que não — eu disse.

–Somos apenas realistas- disse Cecilia.

Depois de Peter veio o Miguel.

Eu estava tranquila na minha cadeira que é a primeira da esquerda e aquela miséria ficou lá me encarando até que eu levanto a cabeça para olha-lo. E eu como uma mocinha delicada tentei ser educada com o meu colega:

–O que você quer miséria?

–Vai na aula de campo?

–Não. Porto Seguro está a uma grande distância de São Paulo não acha? E além disso não é seguro dormir tanto tempo fora de casa.

Eu nem que me paguem vou sair de São Paulo para ir passar quatro dias em Porto. Tenho mais o que fazer.

–Não vai porque não consegue se socializar né antissocial?

Soldado ferido! Ele atingiu o meu ponto fraco naquele momento.

–A sua mãe deixa você dormir fora de casa?

–Não

Okay isso não é totalmente verdade. Eu programo um mês antes e ela deixa se bem que mesmo assim ela adia... então basicamente eu não posso dormir fora de casa.